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Olheiros perdem espaço no futebol

Clubes da região inserem analistas e adaptam mecanismos para a escolha de contratações


Dérek Bittencourt
Diário do Grande ABC

26/02/2018 | 07:00


Contratar se transformou em desafio aos clubes de futebol. Não apenas pela concorrência ou ambição dos próprios jogadores, mas pelas regras cada vez mais comuns em competições que restringem o número de atletas inscritos por cada equipe. No Campeonato Paulista das Séries A-1, A-2 e A-3, por exemplo, há limite de 26 inscrições, sendo que três destas vagas têm de ser preenchidas por goleiros. Automaticamente, isso força dirigentes e comissões técnicas a observarem muito antes de fechar negócio com A, B ou C. Afinal, um erro pode significar queimar um cartucho. Para minimizar possíveis ciladas, os quatro principais representantes do Grande ABC têm seus métodos de contratação, seja à moda antiga ou utilizando os cada vez mais presentes analistas de desempenho.

“Faz uns cinco anos que os clubes têm utilizado a prospecção no futebol, que antes já existia com os olheiros. Fazemos o monitoramento de competições, análises técnico-táticas de reforços em cima das características e necessidades do treinador, levantamento sobre comportamento, viabilidade econômica... Tudo isso diminui a margem de erro nas escolhas”, explica Albert, profissional que compõe o departamento de análise de desempenho do São Bernardo FC.

Líder e invicto na A-2, o Tigre – pelo menos em estrutura – está à frente dos vizinhos. Conta com quatro profissionais voltados a isso: além de Albert, os analistas Neco, Guilherme, e o observador Nívio. Além disso, utiliza softwares repletos de informações vindas de competições e atletas de todo o País, casos do Sportscode e do iScout. “São ferramentas tanto de prospecção de atletas quanto análise para preparação dos jogos”, explica o diretor executivo Edgard Montemor Filho. “Duvido que algum clube médio e até alguns grandes tenham departamento que envolva tantos profissionais e com a estrutura que a gente tem.”

O departamento existe há sete anos e tem muito material no banco de dados, que levou às contratações do time no período. Entretanto, não é porque o time foi rebaixado da Série A-1 para a A-2 no ano passado que os profissionais consideram que o trabalho foi mal feito, por exemplo. Muito pelo contrário. “Às vezes (o time) não encaixa, não dá certo. Não é que contratamos errado. Se for ver os atletas que contratamos, alguns subiram para a Série A (do Brasileiro, casos de Iago Maidana e Vinicius Kiss pelo Paraná, além de Edno pelo América-MG) ou Série B (Edimar, no Fortaleza), outros estão em times grandes (Marcinho, foi para o São Paulo e está no Atlético-PR, e Walterson, passou por Atlético-GO e Figueirense, hoje no Santo André). Acabaram todos se empregando quando saíram”, diz Neco.

No Santo André, Eduardo Oliveira é o responsável pela análise de desempenho. Ajudou tanto na montagem do elenco fornecendo dados ao técnico Sérgio Soares e à cúpula dirigente, quanto no dia a dia, fortalecendo a comissão com dados sobre os próprios atletas e os adversários do Paulistão.

“(Análise de desempenho) É fundamental em qualquer clube do Brasil. E não só na questão de contratação, mas na hora que começa o campeonato, para fazer mapeamento do adversário, pegar os lances, passar ao treinador, municiar comissão técnica de situações de jogo e de como joga a equipe, edição de vídeo. Este profissional no futebol mundial é muito importante”, destaca o assessor da presidência Carlito Arini.

O dirigente andreense ainda comenta a transformação do mecanismo de contratação, destacando o que deve ser feito para evitar enganos. “A antiga fita, que virou DVD e hoje é link... Pegam os melhores momentos do jogador e inserem. Você vê e pensa que é baita jogador, mas ninguém contrata assim. Pode chamar atenção e a partir daí é outro processo, vai atrás, acompanha, vê jogo completo. Na tela todo mundo é bom”, alerta o dirigente, que chama atenção ainda à concorrência em cima de atletas que disputam, principalmente, o alguma divisão do Brasileiro.

“É uma guerra, porque entra o lado da competição com os outros clubes. Aí aquele jogador que a gente viu que é bom, outros também viram. O Campeonato Paulista tem mais visibilidade e se a gente quer um jogador, tem mais três ou quatro que querem. Particularmente não gosto de leilão. Então é mais na base do convencimento, entrar na mente. Se usa de tudo”, admite.

Azulão e Netuno à moda antiga
Marcelo Argachoy
Especial para o Diário

No São Caetano, até o mês passado não existia uma área específica voltada ao scout de atletas. Entretanto, o técnico Pintado foi contratado e trouxe com ele o analista de desempenho Gustavo, mais com a finalidade de observar adversários e o próprio Azulão. Ainda assim, as recomendações partem inicialmente da diretoria.

“Acompanhamos todas as competições. Série B, Série C, Copa do Brasil, estaduais e quando vemos um jogador que se encaixa nas características que o time precisa, fazemos um acompanhamento mais aprofundado”, diz o presidente Nairo Ferreira de Souza. “Mas temos que ver ao vivo no estádio, não fazemos contratação por vídeo ou WhatsApp”, esclarece.

A partir da indicação, um profissional do clube acompanha partidas do jogador indicado no estádio, procurando saber tudo sobre o jogador.

Já no Água Santa, as contratações são feitas de forma semelhante. Tudo começa com recomendações e ligações de empresários ou pedidos do treinador. Então, os dirigentes acompanham o atleta em algumas partidas. “Hoje em dia na internet podemos encontrar todo tipo de informação sobre o jogador”, afirma o diretor Márcio Ribeiro. “É fácil de saber onde ele jogou, quantos gols fez e em quantas partidas atuou”, completa. A busca por atletas dá preferência ainda a jogadores que já tenham trabalhado anteriormente com o atual técnico.

Coincidentemente, ou não, tanto Azulão quanto Netuno já trocaram de treinador na temporada após inícios ruins nas Séries A-1 e A-2, respectivamente. O time de Diadema, inclusive, já rescindiu com quatro jogadores trazidos para serem soluções, casos de Guilherme Andrade, Bruno Dybal, Leandro Cearense e Rodrigo Biro.
 



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