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Tapete solidário ajuda os moradores de rua

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Na Catedral Nossa Senhora do Carmo, em Sto.André, passagem é feita com blusas e cobertores


Vanessa de Oliveira

01/06/2018 | 07:00


Na Catedral Nossa Senhora do Carmo, no Centro de Santo André, o tradicional tapete de Corpus Christi, que é confeccionado pelas igrejas para marcar a data católica, celebrada ontem, levou amparo para centenas de pessoas, incluindo moradores de rua, que têm sofrido com o frio que já se inicia. Isso porque ele não foi produzido da forma costumeira, com serragem, borra de café, casca de ovos, areia, entre outros materiais, e sim com roupas e cobertores, que foram destinados ao público carente.

O chamado “tapete solidário” é confeccionado há cinco anos. A arrecadação das peças é feita pelos grupos de jovens de 12 paróquias da região central da cidade. Em 16 metros de tapete havia 70 cobertores e 900 agasalhos. “Vamos distribui-los para a Associação Lar Menino de Jesus, que atende crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. Eles podem vender as peças em bazar para arrecadar recursos e também doá-las aos seus assistidos”, disse o coordenador do setor de juventude da regional Santo André – Centro, Wellington Ferreira de Moraes, 23 anos. A entidade foi fundada em 1956 por dom Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da Diocese de Santo André.

A instituição, no entanto, não é a única beneficiada com as doações. Pessoas em situação de rua que passavam pelo local pediam se poderiam pegar algumas mantas e blusas para suportarem as noites frias. “A gente dorme na calçada de agência bancária aqui perto e, muitas vezes, deixamos nossas coisas em um canto para procurar emprego. Mas aí roubam tudo. Esse dias de frio têm sido muito difícil, a gente chega a passar mal”, relatou Rogerio de Almeida Benites, 37, que levou dois cobertores e algumas blusas para também repassar a amigos. O homem, que contou ter formação para atuar como cozinheiro industrial e auxiliar de enfermagem, está há dois meses vivendo nas ruas. “Saí de casa a primeira vez em 2013, porque sou homossexual e minha mãe, evangélica, não aceita. Na rua, a gente tem um grupo de homossexuais e um vai ajudando o outro”, comentou.

A solidariedade se aliou à fé, em missa celebrada na Praça do Carmo pelo bispo da Diocese de Santo André, responsável pelo Grande ABC, dom Pedro Carlos Cipollini. Aproximadamente 1.500 fiéis estavam presentes. “Essa é a festa do povo de Deus, que nos fala do amor misericordioso Dele com a humanidade. A partir de 1961, o Corpus Christi se tornou feriado, mas, para nós que temos fé, também é um dia santo e devemos celebrá-lo, como estamos fazendo.”


Igreja Matriz resgata tradição no feriado depois de 60 anos

Na Igreja Matriz de Santo André, na Vila Assunção, a confecção do tradicional tapete colorido de Corpus Christi foi retomada pela comunidade após seis décadas de interrupção.

“As pessoas acabaram desistindo de fazer porque dá trabalho e, ao longo do tempo, foi se perdendo o sentido da data. Mas, neste ano, a catequese assumiu a preparação”, contou a coordenadora Neuza Lima, 54 anos.

As 160 crianças, com idade entre 9 a 12 anos, que integram o catecismo, se envolveram na coleta da serragem, borra de café, entre outras matérias-primas, e no preparo dos materiais para a elaboração dos tapetes. “Com esse envolvimento, elas conhecem essa tradição católica, o sentido desse dia e, ao mesmo tempo, as evangelizamos”, afirmou Neuza.

Das 22h30 de quarta-feira às 6h de ontem, 30 pessoas fizeram a montagem, que resultou em 40 metros de tapete. Sobre ele, o sacerdote carrega o ostensório, que armazena o corpo de Cristo na hóstia, em uma representação de que Jesus anda por ali.

Para a aposentada Maria das Graças Gonçalves Madureira, 67, resgatar a simbologia da data faz a diferença em meio às adversidades. “Esses valores foram se perdendo e precisam ser resgatados, porque falta um pouco de religiosidade para um mundo melhor.”


Fiéis lotam celebrações em Mauá e Ribeirão

As cidades de Mauá e Ribeirão Pires também realizaram missas para celebrar o Corpus Christi, que somaram público de 19 mil pessoas, segundo informações repassadas pelas prefeituras.

Em Mauá, a celebração, na Avenida Portugal, no Jardim Pilar, reuniu 15 mil fiéis. A via ficou adornada com tapete de 70 metros de comprimento, confeccionado durante a madrugada por mais de 400 frequentadores de 12 paróquias.

A estudante Rita de Cássia Tigre, 17 anos, montou o tapete pelo terceiro ano consecutivo. Ela afirmou ser gratificante participar da celebração. “São mais de três horas para terminar de montar o tapete e a cada ano os desenhos superam os anteriores. Venho com os amigos, então é muito divertido, além de poder ajudar”, contou. “Agora este encontro gera comunhão e somos incumbidos de acolher a todos com muita alegria”, declarou o padre André, organizador da atividade.

Em Ribeirão Pires, 4.000 pessoas acompanharam a missa realizada na tenda multicultural, no Complexo Ayrton Senna, e seguiram em procissão pela Rua Padre Marcos Simoni, no Centro, local em que foi montado o tradicional tapete colorido. O prefeito Adler Kiko Teixeira (PSB), o vice Gabriel Roncon (PTB) e a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade do município, Flávia Dotto, participaram do ato.

Após a cortejo, com chegada na Vila do Doce, bandas da renovação católica animaram o público jovem. 



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