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‘Onde há museus há mais conhecimento’

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vinícius Castelli
do Diário do Grande ABC

04/06/2018 | 07:06


Nilo de Almeida é daquelas pessoas que tratam a arte com tanto, mas tanto respeito, que dá até gosto de ver. Com olhar sensível e poético quando o assunto é Cultura, o agente cultural, 50 anos, é artista plástico e especialista em artes plásticas.

Trabalha na Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, espaço que cuida com primor. Sua primeira passagem por lá foi nos anos 1990. Atua na organização do renomado Salão de Arte Contemporânea da cidade. Para ele, a arte não deve ter regras.

Nilo estreia nova seção do Diário, a Entrevista da Semana, que será publicada toda segunda-feira.

Raio X
Nome: Nilo de Almeida
Estado civil: Solteiro, não tem filhos
Idade: 50 anos
Local de nascimento: São Paulo e mora em São Bernardo
Formação: Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na Universidade Metodista de São Paulo e mestre em museologia pela USP
Hobby: Caminhada
Local predileto: Rudge Ramos, em São Bernardo
Livro que recomenda: Fernão Capelo, Gaivota, de Richard Bach
Artista que marcou sua vida: Leonardo Da Vinci
Profissão: Agente cultural e museólogo
Onde trabalha: Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, e faz parte da comissão organizadora do Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto

Como teve início sua relação com o universo artístico?
Começa na infância. Éramos uma família de poucos recursos, cinco filhos. Meus irmãos mais velhos começaram a trabalhar muito cedo. Contudo, sempre tivemos livros em casa, pinturas na parede. Quando era possível íamos ao cinema. Com pais nordestinos e irmãos ouvindo o rock e a música pop dos anos 1970, cresci com trilha sonora que mistura com tranquilidade Luiz Gonzaga, Maria Bethânia, Chico Buarque, Elton John, Jackson Five e Gilliard. Quando inauguraram a Biblioteca Malba Tahan (em São Bernardo) fiz minha carteirinha nos primeiros dias. Lembro dos balcões altos, das bibliotecárias procurando livros, auxiliando a localizar material para pesquisa. Lembro de atividades culturais na biblioteca, de com o passar dos anos colaborar com algumas delas e dos afetos construídos por esse caminho. De doar livros, sempre! E continuar com minha carteirinha, retirando livros!

E como foi o caminho percorrido na Educação até optar pela arte como meio de vida?
Toda minha formação educacional, até a faculdade, foi feita no Grande ABC, o que reforça meu afeto pela região. Estudei no Otílio de Oliveira, fiz o curso técnico em eletrônica na ETE (Escola Técnica Estadual) Lauro Gomes e Comunicação Social na Metodista (unidades de ensino localizadas em São Bernardo). Ensino público básico bom. E tive financiamento do governo federal para concluir a faculdade. Então, o foco sempre foi procurar caminho racional, prático. Mas como se prende uma nuvem, não é mesmo? Na época da ETE, durante as férias, ia ao Masp (Museu de Arte de São Paulo). Até escrevi sobre isso quando reinauguraram a exposição do acervo ano passado. Era insano, porque levava de duas a três horas para chegar ao museu, ficava no máximo uma hora e já tinha de voltar correndo para casa. A arte se colocava diante de mim, sempre como uma bênção, mas jamais pensaria como algo, naquele momento, que pudesse se tornar parte tão importante e presente em minha vida. Era uma necessidade, mas que cultivava como algo que não seria da minha vida. Teria uma carreira prática e seria uma pessoa prática. E todo meu ser na verdade seguia por outro caminho, pela sensibilidade, olhar o outro e o mundo procurando formas de expressar e compartilhar sentimentos e pensamentos. Era uma nuvem, e nuvens não são exatas. Acho que só eu não entendia isso. Minha família sempre teve a preocupação para que eu fizesse caminho concreto, que tivesse diploma, carreira. E tive o diploma, a carreira, do meu jeito, e sou grato porque eles entenderam e continuam entendendo.
     
Como se deu a aproximação pelas artes plásticas?
A aproximação formal com a área de artes se dá quando entro na Prefeitura de Santo André, como agente cultural. Inicio trabalhando com produção de eventos de música e teatro, mas acabo indo trabalhar com a parte de exposições. E neste momento é um trabalho básico: carregar obras de arte, ajudar a montar exposições, fazer burocracias. Mas neste meio de caminho visita-se um ateliê aqui, conversa-se com um artista ali. E o mundo vai se expandindo. Estou falando aqui do início dos anos 1990, quando a região passa por processo de se colocar como referência cultural e romper a imagem de um lugar só de fábricas. Conhecer Evandro Jardim, Beatriz Milhazes, e, claro, Luiz Sacilotto, entre outros artistas, vai construindo em mim a certeza que meu fazer iria além do carregar obras para algo mais. Estava concluindo a faculdade de Comunicação e percebi que não seria um publicitário. Fiz então um curso como aluno especial com Walter Zanini, na USP (Universidade de São Paulo), sobre Giorgio Vasari, retratando artistas italianos da Renascença. Lembro até hoje da dificuldade em fazer o trabalho de conclusão, na máquina de escrever na cozinha em casa à noite. Mas entreguei o texto! E nesse período, porque tive o apoio de minha família, conseguia me dedicar de modo intenso ao trabalho, que em muitos momentos era aprendizado, era fruição.

O que mais lhe dá prazer na sua profissão?
Ser profissional de Cultura. Agente cultural é minha função de origem, mas o que sou, o que me tornei, é um profissional de Cultura. E o maior prazer é trabalhar com aquilo que entendo, seja a essência da humanidade. Sempre penso, como servidor público, que se um profissional de Saúde oferece cuidado, prevenção, cura, um de Educação oferece conhecimento. O que oferece um profissional de Cultura? Oferece vida, plenitude de existência, que só a experiência da Cultura pode oferecer. Quando você se alimenta ou toma um remédio, sente-se bem. Quando aprende algo, sente-se sábio. Quando vê uma obra de arte, lê um livro, ouve música, sente-se vivo.

Você está no espaço cultural andreense Casa do Olhar Luiz Sacilotto há quanto tempo?
Ao longo dos 28 anos de minha trajetória na Prefeitura sempre trabalhei na área de Cultura, mas é parte da estrutura, das práticas públicas, que nos desloquemos entre equipamentos e projetos ao longo do tempo. Trabalhei também no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa e no Comdephaapasa. Na Casa do Olhar e na área de artes visuais atuei entre os anos de 1991 e 1998, depois em 2007-2008, e, agora, estou desde 2015.

Como foi sua chegada à Casa e o que faz lá?
No período de 1991 a 1998 trabalhei no momento em que estava sendo implantado pela artista e professora universitária Paula Caetano o Núcleo de Artes Plásticas e o, naquele momento, projeto da Casa do Olhar. Depois, ao longo do tempo, pelo aprendizado no trabalho, por experiências vivenciadas fora, cursos, fui realizando trabalhos de curadoria, coordenação e organização de atividades de formação em artes. Também participei da organização do Salão de Arte Contemporânea, como já disse, carregando quadros no início e agora atuando na organização do evento como um todo. Até o ano de 2016 atuei como coordenador e agora estou dedicado à encarregatura.

Quais trabalhos o espaço desenvolve?
A Casa do Olhar Luiz Sacilotto é espaço dedicado às artes visuais, realizando exposições, palestras e cursos, explorando as possibilidades tanto das técnicas ditas tradicionais – como pintura e gravura – como as novas formas de expressão, a arte de rua, os formatos digitais.

O acervo artístico de Santo André pertence à Casa do Olhar? Como é cuidar disso?
O acervo artístico de Santo André é formado basicamente por obras adquiridas nos salões de arte contemporânea, desde 1968, pelas obras premiadas nas cinco edições da Bienal de Gravura de Santo André, que aconteceram entre os anos de 2000 e 2010. E em núcleo menor por doações. Após a criação da Casa do Olhar, em 1992, este acervo passou a ficar sob sua tutela. Cuidar deste acervo é desafio e ao mesmo tempo motivo de muita alegria e prazer, pelas constantes descobertas que fazemos a todo momento. É uma coleção riquíssima, que traça os últimos 50 anos da arte brasileira, e que tem o Grande ABC muito bem representado, uma demonstração clara do potencial de expressão cultural que possuímos. Produzimos carros, móveis, polenta. E também produzimos pinturas, gravuras, esculturas, sensibilidade, beleza e criação.
 
Na sua opinião, a arte deve ter limite quando falamos de processo criativo?
Nunca! O limite da arte é o processo de criação do artista. Sempre teremos conteúdos que talvez exijam algum cuidado para se expor, seja por conta de ser impróprio para menores ou por oferecer algum risco de segurança. Imagine uma obra em que pessoas com problemas de equilíbrio não possam entrar, pois podem passar mal. Vai deixar de expor por este motivo? Ora, se o trabalho tem consistência, está bem resolvido, tem de ser compartilhado com o público. O que devemos fazer neste caso é sinalizar e orientar adequadamente os visitantes para evitar que alguém se machuque. Simples assim. E quando falo dos conteúdos impróprios para crianças, sou extremamente rigoroso quanto a isso. A criança ainda não consegue estabelecer seus próprios conceitos de mundo, portanto, um conteúdo que tratará de assuntos para os quais ela ainda não está social e emocionalmente preparada para lidar deve ter seu acesso restrito. Também simples assim. Com calma, serenidade e respeito. Quem faz escândalo é porque está menos preparado que a criança para lidar com alguns assuntos. Uma pena.

Acredita que a arte tem o papel de quebrar preconceitos, sejam quais forem?
Arte tem poder de levar conhecimento às pessoas, inspirando-as a criar e observar o mundo de uma outra forma. Ora, se  amplio meu modo de pensar, se consigo ver uma mesma situação por mais de um ângulo, não há como ter conceito preestabelecido, um ‘preconceito’. Não se trata de um poder que a arte possua, mas de algo que é consequência de sua existência. Onde há museus há mais conhecimento e, portanto, mais pensamento e abertura a novas ideias.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
Fortalecer os museus da região, em especial os dedicados às artes visuais. Compreendo a Casa do Olhar como um museu de arte e espero que um dia seja possível aprovar sua lei de criação como tal. 



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‘Onde há museus há mais conhecimento’

Vinícius Castelli
do Diário do Grande ABC

04/06/2018 | 07:06


Nilo de Almeida é daquelas pessoas que tratam a arte com tanto, mas tanto respeito, que dá até gosto de ver. Com olhar sensível e poético quando o assunto é Cultura, o agente cultural, 50 anos, é artista plástico e especialista em artes plásticas.

Trabalha na Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, espaço que cuida com primor. Sua primeira passagem por lá foi nos anos 1990. Atua na organização do renomado Salão de Arte Contemporânea da cidade. Para ele, a arte não deve ter regras.

Nilo estreia nova seção do Diário, a Entrevista da Semana, que será publicada toda segunda-feira.

Raio X
Nome: Nilo de Almeida
Estado civil: Solteiro, não tem filhos
Idade: 50 anos
Local de nascimento: São Paulo e mora em São Bernardo
Formação: Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na Universidade Metodista de São Paulo e mestre em museologia pela USP
Hobby: Caminhada
Local predileto: Rudge Ramos, em São Bernardo
Livro que recomenda: Fernão Capelo, Gaivota, de Richard Bach
Artista que marcou sua vida: Leonardo Da Vinci
Profissão: Agente cultural e museólogo
Onde trabalha: Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André, e faz parte da comissão organizadora do Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto

Como teve início sua relação com o universo artístico?
Começa na infância. Éramos uma família de poucos recursos, cinco filhos. Meus irmãos mais velhos começaram a trabalhar muito cedo. Contudo, sempre tivemos livros em casa, pinturas na parede. Quando era possível íamos ao cinema. Com pais nordestinos e irmãos ouvindo o rock e a música pop dos anos 1970, cresci com trilha sonora que mistura com tranquilidade Luiz Gonzaga, Maria Bethânia, Chico Buarque, Elton John, Jackson Five e Gilliard. Quando inauguraram a Biblioteca Malba Tahan (em São Bernardo) fiz minha carteirinha nos primeiros dias. Lembro dos balcões altos, das bibliotecárias procurando livros, auxiliando a localizar material para pesquisa. Lembro de atividades culturais na biblioteca, de com o passar dos anos colaborar com algumas delas e dos afetos construídos por esse caminho. De doar livros, sempre! E continuar com minha carteirinha, retirando livros!

E como foi o caminho percorrido na Educação até optar pela arte como meio de vida?
Toda minha formação educacional, até a faculdade, foi feita no Grande ABC, o que reforça meu afeto pela região. Estudei no Otílio de Oliveira, fiz o curso técnico em eletrônica na ETE (Escola Técnica Estadual) Lauro Gomes e Comunicação Social na Metodista (unidades de ensino localizadas em São Bernardo). Ensino público básico bom. E tive financiamento do governo federal para concluir a faculdade. Então, o foco sempre foi procurar caminho racional, prático. Mas como se prende uma nuvem, não é mesmo? Na época da ETE, durante as férias, ia ao Masp (Museu de Arte de São Paulo). Até escrevi sobre isso quando reinauguraram a exposição do acervo ano passado. Era insano, porque levava de duas a três horas para chegar ao museu, ficava no máximo uma hora e já tinha de voltar correndo para casa. A arte se colocava diante de mim, sempre como uma bênção, mas jamais pensaria como algo, naquele momento, que pudesse se tornar parte tão importante e presente em minha vida. Era uma necessidade, mas que cultivava como algo que não seria da minha vida. Teria uma carreira prática e seria uma pessoa prática. E todo meu ser na verdade seguia por outro caminho, pela sensibilidade, olhar o outro e o mundo procurando formas de expressar e compartilhar sentimentos e pensamentos. Era uma nuvem, e nuvens não são exatas. Acho que só eu não entendia isso. Minha família sempre teve a preocupação para que eu fizesse caminho concreto, que tivesse diploma, carreira. E tive o diploma, a carreira, do meu jeito, e sou grato porque eles entenderam e continuam entendendo.
     
Como se deu a aproximação pelas artes plásticas?
A aproximação formal com a área de artes se dá quando entro na Prefeitura de Santo André, como agente cultural. Inicio trabalhando com produção de eventos de música e teatro, mas acabo indo trabalhar com a parte de exposições. E neste momento é um trabalho básico: carregar obras de arte, ajudar a montar exposições, fazer burocracias. Mas neste meio de caminho visita-se um ateliê aqui, conversa-se com um artista ali. E o mundo vai se expandindo. Estou falando aqui do início dos anos 1990, quando a região passa por processo de se colocar como referência cultural e romper a imagem de um lugar só de fábricas. Conhecer Evandro Jardim, Beatriz Milhazes, e, claro, Luiz Sacilotto, entre outros artistas, vai construindo em mim a certeza que meu fazer iria além do carregar obras para algo mais. Estava concluindo a faculdade de Comunicação e percebi que não seria um publicitário. Fiz então um curso como aluno especial com Walter Zanini, na USP (Universidade de São Paulo), sobre Giorgio Vasari, retratando artistas italianos da Renascença. Lembro até hoje da dificuldade em fazer o trabalho de conclusão, na máquina de escrever na cozinha em casa à noite. Mas entreguei o texto! E nesse período, porque tive o apoio de minha família, conseguia me dedicar de modo intenso ao trabalho, que em muitos momentos era aprendizado, era fruição.

O que mais lhe dá prazer na sua profissão?
Ser profissional de Cultura. Agente cultural é minha função de origem, mas o que sou, o que me tornei, é um profissional de Cultura. E o maior prazer é trabalhar com aquilo que entendo, seja a essência da humanidade. Sempre penso, como servidor público, que se um profissional de Saúde oferece cuidado, prevenção, cura, um de Educação oferece conhecimento. O que oferece um profissional de Cultura? Oferece vida, plenitude de existência, que só a experiência da Cultura pode oferecer. Quando você se alimenta ou toma um remédio, sente-se bem. Quando aprende algo, sente-se sábio. Quando vê uma obra de arte, lê um livro, ouve música, sente-se vivo.

Você está no espaço cultural andreense Casa do Olhar Luiz Sacilotto há quanto tempo?
Ao longo dos 28 anos de minha trajetória na Prefeitura sempre trabalhei na área de Cultura, mas é parte da estrutura, das práticas públicas, que nos desloquemos entre equipamentos e projetos ao longo do tempo. Trabalhei também no Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa e no Comdephaapasa. Na Casa do Olhar e na área de artes visuais atuei entre os anos de 1991 e 1998, depois em 2007-2008, e, agora, estou desde 2015.

Como foi sua chegada à Casa e o que faz lá?
No período de 1991 a 1998 trabalhei no momento em que estava sendo implantado pela artista e professora universitária Paula Caetano o Núcleo de Artes Plásticas e o, naquele momento, projeto da Casa do Olhar. Depois, ao longo do tempo, pelo aprendizado no trabalho, por experiências vivenciadas fora, cursos, fui realizando trabalhos de curadoria, coordenação e organização de atividades de formação em artes. Também participei da organização do Salão de Arte Contemporânea, como já disse, carregando quadros no início e agora atuando na organização do evento como um todo. Até o ano de 2016 atuei como coordenador e agora estou dedicado à encarregatura.

Quais trabalhos o espaço desenvolve?
A Casa do Olhar Luiz Sacilotto é espaço dedicado às artes visuais, realizando exposições, palestras e cursos, explorando as possibilidades tanto das técnicas ditas tradicionais – como pintura e gravura – como as novas formas de expressão, a arte de rua, os formatos digitais.

O acervo artístico de Santo André pertence à Casa do Olhar? Como é cuidar disso?
O acervo artístico de Santo André é formado basicamente por obras adquiridas nos salões de arte contemporânea, desde 1968, pelas obras premiadas nas cinco edições da Bienal de Gravura de Santo André, que aconteceram entre os anos de 2000 e 2010. E em núcleo menor por doações. Após a criação da Casa do Olhar, em 1992, este acervo passou a ficar sob sua tutela. Cuidar deste acervo é desafio e ao mesmo tempo motivo de muita alegria e prazer, pelas constantes descobertas que fazemos a todo momento. É uma coleção riquíssima, que traça os últimos 50 anos da arte brasileira, e que tem o Grande ABC muito bem representado, uma demonstração clara do potencial de expressão cultural que possuímos. Produzimos carros, móveis, polenta. E também produzimos pinturas, gravuras, esculturas, sensibilidade, beleza e criação.
 
Na sua opinião, a arte deve ter limite quando falamos de processo criativo?
Nunca! O limite da arte é o processo de criação do artista. Sempre teremos conteúdos que talvez exijam algum cuidado para se expor, seja por conta de ser impróprio para menores ou por oferecer algum risco de segurança. Imagine uma obra em que pessoas com problemas de equilíbrio não possam entrar, pois podem passar mal. Vai deixar de expor por este motivo? Ora, se o trabalho tem consistência, está bem resolvido, tem de ser compartilhado com o público. O que devemos fazer neste caso é sinalizar e orientar adequadamente os visitantes para evitar que alguém se machuque. Simples assim. E quando falo dos conteúdos impróprios para crianças, sou extremamente rigoroso quanto a isso. A criança ainda não consegue estabelecer seus próprios conceitos de mundo, portanto, um conteúdo que tratará de assuntos para os quais ela ainda não está social e emocionalmente preparada para lidar deve ter seu acesso restrito. Também simples assim. Com calma, serenidade e respeito. Quem faz escândalo é porque está menos preparado que a criança para lidar com alguns assuntos. Uma pena.

Acredita que a arte tem o papel de quebrar preconceitos, sejam quais forem?
Arte tem poder de levar conhecimento às pessoas, inspirando-as a criar e observar o mundo de uma outra forma. Ora, se  amplio meu modo de pensar, se consigo ver uma mesma situação por mais de um ângulo, não há como ter conceito preestabelecido, um ‘preconceito’. Não se trata de um poder que a arte possua, mas de algo que é consequência de sua existência. Onde há museus há mais conhecimento e, portanto, mais pensamento e abertura a novas ideias.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
Fortalecer os museus da região, em especial os dedicados às artes visuais. Compreendo a Casa do Olhar como um museu de arte e espero que um dia seja possível aprovar sua lei de criação como tal. 

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