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‘Região mudou a economia nacional’

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

03/04/2018 | 07:00


Depois de uma temporada, ainda na infância, estudando em São Paulo, o empresário Flavio Caio Novita Martins, 66 anos, voltou para Santo André, em meados da década de 1960, e abraçou a desafiante tarefa – com estímulo do pai, Vicente Martins Jr., um dos fundadores da antiga CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo) – de fazer parte do desenvolvimento econômico da cidade. De lá para cá nunca mais parou. Junto a outros empresários, busca diariamente possibilidades que possam não só melhorar o comércio e a prestação de serviços da cidade, mas de todo o Grande ABC.

Flavio Caio Novita Martins e o Diário
Quando se falava na expansão dos serviços de telecomunicação, Martins era um jovem que aprendia como a primeira companhia de telefonia do Grande ABC poderia ajudar a região, e também de que forma o Diário teria participação fundamental nesse processo. “O Diário sempre atuou junto com a CTBC, divulgando seus projetos e promovendo a expansão e melhoria do serviço de comunicação”, relembra o empresário, reforçando ainda que o jornal foi essencial no lançamento dos planos de ampliação e instalação de novas linhas no Grande ABC.

Como iniciou a vida empresarial em Santo André?
Iniciei com meu retorno à cidade, vindo do Liceu Coração de Jesus nos Campos Elísios, em São Paulo, onde permaneci interno por um ano, aos 10 anos de idade. Nessa época, a CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo), criada por um grupo de empresários da cidade e onde meu pai exercia a função de diretor, estava em pleno crescimento. Vindo do colégio e disponível para novas experiências, em um sábado, enquanto meu pai trabalhava, peguei um veículo da companhia (uma Kombi) e fiquei fazendo manobras no pátio de estacionamento da empresa, até que bati a Kombi em uma bobina de cabos telefônicos que estava no local. Assustado com a possibilidade de uma bronca e a proibição de continuar o meu aprendizado, fui à sala do meu pai e comuniquei o ocorrido. Fiquei surpreso com a tranquilidade com que ele tomou ciência da ocorrência, e não disse nada além do essencial que qualquer pai diria diante de uma besteira de um filho. Fomos para casa, passamos o fim de semana sem falar do assunto, mas na segunda-feira ele entrou no meu quarto para me acordar. Disse para eu me vestir para irmos juntos à companhia para que eu começasse a trabalhar para pagar o conserto do veículo que eu havia batido. Pois foi aí que se iniciou meu aprendizado empresarial, lição que devo ao meu pai, que me acompanhou até seu falecimento, em 2002, aos 90 anos. Nessa escola permaneci por 12 anos, exercendo as mais diversas experiências dentro da empresa e tendo como tutores os melhores funcionários de cada área.

E depois de aprender na CTBC, quais foram os próximos passos?
Depois da fase CTBC, iniciei com meus irmãos a atividade de administração de estacionamentos criando com um sócio uma empresa de estacionamento comercializado chamada Garajão, em um terreno da família, que fica no bairro Casa Branca, próximo à Firestone, em Santo André. Nessa época, entrei na faculdade de Direito. Em seguida, montei o estacionamento MM, na Rua Xavier de Toledo, e a partir desse ponto eu e meus irmãos montamos uma pequena rede de estacionamentos em Santo André, em terrenos próprios e de terceiros. Hoje a MM dispõe de pontos de estacionamentos comercializados independentes em Santo André e em São Bernardo. Paralelamente, tendo em vista o patrimônio imobiliário da família, criamos uma empresa gestora desse patrimônio, a MM Imóveis, que nos últimos 20 anos abriu suas portas para administrar imóveis de terceiros, tendo hoje uma carteira respeitável de imóveis administrados. No fim das décadas de 1980 e 1990 fundamos a Planet ABC, uma das primeiras provedoras de internet/bbs da região, hoje chamada Embranet.

O que significa ter crescido e participado da evolução do comércio e serviço da cidade?
É muito importante e vejo com orgulho nossa participação, primeiro porque antevimos todo esse espectro de oportunidades que a cidade oferecia, e depois pela confirmação dessas oportunidades com o crescimento vigoroso que Santo André veio a ter em todas as áreas.

Quais foram os principais alcances da economia do Grande ABC ao longo dos tempos?
Na minha visão, a região mudou o rumo da economia nacional. Tendo em vista a abertura do mercado – especialmente na década de 1990 –, com o sofrimento pelo qual veio a passar a indústria da época, especialmente a automotiva. O Grande ABC teve que rever seus rumos e passou seus investimentos às áreas de serviços. Foi de tal forma assertiva essa decisão, que hoje áreas de serviços como um todo, no País, representam algo em torno de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Isso demonstra uma dinâmica de administração da região ao País, bem como uma capacidade de buscar, rapidamente, novas frentes de trabalho.

Há alguns anos o senhor faz parte da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André). O que pontua como importante para ser líder em uma instituição que envolve representantes de várias frentes – comércio, serviço e indústria – com a finalidade de unir forças representativas na sociedade?
Sendo uma associação comercial e industrial, julgo imprescindível a efetiva representatividade dos interesses dessas classes entre si, por meio de ações de treinamento dos pequenos e micro empreendedores e, principalmente, a salvaguarda dos interesses desses empreendedores perante os poderes constituídos, seja no que se refere à sua orientação tributária, segurança profissional, à promoção de seu crescimento e, especialmente, união dos centros comerciais e industriais da cidade para que, com troca de informações, possam fortalecer suas bases.

Como o Diário ajudou no trabalho de fortalecimento desses setores?
O Diário foi um dos principais elementos do crescimento de Santo André. Seus fundadores, Edson Danilo Dotto, Mauri de Campos Dotto, Fausto Polesi e Ângelo Puga, com toda a experiência que trouxeram do News Seller (jornal que deu origem ao Diário), ajudaram a promover o crescimento da cidade. Foram exemplo de jornalismo sério e comprometido. Os editoriais do Edson e do Fausto sempre prestigiaram a verdade e fortaleceram a indústria, o comércio e especialmente os serviços da cidade. Ressalte-se que o Diário sempre teve um papel importante no fortalecimento de iniciativas das entidades representativas da região, onde se destaca especialmente sua participação no Fórum da Cidadania, que culminou com a Agência de Desenvolvimento Econômico.

O desenvolvimento econômico integrado da cidade é uma ideia que o senhor defende para o crescimento e representatividade, inclusive junto aos poderes públicos. Santo André tem feito valer essa ideia? Por quê?
Na minha visão, defendo a ideia como forma de promover o crescimento e a representatividade junto aos poderes públicos. De fato, com a instalação da Agência de Desenvolvimento Econômico, disponibilizou-se ferramenta para o aumento dessa representatividade, ideia que, com certeza, temos que apoiar. Através desse veículo a Acisa já vem se propondo acompanhar, de perto, a instalação do polo tecnológico do Grande ABC.

Como também empresário do setor imobiliário, quais são os caminhos que o senhor vê para melhora desse setor? O que acha da verticalização como saída para sanar o deficit habitacional andreense?
O principal caminho, a meu ver, para a melhoria da qualidade de vida das cidades, redução de problemas de Mobilidade Urbana, é a descentralização. Com isso, imagino que o efetivo aproveitamento da periferia, com a criação de pequenos centros urbanos, com infraestrutura necessária para a fixação do indivíduo nesses centros, é boa alternativa. A verticalização ou os projetos de moradia popular, do tipo Minha Casa, Minha Vida, é ferramenta bem-vinda, mas não obrigatoriamente essenciais.

Sua família foi proprietária de imóveis tradicionais e de arquitetura diferenciada em Santo André, como o casarão do Novita, na Vila Assunção, que hoje é o endereço da Escola Estadual Celso Gama, e a residência da Praça do Carmo. Nos fale um pouco sobre o que representam esses endereços de décadas.
No início do século passado Santo André era uma região de veraneio de santistas. Algumas famílias de Santos adquiriam chácaras ou construíam casas para fugir do calor da Baixada. Assim, meu bisavô, José da Silva Novita, vindo da Ilha da Madeira para Santos, onde morava desde sua chegada ao Brasil, adquiriu o terreno no primeiro largo da Vila Assunção, onde hoje está instalada a Escola Estadual Celso Gama, e construiu uma casa, baseada na arquitetura e nos padrões da sua na Ilha da Madeira. No que se refere à residência da Praça do Carmo, meu pai teve oportunidade de comprar esse terreno no início de 1940 e, sem qualquer pretensão ou projeto arquitetônico especial, construiu sua residência, para onde se mudou no fim de 1951, junto com o consultório de odontologia, profissão que exerceu até 1963. Hoje eu resido no local.

Seu pai, Vicente Martins Jr., foi um dos fundadores da CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo), em 1958. O que recorda daquela época, uma vez que a empresa foi um dos principais empreendimentos líderes da economia do Grande ABC?
Na verdade, segundo consta na história que foi narrada pelo meu pai, a ideia da instalação de uma companhia telefônica na cidade, independentemente do serviço telefônico disponível na época, nasceu no ato da mudança de consultório da Rua Coronel Oliveira Lima, onde morávamos e onde meu pai tinha seu consultório de odontologia, para a Praça do Carmo. O prazo disponibilizado para a transferência era muito longo e, já na época, telefone era ferramenta indispensável para o exercício da atividade. Essa ideia permaneceu na cabeça do meu pai até que no exercício da presidência do Rotary, em meados de 1950, pautou como projeto para aquela gestão. Com a ajuda dos companheiros rotarianos e do então prefeito de Santo André, Fioravante Zampol, em 1954 lançou a pedra fundamental da CTBC. A partir daí a empresa passou a crescer, tornando-se uma das principais e mais sérias do sistema de telecomunicação do País.

Neste ano, o Diário comemora 60 anos, e a CTBC também comemoraria a mesma idade. O que lembra sobre o jornal ter colaborado com a divulgação dos trabalhos de evolução da comunicação naqueles tempos?
O Dário sempre atuou junto com a CTBC, divulgando seus projetos e promovendo sua expansão e melhoria do serviço de comunicação na região (ressalte-se que o primeiro serviço de DDD no País foi instalado pela CTBC). Acompanhou, ativamente, por todo o período de existência da CTBC os lançamentos de planos de expansão e instalação de novas linhas na região, promovendo, em seus editoriais, informações imprescindíveis para o fortalecimento da empresa.

Seu pai foi vereador em Santo André. O que pode contar daqueles tempos políticos, fazendo um paralelo com a atuação de hoje dos nossos governantes?
Em 1950, quando ainda sem pretensão política, mas atendendo a pedidos de amigos, meu pai se elegeu suplente de vereador – assumindo a cadeira de Francisco Barone, que assumiu a cadeira de prefeito no fim de 1950. Revendo as publicações dos anais da Câmara Municipal de Santo André, no período do exercício da função da vereança do meu pai, posso constatar o exaustivo trabalho (não remunerado) que a Casa prestava à comunidade, com análise profunda e discussão de cada projeto de lei apresentado pelo Poder Executivo ou entre os próprios membros da Casa. Eu recomendaria para os atuais pretendentes ao exercício desse cargo público, vital para a cidade, que estudassem esse material para entender como devem ser tratados os interesses da comunidade. 



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‘Região mudou a economia nacional’

Kelly Zucatelli
Do Diário do Grande ABC

03/04/2018 | 07:00


Depois de uma temporada, ainda na infância, estudando em São Paulo, o empresário Flavio Caio Novita Martins, 66 anos, voltou para Santo André, em meados da década de 1960, e abraçou a desafiante tarefa – com estímulo do pai, Vicente Martins Jr., um dos fundadores da antiga CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo) – de fazer parte do desenvolvimento econômico da cidade. De lá para cá nunca mais parou. Junto a outros empresários, busca diariamente possibilidades que possam não só melhorar o comércio e a prestação de serviços da cidade, mas de todo o Grande ABC.

Flavio Caio Novita Martins e o Diário
Quando se falava na expansão dos serviços de telecomunicação, Martins era um jovem que aprendia como a primeira companhia de telefonia do Grande ABC poderia ajudar a região, e também de que forma o Diário teria participação fundamental nesse processo. “O Diário sempre atuou junto com a CTBC, divulgando seus projetos e promovendo a expansão e melhoria do serviço de comunicação”, relembra o empresário, reforçando ainda que o jornal foi essencial no lançamento dos planos de ampliação e instalação de novas linhas no Grande ABC.

Como iniciou a vida empresarial em Santo André?
Iniciei com meu retorno à cidade, vindo do Liceu Coração de Jesus nos Campos Elísios, em São Paulo, onde permaneci interno por um ano, aos 10 anos de idade. Nessa época, a CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo), criada por um grupo de empresários da cidade e onde meu pai exercia a função de diretor, estava em pleno crescimento. Vindo do colégio e disponível para novas experiências, em um sábado, enquanto meu pai trabalhava, peguei um veículo da companhia (uma Kombi) e fiquei fazendo manobras no pátio de estacionamento da empresa, até que bati a Kombi em uma bobina de cabos telefônicos que estava no local. Assustado com a possibilidade de uma bronca e a proibição de continuar o meu aprendizado, fui à sala do meu pai e comuniquei o ocorrido. Fiquei surpreso com a tranquilidade com que ele tomou ciência da ocorrência, e não disse nada além do essencial que qualquer pai diria diante de uma besteira de um filho. Fomos para casa, passamos o fim de semana sem falar do assunto, mas na segunda-feira ele entrou no meu quarto para me acordar. Disse para eu me vestir para irmos juntos à companhia para que eu começasse a trabalhar para pagar o conserto do veículo que eu havia batido. Pois foi aí que se iniciou meu aprendizado empresarial, lição que devo ao meu pai, que me acompanhou até seu falecimento, em 2002, aos 90 anos. Nessa escola permaneci por 12 anos, exercendo as mais diversas experiências dentro da empresa e tendo como tutores os melhores funcionários de cada área.

E depois de aprender na CTBC, quais foram os próximos passos?
Depois da fase CTBC, iniciei com meus irmãos a atividade de administração de estacionamentos criando com um sócio uma empresa de estacionamento comercializado chamada Garajão, em um terreno da família, que fica no bairro Casa Branca, próximo à Firestone, em Santo André. Nessa época, entrei na faculdade de Direito. Em seguida, montei o estacionamento MM, na Rua Xavier de Toledo, e a partir desse ponto eu e meus irmãos montamos uma pequena rede de estacionamentos em Santo André, em terrenos próprios e de terceiros. Hoje a MM dispõe de pontos de estacionamentos comercializados independentes em Santo André e em São Bernardo. Paralelamente, tendo em vista o patrimônio imobiliário da família, criamos uma empresa gestora desse patrimônio, a MM Imóveis, que nos últimos 20 anos abriu suas portas para administrar imóveis de terceiros, tendo hoje uma carteira respeitável de imóveis administrados. No fim das décadas de 1980 e 1990 fundamos a Planet ABC, uma das primeiras provedoras de internet/bbs da região, hoje chamada Embranet.

O que significa ter crescido e participado da evolução do comércio e serviço da cidade?
É muito importante e vejo com orgulho nossa participação, primeiro porque antevimos todo esse espectro de oportunidades que a cidade oferecia, e depois pela confirmação dessas oportunidades com o crescimento vigoroso que Santo André veio a ter em todas as áreas.

Quais foram os principais alcances da economia do Grande ABC ao longo dos tempos?
Na minha visão, a região mudou o rumo da economia nacional. Tendo em vista a abertura do mercado – especialmente na década de 1990 –, com o sofrimento pelo qual veio a passar a indústria da época, especialmente a automotiva. O Grande ABC teve que rever seus rumos e passou seus investimentos às áreas de serviços. Foi de tal forma assertiva essa decisão, que hoje áreas de serviços como um todo, no País, representam algo em torno de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Isso demonstra uma dinâmica de administração da região ao País, bem como uma capacidade de buscar, rapidamente, novas frentes de trabalho.

Há alguns anos o senhor faz parte da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André). O que pontua como importante para ser líder em uma instituição que envolve representantes de várias frentes – comércio, serviço e indústria – com a finalidade de unir forças representativas na sociedade?
Sendo uma associação comercial e industrial, julgo imprescindível a efetiva representatividade dos interesses dessas classes entre si, por meio de ações de treinamento dos pequenos e micro empreendedores e, principalmente, a salvaguarda dos interesses desses empreendedores perante os poderes constituídos, seja no que se refere à sua orientação tributária, segurança profissional, à promoção de seu crescimento e, especialmente, união dos centros comerciais e industriais da cidade para que, com troca de informações, possam fortalecer suas bases.

Como o Diário ajudou no trabalho de fortalecimento desses setores?
O Diário foi um dos principais elementos do crescimento de Santo André. Seus fundadores, Edson Danilo Dotto, Mauri de Campos Dotto, Fausto Polesi e Ângelo Puga, com toda a experiência que trouxeram do News Seller (jornal que deu origem ao Diário), ajudaram a promover o crescimento da cidade. Foram exemplo de jornalismo sério e comprometido. Os editoriais do Edson e do Fausto sempre prestigiaram a verdade e fortaleceram a indústria, o comércio e especialmente os serviços da cidade. Ressalte-se que o Diário sempre teve um papel importante no fortalecimento de iniciativas das entidades representativas da região, onde se destaca especialmente sua participação no Fórum da Cidadania, que culminou com a Agência de Desenvolvimento Econômico.

O desenvolvimento econômico integrado da cidade é uma ideia que o senhor defende para o crescimento e representatividade, inclusive junto aos poderes públicos. Santo André tem feito valer essa ideia? Por quê?
Na minha visão, defendo a ideia como forma de promover o crescimento e a representatividade junto aos poderes públicos. De fato, com a instalação da Agência de Desenvolvimento Econômico, disponibilizou-se ferramenta para o aumento dessa representatividade, ideia que, com certeza, temos que apoiar. Através desse veículo a Acisa já vem se propondo acompanhar, de perto, a instalação do polo tecnológico do Grande ABC.

Como também empresário do setor imobiliário, quais são os caminhos que o senhor vê para melhora desse setor? O que acha da verticalização como saída para sanar o deficit habitacional andreense?
O principal caminho, a meu ver, para a melhoria da qualidade de vida das cidades, redução de problemas de Mobilidade Urbana, é a descentralização. Com isso, imagino que o efetivo aproveitamento da periferia, com a criação de pequenos centros urbanos, com infraestrutura necessária para a fixação do indivíduo nesses centros, é boa alternativa. A verticalização ou os projetos de moradia popular, do tipo Minha Casa, Minha Vida, é ferramenta bem-vinda, mas não obrigatoriamente essenciais.

Sua família foi proprietária de imóveis tradicionais e de arquitetura diferenciada em Santo André, como o casarão do Novita, na Vila Assunção, que hoje é o endereço da Escola Estadual Celso Gama, e a residência da Praça do Carmo. Nos fale um pouco sobre o que representam esses endereços de décadas.
No início do século passado Santo André era uma região de veraneio de santistas. Algumas famílias de Santos adquiriam chácaras ou construíam casas para fugir do calor da Baixada. Assim, meu bisavô, José da Silva Novita, vindo da Ilha da Madeira para Santos, onde morava desde sua chegada ao Brasil, adquiriu o terreno no primeiro largo da Vila Assunção, onde hoje está instalada a Escola Estadual Celso Gama, e construiu uma casa, baseada na arquitetura e nos padrões da sua na Ilha da Madeira. No que se refere à residência da Praça do Carmo, meu pai teve oportunidade de comprar esse terreno no início de 1940 e, sem qualquer pretensão ou projeto arquitetônico especial, construiu sua residência, para onde se mudou no fim de 1951, junto com o consultório de odontologia, profissão que exerceu até 1963. Hoje eu resido no local.

Seu pai, Vicente Martins Jr., foi um dos fundadores da CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo), em 1958. O que recorda daquela época, uma vez que a empresa foi um dos principais empreendimentos líderes da economia do Grande ABC?
Na verdade, segundo consta na história que foi narrada pelo meu pai, a ideia da instalação de uma companhia telefônica na cidade, independentemente do serviço telefônico disponível na época, nasceu no ato da mudança de consultório da Rua Coronel Oliveira Lima, onde morávamos e onde meu pai tinha seu consultório de odontologia, para a Praça do Carmo. O prazo disponibilizado para a transferência era muito longo e, já na época, telefone era ferramenta indispensável para o exercício da atividade. Essa ideia permaneceu na cabeça do meu pai até que no exercício da presidência do Rotary, em meados de 1950, pautou como projeto para aquela gestão. Com a ajuda dos companheiros rotarianos e do então prefeito de Santo André, Fioravante Zampol, em 1954 lançou a pedra fundamental da CTBC. A partir daí a empresa passou a crescer, tornando-se uma das principais e mais sérias do sistema de telecomunicação do País.

Neste ano, o Diário comemora 60 anos, e a CTBC também comemoraria a mesma idade. O que lembra sobre o jornal ter colaborado com a divulgação dos trabalhos de evolução da comunicação naqueles tempos?
O Dário sempre atuou junto com a CTBC, divulgando seus projetos e promovendo sua expansão e melhoria do serviço de comunicação na região (ressalte-se que o primeiro serviço de DDD no País foi instalado pela CTBC). Acompanhou, ativamente, por todo o período de existência da CTBC os lançamentos de planos de expansão e instalação de novas linhas na região, promovendo, em seus editoriais, informações imprescindíveis para o fortalecimento da empresa.

Seu pai foi vereador em Santo André. O que pode contar daqueles tempos políticos, fazendo um paralelo com a atuação de hoje dos nossos governantes?
Em 1950, quando ainda sem pretensão política, mas atendendo a pedidos de amigos, meu pai se elegeu suplente de vereador – assumindo a cadeira de Francisco Barone, que assumiu a cadeira de prefeito no fim de 1950. Revendo as publicações dos anais da Câmara Municipal de Santo André, no período do exercício da função da vereança do meu pai, posso constatar o exaustivo trabalho (não remunerado) que a Casa prestava à comunidade, com análise profunda e discussão de cada projeto de lei apresentado pelo Poder Executivo ou entre os próprios membros da Casa. Eu recomendaria para os atuais pretendentes ao exercício desse cargo público, vital para a cidade, que estudassem esse material para entender como devem ser tratados os interesses da comunidade. 

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