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Infecção generalizada mata mais do que infarto

ABr Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em 2017, região registrou 1.178 vítimas fatais de sepse; problema cardíaco levou a óbito 195 moradores


Vanessa de Oliveira

15/05/2018 | 07:00


Desconhecida não só por parte da população, mas também pelos profissionais da Saúde, a sepse, popularmente conhecida como infecção generalizada, passa despercebida quando, na verdade, é tema preocupante. A mortalidade proveniente da doença – um conjunto de manifestações graves no organismo produzidas por contaminação – chega a 55% nos pacientes levados à UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e pelo menos 30% da ocupação dos leitos da zona de cuidados máximos são por pessoas com quadro grave de sepse. Em 2017, 195 moradores do Grande ABC morreram por infarto no SUS (Sistema Único de Saúde), enquanto 1.178 foram vítimas de sepse, segundo registros do DataSus.

A constatação integra levantamento organizado por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo e do Ilas (Instituto Latino-Americano de Sepse). “A letalidade é maior do que por infarto, mas falta conhecimento no público leigo e de profissionais de Saúde”, destaca a coordenadora da pesquisa científica e professora do Departamento de Anestesiologia, Dor e Medicina Intensiva da Unifesp Flávia Machado. 

A infecção pode estar localizada em apenas um órgão, mas provoca em todo o organismo uma resposta com inflamação em uma tentativa de combater o agente causador. Os focos envolvidos com maior frequência são os pulmões, as infecções intra-abdominais e do trato urinário. Os sintomas do problema ocorrem de acordo com o lugar da infecção (veja a arte acima). Pacientes com diabetes, câncer, infecção pelo vírus HIV, tratados previamente com quimioterapia, usuários de corticosteroides ou que apresentam qualquer forma de imunossupressão, bem como recém-nascidos prematuros e idosos são os mais suscetíveis à sepse.

O tratamento é feito com antibióticos e, se iniciado dentro de até uma hora após detectado o quadro de sepse, a chance de recuperação cresce substancialmente. “Os profissionais de Saúde têm dificuldade de reconhecer prontamente a doença, o que aumenta o risco de o paciente morrer. Se conseguirmos disseminar a importância da sepse como causa grave de morte para pacientes hospitalizados, conseguiremos diminuir a mortalidade”, diz o presidente do Ilas, Luciano Azevedo.

PROBLEMAS

A rede pública de Saúde é a que mais sofre com a falta de preparo para atender casos de sepse. “É necessário que os pacientes mais graves recebam tratamento em UTI e sabemos que há limitação de acesso nestas unidades. Por mais que, para tratar sepse, precise de coisas que não são complicadas e não exigem tecnologia, existe limitação de recursos e que, principalmente, ocorre nas instituições públicas”, pontua Flávia. “Pessoas tendem a achar que quando a gente fala de sepse estamos falando só de infecção hospitalar, o que não é verdade. Grande parte é adquirida na comunidade e isso se previne com controle das condições de saúde, com vacinação, com melhora da condição sanitária e de higiene”, ressalta. 

SOBREVIDA

Nascido em abril, o médico e diretor técnico do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama, Leonardo Aldigueri, comemora seu renascimento a cada outubro. É que, neste mês, no ano de 2003, ele sobreviveu a quadro grave de sepse. “Fui fazer atendimento médico a uma vítima de acidente de caminhão, na Rodovia Regis Bittencourt, mas o pneu da ambulância explodiu e o veículo desceu 25 metros em uma ribanceira. Tive politraumatismo”, diz. No total, foram 40 dias hospitalizado, 20 na UTI, cinco em coma e sete cirurgias.  “Em outubro comemoro 15 anos de vida, aliás, comemoro mais nessa data do que no mês de aniversário.”

Hospitais públicos investem para redução da mortalidade

As secretarias municipais de Saúde declaram que atuam com medidas para reduzir os índices de mortalidade por sepse na rede pública. Em Santo André, o número de óbitos pela doença  nas internações dos equipamentos públicos teve queda de 20% na comparação entre 2016 e 2017 (passaram de 223 para  179). A secretaria lembra que a maior parte dos pacientes internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) utiliza dispositivos como cateteres, sondas ou tubos para ventilação mecânica, que permitem acesso a medicamentos, alimentos ou até oxigênio, mas também podem ser porta de entrada para bactérias, razão pela qual tomam cuidados especiais. 

Em São Bernardo, o Hospital e Pronto-Socorro Central registrou, nos anos de 2016 e 2017, respectivamente, 233 e 191 óbitos por sepse.  “A instituição possui planejamento para 2018 que consta na revisão do protocolo institucional de sepse, juntamente com o apoio do Ilas (Instituto Latino Americano de Sepse), a fim de reduzir o números apontados pela doença”, pontua.

A administração de Ribeirão Pires informa que no Hospital e Maternidade São Lucas não foram registrados óbitos em razão de sepse em 2016. Em 2017, com a reabertura da unidade hospitalar, foram observadas três mortes pelo problema.



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