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Nem só de Selic viverá o Brasil


Metodista*

19/05/2018 | 07:14


Após dois anos consecutivos de queda no PIB e diante da pior crise econômica da história do Brasil, a equipe econômica tenta estimular a economia por meio do consumo. O principal instrumento para isso tem sido a política monetária, com redução da taxa Selic (juros básicos da economia). Nos últimos dois anos a Selic sofreu queda de quase oito pontos percentuais, saindo de 14,25% ao ano à atual mínima histórica de 6,5% ao ano. Com redução dessa magnitude deveríamos, em tese, observar uma recuperação arrojada e pujante da economia brasileira, principalmente no aumento do nível de investimentos produtivos. Porém, não é isso que observamos.

Apesar da melhora de alguns indicadores, como a inflação hoje em 2,76% e o aumento do nível de produção industrial após sucessivas quedas, a atividade econômica ainda mostra certa letargia para atingir seu verdadeiro potencial. A teoria econômica defende uma relação inversa entre taxa básica de juros (Selic) e nível de consumo e investimentos. Basicamente, toda vez que o Banco Central reduz a Selic, os juros do mercado tendem a cair. Com a queda dos juros, as empresas são incentivadas a contrair empréstimos, saldar dívidas, comprar novas máquinas, contratar funcionários e expandir a base produtiva.

As famílias, por sua vez, também são estimuladas a consumir mais, contraindo empréstimos para financiar um novo veículo, reformar a residência, adquirir novos eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Com a queda da Selic, intuitivamente, deveríamos ter aumento no consumo e nos investimentos produtivos, reduzindo a taxa de desemprego, gerando maior confiança na sociedade, por conseguinte, acelerando o processo de retomada da economia.

Infelizmente essa teoria não foi vista plenamente na prática. Isso porque, além da Selic, existem outras variáveis na economia que afetam diretamente o ambiente econômico. A burocratização do sistema brasileiro, a alta carga tributária, o baixo nível de investimentos públicos, tudo isso – aliado a fatores psicológicos de incertezas quanto ao futuro da economia brasileira – dificulta uma recuperação econômica sólida e pujante, ainda que a Selic esteja no menor patamar da história.

Mas outro problema emerge. Os bancos! Exatamente isso! Apesar de o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzir a Selic para tentar destravar a economia, os bancos comerciais não acompanham esse movimento no mesmo ritmo. Para o consumidor final os juros brasileiros continuam muito altos, com um spread bancário elevado, o que leva empresas e indivíduos a não sentirem diretamente os efeitos das contínuas reduções da Selic.

O sistema financeiro brasileiro é altamente concentrado, o que, infelizmente, garante ‘certos poderes’ aos grandes bancos. Sem uma alta competição, os bancos possuem seu próprio time para reduzir os juros, e isso nitidamente tem dificultado o crescimento de curto prazo do País.

Outras medidas foram acionadas no decorrer desse período na tentativa de retomada econômica: liberação do FGTS, reforma trabalhista e redução da taxa de compulsório dos bancos foram as principais. Porém, até o momento, tais medidas não surtiram efeitos na tentativa de se desatar os nós da economia e fazê-la ganhar tração ao longo de 2018.

A incerteza política e a desconfiança dos empresários e consumidores ainda são muito elevadas, o que dificulta o crescimento.

Fica claro que ‘nem só de Selic viverá o Brasil’... Precisamos de reformas vitalizadoras que levem à modernização e à maior facilidade no ambiente dos negócios. A reforma tributária, que deve ser considerada prioridade entre as reformas, e um ambiente político estável são alguns dos pontos que precisamos melhorar para fazer a economia deslanchar. Tudo isso aliado à melhora no nível de renda da população.


* Alexandre Borbely, Anderson dos Santos, Ângelo Grasino e Thiago Farias, professor e graduandos, respectivamente, do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo.

 



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Nem só de Selic viverá o Brasil

Metodista*

19/05/2018 | 07:14


Após dois anos consecutivos de queda no PIB e diante da pior crise econômica da história do Brasil, a equipe econômica tenta estimular a economia por meio do consumo. O principal instrumento para isso tem sido a política monetária, com redução da taxa Selic (juros básicos da economia). Nos últimos dois anos a Selic sofreu queda de quase oito pontos percentuais, saindo de 14,25% ao ano à atual mínima histórica de 6,5% ao ano. Com redução dessa magnitude deveríamos, em tese, observar uma recuperação arrojada e pujante da economia brasileira, principalmente no aumento do nível de investimentos produtivos. Porém, não é isso que observamos.

Apesar da melhora de alguns indicadores, como a inflação hoje em 2,76% e o aumento do nível de produção industrial após sucessivas quedas, a atividade econômica ainda mostra certa letargia para atingir seu verdadeiro potencial. A teoria econômica defende uma relação inversa entre taxa básica de juros (Selic) e nível de consumo e investimentos. Basicamente, toda vez que o Banco Central reduz a Selic, os juros do mercado tendem a cair. Com a queda dos juros, as empresas são incentivadas a contrair empréstimos, saldar dívidas, comprar novas máquinas, contratar funcionários e expandir a base produtiva.

As famílias, por sua vez, também são estimuladas a consumir mais, contraindo empréstimos para financiar um novo veículo, reformar a residência, adquirir novos eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Com a queda da Selic, intuitivamente, deveríamos ter aumento no consumo e nos investimentos produtivos, reduzindo a taxa de desemprego, gerando maior confiança na sociedade, por conseguinte, acelerando o processo de retomada da economia.

Infelizmente essa teoria não foi vista plenamente na prática. Isso porque, além da Selic, existem outras variáveis na economia que afetam diretamente o ambiente econômico. A burocratização do sistema brasileiro, a alta carga tributária, o baixo nível de investimentos públicos, tudo isso – aliado a fatores psicológicos de incertezas quanto ao futuro da economia brasileira – dificulta uma recuperação econômica sólida e pujante, ainda que a Selic esteja no menor patamar da história.

Mas outro problema emerge. Os bancos! Exatamente isso! Apesar de o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzir a Selic para tentar destravar a economia, os bancos comerciais não acompanham esse movimento no mesmo ritmo. Para o consumidor final os juros brasileiros continuam muito altos, com um spread bancário elevado, o que leva empresas e indivíduos a não sentirem diretamente os efeitos das contínuas reduções da Selic.

O sistema financeiro brasileiro é altamente concentrado, o que, infelizmente, garante ‘certos poderes’ aos grandes bancos. Sem uma alta competição, os bancos possuem seu próprio time para reduzir os juros, e isso nitidamente tem dificultado o crescimento de curto prazo do País.

Outras medidas foram acionadas no decorrer desse período na tentativa de retomada econômica: liberação do FGTS, reforma trabalhista e redução da taxa de compulsório dos bancos foram as principais. Porém, até o momento, tais medidas não surtiram efeitos na tentativa de se desatar os nós da economia e fazê-la ganhar tração ao longo de 2018.

A incerteza política e a desconfiança dos empresários e consumidores ainda são muito elevadas, o que dificulta o crescimento.

Fica claro que ‘nem só de Selic viverá o Brasil’... Precisamos de reformas vitalizadoras que levem à modernização e à maior facilidade no ambiente dos negócios. A reforma tributária, que deve ser considerada prioridade entre as reformas, e um ambiente político estável são alguns dos pontos que precisamos melhorar para fazer a economia deslanchar. Tudo isso aliado à melhora no nível de renda da população.


* Alexandre Borbely, Anderson dos Santos, Ângelo Grasino e Thiago Farias, professor e graduandos, respectivamente, do curso de Ciências Econômicas da Universidade Metodista de São Paulo.

 

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