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Prédio do teatro paulistano, inaugurado em 1911, tem tour que mostra sua história


Daniela Pegoraro

11/06/2018 | 07:00


Ao fundo da Praça Ramos de Azevedo, no coração de São Paulo, um suntuoso edifício se faz presente. Mesmo de passo apertado na correria da Capital paulista, sua arquitetura faz com que qualquer um perca alguns segundos para admirá-lo. Inaugurado em 1911 pelos barões do café, o Theatro Municipal é arte desde a escadaria de entrada até os palcos. O espetáculo começa antes mesmo de as cortinas se abrirem, e é possível conhecer gratuitamente, em visita guiada, o espaço para além de sua fachada.

Dos portões, segue-se para o grande salão de entrada. Quase todo ambiente leva o tom de branco e dourado, mas é o vermelho dos tapetes, cortinas e detalhes que realmente se contrasta. Originalmente, a cor rubra era verde-musgo para que fizesse alusão às folhas de café, considerado na época como o ‘ouro verde’. No entanto, entendeu-se que para uma casa de ópera a cor não era adequada, e foi substituída pelo atual vermelho.

Como foi construído para o entretenimento da elite, luxo era de total importância. Do chão ao teto, detalhes, pinturas e mosaicos foram trazidos de toda a Europa, de Veneza à Alemanha. Ao centro de duas pilastras, a escadaria central de mármore leva o visitante a uma sala escondida atrás das cortinas, às quais se pendem da escultura italiana que faz referência à imagem do sátiro que, segundo a mitologia greco-romana, seria a primeira criatura a representar outra pessoa, dando início assim ao teatro.

Por trás das cortinas estão os camarotes especiais do prefeito, secretário de Cultura e governador, todos com vista privilegiada para o palco. Historicamente construído para os mais afortunados, em 1911 foi implantado um sistema de ordens, cada qual com suas regalias. A primeira delas era formado por políticos e barões do café, nos melhores lugares da casa. A segunda, para profissionais liberais, como médicos e engenheiros. Já a terceira era de uso dos professores e estudantes universitários, que eram poucos na época.

O INÍCIO
O dia de sua inauguração teve de ser adiado. Estava marcado para 11 de setembro, mas houve manifestações contra o fato de a ópera apresentada ser europeia e não brasileira. Deste modo, apresentou-se antes do espetáculo O Guarani, de Carlos Gomes. Em 12 de setembro, aconteceu o primeiro engarrafamento da cidade. Mais de 20 mil pessoas compareceram ao teatro. No entanto, havia ingressos e espaço para apenas 1.800. Hoje, o Theatro Municipal é tombado como patrimônio histórico-cultural. Desta forma, é público. Os ingressos para assistir a um espetáculo custam de R$ 20 a R$ 150, sendo que de segunda e quarta, às 18h, existem apresentações gratuitas.

A visão do palco se difere a cada assento. Da plateia, é possível ter acesso a tudo que se passa, e por isso são os ingressos mais caros. Os que optam pelos lugares mais ao alto podem acabar tendo a visão prejudicada, no entanto e, por isso, o preço é mais acessível. No centro do teto, um lustre vindo da Alemanha chama a atenção: ele pesa uma tonelada e meia. Acima do palco, o ornamento esculpido é da Vênus, indicando que “tudo que for ao palco tem de ser tão belo quanto a deusa”, explica o educador Victor Godoy.

Em uma saída alternativa dos camarotes, o corredor guia os visitantes em direção ao salão nobre. Espaçoso, adornado de vitrais, esculturas e murais, antigamente era utilizado apenas para festas. Hoje, dá espaço para outros concertos menores.

O passeio histórico ainda continua pela praça das artes, que faz parte de todo o complexo do local. “Por toda a história do teatro, que por muito tempo foi segregado e hoje é municipal. É um ícone que temos de nos apropriar e ressignificar”, diz Larissa Paz, orientadora educacional do local. As visitas acontecem de quarta a sexta, às 11h, 13h, 15 e 17h, e aos sábados, às 14h e 15h. A inscrição deve ser feita uma hora antes, no próprio local.



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