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Emaranhado de memórias

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Adaptação de livro de Carlos Heitor Cony, filme com Tony Ramos leva o surreal às salas de cinemas


Caroline Manchini

10/04/2018 | 07:00


 ‘E se tudo isso for um delírio? Se for um delírio, um de nós está inventando o outro.’ Uma das frases ditas em Quase Memória resume a dualidade entre ficção e realidade que o espectador pode esperar ao assistir ao novo filme dirigido por Ruy Guerra, cuja estreia deve acontecer no dia 19.

Trata-se também de desconstruir narrativa comum, óbvia. Algo que o livro – escrito pelo jornalista Carlos Heitor Cony (1926-2018) e que foi lançado em 1995 – também ofereceu ao leitor. Na trama original, Carlos passa o livro (que venceu o Prêmio Jabuti em 1996) narrando as histórias do seu pai, o jornalista Ernesto Cony Filho, e falando com as próprias lembranças.

Essa é a primeira grande diferença da adaptação para o longa-metragem. “Como Carlos dialogava apenas com sua memória, resolvi que, no filme, ele conversaria com si mesmo em fases diferentes da vida”, explicou Guerra aos jornalistas em encontro na Capital. O Carlos mais jovem é interpretado pelo ator Charles Fricks e o mais velho é papel de Tony Ramos (foto).

Quando questionado na mesma coletiva sobre o que faria se pudesse voltar no tempo e conversar com o eu do seu passado, Tony Ramos, 69 anos, propõe reflexão sobre o preconceito e a intolerância que estão atingindo o povo brasileiro. “Quando eu era jovem existia civilidade neste País e sinto falta disso. Sempre me pergunto se é possível restaurá-la.”

Ainda sobre as mudanças do livro para o filme, segundo o diretor, outras transformações precisaram ser feitas. Para se ter ideia, quatro adaptações foram pensadas. As versões que exigiam grandes produções foram tiradas do roteiro.“A condição financeira me impediu de fazer como realmente queria”, confessa.

Enquanto no livro os elementos principais da narrativa são o jornalismo romântico dos séculos 19 e 20 e o antigo Rio de Janeiro, no filme o foco está nas memórias do protagonista, que começam a florescer após chegada de encomenda um tanto quanto inusitada. O pacote, embrulhado em papel de cor clara e amarrado com fita vermelha, poderia ter sido enviado por seu pai, morto há anos.

Além de instigar reflexão, Quase Memória, que mistura drama e comédia, conta com narrativa não linear – dando saltos entre os anos de 1920 e 1990 – e exige atenção especial de quem a assiste. O cenário simples evidencia a interpretação impecável dos atores (Mariana Ximenes também está no elenco), a pouca iluminação dá sensação de proximidade e as músicas italianas combinam e alegram os ouvidos.

As atuações dos atores estão mais para as técnicas teatrais do que para as cinematográficas, já que os movimentos são livres e não contidos, como na maioria dos filmes. Quanto à gravação, Ruy apostou em planos de detalhes, que focam apenas uma particularidade, como as mãos ou olhos do ator. Pode-se dizer que o longa-metragem é realmente produção diferente das convencionais. Quer sair da caixinha? Mergulhe fundo, então.



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Emaranhado de memórias

Adaptação de livro de Carlos Heitor Cony, filme com Tony Ramos leva o surreal às salas de cinemas

Caroline Manchini

10/04/2018 | 07:00


 ‘E se tudo isso for um delírio? Se for um delírio, um de nós está inventando o outro.’ Uma das frases ditas em Quase Memória resume a dualidade entre ficção e realidade que o espectador pode esperar ao assistir ao novo filme dirigido por Ruy Guerra, cuja estreia deve acontecer no dia 19.

Trata-se também de desconstruir narrativa comum, óbvia. Algo que o livro – escrito pelo jornalista Carlos Heitor Cony (1926-2018) e que foi lançado em 1995 – também ofereceu ao leitor. Na trama original, Carlos passa o livro (que venceu o Prêmio Jabuti em 1996) narrando as histórias do seu pai, o jornalista Ernesto Cony Filho, e falando com as próprias lembranças.

Essa é a primeira grande diferença da adaptação para o longa-metragem. “Como Carlos dialogava apenas com sua memória, resolvi que, no filme, ele conversaria com si mesmo em fases diferentes da vida”, explicou Guerra aos jornalistas em encontro na Capital. O Carlos mais jovem é interpretado pelo ator Charles Fricks e o mais velho é papel de Tony Ramos (foto).

Quando questionado na mesma coletiva sobre o que faria se pudesse voltar no tempo e conversar com o eu do seu passado, Tony Ramos, 69 anos, propõe reflexão sobre o preconceito e a intolerância que estão atingindo o povo brasileiro. “Quando eu era jovem existia civilidade neste País e sinto falta disso. Sempre me pergunto se é possível restaurá-la.”

Ainda sobre as mudanças do livro para o filme, segundo o diretor, outras transformações precisaram ser feitas. Para se ter ideia, quatro adaptações foram pensadas. As versões que exigiam grandes produções foram tiradas do roteiro.“A condição financeira me impediu de fazer como realmente queria”, confessa.

Enquanto no livro os elementos principais da narrativa são o jornalismo romântico dos séculos 19 e 20 e o antigo Rio de Janeiro, no filme o foco está nas memórias do protagonista, que começam a florescer após chegada de encomenda um tanto quanto inusitada. O pacote, embrulhado em papel de cor clara e amarrado com fita vermelha, poderia ter sido enviado por seu pai, morto há anos.

Além de instigar reflexão, Quase Memória, que mistura drama e comédia, conta com narrativa não linear – dando saltos entre os anos de 1920 e 1990 – e exige atenção especial de quem a assiste. O cenário simples evidencia a interpretação impecável dos atores (Mariana Ximenes também está no elenco), a pouca iluminação dá sensação de proximidade e as músicas italianas combinam e alegram os ouvidos.

As atuações dos atores estão mais para as técnicas teatrais do que para as cinematográficas, já que os movimentos são livres e não contidos, como na maioria dos filmes. Quanto à gravação, Ruy apostou em planos de detalhes, que focam apenas uma particularidade, como as mãos ou olhos do ator. Pode-se dizer que o longa-metragem é realmente produção diferente das convencionais. Quer sair da caixinha? Mergulhe fundo, então.

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