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Wheaton negocia aluguel da Karmann

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fabricante de vidros, que planeja utilizar galpão para estocar produção, teria interesse em leilão


Flavia Kurotori
Especial para o Diário

13/06/2018 | 07:20


A autopeça de São Bernardo Karmann Ghia, que teve o decreto de sua falência suspenso em janeiro, está negociando aluguel temporário de um de seus pavilhões para empresa vizinha, a Wheaton do Brasil – fabricante especializada em frascos de vidro. O espaço é de, aproximadamente, 5.000 m² e detalhes do contrato ainda estão sendo discutidos.

Renato Massara Júnior, diretor comercial da Wheaton, destaca que a empresa teria interesse em adquirir as instalações da Karmann, no entanto, “seria uma compra de muito risco por causa do imbróglio judicial, mas, se a Justiça determinasse leilão do local, nós (a Wheaton) participaríamos”.

Segundo Massara Júnior, a fabricante de vidros estava em busca de local para estocar parte de sua produção, uma vez que, com a construção de um centro de distribuição em seu terreno, o espaço de armazenamento será reduzido. “O lugar está parado há muito tempo (desde abril de 2016) e está deteriorando por falta de uso, então fomos procurados pela Karmann”, afirma.

A negociação, porém, vai contra o pleito do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que possui recurso na Justiça pela falência da empresa e defende o leilão da massa falida com o objetivo de quitar os direitos trabalhistas de 600 ex-funcionários. A entidade informou que não está participando do firmamento de tal acordo.

Por outro lado, legalmente não há nada que proíba a metalúrgica de negociar venda ou aluguel de bens. “Desde que não haja impedimento específico da Justiça, a lei diz que a empresa pode celebrar contratos para produzir renda e pagar credores”, avalia Ruy Coppola Júnior, advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo.

Deste modo, mesmo que a quantia não seja destinada ao pagamento dos trabalhadores, o contrato de aluguel é legítimo. “Caso alguma parte, como o sindicato, sinta-se lesado, é possível convocar a Justiça. O juiz responsável, por sua vez, pode validar ou não o acordo, assim como pode acionar assembleia geral dos credores para a decisão”, explica Coppola Júnior.

Procurado pela equipe do Diário, Fernando Floriano, responsável judicialmente pela Karmann Ghia, informou que todo o processo corre sob segredo de Justiça e que qualquer negociação envolvendo a empresa é confidencial.
 
HISTÓRICO - Desde 1960 na região, a autopeça, que prestava serviços para empresas como Volkswagen e Fiat, teve sua falência decretada pela primeira vez em novembro de 2016. Na época, o passivo ultrapassava R$ 300 milhões. Do total, R$ 8 milhões eram de dívidas trabalhistas, R$ 50 milhões, de despesas com bancos e fornecedores, e R$ 140 milhões, de tributos.

O baque foi ocasionado pela crise econômica e a consequente queda na demanda pelos serviços, agravada pela suspensão das linhas de produção da Kombi e do Gol G4 na Volks. Em 2015, para se ter ideia, a firma operava com apenas 40% do seu faturamento.

Em 2014, a metalúrgica foi comprada por Maristela Nardini, que pagou apenas uma das 52 parcelas do valor da venda, de R$ 17,8 milhões. Em maio de 2016, após pedir reintegração de posse na Justiça, a titularidade da empresa voltou a dom Eudes Regnier Orleans e Bragança, trineto de Dom Pedro II.

A partir de então, a falência da Karmann Ghia já foi suspensa três vezes, sendo a última em janeiro deste ano. O principal prejuízo para os ex-funcionários é que, na atual situação, o espólio não pode ser leiloado para quitação das dívidas, não havendo garantia de pagamento. Parte dos trabalhadores lesados solicitou rescisão indireta na Justiça – que é acatado se comprovado abandono da empresa – para, assim, conseguir outro emprego e o acesso outros direitos, como seguro-desemprego. 



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