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A primeira prefeita

Nario Barbosa  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Há 30 anos figura da política de Mauá, Alaíde Damo trocou ritmo caseiro e fase de avó para administrar uma cidade em crise com a prisão de seu prefeito


Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

27/05/2018 | 07:00


Alaíde Damo (MDB) é figura conhecida da política de Mauá há mais de três décadas por causa de seu marido, o ex-prefeito Leonel Damo. Embora de perfil à frente de seu tempo, em especial no debate pela igualdade entre homens e mulheres, ela optou por se dedicar mais às causas sociais do que eleitorais. Nos últimos anos, com Leonel aposentado das urnas – não da política –, Alaíde estava em ritmo caseiro e aproveitando a fase de avó. Isso até o dia 9, quando o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), foi preso no andamento da Operação Prato Feito, da PF (Polícia Federal). A emedebista, vice por acaso do socialista em 2016, teve de assumir o cargo máximo da cidade e, sem querer, fez história: é a primeira mulher a dirigir o município de 425 mil habitantes,

Era 1983 quando Alaíde, então com 34 anos, teve sua primeira experiência como primeira-dama. Naquela época, ela havia acabado de dar à luz as gêmeas Vanessa e Vanelli. A repressão e o conservadorismo da ditadura militar ainda respirava e Alaíde já saía em defesa da emancipação da mulher. “Se os homens podem exercer atividades femininas, por que as mulheres não podem desempenhar tarefas masculinas?”, questionava, ao Diário, em março de 1983, ao contar que havia trocado o telhado da lavanderia de casa por conta da chuva. “Quando o homem não está, a gente tem de vestir a camisa e mãos à obra.”

Duas décadas se passaram quando Leonel voltou ao poder na cidade e a postura de empoderamento feminino persistia. “Se me oferecerem um anel de brilhantes e um alicate de pressão, eu fico com o segundo”, disse Alaíde, em maio de 2006, em reportagem do Diário que mostrou que o hobby da primeira-dama era consertar tudo dentro de casa.

Natural de Mauá, Alaíde Damo é a mais velha entre três irmãos (Guiomar e Pedro). Casou-se com Leonel em 1981, quando ele já era político. Dois anos mais tarde, ele assumiria o Paço de Mauá pela primeira vez. Nas palavras do próprio marido, Alaíde é caseira. “Gosta de brincar, gosta de cachorro, gosta de ficar com as netinhas (Eduarda e Rúbia, filhas de Vanessa)”. Como de costume, o acirramento das eleições em Mauá também atingiu Alaíde. Justamente esse seu perfil de dona de casa foi atacado pelo então prefeito Donisete Braga (ex-PT, hoje Pros) em 2016.

Alaíde também é religiosa. Quando o Diário ligou em sua casa, à noite, para entrevistá-la sobre a prisão de Atila, o que deixaria iminente sua posse, quem atendeu foi Leonel. “Ela foi ao terço.”

A vaga de vice na chapa de Atila não estava em seu horizonte, como ela própria conta. “Você quer saber? Eu nunca nem sonhei com isso. Eu entrei de vice sem querer, né?”. Teve que substituir, às pressas, o então genro, José Carlos Orosco Júnior (PDT). Da posse, em 2017, para cá, havia pisado pouquíssimas vezes no Paço – a mais recente para prestigiar a posse da filha Vanessa como secretária de Relações Institucionais. A mesma filha que tem ajudado-a na nova velha tarefa. 



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A primeira prefeita

Há 30 anos figura da política de Mauá, Alaíde Damo trocou ritmo caseiro e fase de avó para administrar uma cidade em crise com a prisão de seu prefeito

Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

27/05/2018 | 07:00


Alaíde Damo (MDB) é figura conhecida da política de Mauá há mais de três décadas por causa de seu marido, o ex-prefeito Leonel Damo. Embora de perfil à frente de seu tempo, em especial no debate pela igualdade entre homens e mulheres, ela optou por se dedicar mais às causas sociais do que eleitorais. Nos últimos anos, com Leonel aposentado das urnas – não da política –, Alaíde estava em ritmo caseiro e aproveitando a fase de avó. Isso até o dia 9, quando o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), foi preso no andamento da Operação Prato Feito, da PF (Polícia Federal). A emedebista, vice por acaso do socialista em 2016, teve de assumir o cargo máximo da cidade e, sem querer, fez história: é a primeira mulher a dirigir o município de 425 mil habitantes,

Era 1983 quando Alaíde, então com 34 anos, teve sua primeira experiência como primeira-dama. Naquela época, ela havia acabado de dar à luz as gêmeas Vanessa e Vanelli. A repressão e o conservadorismo da ditadura militar ainda respirava e Alaíde já saía em defesa da emancipação da mulher. “Se os homens podem exercer atividades femininas, por que as mulheres não podem desempenhar tarefas masculinas?”, questionava, ao Diário, em março de 1983, ao contar que havia trocado o telhado da lavanderia de casa por conta da chuva. “Quando o homem não está, a gente tem de vestir a camisa e mãos à obra.”

Duas décadas se passaram quando Leonel voltou ao poder na cidade e a postura de empoderamento feminino persistia. “Se me oferecerem um anel de brilhantes e um alicate de pressão, eu fico com o segundo”, disse Alaíde, em maio de 2006, em reportagem do Diário que mostrou que o hobby da primeira-dama era consertar tudo dentro de casa.

Natural de Mauá, Alaíde Damo é a mais velha entre três irmãos (Guiomar e Pedro). Casou-se com Leonel em 1981, quando ele já era político. Dois anos mais tarde, ele assumiria o Paço de Mauá pela primeira vez. Nas palavras do próprio marido, Alaíde é caseira. “Gosta de brincar, gosta de cachorro, gosta de ficar com as netinhas (Eduarda e Rúbia, filhas de Vanessa)”. Como de costume, o acirramento das eleições em Mauá também atingiu Alaíde. Justamente esse seu perfil de dona de casa foi atacado pelo então prefeito Donisete Braga (ex-PT, hoje Pros) em 2016.

Alaíde também é religiosa. Quando o Diário ligou em sua casa, à noite, para entrevistá-la sobre a prisão de Atila, o que deixaria iminente sua posse, quem atendeu foi Leonel. “Ela foi ao terço.”

A vaga de vice na chapa de Atila não estava em seu horizonte, como ela própria conta. “Você quer saber? Eu nunca nem sonhei com isso. Eu entrei de vice sem querer, né?”. Teve que substituir, às pressas, o então genro, José Carlos Orosco Júnior (PDT). Da posse, em 2017, para cá, havia pisado pouquíssimas vezes no Paço – a mais recente para prestigiar a posse da filha Vanessa como secretária de Relações Institucionais. A mesma filha que tem ajudado-a na nova velha tarefa. 

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