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Jovens viajam por dez horas como representantes únicos de cidades

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Atletas nas damas de Parapuã e Coroados vivem novas experiências no Grande ABC


Dérek Bittencourt

23/11/2017 | 07:00


O salão do CER Pedro Furlan, antigo Tamoyo, em São Caetano, recebeu ontem mais um dia de disputa de damas dos Jogos Abertos do Interior. Dezenas de mesas, quase uma centena de jogadores e integrantes de comissões técnicas e um silêncio quase que absoluto. Afinal, concentração e raciocínio lógico são os pontos altos da democrática modalidade, que reúne atletas de todas as idades e não faz diferença de sexo, cor, condição econômica ou classe social.

Sendo assim, em meio aos adultos que disputavam Primeira e Segunda Divisões Livres, os jovens do sub-21 marcaram presença e alguns deles chamaram atenção. Sentados em frente ao tabuleiro, os pés quase não encostavam o chão, mas mantinham postura e carregavam responsabilidade de gente grande, afinal eram os únicos representantes de suas cidades.

São os casos dos competidores de Parapuã, município de 11.085 habitantes localizado próximo a Osvaldo Cruz, a 580 quilômetros do Grande ABC, e Coroados, de 5.238 moradores, nas proximidades de Araçatuba e distante 560 quilômetros da região. Em ambas as situações, viajaram por aproximadamente dez horas desde suas pequenas cidades como integrantes exclusivos das respectivas delegações. E, independentemente dos resultados, estão adquirindo mais do que bagagem no esporte, mas experiências de vida.

Segundo a assistente social de Coroados Elaine Medrano Campos, 45, os nove jovens da delegação com idades de 13 a 14 anos – todos integrantes de projeto social no município do Interior – estão curtindo a oportunidade no Grande ABC. “Lá não temos nem semáforo. Então para eles tudo é novidade. Muitos nunca haviam tido oportunidade de vir para São Paulo. Vivemos, inclusive, situação engraçada. Fomos ao shopping e quando chegamos na escada rolante, dois brecaram, não subiam de jeito nenhum. Tivemos que explicar como era. Muito legal”, contou ela.

Filha da assistente social e atleta de Coroados na modalidade, Giovana, 14, elogiou a beleza e o tamanho de São Caetano e ainda falou em “experiência boa” nos Abertos. “É muita responsabilidade, porque viemos para representar a cidade. Voltaremos com sentimento de missão cumprida”, destacou. “Independentemente da colocação, vai ter desfile com eles na cidade”, exaltou a mãe.

Já Mayan Augusto de Oliveira, 13, um dos cinco representantes de Parapuã, explicou o que é preciso para jogar damas. “Técnica, força mental para fazer as jogadas, jogar bem e ganhar”, enumerou o pequenino, que demonstrou encanto com a experiência no alojamento onde a delegação está – dividido com outras dez cidades, em São Bernardo. “Muito legal. Chegamos lá e todos cumprimentaram a gente, nos chamaram para jogar para ver se jogávamos bem. Na brincadeira. Fomos bem recebidos”, disse.

No duelo entre Parapuã e Coroados, melhor para os parapuenses por 9 a 1. Ontem, ambas perderam seus compromissos, respectivamente para Botucatu e Caraguatatuba.


‘Jogos da mente’ tentam driblar preconceito

Há alguns meses, a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou em Brasília o projeto de lei que reconhece xadrez, pôquer e damas como esportes. Os chamados jogos da mente ainda sofrem com o preconceito daqueles que só admitem as tradicionais modalidades, mas quem dispõe de tempo e encara essas atividades esportivas com seriedade não é bem assim. Pelo contrário.

“Existe essa discriminação, mas não tem sentido. (Damas) É competição que exige muito do atleta. Uma partida pode durar quatro horas. Se o cara não estiver preparado física e mentalmente, não consegue jogar em alto nível”, explica o jogador e coordenador de damas e xadrez de São Bernardo, Ricardo Criez, 51 anos. “Não é como vôlei, basquete e outros, mas é um esporte também. Às vezes, o pessoal pensa que não, porque não tem correria... mas o desgaste mental pode ser maior que o físico”, emenda ele, que é reserva da equipe de damas são-bernardense e disputa mais uma vez os Jogos Abertos. Já foram 14 participações no xadrez e, agora, chega à 15ª nas damas, com três títulos da modalidade na bagagem.

Adversários na classificação geral, São Bernardo e São José dos Campos são rivais também nesse esporte. E a vantagem recente nos Abertos é da equipe do Grande ABC. “Nos últimos dois anos eles perderam da gente. São José é favorito contra nós, tem jogadores fortes. Mas vamos ver. Ninguém joga a toalha antes da hora. Até porque nos últimos anos também eram favoritos e perderam. Sabem que se não jogarem firme, correm risco”, diz Ricardo Criez.

Nos três confrontos que fez até aqui nos Jogos Abertos, São Bernardo saiu vencedor de todos: 6 a 4 sobre Jaú; 8 a 2 sobre Assis; e 8 a 2 sobre Tatuí. 



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