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'Vou tornar a faculdade do tamanho do Estado', diz Uip

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tauana Marin

09/05/2018 | 07:00


Aluno da segunda turma da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), de 1970, o médico infectologista David Uip é hoje o diretor-geral da faculdade. O ex-secretário da Saúde do Estado pretende usar seu know-how para trazer investimentos, principalmente no que tange o setor de pesquisas. “A FMABC é um diamante”. O médico e docente foi decisivo ao pedir ao ex-governador Mário Covas (1930-2001) para instalar o hospital estadual em Santo André. Conhecedor do Grande ABC, Uip acredita na mídia regional, como o Diário, para fonte de informação à população e divulgação de grandes feitos de instituições como a FMABC.

O sr. é um dos mais renomados infectologistas do País. Considerando os avanços da Medicina, como explicar mortes por febre amarela, dengue, zika vírus e outras doenças que estão preocupando gestores públicos atualmente?
Tem coisas que são controláveis e outras não. A febre amarela era previsível. Você não consegue, em hipótese alguma, controlar vírus. O homem invadiu as matas e o epicentro do acúmulo de casos ocorreu em Mairiporã e Atibaia, por exemplo. E é só olhar e você percebe essa invasão de condomínio e hotéis nas matas. O vírus silvestre sempre existiu, mais ou menos prevalentes. O que ocorreu, agora, foi o aumento exacerbado do vírus, mais rápido do que se imaginava. A velocidade dele mais que triplicou. Nós percebemos no começo em 2016, pelo aumento do número de mortes dos primatas não humanos, em regiões como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. O pessoal da vigilância epidemiológica (da Secretaria do Estado da Saúde) descobriu os caminhos ecológicos, para onde o vírus iria e fez com que nós nos antecipássemos quanto às vacinas. Quando o vírus atinge o primata não humano, pode ter certeza que depois de dois meses vai atingir o ser humano. Então, na minha visão, o Estado de São Paulo se comportou de forma espetacular em relação ao empate contra o vírus da febre amarela. Inclusive, de 2007 a 2016, o Estado vacinou 7 milhões de pessoas. Em 2017, foram 7 milhões e 400 pessoas, mais do que vacinou em dez anos. E, neste ano, tinha vacinado mais de 7 milhões de pessoas. Ou seja, tem 21 milhões de pessoas devidamente vacinadas. O que eu estou dizendo é que a febre amarela dá para se dar um basta, diferentemente da dengue, que são quatro sorotipos.

Mas há previsão de haver vacina contra a dengue?
Neste caso, a investigação clínica está levando mais tempo do que se imaginava, porque caiu de forma espetacular o número de dengue no Brasil. Em São Paulo a queda foi de 99%. E isso dificulta você fazer a vacina, porque não tem como testar. Já o zika vírus eu entendi como sendo um furacão, causou muitos danos, mas passou. O H1N1, na verdade, é o vírus Influenza, que teremos problemas agora na parte de inverno, mas temos vacina. Então, se você olhar a política de vacina brasileira, ela continua sendo boa. Tivemos problemas com a febre amarela porque o mundo disponibilizava poucas vacinas, e o Brasil precisava de um número muito grande. Acho que o pacto entre governo federal, Estado e os municípios deu conta de uma história que poderia ter sido dramática.

Podemos dizer que alguns equipamentos públicos da região contaram com a sua ajuda para sair do papel, como é o caso do Hospital Estadual Mário Covas. O sr. pode contar sobre sua atuação nestes casos?
Eu era médico e assessor do governador Mário Covas, e ele decidiu terminar os 20 hospitais que haviam sido começados no Estado, um deles era o hospital de Santo André. E ele concluiu esses hospitais. Nessa época havia disputa onde o Hospital Estadual Mário Covas iria ser instalado, e eu falei ao governador que deveria vir para o Grande ABC por conta da Faculdade de Medicina. Essa conversa foi decisiva, por conta do hospital ter um perfil acadêmico de ensino e pesquisa. Me lembro que ajudei a escolher a cor do hospital. Depois percebi que o hospital foi perdendo essa função acadêmica, e quando entrei como secretário, a primeira medida que consegui fazer foi transformá-lo em hospital de ensino. Na região melhoramos o atendimento do Hospital Albert Sabin de São Caetano. assim como os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) de Santo André e Mauá. Hoje são os segundos mais bem avaliados do Estado. O que fiz na minha gestão foi transformar os atendimentos dos ambulatórios, hoje com procedimentos invasivos e cirurgias. Isso é uma mudança de paradigma, além de diminuir o fluxo nos hospitais.

O sr. crê que esse tenha sido seu ponto alto como secretário?
Houve progresso grande, mas acho que o que de melhor fiz enquanto secretário, nos quatro anos e sete meses que fiquei no cargo, foi inaugurar 13 hospitais estaduais. E até o fim do ano serão mais três, além dos nove novos AMEs. No entanto, o mais importante foi trazer a cirurgia cardiovascular para o Hospital de Clínicas de São Bernardo, porque isso é um nó no Estado e no País, com investimento de R$ 24 milhões. É espetacular. Acho que na região precisamos iniciar o transplante de órgão, nesse hospital em São Bernardo. Temos que avançar muito na região.

O sr. se lembra quando teve seu primeiro contato com o Diário?
A minha primeira ida ao jornal foi para falar do primeiro caso de Aids no Brasil, em 1982, para os funcionários. E, a partir daí, várias vezes fui ao Diário.

Na sua opinião, o que o Diário pode fazer para fortalecer a Saúde das sete cidades?
Eu entendo que o jornal seja absolutamente estratégico, não só para a região, como no contexto de todo Estado. Eu acompanhava antes, enquanto aluno, e acompanho o jornal hoje. E quero poder participar na área da Saúde. Vai ser vital a participação do Diário para aquilo que pretendo. A mídia é uma grande parceira na divulgação de informação e para críticas também.

Quais são os gargalos da Saúde pública no País e no Grande ABC?
Temos vários. A cirurgia cardíaca infantil é a mais angustiante. A outra, que estamos praticamente resolvendo, são os medicamentos de alto custo. Houve uma ideia, junto ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, de nós começarmos a descentralizar a distribuição de medicamentos, que passam a ser distribuídos pelo Poupatempo de São Bernardo, que é muito bem avaliado. O pessoal é competente, pode fazer a distribuição de forma ágil e ainda vai tirar do Hospital Mário Covas 11 mil pacientes/mês. Isso, enquanto secretário, deixei assinado e resolvido. A outra coisa fundamental, e o Consórcio ainda não resolveu, é trazer a Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), que controla os serviços do Estado, para a região. O sistema disponibiliza número de leitos, filas, gargalos. É a inteligência da Saúde, oferecendo dados de gestão. Fila é outro problema, mas quando olho para uma, descarto, logo de cara, 30% do volume, porque são nomes repetidos, pessoas que agendam em diversos locais ou que até já foram atendidas. Regionalizar a Cross seria fundamental para resolver esses gargalos, por isso vale a pena o Consórcio correr com isso. As prefeituras precisam ver a Faculdade de Medicina do ABC como parceira. Temos qualidade e competência. A região tem problemas, então vamos resolver. Eu voltei como diretor a essa faculdade para fazer diferente.

O que foi possível realizar e o que não conseguiu com o cargo de secretário estadual da Saúde? Alguma frustração?
Uma gestão muito bem-sucedida. A Secretaria de Saúde tem equipe espetacular, com orçamento de R$ 23 bilhões. Na Saúde você nunca acha que fez tudo, não tem um dia em que você se sinta satisfeito, mas, não dá para fazer tudo, é uma sequência. Quem assume precisa dar continuidade.

Seu novo desafio agora é como diretor-geral da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Quais planos tem para a faculdade?
Outro dia uma pessoa próxima me perguntou por que sairia da secretaria do maior Estado do País para voltar a ser diretor da faculdade. Brinquei: ‘Quem disse que não vou tornar a Faculdade de Medicina do tamanho do Estado?’ O fato de ter sido secretário da Saúde me motiva ainda mais a ser diretor dessa escola. Eu tenho muita experiência, conheço muito melhor o Estado e a região. Isso me dá mais condições do que eu tinha há quatro anos. Estou muito mais preparado. Já temos uma Faculdade de Medicina excepcional, muito bem avaliada. Agora quero que os outros cursos que virão cheguem a esse patamar. Estamos com grande plano de comunicação para mostrarmos o que fazemos, porque aqui se faz muito mais do que se sabe. Isso é um diamante. Os projetos são muito ambiciosos, tanto do ponto de vista físico, com edificações mais modernas, quanto investimento em pesquisas de ponta. Além, é claro, de poder remunerar melhor as pessoas que aqui trabalham, que são de primeira linha, para que sejam motivadas a desenvolver projetos.

Como o sr. avalia a questão da formação médica no País? Especialistas defendem a criação de exames de avaliação ao fim da graduação. O que acha? Concorda com o congelamento da abertura de cursos de Medicina no País, determinado pelo MEC?
Sou visceralmente contra esse absurdo do aumento das faculdades de medicina. Algumas são instaladas em locais, inclusive, que não têm o menor sentido. Além disso, quem está ensinando? Aqui na faculdade tem um rigor imenso e vou intensificar. A determinação do MEC aconteceu tarde demais, e não tem saída. Será preciso ter, sim, algum tipo de exame, pós-conclusão de curso ou ao longo da graduação. Alguma coisa tem que ser feita. Medicina é assim, você deu CRM (Conselho Regional de Medicina) hoje, amanhã cada um faz o que quer. É preciso ter mais rigor.

Qual a importância da parceria entre universidades e poder público para a resolução de problemas e discussões sobre a Saúde?
Vou quebrar os muros entre o centro universitário, as prefeituras e a população da região. Esse é o grande desafio. A faculdade precisa achar os gargalos na sociedade e ajudar a resolvê-los. Nós vamos interagir, participar, ajudar. E esperamos a recíproca também das prefeituras, que auxiliem no complexo hospital. Além disso, existem dívidas dos municípios com a faculdade que precisam ser solucionadas. Isso é inadmissível. O prefeito que entra não admite que a dívida tem que ser paga por se tratar da gestão passada. Não é assim que funciona. Todos precisam ter muita responsabilidade. E a faculdade é da população do Grande ABC, das prefeituras também. É assim que vai ser, cada um fazendo seu papel. Essa instituição não vive de matrícula e mensalidade, precisa ter investimento.

Falando um pouco de política, o sr. tem uma ligação antiga com o PSDB e com o ex-governador Geraldo Alckmin. Está colaborando com o projeto e na campanha eleitoral à Presidência? Tem planos de ser candidato?
Eu sei do meu limite. Sou bom médico, professor e fui bom secretário, mas essa é minha área, não vou dar um passo a mais. Eu não pretendo participar de nenhum cargo eletivo, mas ajudar eu ajudo desde a primeira eleição do ex-presidente Fernando Henrique (Cardoso), quando fiz parte de um grupo de médicos para ajudar no plano de Saúde. Aliás, venho fazendo parte de grupos que preparam planos para campanhas e governos, que são coisas totalmente distintas, inclusive. Sempre ajudei e estou à disposição para continuar ajudando.  



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'Vou tornar a faculdade do tamanho do Estado', diz Uip

Tauana Marin

09/05/2018 | 07:00


Aluno da segunda turma da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), de 1970, o médico infectologista David Uip é hoje o diretor-geral da faculdade. O ex-secretário da Saúde do Estado pretende usar seu know-how para trazer investimentos, principalmente no que tange o setor de pesquisas. “A FMABC é um diamante”. O médico e docente foi decisivo ao pedir ao ex-governador Mário Covas (1930-2001) para instalar o hospital estadual em Santo André. Conhecedor do Grande ABC, Uip acredita na mídia regional, como o Diário, para fonte de informação à população e divulgação de grandes feitos de instituições como a FMABC.

O sr. é um dos mais renomados infectologistas do País. Considerando os avanços da Medicina, como explicar mortes por febre amarela, dengue, zika vírus e outras doenças que estão preocupando gestores públicos atualmente?
Tem coisas que são controláveis e outras não. A febre amarela era previsível. Você não consegue, em hipótese alguma, controlar vírus. O homem invadiu as matas e o epicentro do acúmulo de casos ocorreu em Mairiporã e Atibaia, por exemplo. E é só olhar e você percebe essa invasão de condomínio e hotéis nas matas. O vírus silvestre sempre existiu, mais ou menos prevalentes. O que ocorreu, agora, foi o aumento exacerbado do vírus, mais rápido do que se imaginava. A velocidade dele mais que triplicou. Nós percebemos no começo em 2016, pelo aumento do número de mortes dos primatas não humanos, em regiões como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. O pessoal da vigilância epidemiológica (da Secretaria do Estado da Saúde) descobriu os caminhos ecológicos, para onde o vírus iria e fez com que nós nos antecipássemos quanto às vacinas. Quando o vírus atinge o primata não humano, pode ter certeza que depois de dois meses vai atingir o ser humano. Então, na minha visão, o Estado de São Paulo se comportou de forma espetacular em relação ao empate contra o vírus da febre amarela. Inclusive, de 2007 a 2016, o Estado vacinou 7 milhões de pessoas. Em 2017, foram 7 milhões e 400 pessoas, mais do que vacinou em dez anos. E, neste ano, tinha vacinado mais de 7 milhões de pessoas. Ou seja, tem 21 milhões de pessoas devidamente vacinadas. O que eu estou dizendo é que a febre amarela dá para se dar um basta, diferentemente da dengue, que são quatro sorotipos.

Mas há previsão de haver vacina contra a dengue?
Neste caso, a investigação clínica está levando mais tempo do que se imaginava, porque caiu de forma espetacular o número de dengue no Brasil. Em São Paulo a queda foi de 99%. E isso dificulta você fazer a vacina, porque não tem como testar. Já o zika vírus eu entendi como sendo um furacão, causou muitos danos, mas passou. O H1N1, na verdade, é o vírus Influenza, que teremos problemas agora na parte de inverno, mas temos vacina. Então, se você olhar a política de vacina brasileira, ela continua sendo boa. Tivemos problemas com a febre amarela porque o mundo disponibilizava poucas vacinas, e o Brasil precisava de um número muito grande. Acho que o pacto entre governo federal, Estado e os municípios deu conta de uma história que poderia ter sido dramática.

Podemos dizer que alguns equipamentos públicos da região contaram com a sua ajuda para sair do papel, como é o caso do Hospital Estadual Mário Covas. O sr. pode contar sobre sua atuação nestes casos?
Eu era médico e assessor do governador Mário Covas, e ele decidiu terminar os 20 hospitais que haviam sido começados no Estado, um deles era o hospital de Santo André. E ele concluiu esses hospitais. Nessa época havia disputa onde o Hospital Estadual Mário Covas iria ser instalado, e eu falei ao governador que deveria vir para o Grande ABC por conta da Faculdade de Medicina. Essa conversa foi decisiva, por conta do hospital ter um perfil acadêmico de ensino e pesquisa. Me lembro que ajudei a escolher a cor do hospital. Depois percebi que o hospital foi perdendo essa função acadêmica, e quando entrei como secretário, a primeira medida que consegui fazer foi transformá-lo em hospital de ensino. Na região melhoramos o atendimento do Hospital Albert Sabin de São Caetano. assim como os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) de Santo André e Mauá. Hoje são os segundos mais bem avaliados do Estado. O que fiz na minha gestão foi transformar os atendimentos dos ambulatórios, hoje com procedimentos invasivos e cirurgias. Isso é uma mudança de paradigma, além de diminuir o fluxo nos hospitais.

O sr. crê que esse tenha sido seu ponto alto como secretário?
Houve progresso grande, mas acho que o que de melhor fiz enquanto secretário, nos quatro anos e sete meses que fiquei no cargo, foi inaugurar 13 hospitais estaduais. E até o fim do ano serão mais três, além dos nove novos AMEs. No entanto, o mais importante foi trazer a cirurgia cardiovascular para o Hospital de Clínicas de São Bernardo, porque isso é um nó no Estado e no País, com investimento de R$ 24 milhões. É espetacular. Acho que na região precisamos iniciar o transplante de órgão, nesse hospital em São Bernardo. Temos que avançar muito na região.

O sr. se lembra quando teve seu primeiro contato com o Diário?
A minha primeira ida ao jornal foi para falar do primeiro caso de Aids no Brasil, em 1982, para os funcionários. E, a partir daí, várias vezes fui ao Diário.

Na sua opinião, o que o Diário pode fazer para fortalecer a Saúde das sete cidades?
Eu entendo que o jornal seja absolutamente estratégico, não só para a região, como no contexto de todo Estado. Eu acompanhava antes, enquanto aluno, e acompanho o jornal hoje. E quero poder participar na área da Saúde. Vai ser vital a participação do Diário para aquilo que pretendo. A mídia é uma grande parceira na divulgação de informação e para críticas também.

Quais são os gargalos da Saúde pública no País e no Grande ABC?
Temos vários. A cirurgia cardíaca infantil é a mais angustiante. A outra, que estamos praticamente resolvendo, são os medicamentos de alto custo. Houve uma ideia, junto ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, de nós começarmos a descentralizar a distribuição de medicamentos, que passam a ser distribuídos pelo Poupatempo de São Bernardo, que é muito bem avaliado. O pessoal é competente, pode fazer a distribuição de forma ágil e ainda vai tirar do Hospital Mário Covas 11 mil pacientes/mês. Isso, enquanto secretário, deixei assinado e resolvido. A outra coisa fundamental, e o Consórcio ainda não resolveu, é trazer a Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), que controla os serviços do Estado, para a região. O sistema disponibiliza número de leitos, filas, gargalos. É a inteligência da Saúde, oferecendo dados de gestão. Fila é outro problema, mas quando olho para uma, descarto, logo de cara, 30% do volume, porque são nomes repetidos, pessoas que agendam em diversos locais ou que até já foram atendidas. Regionalizar a Cross seria fundamental para resolver esses gargalos, por isso vale a pena o Consórcio correr com isso. As prefeituras precisam ver a Faculdade de Medicina do ABC como parceira. Temos qualidade e competência. A região tem problemas, então vamos resolver. Eu voltei como diretor a essa faculdade para fazer diferente.

O que foi possível realizar e o que não conseguiu com o cargo de secretário estadual da Saúde? Alguma frustração?
Uma gestão muito bem-sucedida. A Secretaria de Saúde tem equipe espetacular, com orçamento de R$ 23 bilhões. Na Saúde você nunca acha que fez tudo, não tem um dia em que você se sinta satisfeito, mas, não dá para fazer tudo, é uma sequência. Quem assume precisa dar continuidade.

Seu novo desafio agora é como diretor-geral da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Quais planos tem para a faculdade?
Outro dia uma pessoa próxima me perguntou por que sairia da secretaria do maior Estado do País para voltar a ser diretor da faculdade. Brinquei: ‘Quem disse que não vou tornar a Faculdade de Medicina do tamanho do Estado?’ O fato de ter sido secretário da Saúde me motiva ainda mais a ser diretor dessa escola. Eu tenho muita experiência, conheço muito melhor o Estado e a região. Isso me dá mais condições do que eu tinha há quatro anos. Estou muito mais preparado. Já temos uma Faculdade de Medicina excepcional, muito bem avaliada. Agora quero que os outros cursos que virão cheguem a esse patamar. Estamos com grande plano de comunicação para mostrarmos o que fazemos, porque aqui se faz muito mais do que se sabe. Isso é um diamante. Os projetos são muito ambiciosos, tanto do ponto de vista físico, com edificações mais modernas, quanto investimento em pesquisas de ponta. Além, é claro, de poder remunerar melhor as pessoas que aqui trabalham, que são de primeira linha, para que sejam motivadas a desenvolver projetos.

Como o sr. avalia a questão da formação médica no País? Especialistas defendem a criação de exames de avaliação ao fim da graduação. O que acha? Concorda com o congelamento da abertura de cursos de Medicina no País, determinado pelo MEC?
Sou visceralmente contra esse absurdo do aumento das faculdades de medicina. Algumas são instaladas em locais, inclusive, que não têm o menor sentido. Além disso, quem está ensinando? Aqui na faculdade tem um rigor imenso e vou intensificar. A determinação do MEC aconteceu tarde demais, e não tem saída. Será preciso ter, sim, algum tipo de exame, pós-conclusão de curso ou ao longo da graduação. Alguma coisa tem que ser feita. Medicina é assim, você deu CRM (Conselho Regional de Medicina) hoje, amanhã cada um faz o que quer. É preciso ter mais rigor.

Qual a importância da parceria entre universidades e poder público para a resolução de problemas e discussões sobre a Saúde?
Vou quebrar os muros entre o centro universitário, as prefeituras e a população da região. Esse é o grande desafio. A faculdade precisa achar os gargalos na sociedade e ajudar a resolvê-los. Nós vamos interagir, participar, ajudar. E esperamos a recíproca também das prefeituras, que auxiliem no complexo hospital. Além disso, existem dívidas dos municípios com a faculdade que precisam ser solucionadas. Isso é inadmissível. O prefeito que entra não admite que a dívida tem que ser paga por se tratar da gestão passada. Não é assim que funciona. Todos precisam ter muita responsabilidade. E a faculdade é da população do Grande ABC, das prefeituras também. É assim que vai ser, cada um fazendo seu papel. Essa instituição não vive de matrícula e mensalidade, precisa ter investimento.

Falando um pouco de política, o sr. tem uma ligação antiga com o PSDB e com o ex-governador Geraldo Alckmin. Está colaborando com o projeto e na campanha eleitoral à Presidência? Tem planos de ser candidato?
Eu sei do meu limite. Sou bom médico, professor e fui bom secretário, mas essa é minha área, não vou dar um passo a mais. Eu não pretendo participar de nenhum cargo eletivo, mas ajudar eu ajudo desde a primeira eleição do ex-presidente Fernando Henrique (Cardoso), quando fiz parte de um grupo de médicos para ajudar no plano de Saúde. Aliás, venho fazendo parte de grupos que preparam planos para campanhas e governos, que são coisas totalmente distintas, inclusive. Sempre ajudei e estou à disposição para continuar ajudando.  

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