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A boa notícia

Drogas e bullying são dois temas distintos tratados recentemente nesta coluna e que repercutiram fortemente entre os leitores.


Wilson Marini

12/05/2011 | 00:00


Drogas e bullying são dois temas distintos tratados recentemente nesta coluna e que repercutiram fortemente entre os leitores. Os e-mails recebidos mostram o quanto esses assuntos despertam o interesse geral na atualidade. Eles fazem parte dos chamados assuntos silenciosos, mas que estão presentes no dia a dia das pessoas de uma maneira ampla. Aparentemente não há uma relação direta entre eles, a não ser o fato que dizem respeito à vida de crianças e adolescentes. Representam também aspectos diferentes da violência. O bom é constatar a mobilização das comunidades. Os problemas estão aflorando à superfície porque antes estavam embutidos. Isso é sinal de vitalidade da sociedade. Estamos diante de desafios complexos, mas ao mesmo tempo há sinais de que o enfrentamento de questões como essas cresce à altura da conscientização. E o papel do jornalismo é esse: fomentar a discussão, propor soluções, intermediar, antecipar tendências. É por isso que ambos os temas voltam a ser tratados aqui. Paradoxalmente, são dois temas considerados ‘negativos' à primeira vista. Mas a cidadania incomodada é a boa notícia. Enquanto houver o desejo de superação, haverá esperança de dias melhores para todos.

Drogas

Em relação às drogas, a novidade é que aumenta a frente de iniciativas que visam agir em relação ao problema. Uma delas é a criação pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) de um ‘Observatório do Crack' (http://www.cnm.org.br/crack/).

Segundo o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, os municípios podem contribuir muito para enfrentar essa realidade. Ele sugere que o observatório seja o principal canal de comunicação entre os cidadãos a respeito do crack. "Queremos ampliar os debates em busca de soluções", diz ele. "Afinal, são os municípios, lá na ponta, que enfrentam os efeitos do crack e sofrem com a falta de políticas de prevenção".

O Observatório do Crack pode contar com a participação da comunidade, dos gestores municipais e dos secretários de Saúde e Assistência Social das prefeituras. Estes estão sendo solicitados a enviar os dados sobre a realidade de cada cidade, informando, por exemplo, o número estimado de dependentes, quais ações estão sendo tomadas para combater o uso da droga, e as boas práticas locais que podem servir de exemplo aos demais. "Será uma radiografia do crack no País", promete Ziulkoski.

Além disso, o observatório contém a legislação sobre drogas disponível no País, notícias, artigos, biblioteca virtual com publicações recentes sobre o assunto, um fórum para estimular a discussão entre os internautas e um canal para contato direto com a entidade. "Precisamos traçar estratégias e propor soluções concretas", diz ele.

Bullying

Tânia Alexandre Martinelli, leitora da coluna em Americana, é autora do livro Perseguição (Ed. Saraiva). Como professora de Português durante quase duas décadas, ela diz que presenciou em sala de aula a prática do bullying. Antes disso, como aluna, também. "Qual estudante, e de qualquer época, nunca se deparou com apelidos, gozações, insultos, constrangimentos, por vezes até intimidações contra si mesmo ou contra algum colega?", pergunta.

Mas havia uma diferença, diz em seu livro. Essas atitudes, numa época um pouco mais distante que a de hoje, não tinham a menor importância. "Ah, brincadeira de criança, que é que tem? É fase. Uma espécie de rito pelo qual todos os jovens passam", dizia-se. As palavras são de Tânia:

"Fico pensando em quanta gente sofreu e teve de escutar coisas assim. Quantos foram obrigados a lidar, sozinhos, com tantas humilhações, sem ter com quem conversar e se abrir. (...) A diferença é que agora algumas pessoas resolveram prestar mais atenção em todos os danos que a prática do bullying causa na vida das crianças e adolescentes. E para o resto da vida. Muitos serão adultos inseguros que possivelmente enfrentarão novas situações desse tipo e ainda não saberão como lidar com elas".

Em seu livro, as histórias que conta foram baseadas em estudos sofre agressões sofridas pelas meninas. "A dor de Leo e Malu é uma dor que merece ser refletida e porque não é tão difícil assim de ser evitada. Talvez valesse a pena lembrar aquele velho ditado do tempo dos nossos avós, bisavós: ‘Não faço aos outros aquilo que não quero que façam comigo', finaliza da escritora. O endereço do blog de Tânia é http://taniamartinelli.blogspot.com/Registramos também as participações sobre bullying dos leitores Pery Cartola Rodrigues dos Santos (São Bernardo), que promoverá evento na região do Grande ABC sobre o tema, e José Bráulio Lopes de Almeida (Araçatuba), que enviou material informativo como subsídio à discussão.



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A boa notícia

Drogas e bullying são dois temas distintos tratados recentemente nesta coluna e que repercutiram fortemente entre os leitores.

Wilson Marini

12/05/2011 | 00:00


Drogas e bullying são dois temas distintos tratados recentemente nesta coluna e que repercutiram fortemente entre os leitores. Os e-mails recebidos mostram o quanto esses assuntos despertam o interesse geral na atualidade. Eles fazem parte dos chamados assuntos silenciosos, mas que estão presentes no dia a dia das pessoas de uma maneira ampla. Aparentemente não há uma relação direta entre eles, a não ser o fato que dizem respeito à vida de crianças e adolescentes. Representam também aspectos diferentes da violência. O bom é constatar a mobilização das comunidades. Os problemas estão aflorando à superfície porque antes estavam embutidos. Isso é sinal de vitalidade da sociedade. Estamos diante de desafios complexos, mas ao mesmo tempo há sinais de que o enfrentamento de questões como essas cresce à altura da conscientização. E o papel do jornalismo é esse: fomentar a discussão, propor soluções, intermediar, antecipar tendências. É por isso que ambos os temas voltam a ser tratados aqui. Paradoxalmente, são dois temas considerados ‘negativos' à primeira vista. Mas a cidadania incomodada é a boa notícia. Enquanto houver o desejo de superação, haverá esperança de dias melhores para todos.

Drogas

Em relação às drogas, a novidade é que aumenta a frente de iniciativas que visam agir em relação ao problema. Uma delas é a criação pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) de um ‘Observatório do Crack' (http://www.cnm.org.br/crack/).

Segundo o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, os municípios podem contribuir muito para enfrentar essa realidade. Ele sugere que o observatório seja o principal canal de comunicação entre os cidadãos a respeito do crack. "Queremos ampliar os debates em busca de soluções", diz ele. "Afinal, são os municípios, lá na ponta, que enfrentam os efeitos do crack e sofrem com a falta de políticas de prevenção".

O Observatório do Crack pode contar com a participação da comunidade, dos gestores municipais e dos secretários de Saúde e Assistência Social das prefeituras. Estes estão sendo solicitados a enviar os dados sobre a realidade de cada cidade, informando, por exemplo, o número estimado de dependentes, quais ações estão sendo tomadas para combater o uso da droga, e as boas práticas locais que podem servir de exemplo aos demais. "Será uma radiografia do crack no País", promete Ziulkoski.

Além disso, o observatório contém a legislação sobre drogas disponível no País, notícias, artigos, biblioteca virtual com publicações recentes sobre o assunto, um fórum para estimular a discussão entre os internautas e um canal para contato direto com a entidade. "Precisamos traçar estratégias e propor soluções concretas", diz ele.

Bullying

Tânia Alexandre Martinelli, leitora da coluna em Americana, é autora do livro Perseguição (Ed. Saraiva). Como professora de Português durante quase duas décadas, ela diz que presenciou em sala de aula a prática do bullying. Antes disso, como aluna, também. "Qual estudante, e de qualquer época, nunca se deparou com apelidos, gozações, insultos, constrangimentos, por vezes até intimidações contra si mesmo ou contra algum colega?", pergunta.

Mas havia uma diferença, diz em seu livro. Essas atitudes, numa época um pouco mais distante que a de hoje, não tinham a menor importância. "Ah, brincadeira de criança, que é que tem? É fase. Uma espécie de rito pelo qual todos os jovens passam", dizia-se. As palavras são de Tânia:

"Fico pensando em quanta gente sofreu e teve de escutar coisas assim. Quantos foram obrigados a lidar, sozinhos, com tantas humilhações, sem ter com quem conversar e se abrir. (...) A diferença é que agora algumas pessoas resolveram prestar mais atenção em todos os danos que a prática do bullying causa na vida das crianças e adolescentes. E para o resto da vida. Muitos serão adultos inseguros que possivelmente enfrentarão novas situações desse tipo e ainda não saberão como lidar com elas".

Em seu livro, as histórias que conta foram baseadas em estudos sofre agressões sofridas pelas meninas. "A dor de Leo e Malu é uma dor que merece ser refletida e porque não é tão difícil assim de ser evitada. Talvez valesse a pena lembrar aquele velho ditado do tempo dos nossos avós, bisavós: ‘Não faço aos outros aquilo que não quero que façam comigo', finaliza da escritora. O endereço do blog de Tânia é http://taniamartinelli.blogspot.com/Registramos também as participações sobre bullying dos leitores Pery Cartola Rodrigues dos Santos (São Bernardo), que promoverá evento na região do Grande ABC sobre o tema, e José Bráulio Lopes de Almeida (Araçatuba), que enviou material informativo como subsídio à discussão.

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