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O comportamento do PIB brasileiro


Sandro Maskio*

10/03/2018 | 07:00


Iniciarei hoje uma série de artigos que pretendem elucidar de que forma a trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) afeta a dinâmica da economia e, consecutivamente, a vida da sociedade. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou há poucos dias o resultado do PIB de 2017. Após a recessão de 2015 e de 2016, nos quais a riqueza gerada na economia (o PIB) diminuiu 6,8%, em 2017 houve expansão de 1%. Um pequeno alívio após a desaceleração dos últimos anos.

Em vez de ficarmos analisando as oscilações ano a ano, é mais enriquecedor entender o comportamento do PIB brasileiro e seus efeitos, e analisar a trajetória nas décadas recentes. Nas quatro décadas entre 1940 e 1979, o PIB apresentou crescimento anual médio de 5,1%, 7,1%, 6% e 8,6%, respectivamente. Em grande parte, essas taxas de crescimento foram impulsionadas pelo processo de industrialização da economia brasileira e pelos planos nacionais voltados ao crescimento e desenvolvimento.

Entretanto, a partir da década de 1980, o ritmo de crescimento da economia brasileira diminuiu significativamente, o que é explicado, de um lado, pela reorientação do foco da política econômica no processo de combate e manutenção da inflação e, de outro lado, pela redução da capacidade de se elaborar e implantar políticas públicas que priorizem o crescimento e o desenvolvimento econômico. Entre as décadas de 1980 e de 2000, as taxas médias anuais de crescimento foram de 2,93%, 1,67% e 3,37%, pela ordem. Mesmo na década de 2000, que apresentou as melhores taxas recentes de crescimento econômico, essa performance se mostrou bastante menor em relação às registradas entre os anos 1940 e 1970.

Com a alta de 1% em 2017 anunciada pelo IBGE, o crescimento acumulado na década de 2010 é de 10,92%, ou 1,3% ao ano, em média. Para que nesta década o Brasil consiga apresentar crescimento semelhante ao da década de 1990, o pior da série histórica iniciada no começo do século passado, a economia brasileira precisará crescer 6,3% no acumulado de 2018 e 2019. Ou seja, apresentar nos dois próximos anos expansão equivalente a 60% do crescimento registrado nos oito anos entre 2010 e 2017.

Para além da comparação quantitativa do crescimento da economia brasileira, algumas considerações merecem ser destacadas. A primeira é que a baixa taxa de expansão das últimas décadas reflete-se em maior dificuldade para geração de oportunidades no mercado de trabalho e para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

O período de redução do ritmo da economia brasileira coincide com o período de deterioração e inibição das políticas públicas que priorizem o crescimento econômico, assim como com a redução da participação da indústria na composição da economia nacional. O que sugere a importância das políticas industriais e da indústria para geração de riqueza na economia, tema que merece estudos mais detalhados.

Em terceiro, correlacionado ao parágrafo anterior, os resultados insinuam que a simples abertura da economia, iniciada em 1988 e aprofundada na década de 1990 para modernização da economia via ampliação da dinâmica de competição, não se mostrou uma estratégia, por si só, eficaz à promoção do crescimento.

No curto prazo, parece claro que em 2018 e 2019 a economia tenderá a apresentar desempenho melhor que nos últimos quatro anos. Entretanto, se expandirmos a avaliação para um horizonte mais amplo, o estabelecimento e uma trajetória de crescimento econômico pujante e sustentável dependem de alterações estratégicas quanto à condução da política econômica e de desenvolvimento econômico e produtivo do País.


* Professor de Economia e pesquisador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo
 



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O comportamento do PIB brasileiro

Sandro Maskio*

10/03/2018 | 07:00


Iniciarei hoje uma série de artigos que pretendem elucidar de que forma a trajetória do PIB (Produto Interno Bruto) afeta a dinâmica da economia e, consecutivamente, a vida da sociedade. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou há poucos dias o resultado do PIB de 2017. Após a recessão de 2015 e de 2016, nos quais a riqueza gerada na economia (o PIB) diminuiu 6,8%, em 2017 houve expansão de 1%. Um pequeno alívio após a desaceleração dos últimos anos.

Em vez de ficarmos analisando as oscilações ano a ano, é mais enriquecedor entender o comportamento do PIB brasileiro e seus efeitos, e analisar a trajetória nas décadas recentes. Nas quatro décadas entre 1940 e 1979, o PIB apresentou crescimento anual médio de 5,1%, 7,1%, 6% e 8,6%, respectivamente. Em grande parte, essas taxas de crescimento foram impulsionadas pelo processo de industrialização da economia brasileira e pelos planos nacionais voltados ao crescimento e desenvolvimento.

Entretanto, a partir da década de 1980, o ritmo de crescimento da economia brasileira diminuiu significativamente, o que é explicado, de um lado, pela reorientação do foco da política econômica no processo de combate e manutenção da inflação e, de outro lado, pela redução da capacidade de se elaborar e implantar políticas públicas que priorizem o crescimento e o desenvolvimento econômico. Entre as décadas de 1980 e de 2000, as taxas médias anuais de crescimento foram de 2,93%, 1,67% e 3,37%, pela ordem. Mesmo na década de 2000, que apresentou as melhores taxas recentes de crescimento econômico, essa performance se mostrou bastante menor em relação às registradas entre os anos 1940 e 1970.

Com a alta de 1% em 2017 anunciada pelo IBGE, o crescimento acumulado na década de 2010 é de 10,92%, ou 1,3% ao ano, em média. Para que nesta década o Brasil consiga apresentar crescimento semelhante ao da década de 1990, o pior da série histórica iniciada no começo do século passado, a economia brasileira precisará crescer 6,3% no acumulado de 2018 e 2019. Ou seja, apresentar nos dois próximos anos expansão equivalente a 60% do crescimento registrado nos oito anos entre 2010 e 2017.

Para além da comparação quantitativa do crescimento da economia brasileira, algumas considerações merecem ser destacadas. A primeira é que a baixa taxa de expansão das últimas décadas reflete-se em maior dificuldade para geração de oportunidades no mercado de trabalho e para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

O período de redução do ritmo da economia brasileira coincide com o período de deterioração e inibição das políticas públicas que priorizem o crescimento econômico, assim como com a redução da participação da indústria na composição da economia nacional. O que sugere a importância das políticas industriais e da indústria para geração de riqueza na economia, tema que merece estudos mais detalhados.

Em terceiro, correlacionado ao parágrafo anterior, os resultados insinuam que a simples abertura da economia, iniciada em 1988 e aprofundada na década de 1990 para modernização da economia via ampliação da dinâmica de competição, não se mostrou uma estratégia, por si só, eficaz à promoção do crescimento.

No curto prazo, parece claro que em 2018 e 2019 a economia tenderá a apresentar desempenho melhor que nos últimos quatro anos. Entretanto, se expandirmos a avaliação para um horizonte mais amplo, o estabelecimento e uma trajetória de crescimento econômico pujante e sustentável dependem de alterações estratégicas quanto à condução da política econômica e de desenvolvimento econômico e produtivo do País.


* Professor de Economia e pesquisador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo
 

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