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Mulheres são metade dos empreendedores

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Na região, maioria está no ramo de cabeleireiros e vestuário, em busca de ascensão profissional


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

08/03/2018 | 07:12


As mulheres são quase a metade dos MEIs (Microempreendedores Individuais) no Grande ABC. Do total, composto por 87.213 pequenos negócios, elas estão presentes em 42.170 deles, ou 48,3%. A forte presença do sexo feminino sugere que elas encontram mais oportunidades de desenvolvimento de carreira como autônomas do que no mercado de trabalho tradicional.

Os dados foram levantados pelo Diário no Portal do Empreendedor, do governo federal. Dentre as áreas com maior presença feminina, o líder absoluto é o ramo de cabeleireiros (do total dos 9.857 profissionais, 7.752 são mulheres), seguido pelo comércio varejista de vestuário e acessórios, com 5.487 mulheres do total de 6.897 e outras atividades de tratamento de beleza, com 2.789 delas, entre 2.914 representantes.

De acordo com o gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Sérgio Cereda, desde 2010 a presença de mulheres como MEIs, no geral, mantém média de 50% de representatividade. “O empreendedorismo é a maneira mais democrática de promover ascensão profissional. Se hoje a mulher ainda não tem a mesma remuneração do que o homem em algumas funções no mercado de trabalho, como autônoma ninguém vai pedir o seu currículo ou questionar outras coisas, como se ela tem filhos. Ela dependerá de sua capacidade inovadora e, sendo hábil, vai prosperar.”

Segundo Cereda, em alguns cursos ministrados na região, as salas chegam a ter 80% de presença de mulheres. “Isso mostra que o negócio deixa de ser amador e passa a ser mais efetivo, pela nossa percepção do dia a dia. Uma característica da mulher é que ela é menos resistente a buscar ajuda e capacitação do que os homens”, avaliou.

Foi o que aconteceu com a pedagoga andreense Renata Silva, 35 anos, que começou vendendo roupas femininas na garagem da casa do pai, dez anos atrás, e atualmente é proprietária de uma loja do segmento na Oliveira Lima, principal rua de comércios de Santo André. Depois de quatro anos sem pagar aluguel e concedendo pagamento ‘fiado’ para grande parte dos clientes, ela queria expandir o negócio mas, para isso, procurou orientação do Sebrae.

“Eu sempre quis mudar para o Centro de Santo André, mas pensei que não valia a pena por conta do custo do aluguel, que eu não pagava, e lá era muito alto, R$ 11 mil mensais. Foi quando me explicaram, que, apesar do valor que eu ia desembolsar, valia a pena porque, em vez de 50 pessoas passando em frente à minha loja no bairro Condomínio Maracanã, eu teria cerca de 15 mil. Eu também passei a trabalhar somente com cartões de crédito, débito e dinheiro, o que fez muita diferença”, explicou.

Para ter ideia do reflexo de sua ousadia, em dezembro de 2014, quando ainda estava na garagem do pai, o faturamento mensal da loja era de R$ 23 mil, já no último mês de 2017 chegou a R$ 170 mil. O espaço também conta com o auxílio de três funcionários – antes atuava sozinha.

O trabalho possibilitou que a empresária comprasse casa própria para ela, o marido e a filha de 14 anos, mas, mesmo com a ampliação da receita, ela continua a se atualizar. Para organizar melhor as contas, ela passa atualmente por curso de gestão financeira. “Todas as grandes decisões do negócio foram tomadas depois de conversas e cursos no Sebrae. Eles abriram minha mente”, afirmou.


Vera quebra paradigmas e faz seis anos à frente da ACE

Ao falar de mulheres empreendedoras, é preciso contar a história de Vera Lúcia Rocha, 58 anos. Nascida em Jequié, na Bahia, ela se formou em Química pela Faculdade Anchieta, em São Bernardo, mas não conseguia arrumar emprego, pois tinha quatro filhos e, segundo ela, ninguém a aceitava na profissão. Ela então apostou no comércio e se tornou dona de loja de automóveis nos anos 1990, e chegou a vender até ônibus.

Conforme Vera, por decidir atuar em área dominada por homens, ela esbarrou no preconceito, e ouviu de muita gente que “não chegaria a lugar algum”. “Não pode ter medo. Muitas pessoas dizem: você não vai conseguir, isso não é para você. Tem que ter foco. O homem é cliente, mas não é porque é homem que vai ser mais capaz. A única coisa que difere é a força física”, avalia. “Permaneci no ramo e, como tinha medo de deixar meus filhos com outras pessoas, desde meu primeiro escritório sempre os levei comigo.”

Vera se tornou a primeira mulher, e única até o momento, a comandar uma associação na região. Em 2013, foi eleita presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Diadema. Após seis anos – este é o último de sua gestão – deixará como legado novo prédio para a entidade, o que classifica como o maior desafio em sua carreira.


Movida a adrenalina, Rosa assume Rotary de S.Caetano

“Sou movida a adrenalina.” Bastam cinco minutos de conversa para se espantar com a vitalidade de Rosa Maria Riera. Aos 65 anos, a empresária são-caetanense se desdobra entre as atribuições do dia a dia à frente de comércio e trabalhos em prol do próximo.

Formada em Ciências Biológicas e pós-graduada em Direito do Trabalho, a comerciante comanda, há 35 anos, a loja de moda feminina Rosa Maria Maison, além de exercer atividades voluntárias na Rede Feminina de Combate ao Câncer, nos Patrulheiros Mirins, no Rotary – todos em São Caetano – e na Libra (Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil), na Capital. “Sempre gostei da vida acadêmica, por isso estudei bastante. Mas cresci com meu pai, comerciante. Ele tinha empresa de molas para automóveis e aprendi bastante com ele”, conta. “Adoro esse lado de empresária. Me atrai muito.”

No dia 1º de julho, assume a presidência do Rotary do município, do qual já participa efetivamente das atividades. “É responsabilidade muito grande. Terei comigo grupo de mulheres”, diz ela, com mandato de um ano. A mãe de três filhos e avó de dez crianças também luta para empoderar a mulher na política. “Para recarregar as baterias, faço hidroginástica e caminhada. Esses trabalhos renovam as energias. Você não sente a idade passar. É importante ser útil à sociedade.”


 



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