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‘Vivemos uma grave crise ética’


Humberto Domiciano
Do Diário do Grande ABC

29/03/2018 | 07:00


Aos 65 anos, Vanderlei Retondo se dedica profissionalmente à prestação de serviços de consultoria. Executivo durante muitos anos do Grupo Petroquímico Unipar, ele também foi secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Santo André.

Por sua experiência na área corporativa, como recursos humanos, e também no setor público, Vanderlei pôde contribuir para a formação de jovens profissionais por meio de palestras.

O profissional costuma manifestar suas opiniões na coluna Palavra do Leitor (Opinião), sempre abordando diversos temas da atualidade.

Como o senhor começou a ler o Diário?
Acho que faz mais de 40 anos, já lia desde a época do News Seller, quando meu pai comprava e levava para casa. Sempre tive o hábito de ler. Essa leitura facilitou muito minha escrita, por isso gosto de escrever. Gosto de analogias. O Diário sempre foi referência para a gente. É o principal veículo do (Grande) ABC. Pelo menos uma vez por semana para ler, ficar por dentro dos acontecimentos da região, ainda mais por não termos TV aberta aqui. O noticiário fica muito restrito. O jornal cumpre bem essa função.

Qual o primeiro caderno que começa a ler?
Leio as manchetes e logo vou ver as cartas. Gosto da Palavra do Leitor, acho que tem cartas bacanas. Aí vou para Política regional, algo que me atrai bastante, gosto muito do Ademir Medici, adoro a parte histórica. É importante manter nosso passado vivo. Ele mostra muito bem o patrimônio que, infelizmente, estamos perdendo na região. Sem falar de Esportes.

Nos anos 1990, o Diário fez uma campanha sobre a importância do voto em candidatos da região. O senhor acha importante a questão da representatividade política?

O jornal foi precursor nesse aspecto e precisa comandar essa ideia. Infelizmente ainda votamos em candidatos de fora. A nossa região carece de um líder. Não consegue se unir, mesmo com todos os esforços do Consórcio, precisamos pensar na região como um todo. Na política o voto na região é muito importante. Pela região e não só por uma cidade.

O senhor enxerga diferenças entre os políticos antigos para os atuais?
Vejo sim. O cenário era diferente, na época do Newton Brandão (ex-prefeito em três oportunidades, morto em 2010) estávamos no regime militar, era totalmente industrial, tinha dinheiro. Era mais fácil fazer desenvolvimento econômico. Hoje o quadro é diferente, o gestor atual tem bem mais dificuldades. Outra coisa que noto é que o populismo não acabou, mas reduziu bastante, isso é positivo. Os políticos atuais têm outra visão, as redes sociais ajudaram muito a construir esse novo político, se fizer errado, sabe que as pessoas vão se manifestar. Todo mundo está sabendo o que está acontecendo, com agressões morais acontecendo com frequência. Essa mudança de postura é positiva, o País como um todo está mudando. Quero deixar um País melhor para minha neta.

Como resolveu escrever cartas? Qual o tema principal?
Comecei faz muito tempo. Quando minha filha mais nova pegou uma cachorrinha e era um tempo em que muita gente reclamava de cachorros abandonados. Escrevi citando um exemplo de que se podia fazer diferença no mundo. Gosto muito de fazer analogias. Estou repensando para começar a escrever sobre fatos positivos.

Como analisa as mudanças políticas profundas na região e no País? Como viu essa transformação pelo jornal?
Admiro muito o Diário porque em momento algum mudaram alguma coisa que escrevi. Tenho minha liberdade de expressão. O jornal sempre retratou bem todas as mudanças, não lembro de algum fato econômico ou político que não tenha sido mostrado.

Os jornais ainda têm força para formar opinião pública?
A função os jornais têm. Mas alguns não estão cumprindo. O jornal nunca vai sair de moda, principalmente para os mais velhos. Gosto do papel, de dobrar, leio no computador também, mas não consigo pegar algo digital para ler.

Qual a visão que possui sobre o desenvolvimento econômico de Santo André e do Grande ABC?
O andreense teve no passado emprego, assistência médica, além do fato de trabalhar e morar aqui. Tinha mais tempo com a família e de lazer. Isso perdemos com o tempo. Evasão industrial pegou a região, mas Santo André sofreu mais. Talvez os políticos da época não tenham percebido que era necessário planejar o futuro. Um ponto fundamental é atrair empresas de alta tecnologia, de valor agregado, proporcionar emprego para o andreense. Todas as cidades criaram lei de incentivos fiscais, precisamos de uma lei como essa. Parque tecnológico também é importante. Até três décadas, o trabalhador da região possuía um dos melhores índices de qualidade de vida do País. Seu emprego proporcionava plano médico, transporte, alimentação, além de salário superior ao de outras regiões e o fato de trabalhar e morar na mesma região, o que rendia muito mais tempo de lazer com sua família. A geração de ICMS era altíssima e os municípios nadavam de braçadas, contando com índices de Educação, Saúde e Segurança exemplares. O dinheiro girava e movimentava as áreas de serviços e do comércio. Infelizmente, a falta de visão de futuro de nossos representantes modificou esse cenário. A evasão industrial e a consequente queda na geração do ICMS provocaram um efeito em cascata, obrigando o trabalhador a buscar trabalho fora da região, sujeitando-se a ganhar menos e a se deslocar durante três ou quatro horas diárias. Sem plano médico, viu-se obrigado a apelar para a Saúde pública, gerando colapso no sistema, além do fechamento de hospitais e clínicas particulares. Serviços e comércio também sentiram os efeitos. A reversão desse quadro se faz necessária. Precisamos de governantes com visão de futuro, que planejem nossas cidades para daqui a 20, 30, 40 anos.

Como o senhor analisa a qualidade das informações que tem acesso nos jornais?
Tudo aquilo que o jornalista escreve deve partir de uma noção de relevância: o que o público considera importante, o que a população precisa saber. Seja em âmbito local, nacional ou internacional, esse deve ser um dos pontos de maior atenção, porque os veículos jornalísticos carregam em si a ‘missão’ de informar corretamente e levar ao público aquilo que ele não tem acesso completo, e nisso o Diário prima.

Qual papel deve ter o Consórcio Intermunicipal nos próximos anos?
É inegável a importância que um órgão como um Consórcio Intermunicipal aliado a uma Agência de Desenvolvimento oferece a qualquer região que se diz preocupada com seu desenvolvimento econômico e social. Como em qualquer repartição pública ou empresa, essa importância deve estar diretamente relacionada ao custo-benefício e à eficácia das ações propostas. Se isso não for respeitado, o órgão será inútil para os municípios, além de se tornar um sumidouro de seus erários.

Uma lei de incentivos fiscais deve ter quais pontos obrigatórios?
Uma boa lei de incentivos fiscais deve estabelecer novas relações entre os setores público e privado, com o objetivo de gerar riquezas para a cidade. Deve ser usada como incentivo para motivar as empresas já instaladas e atrair novos investimentos, melhorando, desta forma, o desempenho de vários segmentos, ampliando a arrecadação, proporcionando mais empregos, melhores salários e mais qualidade de vida para os munícipes. Acredito que esses incentivos devam contemplar ações sobre o IPTU, carência para pagamentos de débitos municipais e a concessão de créditos compensatórios.

Qual a importância de um parque tecnológico para a região?
A implantação do parque tecnológico poderá ser a chave especial para o retorno do nosso crescimento sustentável. Basta olhar para os casos de sucesso em várias regiões do mundo a partir de experiências como no Vale do Silício – Estados Unidos –, Tel-Aviv – Israel –, China, Coreia do Sul, Japão, Índia, Taiwan, Singapura e América do Sul – Recife, Santiago e Buenos Aires. Grandes empresas como Samsung, LG, Microsoft, IBM, HP, Apple, Google tiveram origem nos parques tecnológicos e estão no mercado de forma sólida e em constante evolução. O projeto poderá ser consolidado por meio de parceria entre os setores público e acadêmico e a iniciativa privada.

Qual a importância da ética e do comprometimento para jovens aprendizes e estagiários?
Ética, por definição, é a ciência da moral. É ela que diz que devemos saber discernir o certo do errado, respeitar o próximo, deixar de lado as individualidades em prol de um bem maior e comum a todos. Nos meus 65 anos vivenciei todo tipo de crise em nosso País. Crises política, institucional, financeira, mas a pior delas estamos vivendo agora: a crise ética. Criticamos nossos governantes, mas nos esquecemos de que fomos nós que os colocamos lá e isso só reforça a máxima que diz que o Congresso é o espelho da sociedade que o elegeu; estacionamos na vaga de deficiente; compramos mercadorias pirata; fraudamos a TV a cabo etc. Infelizmente, a falta de ética permeia por todas as camadas sociais, afinal, estamos no País da lei do mais esperto, do jeitinho. Se pretendermos deixar um País melhor para nossos filhos e netos, precisamos mudar nossa conduta. Temos que servir de exemplo para essa nova geração. Se nós não dermos o exemplo, não praticarmos o que falamos, de que forma podemos exigir que os jovens o façam? A ética está dentro de cada um de nós e começa com as pequenas ações que praticamos todos os dias e serão essas ações que ficarão como exemplo para nossos jovens, para as novas gerações, para um Brasil melhor.

Como será o mundo do trabalho nos próximos anos?
Viveremos numa espécie de sociedade do conhecimento, onde os resultados do passado não garantem os resultados no futuro. Experiência e desempenho, aliados à entrega de resultados, continuarão a ser elementos fundamentais ao bom profissional. Com a rapidez da evolução tecnológica, cenários modificam-se e somos ‘convidados’ a participar de um incessante movimento de aprendizagem. As organizações não estão mais buscando o profissional pronto, mas aquele com capacidade de se reinventar, de aprender, aprender e aprender novamente. O sucesso do profissional do futuro está diretamente ligado à sua capacidade de se reinventar, aquele que tem afinidade com o learn agility, que é a capacidade de aprender rapidamente e usar o aprendizado para tomar decisões em diferentes níveis de complexidade.

Quando falamos sobre a diversificação da economia de Santo André, quais áreas poderiam ser privilegiadas? Alta tecnologia e serviços?
Desenvolvimento, incentivo fiscal, diversificação econômica e baixo impacto ambiental. Dessa forma se cria um ambiente atrativo para que novas empresas, com destaque para os negócios de inovação e tecnologia e aquelas que não gerem poluição, aqui se instalem. Entre os setores que podem ser privilegiados estão a tecnologia da informação, a biotecnologia, farmácia, medicina, gestão da qualidade e economia criativa, entre outras que possam gerar alto valor agregado. 

Vanderlei Retondo e o Diário

Vanderlei destacou que sua primeira lembrança do Diário remete ao tempo em que o jornal ainda se chamava News Seller. 

Desde então, o veículo passou a ser companhia constante no cotidiano dele, sendo a base principal de informações sobre a política regional e também a respeito das profundas tranformações ocorridas no País. O ex-executivo também se recordou das vezes em que foi notícia no Diário, principalmente no período em que ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Santo André.



Comentários

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‘Vivemos uma grave crise ética’

Humberto Domiciano
Do Diário do Grande ABC

29/03/2018 | 07:00


Aos 65 anos, Vanderlei Retondo se dedica profissionalmente à prestação de serviços de consultoria. Executivo durante muitos anos do Grupo Petroquímico Unipar, ele também foi secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Santo André.

Por sua experiência na área corporativa, como recursos humanos, e também no setor público, Vanderlei pôde contribuir para a formação de jovens profissionais por meio de palestras.

O profissional costuma manifestar suas opiniões na coluna Palavra do Leitor (Opinião), sempre abordando diversos temas da atualidade.

Como o senhor começou a ler o Diário?
Acho que faz mais de 40 anos, já lia desde a época do News Seller, quando meu pai comprava e levava para casa. Sempre tive o hábito de ler. Essa leitura facilitou muito minha escrita, por isso gosto de escrever. Gosto de analogias. O Diário sempre foi referência para a gente. É o principal veículo do (Grande) ABC. Pelo menos uma vez por semana para ler, ficar por dentro dos acontecimentos da região, ainda mais por não termos TV aberta aqui. O noticiário fica muito restrito. O jornal cumpre bem essa função.

Qual o primeiro caderno que começa a ler?
Leio as manchetes e logo vou ver as cartas. Gosto da Palavra do Leitor, acho que tem cartas bacanas. Aí vou para Política regional, algo que me atrai bastante, gosto muito do Ademir Medici, adoro a parte histórica. É importante manter nosso passado vivo. Ele mostra muito bem o patrimônio que, infelizmente, estamos perdendo na região. Sem falar de Esportes.

Nos anos 1990, o Diário fez uma campanha sobre a importância do voto em candidatos da região. O senhor acha importante a questão da representatividade política?

O jornal foi precursor nesse aspecto e precisa comandar essa ideia. Infelizmente ainda votamos em candidatos de fora. A nossa região carece de um líder. Não consegue se unir, mesmo com todos os esforços do Consórcio, precisamos pensar na região como um todo. Na política o voto na região é muito importante. Pela região e não só por uma cidade.

O senhor enxerga diferenças entre os políticos antigos para os atuais?
Vejo sim. O cenário era diferente, na época do Newton Brandão (ex-prefeito em três oportunidades, morto em 2010) estávamos no regime militar, era totalmente industrial, tinha dinheiro. Era mais fácil fazer desenvolvimento econômico. Hoje o quadro é diferente, o gestor atual tem bem mais dificuldades. Outra coisa que noto é que o populismo não acabou, mas reduziu bastante, isso é positivo. Os políticos atuais têm outra visão, as redes sociais ajudaram muito a construir esse novo político, se fizer errado, sabe que as pessoas vão se manifestar. Todo mundo está sabendo o que está acontecendo, com agressões morais acontecendo com frequência. Essa mudança de postura é positiva, o País como um todo está mudando. Quero deixar um País melhor para minha neta.

Como resolveu escrever cartas? Qual o tema principal?
Comecei faz muito tempo. Quando minha filha mais nova pegou uma cachorrinha e era um tempo em que muita gente reclamava de cachorros abandonados. Escrevi citando um exemplo de que se podia fazer diferença no mundo. Gosto muito de fazer analogias. Estou repensando para começar a escrever sobre fatos positivos.

Como analisa as mudanças políticas profundas na região e no País? Como viu essa transformação pelo jornal?
Admiro muito o Diário porque em momento algum mudaram alguma coisa que escrevi. Tenho minha liberdade de expressão. O jornal sempre retratou bem todas as mudanças, não lembro de algum fato econômico ou político que não tenha sido mostrado.

Os jornais ainda têm força para formar opinião pública?
A função os jornais têm. Mas alguns não estão cumprindo. O jornal nunca vai sair de moda, principalmente para os mais velhos. Gosto do papel, de dobrar, leio no computador também, mas não consigo pegar algo digital para ler.

Qual a visão que possui sobre o desenvolvimento econômico de Santo André e do Grande ABC?
O andreense teve no passado emprego, assistência médica, além do fato de trabalhar e morar aqui. Tinha mais tempo com a família e de lazer. Isso perdemos com o tempo. Evasão industrial pegou a região, mas Santo André sofreu mais. Talvez os políticos da época não tenham percebido que era necessário planejar o futuro. Um ponto fundamental é atrair empresas de alta tecnologia, de valor agregado, proporcionar emprego para o andreense. Todas as cidades criaram lei de incentivos fiscais, precisamos de uma lei como essa. Parque tecnológico também é importante. Até três décadas, o trabalhador da região possuía um dos melhores índices de qualidade de vida do País. Seu emprego proporcionava plano médico, transporte, alimentação, além de salário superior ao de outras regiões e o fato de trabalhar e morar na mesma região, o que rendia muito mais tempo de lazer com sua família. A geração de ICMS era altíssima e os municípios nadavam de braçadas, contando com índices de Educação, Saúde e Segurança exemplares. O dinheiro girava e movimentava as áreas de serviços e do comércio. Infelizmente, a falta de visão de futuro de nossos representantes modificou esse cenário. A evasão industrial e a consequente queda na geração do ICMS provocaram um efeito em cascata, obrigando o trabalhador a buscar trabalho fora da região, sujeitando-se a ganhar menos e a se deslocar durante três ou quatro horas diárias. Sem plano médico, viu-se obrigado a apelar para a Saúde pública, gerando colapso no sistema, além do fechamento de hospitais e clínicas particulares. Serviços e comércio também sentiram os efeitos. A reversão desse quadro se faz necessária. Precisamos de governantes com visão de futuro, que planejem nossas cidades para daqui a 20, 30, 40 anos.

Como o senhor analisa a qualidade das informações que tem acesso nos jornais?
Tudo aquilo que o jornalista escreve deve partir de uma noção de relevância: o que o público considera importante, o que a população precisa saber. Seja em âmbito local, nacional ou internacional, esse deve ser um dos pontos de maior atenção, porque os veículos jornalísticos carregam em si a ‘missão’ de informar corretamente e levar ao público aquilo que ele não tem acesso completo, e nisso o Diário prima.

Qual papel deve ter o Consórcio Intermunicipal nos próximos anos?
É inegável a importância que um órgão como um Consórcio Intermunicipal aliado a uma Agência de Desenvolvimento oferece a qualquer região que se diz preocupada com seu desenvolvimento econômico e social. Como em qualquer repartição pública ou empresa, essa importância deve estar diretamente relacionada ao custo-benefício e à eficácia das ações propostas. Se isso não for respeitado, o órgão será inútil para os municípios, além de se tornar um sumidouro de seus erários.

Uma lei de incentivos fiscais deve ter quais pontos obrigatórios?
Uma boa lei de incentivos fiscais deve estabelecer novas relações entre os setores público e privado, com o objetivo de gerar riquezas para a cidade. Deve ser usada como incentivo para motivar as empresas já instaladas e atrair novos investimentos, melhorando, desta forma, o desempenho de vários segmentos, ampliando a arrecadação, proporcionando mais empregos, melhores salários e mais qualidade de vida para os munícipes. Acredito que esses incentivos devam contemplar ações sobre o IPTU, carência para pagamentos de débitos municipais e a concessão de créditos compensatórios.

Qual a importância de um parque tecnológico para a região?
A implantação do parque tecnológico poderá ser a chave especial para o retorno do nosso crescimento sustentável. Basta olhar para os casos de sucesso em várias regiões do mundo a partir de experiências como no Vale do Silício – Estados Unidos –, Tel-Aviv – Israel –, China, Coreia do Sul, Japão, Índia, Taiwan, Singapura e América do Sul – Recife, Santiago e Buenos Aires. Grandes empresas como Samsung, LG, Microsoft, IBM, HP, Apple, Google tiveram origem nos parques tecnológicos e estão no mercado de forma sólida e em constante evolução. O projeto poderá ser consolidado por meio de parceria entre os setores público e acadêmico e a iniciativa privada.

Qual a importância da ética e do comprometimento para jovens aprendizes e estagiários?
Ética, por definição, é a ciência da moral. É ela que diz que devemos saber discernir o certo do errado, respeitar o próximo, deixar de lado as individualidades em prol de um bem maior e comum a todos. Nos meus 65 anos vivenciei todo tipo de crise em nosso País. Crises política, institucional, financeira, mas a pior delas estamos vivendo agora: a crise ética. Criticamos nossos governantes, mas nos esquecemos de que fomos nós que os colocamos lá e isso só reforça a máxima que diz que o Congresso é o espelho da sociedade que o elegeu; estacionamos na vaga de deficiente; compramos mercadorias pirata; fraudamos a TV a cabo etc. Infelizmente, a falta de ética permeia por todas as camadas sociais, afinal, estamos no País da lei do mais esperto, do jeitinho. Se pretendermos deixar um País melhor para nossos filhos e netos, precisamos mudar nossa conduta. Temos que servir de exemplo para essa nova geração. Se nós não dermos o exemplo, não praticarmos o que falamos, de que forma podemos exigir que os jovens o façam? A ética está dentro de cada um de nós e começa com as pequenas ações que praticamos todos os dias e serão essas ações que ficarão como exemplo para nossos jovens, para as novas gerações, para um Brasil melhor.

Como será o mundo do trabalho nos próximos anos?
Viveremos numa espécie de sociedade do conhecimento, onde os resultados do passado não garantem os resultados no futuro. Experiência e desempenho, aliados à entrega de resultados, continuarão a ser elementos fundamentais ao bom profissional. Com a rapidez da evolução tecnológica, cenários modificam-se e somos ‘convidados’ a participar de um incessante movimento de aprendizagem. As organizações não estão mais buscando o profissional pronto, mas aquele com capacidade de se reinventar, de aprender, aprender e aprender novamente. O sucesso do profissional do futuro está diretamente ligado à sua capacidade de se reinventar, aquele que tem afinidade com o learn agility, que é a capacidade de aprender rapidamente e usar o aprendizado para tomar decisões em diferentes níveis de complexidade.

Quando falamos sobre a diversificação da economia de Santo André, quais áreas poderiam ser privilegiadas? Alta tecnologia e serviços?
Desenvolvimento, incentivo fiscal, diversificação econômica e baixo impacto ambiental. Dessa forma se cria um ambiente atrativo para que novas empresas, com destaque para os negócios de inovação e tecnologia e aquelas que não gerem poluição, aqui se instalem. Entre os setores que podem ser privilegiados estão a tecnologia da informação, a biotecnologia, farmácia, medicina, gestão da qualidade e economia criativa, entre outras que possam gerar alto valor agregado. 

Vanderlei Retondo e o Diário

Vanderlei destacou que sua primeira lembrança do Diário remete ao tempo em que o jornal ainda se chamava News Seller. 

Desde então, o veículo passou a ser companhia constante no cotidiano dele, sendo a base principal de informações sobre a política regional e também a respeito das profundas tranformações ocorridas no País. O ex-executivo também se recordou das vezes em que foi notícia no Diário, principalmente no período em que ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Santo André.

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