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Alunos denunciam pichação racista e homofóbica em faculdade de Direito

Reprodução  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Instituição promete instaurar sindicância e notificar autoridades policiais


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

23/03/2018 | 07:00


 “Fora sapatão. Fora preta sapatão. Odeio preto. #fimdascotas.” A mensagem de ódio foi encontrada por alunas na noite de quarta-feira na porta de banheiro feminino da FDSBC (Faculdade de Direito de São Bernardo), localizada no Jardim do Mar. A autarquia municipal lamentou o ocorrido por meio de nota de repúdio e prometeu instaurar sindicância para apurar os fatos, identificar o responsável, além de oficiar as autoridades policiais competentes para que sejam tomadas as providências legais cabíveis.

Layla Coelho Cassimiro formalizou boletim de ocorrência por injúria ontem. “Me senti alvo, embora não seja lésbica. Mas ao invés de ficar abalada e impotente, me senti forte e capaz de responder, de debater”, destaca a estudante do 4º ano de Direito. Para ela, trata-se de “ato certeiro”, tendo em vista o recente episódio de execução da vereadora carioca e militante dos direitos humanos Marielle Franco (Psol), no dia 14. “Exigimos que o banheiro fosse lacrado para que a cena do crime fosse preservada. Queremos um desfecho para esse, que não é o primeiro caso”, diz.

Coordenador do Centro Acadêmico da instituição de Ensino Superior, Vinícius Marques, 20 anos, ressalta o sentimento de repulsa. “É repugnante. Estamos falando de pessoas que vão representar a sociedade. Esperamos uma resolução conclusiva e, se possível, a punição dos culpados.”

Integrante do Fórum de Combate ao Racismo de São Bernardo e representante do Movimento Negro do município, Rosângela Euzébio Marques formalizou nota de repúdio e pedido de defesa dos direitos humanos à reitoria da instituição de Ensino Superior. “Direitos humanos estão sendo violados através de uma desconstrução cultural. Não devemos permitir atos de violação contra a dignidade da pessoa humana”, diz o material, que cita ainda a Constituição de 1988 e o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/10).

“Ao longo de mais de 50 anos de existência, a FDSBC jamais tolerou manifestações semelhantes e renova seu compromisso hoje e sempre de incentivar a solidariedade e o convívio civilizado e plural entre todos os seres humanos”, destacou a autarquia municipal.

 

OUTUBRO DE 2015

Episódio semelhante foi observado na autarquia municipal em outubro de 2015. Na ocasião, a mensagem “Turbante não é coisa de faculdade. FDSBC sem pretos”, encontrada também no banheiro feminino, foi motivo de sindicância para tentar identificar os responsáveis, inclusive com encaminhamento da denúncia à Polícia Civil e Ministério Público.

“Acreditamos que a ampliação da política de cotas seja essencial para a resolução do problema do racismo dentro da instituição”, defende Marques. Atualmente, 12,5% das matrículas são destinadas a estudantes negros.

“Criaremos grupo de trabalho tendente a apresentar conjunto de ações pedagógicas contra a intolerância, tais como, ciclo de palestras, ciclo de cinema etc. e convocaremos audiência pública para que a questão possa ser discutida com toda a comunidade acadêmica”, informou a FDSBC.



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Alunos denunciam pichação racista e homofóbica em faculdade de Direito

Instituição promete instaurar sindicância e notificar autoridades policiais

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

23/03/2018 | 07:00


 “Fora sapatão. Fora preta sapatão. Odeio preto. #fimdascotas.” A mensagem de ódio foi encontrada por alunas na noite de quarta-feira na porta de banheiro feminino da FDSBC (Faculdade de Direito de São Bernardo), localizada no Jardim do Mar. A autarquia municipal lamentou o ocorrido por meio de nota de repúdio e prometeu instaurar sindicância para apurar os fatos, identificar o responsável, além de oficiar as autoridades policiais competentes para que sejam tomadas as providências legais cabíveis.

Layla Coelho Cassimiro formalizou boletim de ocorrência por injúria ontem. “Me senti alvo, embora não seja lésbica. Mas ao invés de ficar abalada e impotente, me senti forte e capaz de responder, de debater”, destaca a estudante do 4º ano de Direito. Para ela, trata-se de “ato certeiro”, tendo em vista o recente episódio de execução da vereadora carioca e militante dos direitos humanos Marielle Franco (Psol), no dia 14. “Exigimos que o banheiro fosse lacrado para que a cena do crime fosse preservada. Queremos um desfecho para esse, que não é o primeiro caso”, diz.

Coordenador do Centro Acadêmico da instituição de Ensino Superior, Vinícius Marques, 20 anos, ressalta o sentimento de repulsa. “É repugnante. Estamos falando de pessoas que vão representar a sociedade. Esperamos uma resolução conclusiva e, se possível, a punição dos culpados.”

Integrante do Fórum de Combate ao Racismo de São Bernardo e representante do Movimento Negro do município, Rosângela Euzébio Marques formalizou nota de repúdio e pedido de defesa dos direitos humanos à reitoria da instituição de Ensino Superior. “Direitos humanos estão sendo violados através de uma desconstrução cultural. Não devemos permitir atos de violação contra a dignidade da pessoa humana”, diz o material, que cita ainda a Constituição de 1988 e o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/10).

“Ao longo de mais de 50 anos de existência, a FDSBC jamais tolerou manifestações semelhantes e renova seu compromisso hoje e sempre de incentivar a solidariedade e o convívio civilizado e plural entre todos os seres humanos”, destacou a autarquia municipal.

 

OUTUBRO DE 2015

Episódio semelhante foi observado na autarquia municipal em outubro de 2015. Na ocasião, a mensagem “Turbante não é coisa de faculdade. FDSBC sem pretos”, encontrada também no banheiro feminino, foi motivo de sindicância para tentar identificar os responsáveis, inclusive com encaminhamento da denúncia à Polícia Civil e Ministério Público.

“Acreditamos que a ampliação da política de cotas seja essencial para a resolução do problema do racismo dentro da instituição”, defende Marques. Atualmente, 12,5% das matrículas são destinadas a estudantes negros.

“Criaremos grupo de trabalho tendente a apresentar conjunto de ações pedagógicas contra a intolerância, tais como, ciclo de palestras, ciclo de cinema etc. e convocaremos audiência pública para que a questão possa ser discutida com toda a comunidade acadêmica”, informou a FDSBC.

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