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'A arte aguça a ver o mundo de forma diferente’


Miriam Gimenes

10/04/2018 | 07:00


Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, o mineiro Diaulas Ullysses, que veio para a região em 1974 e atualmente mora em São Bernardo, tem em sua vida um único objetivo: difundir sua arte. Formou-se ator em 1991, na Fundação das Artes de São Caetano, e, com o passar do tempo, foi deixando o teatro profissional e os comerciais de TV para se dedicar somente ao cinema.

Foi um dos criadores do Cine Eldorado, em Diadema, local de onde foi desligado este ano e, hoje, atua no projeto Pontos Mis, do Estado, uma ação lúdica que, com a ajuda de um super 8 milímetros projeta filmes nas camisetas das pessoas.

Quem é Diaulas Ullysses? 
O Diaulas é um artista que tem uma paixão incondicional pelo cinema, por fazer cinema e debater. É um jovem de 20 anos no corpo de 51, que tenta levar para as pessoas que o brincar e amar são a melhor saída para toda dor humana.

Como o audiovisual entrou na sua vida?
Quando tinha 4 anos, ao entrar na sala de cinema do Cine-Teatro Império para ver um filme com meu pai, embora tenha poucas lembranças desse dia. De lá para cá vieram as artes plásticas, o teatro e a fotografia, que fortaleceram meu caminho na arte cinematográfica. Eu realizei muitos cursos, palestras, exposições, exibições e oficinas de cinema e vídeo pelas sete cidades do Grande ABC.

Quando começou a ter contato com a Cultura da região?
Nossa... foi em Diadema, em 1983, quando inaugurou o Centro Cultural Diadema/Teatro Clara Nunes, com o filme O Homem que Virou Suco, do cineasta João Batista de Andrade. E depois fiquei sabendo que eles tinham umas ações com artistas plásticos da cidade e eu, humildemente, depois de ter sido aguçado com uma caixa de lápis de cor pelo meu tio José Candido (Tio Zeca), comecei a pintar e realizar instalações. Resolvi participar com os artistas plásticos de Diadema – nesse período a Prefeitura nos levava a realizar feiras de artes nas praças das outras cidades – e assim fui conhecendo o que o pessoal realizava em Diadema. Depois vieram os cursos de teatro amador e mais tarde com o cinema.

Já se apresentou por aqui e em outros Estados. Lembra qual foi a primeira vez em que rompeu as fronteiras da região?
Foi em fevereiro de 1992, em pleno verão, que rompi a fronteira da região e fui parar no Rio de janeiro, no Teatro João Caetano, com a peça Calígula, de Albert Camus, direção de Djalma Limongi Batista e protagonizada pelo ator Edson Celulari. Nossa, viajar de avião pela primeira vez e ir trabalhar na Cidade Maravilhosa foram algo fora do comum – primeiro que o Rio tem seus encantos, e o povo é maravilhoso. E foi nesse período que o Joãozinho Trinta nos convidou para desfilar no sambódromo, na Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, com o tema televisão. Ele mesmo foi quem fez nossos figurinos. E foi no Rio de Janeiro que conheci meus ídolos de teatro e cinema, pois todos foram assistir a gente, com destaque para Fernanda Montenegro.

Tem ideia de quantos filmes já fez ou ajudou a produzir por aqui? Quais destacaria?
Realizei 25 filmes entre ficção, documentário e videoclipe. E os filmes e vídeos que apoiei passaram dos 50 até hoje, pois ajudei a produzir, realizar e alguma parte técnica, fora o empréstimo dos meus equipamentos, para os cineastas do Grande ABC e São Paulo.

Como surgiu a ideia de fundar o Cine Eldorado? 
Trabalho com cinema profissionalmente desde 2002, quando fui trabalhar na cidade de Diadema, como assessor de cinema e vídeo. O Cine Eldorado foi idealizado com formas e ações que lembrassem um cineclube misturado com uma sala de cinema de arte, levando a comunidade a participar ativamente do processo cultural dele, fazendo escutas e debates dentro da sala de exibição com a comunidade.

Quantas pessoas passaram pela frente das telas do Cine Eldorado?
O Cine Eldorado teve seu auge durante uns quatro anos, de 2008 a 2012. Recebíamos por volta de 15 mil pessoas por mês nos dois primeiros anos. Depois se estabeleceu em 5.000. O investimento que havia previsto no começo do planejamento da sala de cinema foi sendo tirado aos poucos, por questões orçamentárias e de crise econômica. O ano de 2017, quando retornei à coordenação, chegamos a ter em alguns meses 2.700 pessoas (ele foi desligado do espaço no início deste ano).

Como vê um espaço dedicado à Cultura dentro de uma comunidade carente?
A comunidade de Diadema, ou de qualquer outra cidade do Brasil, sofre muito quando se localiza nos locais periféricos, onde o poder público tem olhar sempre distante, na maioria das vezes. Um espaço que promova, difunda, forme e leve o debate sobre Cultura e arte é muito importante para a comunidade, pois é ali que ela encontra ações e principalmente pessoas que agucem ela a ver o mundo de uma forma diferente; ou lhe dar um olhar melhor com as dores sociais e econômicas do dia a dia. Nesse local ‘mágico’ podem descobrir seus talentos artísticos para a vida ou para uma nova profissão.

Quais são as principais dificuldades em fazer arte aqui na região?
Nossa. Essa pergunta é em todo Brasil. O artista, seja de qualquer área, não é visto como trabalhador. Existe uma ignorância instituída de que quem trabalha com arte e cultura ‘não trabalha’. Na região ainda temos o agravante de sermos parte metropolitana da Capital, por consequência a maioria dos nossos governantes e políticos municipais não consegue enxergar o potencial artístico em todas as áreas das sete cidades do Grande ABC. Não existe uma política pública permanente e duradoura que proteja o que já vem sendo feito e fortalece com novas investidas. A área de cinema então é um sonho, uma utopia que só sobrevive por conta, em primeiro lugar, dos artistas e realizadores de cinema e vídeo, que, sem recursos diretos, fazem e deixam suas marcas em suas obras audiovisuais; e, em segundo lugar, pela Escola livre de Cinema e Vídeo de Santo André, também o Centro de Audiovisual de São Bernardo e algumas oficinas de audiovisual que aparecem e somem nas outras cidades.

Como vê os ‘ensaios’ de retomar o Vera Cruz que nunca saíram do papel?
Acompanho esses ‘ensaios’ não é de hoje. Estava na primeira festa/investida em 1996, onde foi apresentada uma maquete do projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, morta em 1992. De lá para cá, nunca os Estúdios Vera Cruz puderam retomar sua fluência de produzir filmes. Seria um espaço de grande força cinematográfica na região, pois vários filmes brasileiros de lá para cá foram realizados lá – entre eles Sábado, do Ugo Giorgetti. A Grande Noitada, de Denoy de Oliveira, onde fiz uma personagem na barbearia do Bartolo (Vicentini Gomez), Carandiru, de Hector Babenco, Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach.

Quais foram as situações mais difíceis que já passou durante a sua carreira e as mais gratificantes?
A situação mais difícil, e como de um trabalhador em qualquer área, sempre vem quando você perde seu trabalho, pois sou autônomo em cinema e vídeo e dependo da remuneração da minha labuta para pagar minhas contas. O mais gratificante e mais importante é levar minha arte, meus conhecimentos para serem trocados com a comunidade atendida. Sou um artista que amo o meu trabalho e não abro mão de acolher todos e todas nas minhas ações de cinema e vídeo. Ver e sentir a felicidade de um participante numa ação que faço, isso sim é muito especial para mim. Desde um jovem chorando por estar ali naquele momento numa filmagem, onde choramos juntos, até a alegria contagiante de uma criança ao subir as escadarias do Cine Eldorado e se sentar satisfeito de poder estar ali, usufruindo de um bem público. Não tem preço.

O Diário foi útil em alguma maneira nesta caminhada?
Posso dizer que na minha carreira como cineasta ele teve função estratégica na difusão do meu trabalho, de um jovem diretor de cinema que estava realizando o primeiro curta metragem da Turma 1, da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André). Em 2002, eu e a equipe éramos pelo menos uma vez por semana consultados ou saía alguma matéria sobre nossas ações para a feitura do filme, e a reportagem acompanhou o ator principal, que era o Antonio Petrin, até os testes de maquiagem e cabelo realizados pelo Celso Menezes. É muito simbólico ter matérias cobertas por jornalistas deste grande jornal. Com elas passamos a ser conhecidos e reconhecidos pelo nosso trabalho árduo de fazer arte e Cultura no Grande ABC e São Paulo. Tenho exemplares de jornais nos meus arquivos pessoais que são peças únicas, com matérias que o Diário realizou na minha carreira tanto no teatro como atualmente e mais fortemente no cinema. Foram fotografias e matérias maravilhosas nas quais pude falar e expressar meu amor ao cinema e às comunidades do Grande ABC.

Acredita que o veículo é um canal para ajudar os artistas da região?
O Diário é nossa vitrine mais iluminada da região, pois quando ele chega às mãos e aos olhos dessa população de quase 3 milhões de habitantes, segundo a pesquisa Cultura no Grande ABC, da JLeiva, sabemos que o nosso trabalho, nossa ação que saiu no jornal será lida por grande número de pessoas consumidoras desse importante jornal. Além disso, percebo que as matérias são bem acolhidas pelos jornalistas do Diário, pois eles nos tratam com leveza e sabedoria ao nos entrevistar. Às vezes é um primeiro contato e fica nítido que eles buscam se cercar de muita informação para poder filtrar e realizar uma escrita harmônica sobre o conteúdo apresentado.  

Que futuro espera para o Grande ABC e, também, para a Cultura daqui?
A minha esperança é a última que morre, pois quero ver os Estúdios Vera Cruz funcionando com pelo menos 50% das produções sendo realizadas pelos artistas de cinema e vídeo das sete cidades e que possamos ter políticas públicas de cinema regionais fortalecendo o mecanismo de acesso aos realizadores através de editais e prêmios de estímulo, para podermos ter um promissor e fluente mercado cinematográfico na região. E que os realizadores de Cultura sejam mais respeitados pela sabedoria dos governantes. Quem sabe um dia, os políticos não destruam o que foi conquistado nos processos democráticos de um governo anterior, mas que sejam fortalecidos pelo atual governante. E, assim, fortalecermos o pensamento livre, com iniciativas bem-sucedidas que beneficiem os produtores artísticos, que realizam obras e ações de audiovisual para toda a comunidade.

Diaulas Ullysses e o Diário

Desde que começou no teatro profissional, em 1991, o Diário está presente na vida de Diaulas. A estreia nestas páginas foi quando integrou o elenco da peça Calígula, de Albert Camus, protagonizada por Edson Celulari e dirigida por Djalma Limongi Batista. Ele e o ator Ediceu Maria eram os únicos do Grande ABC na montagem e foram objetos de algumas reportagens do jornal. “Em uma delas tinha a foto da morte em cena, da minha personagem, o senador Mereia, pela tirania de Calígula (Celulari), no fim do primeiro ato”, lembra. A montagem rodou o Brasil e foi apresentada em Santo André. 



Comentários

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'A arte aguça a ver o mundo de forma diferente’

Miriam Gimenes

10/04/2018 | 07:00


Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, o mineiro Diaulas Ullysses, que veio para a região em 1974 e atualmente mora em São Bernardo, tem em sua vida um único objetivo: difundir sua arte. Formou-se ator em 1991, na Fundação das Artes de São Caetano, e, com o passar do tempo, foi deixando o teatro profissional e os comerciais de TV para se dedicar somente ao cinema.

Foi um dos criadores do Cine Eldorado, em Diadema, local de onde foi desligado este ano e, hoje, atua no projeto Pontos Mis, do Estado, uma ação lúdica que, com a ajuda de um super 8 milímetros projeta filmes nas camisetas das pessoas.

Quem é Diaulas Ullysses? 
O Diaulas é um artista que tem uma paixão incondicional pelo cinema, por fazer cinema e debater. É um jovem de 20 anos no corpo de 51, que tenta levar para as pessoas que o brincar e amar são a melhor saída para toda dor humana.

Como o audiovisual entrou na sua vida?
Quando tinha 4 anos, ao entrar na sala de cinema do Cine-Teatro Império para ver um filme com meu pai, embora tenha poucas lembranças desse dia. De lá para cá vieram as artes plásticas, o teatro e a fotografia, que fortaleceram meu caminho na arte cinematográfica. Eu realizei muitos cursos, palestras, exposições, exibições e oficinas de cinema e vídeo pelas sete cidades do Grande ABC.

Quando começou a ter contato com a Cultura da região?
Nossa... foi em Diadema, em 1983, quando inaugurou o Centro Cultural Diadema/Teatro Clara Nunes, com o filme O Homem que Virou Suco, do cineasta João Batista de Andrade. E depois fiquei sabendo que eles tinham umas ações com artistas plásticos da cidade e eu, humildemente, depois de ter sido aguçado com uma caixa de lápis de cor pelo meu tio José Candido (Tio Zeca), comecei a pintar e realizar instalações. Resolvi participar com os artistas plásticos de Diadema – nesse período a Prefeitura nos levava a realizar feiras de artes nas praças das outras cidades – e assim fui conhecendo o que o pessoal realizava em Diadema. Depois vieram os cursos de teatro amador e mais tarde com o cinema.

Já se apresentou por aqui e em outros Estados. Lembra qual foi a primeira vez em que rompeu as fronteiras da região?
Foi em fevereiro de 1992, em pleno verão, que rompi a fronteira da região e fui parar no Rio de janeiro, no Teatro João Caetano, com a peça Calígula, de Albert Camus, direção de Djalma Limongi Batista e protagonizada pelo ator Edson Celulari. Nossa, viajar de avião pela primeira vez e ir trabalhar na Cidade Maravilhosa foram algo fora do comum – primeiro que o Rio tem seus encantos, e o povo é maravilhoso. E foi nesse período que o Joãozinho Trinta nos convidou para desfilar no sambódromo, na Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, com o tema televisão. Ele mesmo foi quem fez nossos figurinos. E foi no Rio de Janeiro que conheci meus ídolos de teatro e cinema, pois todos foram assistir a gente, com destaque para Fernanda Montenegro.

Tem ideia de quantos filmes já fez ou ajudou a produzir por aqui? Quais destacaria?
Realizei 25 filmes entre ficção, documentário e videoclipe. E os filmes e vídeos que apoiei passaram dos 50 até hoje, pois ajudei a produzir, realizar e alguma parte técnica, fora o empréstimo dos meus equipamentos, para os cineastas do Grande ABC e São Paulo.

Como surgiu a ideia de fundar o Cine Eldorado? 
Trabalho com cinema profissionalmente desde 2002, quando fui trabalhar na cidade de Diadema, como assessor de cinema e vídeo. O Cine Eldorado foi idealizado com formas e ações que lembrassem um cineclube misturado com uma sala de cinema de arte, levando a comunidade a participar ativamente do processo cultural dele, fazendo escutas e debates dentro da sala de exibição com a comunidade.

Quantas pessoas passaram pela frente das telas do Cine Eldorado?
O Cine Eldorado teve seu auge durante uns quatro anos, de 2008 a 2012. Recebíamos por volta de 15 mil pessoas por mês nos dois primeiros anos. Depois se estabeleceu em 5.000. O investimento que havia previsto no começo do planejamento da sala de cinema foi sendo tirado aos poucos, por questões orçamentárias e de crise econômica. O ano de 2017, quando retornei à coordenação, chegamos a ter em alguns meses 2.700 pessoas (ele foi desligado do espaço no início deste ano).

Como vê um espaço dedicado à Cultura dentro de uma comunidade carente?
A comunidade de Diadema, ou de qualquer outra cidade do Brasil, sofre muito quando se localiza nos locais periféricos, onde o poder público tem olhar sempre distante, na maioria das vezes. Um espaço que promova, difunda, forme e leve o debate sobre Cultura e arte é muito importante para a comunidade, pois é ali que ela encontra ações e principalmente pessoas que agucem ela a ver o mundo de uma forma diferente; ou lhe dar um olhar melhor com as dores sociais e econômicas do dia a dia. Nesse local ‘mágico’ podem descobrir seus talentos artísticos para a vida ou para uma nova profissão.

Quais são as principais dificuldades em fazer arte aqui na região?
Nossa. Essa pergunta é em todo Brasil. O artista, seja de qualquer área, não é visto como trabalhador. Existe uma ignorância instituída de que quem trabalha com arte e cultura ‘não trabalha’. Na região ainda temos o agravante de sermos parte metropolitana da Capital, por consequência a maioria dos nossos governantes e políticos municipais não consegue enxergar o potencial artístico em todas as áreas das sete cidades do Grande ABC. Não existe uma política pública permanente e duradoura que proteja o que já vem sendo feito e fortalece com novas investidas. A área de cinema então é um sonho, uma utopia que só sobrevive por conta, em primeiro lugar, dos artistas e realizadores de cinema e vídeo, que, sem recursos diretos, fazem e deixam suas marcas em suas obras audiovisuais; e, em segundo lugar, pela Escola livre de Cinema e Vídeo de Santo André, também o Centro de Audiovisual de São Bernardo e algumas oficinas de audiovisual que aparecem e somem nas outras cidades.

Como vê os ‘ensaios’ de retomar o Vera Cruz que nunca saíram do papel?
Acompanho esses ‘ensaios’ não é de hoje. Estava na primeira festa/investida em 1996, onde foi apresentada uma maquete do projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, morta em 1992. De lá para cá, nunca os Estúdios Vera Cruz puderam retomar sua fluência de produzir filmes. Seria um espaço de grande força cinematográfica na região, pois vários filmes brasileiros de lá para cá foram realizados lá – entre eles Sábado, do Ugo Giorgetti. A Grande Noitada, de Denoy de Oliveira, onde fiz uma personagem na barbearia do Bartolo (Vicentini Gomez), Carandiru, de Hector Babenco, Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach.

Quais foram as situações mais difíceis que já passou durante a sua carreira e as mais gratificantes?
A situação mais difícil, e como de um trabalhador em qualquer área, sempre vem quando você perde seu trabalho, pois sou autônomo em cinema e vídeo e dependo da remuneração da minha labuta para pagar minhas contas. O mais gratificante e mais importante é levar minha arte, meus conhecimentos para serem trocados com a comunidade atendida. Sou um artista que amo o meu trabalho e não abro mão de acolher todos e todas nas minhas ações de cinema e vídeo. Ver e sentir a felicidade de um participante numa ação que faço, isso sim é muito especial para mim. Desde um jovem chorando por estar ali naquele momento numa filmagem, onde choramos juntos, até a alegria contagiante de uma criança ao subir as escadarias do Cine Eldorado e se sentar satisfeito de poder estar ali, usufruindo de um bem público. Não tem preço.

O Diário foi útil em alguma maneira nesta caminhada?
Posso dizer que na minha carreira como cineasta ele teve função estratégica na difusão do meu trabalho, de um jovem diretor de cinema que estava realizando o primeiro curta metragem da Turma 1, da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André). Em 2002, eu e a equipe éramos pelo menos uma vez por semana consultados ou saía alguma matéria sobre nossas ações para a feitura do filme, e a reportagem acompanhou o ator principal, que era o Antonio Petrin, até os testes de maquiagem e cabelo realizados pelo Celso Menezes. É muito simbólico ter matérias cobertas por jornalistas deste grande jornal. Com elas passamos a ser conhecidos e reconhecidos pelo nosso trabalho árduo de fazer arte e Cultura no Grande ABC e São Paulo. Tenho exemplares de jornais nos meus arquivos pessoais que são peças únicas, com matérias que o Diário realizou na minha carreira tanto no teatro como atualmente e mais fortemente no cinema. Foram fotografias e matérias maravilhosas nas quais pude falar e expressar meu amor ao cinema e às comunidades do Grande ABC.

Acredita que o veículo é um canal para ajudar os artistas da região?
O Diário é nossa vitrine mais iluminada da região, pois quando ele chega às mãos e aos olhos dessa população de quase 3 milhões de habitantes, segundo a pesquisa Cultura no Grande ABC, da JLeiva, sabemos que o nosso trabalho, nossa ação que saiu no jornal será lida por grande número de pessoas consumidoras desse importante jornal. Além disso, percebo que as matérias são bem acolhidas pelos jornalistas do Diário, pois eles nos tratam com leveza e sabedoria ao nos entrevistar. Às vezes é um primeiro contato e fica nítido que eles buscam se cercar de muita informação para poder filtrar e realizar uma escrita harmônica sobre o conteúdo apresentado.  

Que futuro espera para o Grande ABC e, também, para a Cultura daqui?
A minha esperança é a última que morre, pois quero ver os Estúdios Vera Cruz funcionando com pelo menos 50% das produções sendo realizadas pelos artistas de cinema e vídeo das sete cidades e que possamos ter políticas públicas de cinema regionais fortalecendo o mecanismo de acesso aos realizadores através de editais e prêmios de estímulo, para podermos ter um promissor e fluente mercado cinematográfico na região. E que os realizadores de Cultura sejam mais respeitados pela sabedoria dos governantes. Quem sabe um dia, os políticos não destruam o que foi conquistado nos processos democráticos de um governo anterior, mas que sejam fortalecidos pelo atual governante. E, assim, fortalecermos o pensamento livre, com iniciativas bem-sucedidas que beneficiem os produtores artísticos, que realizam obras e ações de audiovisual para toda a comunidade.

Diaulas Ullysses e o Diário

Desde que começou no teatro profissional, em 1991, o Diário está presente na vida de Diaulas. A estreia nestas páginas foi quando integrou o elenco da peça Calígula, de Albert Camus, protagonizada por Edson Celulari e dirigida por Djalma Limongi Batista. Ele e o ator Ediceu Maria eram os únicos do Grande ABC na montagem e foram objetos de algumas reportagens do jornal. “Em uma delas tinha a foto da morte em cena, da minha personagem, o senador Mereia, pela tirania de Calígula (Celulari), no fim do primeiro ato”, lembra. A montagem rodou o Brasil e foi apresentada em Santo André. 

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