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Como é bom não fazer nada e depois descansar


Rodolfo de Souza

13/06/2018 | 20:25


 

Li certa vez numa placa os dizeres que, cedendo aos caprichos da minha inspiração, decidi colocar bem ali, no alto desta crônica, só para ilustrar o assunto que se segue e que diz respeito à bela vida que leva uma determinada categoria de profissionais deste imenso circo.

Noutro dia assistia ao telejornal... É, tenho a mania de, vez ou outra, dar uma passadinha pela TV para saber das novidades e também colaborar com a mídia corrompida deste País. E foi justamente na telinha que vi uma reportagem em que a jornalista apresentava uma visão panorâmica do Congresso Nacional completamente vazio. Dizia, a repórter, que os políticos estão de recesso por causa das festas juninas e também porque necessitam de tempo integral para comemorar cada gol marcado na Copa do Mundo, seja lá de quem for. Remotas, pois, são as chances de ser votado qualquer projeto nesse período que ninguém sabe até onde vai. Disse também, a moça, que isso causará um prejuízo de R$ 30 milhões ao contribuinte. Não sei bem se por mês, por dia ou por hora. Ela não teve a delicadeza de informar. Mas tantos são os prejuízos para a população que acabamos por perder a noção quantitativa da coisa, o que, aliás, pouco importa nessas alturas do campeonato. Desconcertante mesmo é se saber um perfeito cretino diante de gente que, no trabalho, faz o seu próprio horário de entrada e de saída, e ainda comparece só quando tem na pauta de discussão um assunto de seu interesse.

Fiquei um tanto chateado, companheiro leitor, com a imagem daquelas confortáveis poltronas vazias num auditório suntuoso de equipamentos eletrônicos e painéis digitais, todos apagados. De fato para eles o País parou! Não há mais problemas de ordem econômica nem há divergência entre empresários e transportadores no tocante ao frete, não há mais violência, e a falência dos Estados é coisa do passado. Dá até a impressão de que todos os brasileiros levam a mesma boa vida de quem é eleito por este pobre povo sem noção e sem expectativa de uma vida melhor, que deposita toda sua confiança no famigerado que sobe ao poder para largar o trabalho e festejar os santos juninos. Fiquei de fato revoltado ao ver a matéria.

Apesar de que, verdade seja dita, o meu aborrecimento não durou muito. Depois de refletir um pouco acerca da vadiagem legal, flagrei-me pensando no absurdo de estar nervoso pelo mau-caratismo crônico, cultura antiga debaixo desta lona. A que prejuízo, afinal, se referia a tal repórter? – perguntei-me. A prejuízo nenhum, obviamente. Deputado na Câmara é malandro trabalhando arduamente contra o progresso da Nação. Político em casa concede ao povo a oportunidade impar de ver seu País crescer, nem que seja um tantinho só, enquanto o cara dorme. Momento sublime em que a Pátria amada aproveita o ensejo do sono profundo da raposa, para fingir que é soberana e dona de toda riqueza que há em seu vasto território. Pobre dela que, num piscar de olhos, verá roer novamente a sua carne idolatrada o espoliador que acaba de acordar com o apetite renovado, e, como sempre, voraz.

 



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