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Racismo e intolerância religiosa pautam marcha

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No Dia da Consciência Negra, celebrado ontem, ato em Mauá reuniu movimentos ligados à cultura afrodescendente


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

21/11/2017 | 07:00


 A garoa de ontem no Grande ABC não impediu que cerca de 200 pessoas se reunissem em marcha, em Mauá, para marcar o Dia da Consciência Negra, com manifesto não só ao preconceito racial, mas também à intolerância religiosa, relatada por adeptos do candomblé. Do ato, iniciado às 10h com concentração na Praça 22 de Novembro e que seguiu ao meio-dia para a Praça da Bíblia, no Centro, participaram ainda grupos do movimento negro, de capoeira e integrantes de escola de samba da cidade. O ato foi realizado pela 11ª vez.

O mestre de capoeira e fundador da AADC (Associação Desportiva e Cultural de Capoeira) Filhos de Ghandi Gildasio Pereira de Oliveira, 54 anos, lamentou as frequentes invasões a terreiros de candomblé na cidade, além das agressões sofridas por praticantes da religião. Um dos casos aconteceu na semana passada. “No Jardim Miranda temos um local onde, algumas vezes, fazemos roda de samba e as pessoas se reúnem para conversar. Um vizinho jogou pedra no local e perguntou o que ‘os macacos’ estavam fazendo lá”, comentou.

O vendedor Edemir de Oliveira Santos, 44, coordena o setor de juventude da Paróquia São José Operário, igreja católica instalada no bairro Itapeva e participou do ato para unir forças contra os ataques em razão de diferentes crenças. “O Evangelho não distingue as pessoas pela cor, pelos valores culturais nem por gênero. Acredito que toda luta que é contra a injustiça e que é pregada contra todas as formas de desvalorização pertence ao Evangelho”, avaliou.

“Cristo quer as pessoas unidas e vivenciando um mundo sem diferenças. Somos todos iguais perante a Deus, independentemente de raça, cor ou religião”, completou o vendedor.

O evento também lembrou do preconceito racial que permeia o ambiente escolar, situação que resultou na campanha Frente Escolar sem Racismo, encampada pela AADC Filhos de Ghandi. “Queremos levar atividades que possam conscientizar professores, alunos e pais e receber demandas e propostas de ações para combater esse problema”, disse o fundador da associação. Denúncias referentes à questão podem ser enviadas ao e-mail escolasemracismo@gmail.com.

“Já sofri muito preconceito, não quero que meus netos passem pelo mesmo, por isso estamos na luta”, salientou a auxiliar de limpeza Maria Lourdes Arcanjo de Almeida, 50, segurando nos braços a neta Kauane Nicolly, 2 anos.

A recepcionista Alice Cristina Sabino, 27, fez o chamado para que cada vez mais pessoas reforcem a voz contra o preconceito. “Estamos chamando o povo para vir à luta, para conquistarmos nosso direito. Queremos respeito.”

 

DEMAIS CIDADES

O Dia da Consciência Negra foi celebrado com atividades em outros municípios do Grande ABC. Em Diadema, a caminhada intitulada Zumbi dos Palmares, na região central, teve como tema Religiosidade, Liberdade e Consciências de Fé.

Em Ribeirão Pires, a Praça Central sediou diversas apresentações culturais, como roda de samba.  



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