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‘Doação de órgãos é um ato de amor’

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

20/04/2018 | 07:00


Wilma Maria de Moraes, 59 anos, atua no auxílio e na disseminação de um tema vital: a doação de órgãos.

Servidora pública aposentada, na área de administração hospitalar, ela nasceu na Capital e chegou a Santo André aos 2 anos, já que o pai, Euclides Araújo de Moraes, se mudou para trabalhar em empresa instalada na cidade.

O interesse acerca do assunto que virou sua bandeira aconteceu ainda na infância.

Em 7 de julho de 2010, Wilma fundou o Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde), que trabalha na orientação de quem necessita de transplante e na sensibilização da questão.

Wilma Maria de Moraes e o Diário
Wilma teve o primeiro contato com o Diário em 3 de setembro de 2003, durante a realização do debate Transplantes e Doações, Por Que a Polêmica? “Reunimos mais de 1.000 pessoas no auditório do Tênis Clube de Santo André”, recorda.

Além de reportagens, a participação se deu também com a publicação de artigos na página Opinião, em 2014, 2015 e 2016. As veiculações têm grande retorno, segundo ela. “Muitas pessoas reconhecem-nos nas ruas e até abraçam-nos. Um mimo.”

Como e quando se deu sua atuação na área de doação de órgãos?
O meu primeiro contato com a doação de órgãos foi quando vi pela televisão a notícia que um médico chamado Euríclydes de Jesus Zerbini havia transplantado um coração, no dia 26 de maio de 1968. Um marco na história da medicina no Brasil. Fiquei fascinada pelo assunto e não sabia explicar o porquê.

Qual trabalho que o Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde) desenvolve?
O Ipes é uma associação civil de assistência social. Nosso conselho diretor e voluntariado é formado por profissionais responsáveis, com foco em resultados na Saúde, Saúde Ambiental e qualidade de vida do nosso público-alvo. Além de realizar ações estratégicas em comunidades carentes, também suscita nos profissionais de Saúde atuantes e em formação questões que requerem conhecimento e sensibilização, como a questão do incentivo à doação de órgãos e tecidos para transplantes, ações específicas à doação de sangue, entre outras de Saúde, Saúde Ambiental e Educação para a Saúde com orientação, informação, acompanhamento e encaminhamento de casos específicos aos órgãos competentes. Entendemos também ser uma forma de proteção que gera justiça e cidadania. Se a pessoa possui um familiar e/ou ente querido que necessita ser inscrito na fila única de transplantes do SUS (Sistema Único de Saúde), ou se algum familiar e/ou ente querido carece de doadores voluntários de sangue, o Ipes orienta, informa, acompanha e encaminha para os respectivos procedimentos.

E, ao longo de sua existência, quantas pessoas já foram atendidas pelo instituto?
Podemos afirmar um número de atendimentos superior a 300 pessoas de forma direta. E indireta, mais de dez mil pessoas atendidas por nós durante todos esses anos. O Ipes também atua no desenvolvimento de projetos sociais com o intuito de fortalecer o desenvolvimento econômico do Grande ABC.

O Ipes tem um projeto para que o Grande ABC ganhe a primeira OPO (Organização de Procura de Órgãos). Como descreve a importância desse projeto e de que maneira o instituto tem atuado para que isso se concretize?
Com a implantação da OPO iremos otimizar a captação e evitar o desperdício. O Ipes luta desde 2003 para alcançar esse objetivo. O projeto, solicitando a implantação deste organismo de utilidade pública, foi protocolado no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC em 4 de outubro de 2010, em reunião com os sete prefeitos. A OPO é composta por um centro cirúrgico com equipamentos em perfeito estado de conservação e equipe treinada. Os plantões são de 24 horas. Então, estamos falando de rotina contínua na captação de órgãos e tecidos com robusta segurança no gerenciamento de riscos.

A realização da OPO é algo que vê para longo prazo?
Eu diria que agora não devemos falar a longo prazo, pelo simples fato de ter completado 15 anos de luta nesse sentido. Isso mesmo, há 15 anos estamos batendo na mesma tecla. Podemos considerar, então, a curtíssimo prazo nos dias de hoje. Quinze anos se passaram, qual seja, o período de longo prazo. Não há mais desculpas plausíveis, o que existe agora é a resposta sobre a questão de interpretação do tema por parte dos nossos governantes. A Organização de Procura de Órgãos é uma entidade do terceiro setor e, assim sendo, pode e deve receber subsídios permanentes, das várias esferas da sociedade e também de organismos internacionais na captação de recursos.

Quais os desafios para tirá-la do papel?
O grande desafio é a resposta a uma pergunta nossa: é importante salvar vidas por meio da doação de órgãos e tecidos no Grande ABC, ou não é? O interesse genuíno pelo ser humano permeia a questão.

A questão de doação de órgãos esbarra, muitas vezes, na recusa das famílias. Como é preciso trabalhar isso para que haja mais captação de órgãos?
No treinamento intensivo das equipes nos hospitais e redes credenciadas de Saúde pública e privada. No intercâmbio da coleta de dados e informações da rotina diária de atendimentos. Defendemos a busca ativa. Na Educação, a partir do Ensino Fundamental. Nas igrejas cristãs, no mundo corporativo. No horário dos encontros familiares, no cotidiano dos lares. Nas rede sociais. Enfim, aonde possamos encontrar gente. Pretendemos, por meio do esclarecimento à população, mudar a legislação vigente que rege sobre a questão do tema: doação de órgãos e tecidos, para favorecer os pacientes que estão em fila única de transplantes do SUS.

Há muita procura?
São muitas as pessoas que fazem contato conosco por se identificarem com o nosso trabalho. Colhemos o que plantamos. Hoje, recebemos o retorno de um trabalho solidário, que, outrora solitário, não sucumbiu. Em 2002, tomamos a postura de sermos mais incisivos com relação ao assunto. Trouxemos esse projeto para a cidade de Santo André, onde trabalhamos. Sugerimos, inclusive, como trote de calouros o tema ‘Doar, um ato de amor’. Depois dessa experiência, resolvemos levar aos seminários uma abordagem mais lúdica, com certa dose de entretenimento. O público também é diferenciado, alguns alunos mais jovens do Ensino Médio. Surgia, assim, um primeiro projeto, que desencadearia outros dois de Educação em Saúde.

Há estimativa de quantas pessoas no Grande ABC aguardam na fila de transplante? E por qual órgão há mais espera?
Sim. O Diário, em 26 de março de 2017, um domingo, estampou na capa : ‘Região tem 1.020 pessoas na espera por transplante’. E o Editorial, naquela ocasião, destacou a nossa jornada de trabalho assertiva, uma vez mais. Atualmente, podemos acrescentar um aumento de 10% na fila da agonia, como costumamos falar. Isso sem tocar no assunto das mortes. Muitas pessoas perdem a vida durante o processo de espera por um transplante e também no procedimento de hemodiálise. Então, pode-se interpretar de forma equivocada a fila por um órgão e/ou tecido. O rim é campeão.

Como vê a atuação dos municípios do Grande ABC nessa questão da doação de órgãos? O que precisa ser feito para impulsionar e quem precisa ser protagonista dessa discussão?
Vejo com a cor da esperança, qual seja, a mesma esperança daquela garotinha com 10 anos de idade, no momento em que preferiu ‘largar a boneca’ e cooperar com a esperança de uma nova vida. Tornou-se militante, sem ao menos saber direito o que estava fazendo, levantando a bandeira da doação de órgãos e tecidos no Brasil, por intermédio do interesse e carinho de seu genitor. A luta no território nacional surgiu aqui em Santo André. O pontapé inicial. Isso é muito bom! E deve ser lembrado para sempre.

E a atuação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC?
O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC carece dar prosseguimento às tratativas de implantação da OPO em caráter premente. Vale lembrar, novamente, que o projeto do Instituto Ipes foi apresentado ali, no dia 4 de outubro de 2010. A informação que recebemos na data da reunião, com o então secretário executivo, Fabio Palacio, no dia 19 de abril de 2017, esclarecia sobre o aval do presidente (do Consórcio) Orlando Morando para o projeto de implantação da OPO no Hospital Estadual Mário Covas. Por enquanto, o treinamento da equipe multidisciplinar já iniciou-se no referido hospital. Mas é somente isso que podemos esperar como resposta? Em janeiro de 2012, protocolamos na Prefeitura de Santo André documento para o ‘Setembro Verde’ na cidade. Não houve resposta. Em setembro do ano passado, utilizamos a tribuna livre na Câmara Municipal e fizemos um apelo ao prefeito Paulo Serra pela passagem do Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos, no dia 27. Queremos as sete primeiras-damas nas diretrizes das pautas na casa dos prefeitos também. Queremos dialogar com elas a importância desse projeto. Queremos o fortalecimento do Consórcio, por intermédio do Consórcio Rosa, como denominamos a ideia.

Como vê o papel do Diário nessa questão e o que mais o jornal pode fazer para fortalecer o tema na região?
O papel do Diário, além de pioneiro, é de facilitador e investigador. E detém o título de o primeiro e mais importante parceiro do Instituto Ipes no Grande ABC. O Diário pode ajudar-nos na conquista da nossa sede oficial junto à Prefeitura de Santo André (o pedido foi feito há anos) e, concomitantemente, na captação de recursos junto ao empresariado local, além das tratativas incansáveis na busca de respostas dos nossos projetos para o Grande ABC, como é de praxe fazê-lo.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
A curto prazo, banco de medula óssea e, a médio, centro de transplante de medula óssea. Perdemos doadores voluntários todos os dias, devido à dificuldade de locomoção para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, referência para a nossa querida região. Perdemos um garotinho com 4 anos de idade, Breno de Moura Santos, da cidade de São Bernardo, em 2009, na fila de transplante. O sonho acabou cedo demais para ele. Precisamos conhecer a estratégia campeã em captação de doadores voluntários de medula óssea da Capital de Rondônia, Porto Velho, no Norte do País. Desde 2012, Porto Velho lidera o ranking brasileiro em doadores.

Que futuro espera para o Grande ABC?
Um futuro com Educação e Saúde de qualidade. Geração de emprego e renda, Segurança, Mobilidade Urbana e Habitação. Cuidados especiais para os idosos e vida animal também. Um sonho: a revitalização do Mercado Municipal de Santo André (na região central da cidade), inaugurado em 1959. O projeto está pronto, na gaveta, esperando uma oportunidade para ser apresentado. O local, revitalizado, seria uma bela oportunidade para informação e esclarecimentos sobre temas de Saúde e o pontapé inicial, conosco, é claro.



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‘Doação de órgãos é um ato de amor’

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

20/04/2018 | 07:00


Wilma Maria de Moraes, 59 anos, atua no auxílio e na disseminação de um tema vital: a doação de órgãos.

Servidora pública aposentada, na área de administração hospitalar, ela nasceu na Capital e chegou a Santo André aos 2 anos, já que o pai, Euclides Araújo de Moraes, se mudou para trabalhar em empresa instalada na cidade.

O interesse acerca do assunto que virou sua bandeira aconteceu ainda na infância.

Em 7 de julho de 2010, Wilma fundou o Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde), que trabalha na orientação de quem necessita de transplante e na sensibilização da questão.

Wilma Maria de Moraes e o Diário
Wilma teve o primeiro contato com o Diário em 3 de setembro de 2003, durante a realização do debate Transplantes e Doações, Por Que a Polêmica? “Reunimos mais de 1.000 pessoas no auditório do Tênis Clube de Santo André”, recorda.

Além de reportagens, a participação se deu também com a publicação de artigos na página Opinião, em 2014, 2015 e 2016. As veiculações têm grande retorno, segundo ela. “Muitas pessoas reconhecem-nos nas ruas e até abraçam-nos. Um mimo.”

Como e quando se deu sua atuação na área de doação de órgãos?
O meu primeiro contato com a doação de órgãos foi quando vi pela televisão a notícia que um médico chamado Euríclydes de Jesus Zerbini havia transplantado um coração, no dia 26 de maio de 1968. Um marco na história da medicina no Brasil. Fiquei fascinada pelo assunto e não sabia explicar o porquê.

Qual trabalho que o Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde) desenvolve?
O Ipes é uma associação civil de assistência social. Nosso conselho diretor e voluntariado é formado por profissionais responsáveis, com foco em resultados na Saúde, Saúde Ambiental e qualidade de vida do nosso público-alvo. Além de realizar ações estratégicas em comunidades carentes, também suscita nos profissionais de Saúde atuantes e em formação questões que requerem conhecimento e sensibilização, como a questão do incentivo à doação de órgãos e tecidos para transplantes, ações específicas à doação de sangue, entre outras de Saúde, Saúde Ambiental e Educação para a Saúde com orientação, informação, acompanhamento e encaminhamento de casos específicos aos órgãos competentes. Entendemos também ser uma forma de proteção que gera justiça e cidadania. Se a pessoa possui um familiar e/ou ente querido que necessita ser inscrito na fila única de transplantes do SUS (Sistema Único de Saúde), ou se algum familiar e/ou ente querido carece de doadores voluntários de sangue, o Ipes orienta, informa, acompanha e encaminha para os respectivos procedimentos.

E, ao longo de sua existência, quantas pessoas já foram atendidas pelo instituto?
Podemos afirmar um número de atendimentos superior a 300 pessoas de forma direta. E indireta, mais de dez mil pessoas atendidas por nós durante todos esses anos. O Ipes também atua no desenvolvimento de projetos sociais com o intuito de fortalecer o desenvolvimento econômico do Grande ABC.

O Ipes tem um projeto para que o Grande ABC ganhe a primeira OPO (Organização de Procura de Órgãos). Como descreve a importância desse projeto e de que maneira o instituto tem atuado para que isso se concretize?
Com a implantação da OPO iremos otimizar a captação e evitar o desperdício. O Ipes luta desde 2003 para alcançar esse objetivo. O projeto, solicitando a implantação deste organismo de utilidade pública, foi protocolado no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC em 4 de outubro de 2010, em reunião com os sete prefeitos. A OPO é composta por um centro cirúrgico com equipamentos em perfeito estado de conservação e equipe treinada. Os plantões são de 24 horas. Então, estamos falando de rotina contínua na captação de órgãos e tecidos com robusta segurança no gerenciamento de riscos.

A realização da OPO é algo que vê para longo prazo?
Eu diria que agora não devemos falar a longo prazo, pelo simples fato de ter completado 15 anos de luta nesse sentido. Isso mesmo, há 15 anos estamos batendo na mesma tecla. Podemos considerar, então, a curtíssimo prazo nos dias de hoje. Quinze anos se passaram, qual seja, o período de longo prazo. Não há mais desculpas plausíveis, o que existe agora é a resposta sobre a questão de interpretação do tema por parte dos nossos governantes. A Organização de Procura de Órgãos é uma entidade do terceiro setor e, assim sendo, pode e deve receber subsídios permanentes, das várias esferas da sociedade e também de organismos internacionais na captação de recursos.

Quais os desafios para tirá-la do papel?
O grande desafio é a resposta a uma pergunta nossa: é importante salvar vidas por meio da doação de órgãos e tecidos no Grande ABC, ou não é? O interesse genuíno pelo ser humano permeia a questão.

A questão de doação de órgãos esbarra, muitas vezes, na recusa das famílias. Como é preciso trabalhar isso para que haja mais captação de órgãos?
No treinamento intensivo das equipes nos hospitais e redes credenciadas de Saúde pública e privada. No intercâmbio da coleta de dados e informações da rotina diária de atendimentos. Defendemos a busca ativa. Na Educação, a partir do Ensino Fundamental. Nas igrejas cristãs, no mundo corporativo. No horário dos encontros familiares, no cotidiano dos lares. Nas rede sociais. Enfim, aonde possamos encontrar gente. Pretendemos, por meio do esclarecimento à população, mudar a legislação vigente que rege sobre a questão do tema: doação de órgãos e tecidos, para favorecer os pacientes que estão em fila única de transplantes do SUS.

Há muita procura?
São muitas as pessoas que fazem contato conosco por se identificarem com o nosso trabalho. Colhemos o que plantamos. Hoje, recebemos o retorno de um trabalho solidário, que, outrora solitário, não sucumbiu. Em 2002, tomamos a postura de sermos mais incisivos com relação ao assunto. Trouxemos esse projeto para a cidade de Santo André, onde trabalhamos. Sugerimos, inclusive, como trote de calouros o tema ‘Doar, um ato de amor’. Depois dessa experiência, resolvemos levar aos seminários uma abordagem mais lúdica, com certa dose de entretenimento. O público também é diferenciado, alguns alunos mais jovens do Ensino Médio. Surgia, assim, um primeiro projeto, que desencadearia outros dois de Educação em Saúde.

Há estimativa de quantas pessoas no Grande ABC aguardam na fila de transplante? E por qual órgão há mais espera?
Sim. O Diário, em 26 de março de 2017, um domingo, estampou na capa : ‘Região tem 1.020 pessoas na espera por transplante’. E o Editorial, naquela ocasião, destacou a nossa jornada de trabalho assertiva, uma vez mais. Atualmente, podemos acrescentar um aumento de 10% na fila da agonia, como costumamos falar. Isso sem tocar no assunto das mortes. Muitas pessoas perdem a vida durante o processo de espera por um transplante e também no procedimento de hemodiálise. Então, pode-se interpretar de forma equivocada a fila por um órgão e/ou tecido. O rim é campeão.

Como vê a atuação dos municípios do Grande ABC nessa questão da doação de órgãos? O que precisa ser feito para impulsionar e quem precisa ser protagonista dessa discussão?
Vejo com a cor da esperança, qual seja, a mesma esperança daquela garotinha com 10 anos de idade, no momento em que preferiu ‘largar a boneca’ e cooperar com a esperança de uma nova vida. Tornou-se militante, sem ao menos saber direito o que estava fazendo, levantando a bandeira da doação de órgãos e tecidos no Brasil, por intermédio do interesse e carinho de seu genitor. A luta no território nacional surgiu aqui em Santo André. O pontapé inicial. Isso é muito bom! E deve ser lembrado para sempre.

E a atuação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC?
O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC carece dar prosseguimento às tratativas de implantação da OPO em caráter premente. Vale lembrar, novamente, que o projeto do Instituto Ipes foi apresentado ali, no dia 4 de outubro de 2010. A informação que recebemos na data da reunião, com o então secretário executivo, Fabio Palacio, no dia 19 de abril de 2017, esclarecia sobre o aval do presidente (do Consórcio) Orlando Morando para o projeto de implantação da OPO no Hospital Estadual Mário Covas. Por enquanto, o treinamento da equipe multidisciplinar já iniciou-se no referido hospital. Mas é somente isso que podemos esperar como resposta? Em janeiro de 2012, protocolamos na Prefeitura de Santo André documento para o ‘Setembro Verde’ na cidade. Não houve resposta. Em setembro do ano passado, utilizamos a tribuna livre na Câmara Municipal e fizemos um apelo ao prefeito Paulo Serra pela passagem do Dia Nacional do Doador de Órgãos e Tecidos, no dia 27. Queremos as sete primeiras-damas nas diretrizes das pautas na casa dos prefeitos também. Queremos dialogar com elas a importância desse projeto. Queremos o fortalecimento do Consórcio, por intermédio do Consórcio Rosa, como denominamos a ideia.

Como vê o papel do Diário nessa questão e o que mais o jornal pode fazer para fortalecer o tema na região?
O papel do Diário, além de pioneiro, é de facilitador e investigador. E detém o título de o primeiro e mais importante parceiro do Instituto Ipes no Grande ABC. O Diário pode ajudar-nos na conquista da nossa sede oficial junto à Prefeitura de Santo André (o pedido foi feito há anos) e, concomitantemente, na captação de recursos junto ao empresariado local, além das tratativas incansáveis na busca de respostas dos nossos projetos para o Grande ABC, como é de praxe fazê-lo.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
A curto prazo, banco de medula óssea e, a médio, centro de transplante de medula óssea. Perdemos doadores voluntários todos os dias, devido à dificuldade de locomoção para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, referência para a nossa querida região. Perdemos um garotinho com 4 anos de idade, Breno de Moura Santos, da cidade de São Bernardo, em 2009, na fila de transplante. O sonho acabou cedo demais para ele. Precisamos conhecer a estratégia campeã em captação de doadores voluntários de medula óssea da Capital de Rondônia, Porto Velho, no Norte do País. Desde 2012, Porto Velho lidera o ranking brasileiro em doadores.

Que futuro espera para o Grande ABC?
Um futuro com Educação e Saúde de qualidade. Geração de emprego e renda, Segurança, Mobilidade Urbana e Habitação. Cuidados especiais para os idosos e vida animal também. Um sonho: a revitalização do Mercado Municipal de Santo André (na região central da cidade), inaugurado em 1959. O projeto está pronto, na gaveta, esperando uma oportunidade para ser apresentado. O local, revitalizado, seria uma bela oportunidade para informação e esclarecimentos sobre temas de Saúde e o pontapé inicial, conosco, é claro.

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