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Setor de trigo da região deve dobrar produção

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Volta das operações do Moinho Santo André contribui; preço do pãozinho não será impactado


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/03/2018 | 07:26


O setor industrial responsável pela moagem de trigo no Grande ABC vai praticamente dobrar a capacidade de produção com a retomada das operações do Moinho Santo André, arrendado pelo grupo argentino Moinho Canuelas, que objetiva atingir produção de 15 mil toneladas mensais em até dez anos. Atualmente, o setor possui apenas uma empresa com funcionamento regular na região, o Moinho Santa Clara, de São Caetano, que é responsável por 7,5% da produção do Estado de São Paulo.

Conforme dados do Sindustrigo (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo), em 2016 o total de moagem no ano chegou a 1,8 milhão de toneladas. Considerando a média dos dois moinhos ativos no período (o Santo André, com a média de produção de 4.000 toneladas ao mês, e o Santa Clara, com 14,7 mil mensais), a região produziria 224,4 mil toneladas de farinha de trigo anuais, o que representa 12,46% do total. Isso sem somar a produção do Moinho São Jorge, que não opera com regularidade.

Considerando que o Santa Clara, que hoje opera com 70% de sua capacidade, atinja em uma década 100% – leia mais abaixo – , serão 21 mil toneladas por mês e, do Santo André, 15 mil mensais. Dessa forma, pode-se projetar ampliação do market share para até um quarto do total do Estado.

PREÇO DO PÃOZINHO - Mesmo com a boa notícia, que deve gerar 130 empregos no setor, no Santo André (totalizando aproximadamente 420 trabalhadores na região), a produção não deve impactar no preço do pão francês. A média de custo do quilo atualmente sai por R$ 13,98 nas sete cidades, de acordo com o Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC).

Conforme explicou o presidente da entidade, Antônio Carlos Henriques, o Toninho, o preço do saco de farinha de trigo com 25 quilos fica em torno de R$ 40 a R$ 43. “A retomada da produção a todo vapor do Moinho Santo André impacta na qualidade do produto disponível na região, mas ainda não no preço. Quem ganha é o consumidor e o município, já que compramos a matéria-prima no nosso quintal e também vendemos produto de maior qualidade. Então, o maior reflexo, por ora, será na competitividade, por ter mais de um moinho na região”, afirmou.

IMPACTOS DA CRISE - A expectativa é a de que, com a retomada da economia, o setor também volte a crescer. Nos últimos anos, houve constantes retrações na moagem de todo o Estado, apesar de o dado de 2016 ficar 1,35% maior do que o anterior.

“Acreditamos que o crescimento volte de fato a acontecer quando o consumo se reaquecer. Tivemos nível alto de desemprego no País e, como o trabalhador muitas vezes recebe o seguro-desemprego, ele só tem aquela renda por mais seis meses. A farinha de trigo é um consumo básico, principalmente nas classes C e D, o que acaba prejudicado com a crise”, analisou o presidente do Sindustrigo e vice-presidente do Moinho Santa Clara, Christian Saigh.

“Sempre vemos com bons olhos quando uma planta de moagem de trigo retoma as atividades, desde que respeitadas as normas e as regras do mercado. O ano passado foi muito problemático para o setor na região, com baixa demanda, muitas demissões e muitos processos”, destacou o vice-presidente do Sindicato da Alimentação de São Paulo e Região, Rubens Gomes.

O Moinho São Jorge, um dos mais tradicionais de Santo André, coleciona dívidas e ações judiciais e produz de forma irregular. Atualmente, a estimativa é a de que apenas 60 funcionários trabalhem no local e que a produção não acontece mais de forma diária. O Diário não conseguiu contato com os representantes da empresa para falar sobre a questão via telefone e via e-mail.

A região chegou ainda a sediar um quarto moinho, o Fanucchi, localizado em Santo André. Construído em 1936, chegou a ser vendido para o Moinho São Jorge em 1996. Logo em seguida, o terreno foi revendido para a empresa Plásticos Mauá, que fica no prédio vizinho, até ter sido demolido em 2000.


Moinho Santa Clara visa crescimento de 4%

O Moinho Santa Clara, localizado em São Caetano, projeta crescer em torno de 4% em 2018, em relação ao ano passado. Além disso, a unidade fabril também planeja diminuir a capacidade ociosa da produção de trigo de 30% para 25% ao longo deste ano.

A empresa iniciou suas atividades na década de 1930, mas está na região desde o início de 1970. O faturamento anual do moinho, que emprega 160 funcionários, gira em torno de R$ 200 milhões. A capacidade de produção é de 700 toneladas por dia ou 14,7 mil por mês.

Mesmo com a retração provocada pela crise, com queda de 8% no faturamento de 2017, a empresa está otimista com os próximos anos, conforme destacou o vice-presidente Christian Saigh. “Temos dois fatores que impactam. Um deles é que acreditamos que o Brasil vai crescer 3%, e o setor deverá acompanhar. O outro é que o número de desempregados deve diminuir, o que ocasionará aumento do consumo”, afirmou.

Há dois anos, a planta passou por reforma que gerou expansão de 50% na capacidade de armazenamento e estocagem do trigo – 98% do total é importado da Argentina. Com isso, o tempo de processamento do produto caiu de seis para cinco dias.

“Com o material estocado na empresa, nós diminuímos o tempo em que os navios que chegam no Porto de Santos ficam aguardando no local, e até mesmo a estadia do caminhão na rua. Com isso, reduzimos os custos com os transportes”, destacou Saigh. 



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Setor de trigo da região deve dobrar produção

Volta das operações do Moinho Santo André contribui; preço do pãozinho não será impactado

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/03/2018 | 07:26


O setor industrial responsável pela moagem de trigo no Grande ABC vai praticamente dobrar a capacidade de produção com a retomada das operações do Moinho Santo André, arrendado pelo grupo argentino Moinho Canuelas, que objetiva atingir produção de 15 mil toneladas mensais em até dez anos. Atualmente, o setor possui apenas uma empresa com funcionamento regular na região, o Moinho Santa Clara, de São Caetano, que é responsável por 7,5% da produção do Estado de São Paulo.

Conforme dados do Sindustrigo (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo), em 2016 o total de moagem no ano chegou a 1,8 milhão de toneladas. Considerando a média dos dois moinhos ativos no período (o Santo André, com a média de produção de 4.000 toneladas ao mês, e o Santa Clara, com 14,7 mil mensais), a região produziria 224,4 mil toneladas de farinha de trigo anuais, o que representa 12,46% do total. Isso sem somar a produção do Moinho São Jorge, que não opera com regularidade.

Considerando que o Santa Clara, que hoje opera com 70% de sua capacidade, atinja em uma década 100% – leia mais abaixo – , serão 21 mil toneladas por mês e, do Santo André, 15 mil mensais. Dessa forma, pode-se projetar ampliação do market share para até um quarto do total do Estado.

PREÇO DO PÃOZINHO - Mesmo com a boa notícia, que deve gerar 130 empregos no setor, no Santo André (totalizando aproximadamente 420 trabalhadores na região), a produção não deve impactar no preço do pão francês. A média de custo do quilo atualmente sai por R$ 13,98 nas sete cidades, de acordo com o Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC).

Conforme explicou o presidente da entidade, Antônio Carlos Henriques, o Toninho, o preço do saco de farinha de trigo com 25 quilos fica em torno de R$ 40 a R$ 43. “A retomada da produção a todo vapor do Moinho Santo André impacta na qualidade do produto disponível na região, mas ainda não no preço. Quem ganha é o consumidor e o município, já que compramos a matéria-prima no nosso quintal e também vendemos produto de maior qualidade. Então, o maior reflexo, por ora, será na competitividade, por ter mais de um moinho na região”, afirmou.

IMPACTOS DA CRISE - A expectativa é a de que, com a retomada da economia, o setor também volte a crescer. Nos últimos anos, houve constantes retrações na moagem de todo o Estado, apesar de o dado de 2016 ficar 1,35% maior do que o anterior.

“Acreditamos que o crescimento volte de fato a acontecer quando o consumo se reaquecer. Tivemos nível alto de desemprego no País e, como o trabalhador muitas vezes recebe o seguro-desemprego, ele só tem aquela renda por mais seis meses. A farinha de trigo é um consumo básico, principalmente nas classes C e D, o que acaba prejudicado com a crise”, analisou o presidente do Sindustrigo e vice-presidente do Moinho Santa Clara, Christian Saigh.

“Sempre vemos com bons olhos quando uma planta de moagem de trigo retoma as atividades, desde que respeitadas as normas e as regras do mercado. O ano passado foi muito problemático para o setor na região, com baixa demanda, muitas demissões e muitos processos”, destacou o vice-presidente do Sindicato da Alimentação de São Paulo e Região, Rubens Gomes.

O Moinho São Jorge, um dos mais tradicionais de Santo André, coleciona dívidas e ações judiciais e produz de forma irregular. Atualmente, a estimativa é a de que apenas 60 funcionários trabalhem no local e que a produção não acontece mais de forma diária. O Diário não conseguiu contato com os representantes da empresa para falar sobre a questão via telefone e via e-mail.

A região chegou ainda a sediar um quarto moinho, o Fanucchi, localizado em Santo André. Construído em 1936, chegou a ser vendido para o Moinho São Jorge em 1996. Logo em seguida, o terreno foi revendido para a empresa Plásticos Mauá, que fica no prédio vizinho, até ter sido demolido em 2000.


Moinho Santa Clara visa crescimento de 4%

O Moinho Santa Clara, localizado em São Caetano, projeta crescer em torno de 4% em 2018, em relação ao ano passado. Além disso, a unidade fabril também planeja diminuir a capacidade ociosa da produção de trigo de 30% para 25% ao longo deste ano.

A empresa iniciou suas atividades na década de 1930, mas está na região desde o início de 1970. O faturamento anual do moinho, que emprega 160 funcionários, gira em torno de R$ 200 milhões. A capacidade de produção é de 700 toneladas por dia ou 14,7 mil por mês.

Mesmo com a retração provocada pela crise, com queda de 8% no faturamento de 2017, a empresa está otimista com os próximos anos, conforme destacou o vice-presidente Christian Saigh. “Temos dois fatores que impactam. Um deles é que acreditamos que o Brasil vai crescer 3%, e o setor deverá acompanhar. O outro é que o número de desempregados deve diminuir, o que ocasionará aumento do consumo”, afirmou.

Há dois anos, a planta passou por reforma que gerou expansão de 50% na capacidade de armazenamento e estocagem do trigo – 98% do total é importado da Argentina. Com isso, o tempo de processamento do produto caiu de seis para cinco dias.

“Com o material estocado na empresa, nós diminuímos o tempo em que os navios que chegam no Porto de Santos ficam aguardando no local, e até mesmo a estadia do caminhão na rua. Com isso, reduzimos os custos com os transportes”, destacou Saigh. 

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