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Famílias são desalojadas para construção de parque

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No bairro Pedreira, em Rio Grande da Serra, oito imóveis são desapropriados pela Prefeitura


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/10/2017 | 07:00


Praticamente 80 anos depois de se instalar no bairro Pedreira, em Rio Grande da Serra, – antes mesmo da emancipação do município – a família Martins Pinto terá de fazer as malas e deixar o lar de madeira, localizado na Rua José Belo, até 18 de novembro. Isso porque a residência dos moradores integra grupo de oito imóveis que estão sendo desapropriados pela Prefeitura para que seja realizada segunda etapa do parque linear. 

Os irmãos Valter Martins Pinto, 69 anos, e João Aparecido Martins Pinto, 58, ainda estão incrédulos acerca da demolição da pequena casa de madeira cedida ao pai há 75 anos, quando ele deixou sua cidade natal (São João da Boa Vista, no Interior do Estado) e chegou ao município – na época pertencente a Santo André – para trabalhar na antiga pedreira. “Ele e a minha mãe construíram aqui, porque era isso que os trabalhadores faziam. Éramos sete irmãos e todos foram nascidos e criados aqui”, contou o filho mais novo.

A família cresceu, alguns integrantes foram para longe e os patriarcas faleceram. Porém, permanecer no imóvel foi algo natural, além de maneira de manter vínculo afetivo com os pais. “Antigamente, chegaram a nos dizer que nossa situação seria regularizada. Quando o pessoal da Prefeitura veio, no mês passado, e disse que teríamos prazo de 60 dias para sair, não sabíamos o que fazer”, afirmou a costureira Cristina Martins, 40, filha de Valter. 

Os imóveis foram todos ocupados e, por isso, nenhuma moradia possui escritura. A Prefeitura ofereceu auxílio-aluguel para as oito famílias – no valor de R$ 450. Insatisfeitos, os moradores ainda tentam negociar com a administração na tentativa de reverter a decisão.

O comerciante José Antônio da Silva, 77, também lamenta pela desapropriação de seu imóvel, onde foi montado um bar. Depois de passar grande parte da vida trabalhando em frigorífico, ele se aposentou, há 17 anos, e comprou uma barraca para vender cachaças artesanais. “Já recebi a minha notificação. Acho que não vai ter jeito, mas gostaria que me deixassem pelo menos construir do outro lado”. Ele mantém também, na área que será demolida, plantação de ervas e Cambuci, fruto que garante a produção da especialidade da casa, a cachaça caseira. “É o único bar aqui do bairro. Não tem quem não conheça. Sou muito feliz trabalhando aqui”, revelou. 

Conforme o prefeito Gabriel Maranhão (PSDB), a retirada das oito famílias é necessária para a construção da segunda etapa do parque linear. “Nós cadastramos aquelas pessoas para o aluguel-social, e demos o prazo de 60 dias. Não posso frear o desenvolvimento da cidade por conta disso, mas estamos fazendo com muita ponderação, dando prazo suficiente e disponibilizando ajuda da Prefeitura para a mudança.”

A primeira parte do projeto custou R$ 1,5 milhão e recuperou terreno que estava abandonado. Trator realiza terraplanagem na área. A etapa seguinte ainda não tem valor e deve ser entregue até o fim de 2020, no entanto, não tem valor definido. 

Maranhão afirmou que as oito famílias serão prioridade no projeto de construção de 440 unidades habitacionais no município, ainda sem previsão. “Elas vão receber o benefício até que saia o projeto habitacional. Estamos trabalhando na parte das licenças ambientais e conversando com o governo do Estado e com a União.”



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Famílias são desalojadas para construção de parque

No bairro Pedreira, em Rio Grande da Serra, oito imóveis são desapropriados pela Prefeitura

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

21/10/2017 | 07:00


Praticamente 80 anos depois de se instalar no bairro Pedreira, em Rio Grande da Serra, – antes mesmo da emancipação do município – a família Martins Pinto terá de fazer as malas e deixar o lar de madeira, localizado na Rua José Belo, até 18 de novembro. Isso porque a residência dos moradores integra grupo de oito imóveis que estão sendo desapropriados pela Prefeitura para que seja realizada segunda etapa do parque linear. 

Os irmãos Valter Martins Pinto, 69 anos, e João Aparecido Martins Pinto, 58, ainda estão incrédulos acerca da demolição da pequena casa de madeira cedida ao pai há 75 anos, quando ele deixou sua cidade natal (São João da Boa Vista, no Interior do Estado) e chegou ao município – na época pertencente a Santo André – para trabalhar na antiga pedreira. “Ele e a minha mãe construíram aqui, porque era isso que os trabalhadores faziam. Éramos sete irmãos e todos foram nascidos e criados aqui”, contou o filho mais novo.

A família cresceu, alguns integrantes foram para longe e os patriarcas faleceram. Porém, permanecer no imóvel foi algo natural, além de maneira de manter vínculo afetivo com os pais. “Antigamente, chegaram a nos dizer que nossa situação seria regularizada. Quando o pessoal da Prefeitura veio, no mês passado, e disse que teríamos prazo de 60 dias para sair, não sabíamos o que fazer”, afirmou a costureira Cristina Martins, 40, filha de Valter. 

Os imóveis foram todos ocupados e, por isso, nenhuma moradia possui escritura. A Prefeitura ofereceu auxílio-aluguel para as oito famílias – no valor de R$ 450. Insatisfeitos, os moradores ainda tentam negociar com a administração na tentativa de reverter a decisão.

O comerciante José Antônio da Silva, 77, também lamenta pela desapropriação de seu imóvel, onde foi montado um bar. Depois de passar grande parte da vida trabalhando em frigorífico, ele se aposentou, há 17 anos, e comprou uma barraca para vender cachaças artesanais. “Já recebi a minha notificação. Acho que não vai ter jeito, mas gostaria que me deixassem pelo menos construir do outro lado”. Ele mantém também, na área que será demolida, plantação de ervas e Cambuci, fruto que garante a produção da especialidade da casa, a cachaça caseira. “É o único bar aqui do bairro. Não tem quem não conheça. Sou muito feliz trabalhando aqui”, revelou. 

Conforme o prefeito Gabriel Maranhão (PSDB), a retirada das oito famílias é necessária para a construção da segunda etapa do parque linear. “Nós cadastramos aquelas pessoas para o aluguel-social, e demos o prazo de 60 dias. Não posso frear o desenvolvimento da cidade por conta disso, mas estamos fazendo com muita ponderação, dando prazo suficiente e disponibilizando ajuda da Prefeitura para a mudança.”

A primeira parte do projeto custou R$ 1,5 milhão e recuperou terreno que estava abandonado. Trator realiza terraplanagem na área. A etapa seguinte ainda não tem valor e deve ser entregue até o fim de 2020, no entanto, não tem valor definido. 

Maranhão afirmou que as oito famílias serão prioridade no projeto de construção de 440 unidades habitacionais no município, ainda sem previsão. “Elas vão receber o benefício até que saia o projeto habitacional. Estamos trabalhando na parte das licenças ambientais e conversando com o governo do Estado e com a União.”

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