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Vigilância atua sob denúncia e deixa de agir de forma preventiva

André Henriques  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Foram feitas 8.249 visitas em 2017 entre as sete cidades e interditados 122 estabelecimentos


Bia Moço
Especial para o Diário

27/05/2018 | 07:00


Embora no ano passado a Vigilância Sanitária da região tenha realizado 8.249 vistorias, somente 122 estabelecimentos foram interditados. Na comparação com 2016, tanto as vistorias quanto as interdições tiveram alta (veja arte acima), o que não indica cenário de segurança alimentar, conforme especialistas ouvidos pelo Diário. Isso porque a maior parte das inspeções é devido a denúncias feitas pela população e, poucas vezes para prevenir irregularidades.

Em pelo menos quatro das sete cidades – Santo André, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires – os registros mais recorrentes são por infraestrutura inadequada, problemas com limpeza e higiene, recursos humanos insuficientes e rotina que apresenta risco à Saúde pública. Em Rio Grande da Serra, as inspeções acontecem somente para obtenção ou renovação de licença de uso.

Para Magna Oliveira, 49 anos, a região tem diversos estabelecimento visivelmente fora do correto. A moradora do Jardim Santo André ressalta que acha o trabalho da vigilância falho e, por isso, evita comer fora de casa. “Se olharmos para lanchonetes perto da estação de trem, é visível a sujeira. Os telhados estão sempre lotados de pombos, os balcões sujos, há cachorros andando no local. O que se espera de um hot dog servido por ali? Nada, além de falta de higiene, é claro!”, ressalta Magna.

Questionadas, as administrações destacam programas para 2018. Santo André, além de capacitação dos servidores, ressalta projeto de intensificar as visitas da Vigilância Sanitária.

São Bernardo, por exemplo, diz investir em capacitação técnica das equipes e também em tecnologia para fiscalizadores. A Prefeitura ressaltou que realiza atividades educativas para os funcionários e proprietários dos locais de diversos setores.
São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra também citaram ações educativas entre as atividades desenvolvidas. Os demais municípios não retornaram até o fechamento desta edição.

CASOS
A Padaria Canôa, localizada no bairro Barcelona, em São Caetano, foi alvo de polêmica com a Vigilância Sanitária por duas vezes. A primeira, em 2015, quando 26 pessoas passaram mal após consumirem lanches no estabelecimento. Na época, potes com exames de fezes foram encontrados na geladeira. No ano passado, vídeo que circulou pelas redes sociais mostrava lagarta ao lado de um lanche. Após interdição nas duas ocasiões, o local segue em funcionamento.

Em 2013, padaria da rede de supermercados Dia, unidade Baeta Neves. em São Bernardo, também foi autuada por manter o local em condições precárias de higiene, além de utilizar produtos vencidos para fabricação de alimentos. Atualmente, o atendimento está normalizado. 

Especialista diz que método de ação é falho

A cada denúncia feita e problema confirmado pela Vigilância Sanitária o estabelecimento é notificado e, caso não cumpra as determinações por melhorias, sofre interdição. Professor do curso de Nutrição da USCS (Universidade de São Caetano), Alexandre Momesso reforça que existe distorção em relação à forma como a população enxerga a atuação da Vigilância Sanitária, que tem método falho. “O número de fiscalizações não é um indicador para verificar se está sendo eficaz o serviço da Vigilância Sanitária, tampouco quantidade de fiscais. O mais importante seria analisar a eficácia da visita e o impacto que ela tem para o cliente”, ressalta.

O professor avalia que, para o consumidor final ser impactado com melhorias, o estabelecimento tem de sofrer consequências quando não segue as determinações de segurança sanitária. Momesso considera que o número de visitas realizadas pela fiscalização é incoerente, tendo em vista que, em muitos casos, é preciso voltar ao mesmo estabelecimento. “Não é ter controle de tudo, mas sim fazer com que a população tenha certeza que tem competência e capacidade de abrir um estabelecimento como aquele e que possui requisitos mínimos. Depois, caso haja algum problema, que seja punido de forma que possa fazer com que se corrija.”



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Vigilância atua sob denúncia e deixa de agir de forma preventiva

Foram feitas 8.249 visitas em 2017 entre as sete cidades e interditados 122 estabelecimentos

Bia Moço
Especial para o Diário

27/05/2018 | 07:00


Embora no ano passado a Vigilância Sanitária da região tenha realizado 8.249 vistorias, somente 122 estabelecimentos foram interditados. Na comparação com 2016, tanto as vistorias quanto as interdições tiveram alta (veja arte acima), o que não indica cenário de segurança alimentar, conforme especialistas ouvidos pelo Diário. Isso porque a maior parte das inspeções é devido a denúncias feitas pela população e, poucas vezes para prevenir irregularidades.

Em pelo menos quatro das sete cidades – Santo André, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires – os registros mais recorrentes são por infraestrutura inadequada, problemas com limpeza e higiene, recursos humanos insuficientes e rotina que apresenta risco à Saúde pública. Em Rio Grande da Serra, as inspeções acontecem somente para obtenção ou renovação de licença de uso.

Para Magna Oliveira, 49 anos, a região tem diversos estabelecimento visivelmente fora do correto. A moradora do Jardim Santo André ressalta que acha o trabalho da vigilância falho e, por isso, evita comer fora de casa. “Se olharmos para lanchonetes perto da estação de trem, é visível a sujeira. Os telhados estão sempre lotados de pombos, os balcões sujos, há cachorros andando no local. O que se espera de um hot dog servido por ali? Nada, além de falta de higiene, é claro!”, ressalta Magna.

Questionadas, as administrações destacam programas para 2018. Santo André, além de capacitação dos servidores, ressalta projeto de intensificar as visitas da Vigilância Sanitária.

São Bernardo, por exemplo, diz investir em capacitação técnica das equipes e também em tecnologia para fiscalizadores. A Prefeitura ressaltou que realiza atividades educativas para os funcionários e proprietários dos locais de diversos setores.
São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra também citaram ações educativas entre as atividades desenvolvidas. Os demais municípios não retornaram até o fechamento desta edição.

CASOS
A Padaria Canôa, localizada no bairro Barcelona, em São Caetano, foi alvo de polêmica com a Vigilância Sanitária por duas vezes. A primeira, em 2015, quando 26 pessoas passaram mal após consumirem lanches no estabelecimento. Na época, potes com exames de fezes foram encontrados na geladeira. No ano passado, vídeo que circulou pelas redes sociais mostrava lagarta ao lado de um lanche. Após interdição nas duas ocasiões, o local segue em funcionamento.

Em 2013, padaria da rede de supermercados Dia, unidade Baeta Neves. em São Bernardo, também foi autuada por manter o local em condições precárias de higiene, além de utilizar produtos vencidos para fabricação de alimentos. Atualmente, o atendimento está normalizado. 

Especialista diz que método de ação é falho

A cada denúncia feita e problema confirmado pela Vigilância Sanitária o estabelecimento é notificado e, caso não cumpra as determinações por melhorias, sofre interdição. Professor do curso de Nutrição da USCS (Universidade de São Caetano), Alexandre Momesso reforça que existe distorção em relação à forma como a população enxerga a atuação da Vigilância Sanitária, que tem método falho. “O número de fiscalizações não é um indicador para verificar se está sendo eficaz o serviço da Vigilância Sanitária, tampouco quantidade de fiscais. O mais importante seria analisar a eficácia da visita e o impacto que ela tem para o cliente”, ressalta.

O professor avalia que, para o consumidor final ser impactado com melhorias, o estabelecimento tem de sofrer consequências quando não segue as determinações de segurança sanitária. Momesso considera que o número de visitas realizadas pela fiscalização é incoerente, tendo em vista que, em muitos casos, é preciso voltar ao mesmo estabelecimento. “Não é ter controle de tudo, mas sim fazer com que a população tenha certeza que tem competência e capacidade de abrir um estabelecimento como aquele e que possui requisitos mínimos. Depois, caso haja algum problema, que seja punido de forma que possa fazer com que se corrija.”

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