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Mergulho na Cidade Maravilhosa

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Alunos da USCS desbravam construções históricas e novas no Rio de Janeiro


Ênio Moro Jr. - Especial para o Diário

31/05/2018 | 07:00


No fim de semana de 18 a 20 de maio, um grupo de alunos do curso de arquitetura e urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), juntamente com professores e profissionais de destaque regional do mundo do urbanismo e da arquitetura realizaram viagem temática ao Rio de Janeiro.
É a primeira missão técnica da turma, que é contada abaixo pelo professor Ênio Moro Jr., gestor do curso.


“A Cidade Maravilhosa continua exuberante e ousaríamos dizer que está ainda melhor que o passado recente: os principais projetos urbanos e de arquitetura do Brasil – e talvez os únicos significativos – foram executados no Rio de Janeiro em razão dos grandes eventos internacionais que tivemos: a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Além dessas ações, a recuperação histórica também foi significativa, com ousadas políticas de restauração e recuperação do patrimônio arquitetônico.

Organizamos um roteiro muito técnico e especial, que obviamente não permitiu os clássicos Pão de Açúcar e Cristo Redentor que, apesar de tudo, nos observaram silenciosos e imponentes durante toda a missão técnica. Nossa hospedagem foi no Aterro do Flamengo, que já é uma obra de arte a céu aberto: projeto paisagístico com a participação de Roberto Burle Marx e ainda com belíssimas edificações, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, projeto do arquiteto Affonso Reidy.

Prosseguimos a nossa visita pelas significativas transformações urbanas implantadas na região da Praça Mauá, que era uma região portuária degradada com criminalidade e violência e ainda fragmentada pelo Viaduto Perimetral.

Nesta transformação, o viaduto foi implodido, construíram um túnel para os carros e esta área pouquíssimo convidativa transformou-se num belíssimo bulevar, com as pessoas, árvores, VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), obras de arte, AquaRio, entre outras atrações. Por que não fazer isso no Minhocão de São Paulo também? Por que o Rio fez e a introvertida São Paulo não o faz? Introvertida ou incompetente?

Hoje, esse local é conhecido como Porto Maravilha, extensão da Praça Mauá, um dos espaços públicos mais marcantes do Brasil: totalmente aberto, com espaços emocionantes e paisagismo contido e na medida certa. Os antigos galpões portuários se transformaram em painéis para obras de diversos artistas, entre eles o artista Kobra, e parte dele ainda atende ao embarque e desembarque dos navios de cruzeiro. Neste local carro não entra. E tudo com muita segurança!

Ainda na Praça Mauá, além das grandes aberturas urbanas e plenamente acessíveis, nos emocionamos com o Museu do Amanhã, projeto do arquiteto catalão Santiago Calatrava e ainda o Museu de Arte do Rio, do escritório Bernardes + Jacobson. Chega-se nesse percurso pelo VLT, excelente opção de modal de transporte público, infelizmente negado pela mediocridade dos nossos governantes. Este modal lembra um ‘bonde contemporâneo’ e situa-se entre o ônibus e o Metrô, com excelente convivência urbana com a cidade. No Rio de Janeiro, o VLT percorre uma série de espaços na região central ligando o Aeroporto Santos Dumont a inúmeros lugares de interesse não só arquitetônico, mas também como para o dia a dia da população, como o centro comercial, histórico e de serviços.

Visitamos também a Cidade das Artes, um dos projetos arquitetônicos de equipamento cultural mais significativos do Brasil. Este projeto é do arquiteto francês Christian de Port’zamparc e reúne um conjunto de teatro, auditórios e espaços expositivos no padrão dos melhores do mundo. Sua principal fonte de inspiração foram as caravelas e suas corajosas travessias do Atlântico a partir do século 16. Visitamos ainda o Instituto Moreira Salles, que localiza-se na Gávea, na antiga mansão da família, projeto do arquiteto Olavo Redig de Campos, hoje transformado em um vibrante espaço cultural.

Mas o olhar arquitetônico sobre o Rio deve também ater-se à sua história. Visitamos a Igreja da Candelária, na região central próxima do ponto de travessia para Niterói, protegida com qualidade por edifícios sem recuos (uma ótima solução para áreas centrais), que oferecem suas fachadas à população. Visitamos ainda o Paço Imperial, na região da Praça XV e o Arco do Teles, que já mostrava a força da sociedade carioca nos tempos do Império.

Ainda na área central, o prédio do MEC estava fechado, mas mesmo assim nosso grupo ficou muito feliz: este símbolo do modernismo brasileiro estava em restauração! Excelente notícia e boa desculpa para um breve retorno ao Rio de Janeiro.

Não poderíamos deixar de visitar obras de Oscar Niemeyer e, dessa vez, em Niterói, que é a segunda maior cidade do mundo com obras do arquiteto. A primeira colocada é, obviamente, Brasília. Atravessamos pela barca (extremamente confortável e exemplar) e chegamos ao Caminho Niemeyer, que foi o nome dado pelo governo de Niterói a um conjunto de obras realizadas pelo arquiteto em um mesmo percurso, que podem ser conhecidas em uma ofegante caminhada. Fazem parte desse conjunto de obras o Teatro Popular, Memorial Roberto Silveira, Fundação Oscar Niemeyer, Museu de Arte Contemporânea, entre outros.

No teatro, Niemeyer se inspirou nas curvas femininas e da natureza. No museu, sua fonte de inspiração foi o desabrochar de uma flor na beira da Baia de Guanabara. Muita poesia e arquitetura de qualidade. Encerrando, afinal nossa missão técnica foi somente de sexta a domingo, almoçamos em Copacabana (ninguém é de ferro) e visitamos brevemente as obras ainda inconclusas do Museu da Imagem e do Som, projeto do escritório norte-americano Diller Scofidio + Renfro. Outro show. Esta primeira missão técnica foi realmente inesquecível.

Esta iniciativa, que mescla alunos, professores e arquitetos, é inovadora para a formação dos estudantes. Já estamos planejando as próximas edições das missões temáticas, que serão as cidades mineiras, com olhar atento ao Barroco, Arquitetura Moderna de Belo Horizonte e a Arte de Inhotim e uma outra internacional, a Medellin na Colômbia, que hoje é uma das principais referências em arquitetura na América Latina. Como já nos disse Gilberto Gil, ‘o Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo...’”

Se você fez uma viagem que gostou e quer contar, por favor, escreva sua sugestão para o e-mail minhaviagem@dgabc.com.br. 



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Mergulho na Cidade Maravilhosa

Alunos da USCS desbravam construções históricas e novas no Rio de Janeiro

Ênio Moro Jr. - Especial para o Diário

31/05/2018 | 07:00


No fim de semana de 18 a 20 de maio, um grupo de alunos do curso de arquitetura e urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), juntamente com professores e profissionais de destaque regional do mundo do urbanismo e da arquitetura realizaram viagem temática ao Rio de Janeiro.
É a primeira missão técnica da turma, que é contada abaixo pelo professor Ênio Moro Jr., gestor do curso.


“A Cidade Maravilhosa continua exuberante e ousaríamos dizer que está ainda melhor que o passado recente: os principais projetos urbanos e de arquitetura do Brasil – e talvez os únicos significativos – foram executados no Rio de Janeiro em razão dos grandes eventos internacionais que tivemos: a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Além dessas ações, a recuperação histórica também foi significativa, com ousadas políticas de restauração e recuperação do patrimônio arquitetônico.

Organizamos um roteiro muito técnico e especial, que obviamente não permitiu os clássicos Pão de Açúcar e Cristo Redentor que, apesar de tudo, nos observaram silenciosos e imponentes durante toda a missão técnica. Nossa hospedagem foi no Aterro do Flamengo, que já é uma obra de arte a céu aberto: projeto paisagístico com a participação de Roberto Burle Marx e ainda com belíssimas edificações, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, projeto do arquiteto Affonso Reidy.

Prosseguimos a nossa visita pelas significativas transformações urbanas implantadas na região da Praça Mauá, que era uma região portuária degradada com criminalidade e violência e ainda fragmentada pelo Viaduto Perimetral.

Nesta transformação, o viaduto foi implodido, construíram um túnel para os carros e esta área pouquíssimo convidativa transformou-se num belíssimo bulevar, com as pessoas, árvores, VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), obras de arte, AquaRio, entre outras atrações. Por que não fazer isso no Minhocão de São Paulo também? Por que o Rio fez e a introvertida São Paulo não o faz? Introvertida ou incompetente?

Hoje, esse local é conhecido como Porto Maravilha, extensão da Praça Mauá, um dos espaços públicos mais marcantes do Brasil: totalmente aberto, com espaços emocionantes e paisagismo contido e na medida certa. Os antigos galpões portuários se transformaram em painéis para obras de diversos artistas, entre eles o artista Kobra, e parte dele ainda atende ao embarque e desembarque dos navios de cruzeiro. Neste local carro não entra. E tudo com muita segurança!

Ainda na Praça Mauá, além das grandes aberturas urbanas e plenamente acessíveis, nos emocionamos com o Museu do Amanhã, projeto do arquiteto catalão Santiago Calatrava e ainda o Museu de Arte do Rio, do escritório Bernardes + Jacobson. Chega-se nesse percurso pelo VLT, excelente opção de modal de transporte público, infelizmente negado pela mediocridade dos nossos governantes. Este modal lembra um ‘bonde contemporâneo’ e situa-se entre o ônibus e o Metrô, com excelente convivência urbana com a cidade. No Rio de Janeiro, o VLT percorre uma série de espaços na região central ligando o Aeroporto Santos Dumont a inúmeros lugares de interesse não só arquitetônico, mas também como para o dia a dia da população, como o centro comercial, histórico e de serviços.

Visitamos também a Cidade das Artes, um dos projetos arquitetônicos de equipamento cultural mais significativos do Brasil. Este projeto é do arquiteto francês Christian de Port’zamparc e reúne um conjunto de teatro, auditórios e espaços expositivos no padrão dos melhores do mundo. Sua principal fonte de inspiração foram as caravelas e suas corajosas travessias do Atlântico a partir do século 16. Visitamos ainda o Instituto Moreira Salles, que localiza-se na Gávea, na antiga mansão da família, projeto do arquiteto Olavo Redig de Campos, hoje transformado em um vibrante espaço cultural.

Mas o olhar arquitetônico sobre o Rio deve também ater-se à sua história. Visitamos a Igreja da Candelária, na região central próxima do ponto de travessia para Niterói, protegida com qualidade por edifícios sem recuos (uma ótima solução para áreas centrais), que oferecem suas fachadas à população. Visitamos ainda o Paço Imperial, na região da Praça XV e o Arco do Teles, que já mostrava a força da sociedade carioca nos tempos do Império.

Ainda na área central, o prédio do MEC estava fechado, mas mesmo assim nosso grupo ficou muito feliz: este símbolo do modernismo brasileiro estava em restauração! Excelente notícia e boa desculpa para um breve retorno ao Rio de Janeiro.

Não poderíamos deixar de visitar obras de Oscar Niemeyer e, dessa vez, em Niterói, que é a segunda maior cidade do mundo com obras do arquiteto. A primeira colocada é, obviamente, Brasília. Atravessamos pela barca (extremamente confortável e exemplar) e chegamos ao Caminho Niemeyer, que foi o nome dado pelo governo de Niterói a um conjunto de obras realizadas pelo arquiteto em um mesmo percurso, que podem ser conhecidas em uma ofegante caminhada. Fazem parte desse conjunto de obras o Teatro Popular, Memorial Roberto Silveira, Fundação Oscar Niemeyer, Museu de Arte Contemporânea, entre outros.

No teatro, Niemeyer se inspirou nas curvas femininas e da natureza. No museu, sua fonte de inspiração foi o desabrochar de uma flor na beira da Baia de Guanabara. Muita poesia e arquitetura de qualidade. Encerrando, afinal nossa missão técnica foi somente de sexta a domingo, almoçamos em Copacabana (ninguém é de ferro) e visitamos brevemente as obras ainda inconclusas do Museu da Imagem e do Som, projeto do escritório norte-americano Diller Scofidio + Renfro. Outro show. Esta primeira missão técnica foi realmente inesquecível.

Esta iniciativa, que mescla alunos, professores e arquitetos, é inovadora para a formação dos estudantes. Já estamos planejando as próximas edições das missões temáticas, que serão as cidades mineiras, com olhar atento ao Barroco, Arquitetura Moderna de Belo Horizonte e a Arte de Inhotim e uma outra internacional, a Medellin na Colômbia, que hoje é uma das principais referências em arquitetura na América Latina. Como já nos disse Gilberto Gil, ‘o Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo...’”

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