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Hentai


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

09/01/2006 | 08:06


A história do mangá (quadrinhos) japonês é recente, e o mangá erótico é um capítulo extra na influência sobre o Ocidente da criação nipônica de personagens de quadrinhos. Essa história é contada em Hentai – A Sedução do Mangá (Opera Graphica, 160 págs., R$ 54), escrita a dez mãos por Fernando Moretti, Rodrigo Guerrino, Nobuioshi Chinem, Minami Keizi e Sérgio Peixoto, este organizador das convenções AnimABC. O preço é pesado para uma mesada e a venda é proibida para menores de 18 anos. São dois empecilhos que podem afastar as crianças de uma obra feita para o público adulto conhecer os aspectos gerais dos mangás eróticos, os hentai, palavra japonesa que significa “perversão”. Também são chamados h-mangá, sendo “H”, eicchi em japonês, uma suavização do termo para “indecência”.

Fartamente ilustrado em preto-e-branco e com seis capítulos subdivididos em temas, a obra abre com a história da arte japonesa e do mangá, depois relaciona toda a pesquisa levantada pelos autores sobre o hentai mangá. Suas origens e gêneros, suas influências em games, desenhos animados (animes), cards e fanzines, e seus inimigos, as Associações de Pais e Mestres Japoneses, que no máximo conseguiram proibir a exposição de genitálias e pêlos pubianos (!). Os recursos para isso são imagens distorcidas, tarjas e dissimulação do ato. Essas proibições se estendem aos animes (desenhos animados japoneses).

O erotismo japonês é um dos focos centrais do livro. A mesma sociedade que pressiona intensamente cada indivíduo para ser bem-sucedido na profissão ou na família considera sexo ou nudez normais, desde que entre quatro paredes – um casal japonês apaixonado jamais se beijaria em público, por exemplo. A perversão em quadrinhos seria o escape contra padrões de comportamento em uma fantasia rápida, sem tempo a perder.

O conteúdo sexual explícito dos hentai tem forma de travessuras, safadezas, fetiches, taras, tabus e desejos. Sobretudo, tratam autoridades (ou pessoas com alguma autoridade, como pai, mãe, professoras etc) como despudorados. Um alívio à repressão sexual. Os gêneros são histórias de ídolos pop, esportistas, lolitas, sadomasoquismo, bizarro, incesto, animalia (seres meio humanos, meio animais), tentáculos e monstros, voyeurismo, estupro, lesbianismo, autoridades. As mulheres são sempre submissas, orgias são comuns, e o uso de ângulos permite ao leitor o ponto de vista do homem que está possuindo a mulher ou de um voyeur privilegiado.


Mangás – Com tiragens semanais ou bimestrais de um milhão de exemplares e cerca de mil títulos anuais, mangás são histórias completas ou divididas em capítulos, em média com 200 páginas em preto-e-branco. Contemplam vários gêneros, como esporte, ação, robôs, policial, mistério, romance, terror, contos de fadas. Uma curiosidade é comparar o tamanho dos olhos dos personagens no mangá – que são grandes para mostrar expressividade – com o tamanho dos pênis e seios nos hentai, um apelo à comunicação visual.

A criação do mangá remonta ao século XIX, a partir de xilogravuras impressas em papel para consumo popular que retratavam, entre outras cenas cotidianas, as gueixas. As imagens de cortesãs em atitudes eróticas foram precursoras dos hentai e dos pôsteres de pin ups ocidentais. O quadrinho japonês firmou-se nos anos 20 e tornou-se popular nos anos 50 ao fugir da influência do quadrinho norte-americano. Portanto, o mangá é um fenômeno recente, mas é uma das principais fontes de criatividade artística no Japão. Que o diga Osamu Tezuka, o deus do mangá, autor do clássico A Princesa e o Cavaleiro.


Animes – Nos últimos dez anos, o mangá se espalhou no Ocidente, mesmo período em que os animes ganharam a preferência da garotada – no Brasil têm um canal exclusivo, o Animax, na TV paga Directv, e o Cartoon Network costuma exibir várias produções japonesas e desenhos norte-americanos de inspiração no mangá. O mangá erótico também tem seus animes clássicos. Sonhos Molhados foi o pioneiro, em 1987 no Brasil, criado em 1984 no Japão como Cream Lemmon, que por sua vez originou a revista Candy Time, que deu início a série de publicações de hentais comerciais. No Brasil, o canal de TV exclusivo para animes eróticos é o Hentai, da Sky, em pay-per-view.

Hentai – A Sedução do Mangá dedica um capítulo aos mestres japoneses do estilo e outro aos desenhistas brasileiros que fazem arte erótica com traço influenciado pelos mangás, como Julio Shimamoto, Roberto Kussumoto, Claudio Seto, e aos que se destacaram em hentai, como Ciccioli, de carreira breve, e Tommy Tido, apelido em forma de trocadilho do atual mestre brasileiro.


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Hentai

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

09/01/2006 | 08:06


A história do mangá (quadrinhos) japonês é recente, e o mangá erótico é um capítulo extra na influência sobre o Ocidente da criação nipônica de personagens de quadrinhos. Essa história é contada em Hentai – A Sedução do Mangá (Opera Graphica, 160 págs., R$ 54), escrita a dez mãos por Fernando Moretti, Rodrigo Guerrino, Nobuioshi Chinem, Minami Keizi e Sérgio Peixoto, este organizador das convenções AnimABC. O preço é pesado para uma mesada e a venda é proibida para menores de 18 anos. São dois empecilhos que podem afastar as crianças de uma obra feita para o público adulto conhecer os aspectos gerais dos mangás eróticos, os hentai, palavra japonesa que significa “perversão”. Também são chamados h-mangá, sendo “H”, eicchi em japonês, uma suavização do termo para “indecência”.

Fartamente ilustrado em preto-e-branco e com seis capítulos subdivididos em temas, a obra abre com a história da arte japonesa e do mangá, depois relaciona toda a pesquisa levantada pelos autores sobre o hentai mangá. Suas origens e gêneros, suas influências em games, desenhos animados (animes), cards e fanzines, e seus inimigos, as Associações de Pais e Mestres Japoneses, que no máximo conseguiram proibir a exposição de genitálias e pêlos pubianos (!). Os recursos para isso são imagens distorcidas, tarjas e dissimulação do ato. Essas proibições se estendem aos animes (desenhos animados japoneses).

O erotismo japonês é um dos focos centrais do livro. A mesma sociedade que pressiona intensamente cada indivíduo para ser bem-sucedido na profissão ou na família considera sexo ou nudez normais, desde que entre quatro paredes – um casal japonês apaixonado jamais se beijaria em público, por exemplo. A perversão em quadrinhos seria o escape contra padrões de comportamento em uma fantasia rápida, sem tempo a perder.

O conteúdo sexual explícito dos hentai tem forma de travessuras, safadezas, fetiches, taras, tabus e desejos. Sobretudo, tratam autoridades (ou pessoas com alguma autoridade, como pai, mãe, professoras etc) como despudorados. Um alívio à repressão sexual. Os gêneros são histórias de ídolos pop, esportistas, lolitas, sadomasoquismo, bizarro, incesto, animalia (seres meio humanos, meio animais), tentáculos e monstros, voyeurismo, estupro, lesbianismo, autoridades. As mulheres são sempre submissas, orgias são comuns, e o uso de ângulos permite ao leitor o ponto de vista do homem que está possuindo a mulher ou de um voyeur privilegiado.


Mangás – Com tiragens semanais ou bimestrais de um milhão de exemplares e cerca de mil títulos anuais, mangás são histórias completas ou divididas em capítulos, em média com 200 páginas em preto-e-branco. Contemplam vários gêneros, como esporte, ação, robôs, policial, mistério, romance, terror, contos de fadas. Uma curiosidade é comparar o tamanho dos olhos dos personagens no mangá – que são grandes para mostrar expressividade – com o tamanho dos pênis e seios nos hentai, um apelo à comunicação visual.

A criação do mangá remonta ao século XIX, a partir de xilogravuras impressas em papel para consumo popular que retratavam, entre outras cenas cotidianas, as gueixas. As imagens de cortesãs em atitudes eróticas foram precursoras dos hentai e dos pôsteres de pin ups ocidentais. O quadrinho japonês firmou-se nos anos 20 e tornou-se popular nos anos 50 ao fugir da influência do quadrinho norte-americano. Portanto, o mangá é um fenômeno recente, mas é uma das principais fontes de criatividade artística no Japão. Que o diga Osamu Tezuka, o deus do mangá, autor do clássico A Princesa e o Cavaleiro.


Animes – Nos últimos dez anos, o mangá se espalhou no Ocidente, mesmo período em que os animes ganharam a preferência da garotada – no Brasil têm um canal exclusivo, o Animax, na TV paga Directv, e o Cartoon Network costuma exibir várias produções japonesas e desenhos norte-americanos de inspiração no mangá. O mangá erótico também tem seus animes clássicos. Sonhos Molhados foi o pioneiro, em 1987 no Brasil, criado em 1984 no Japão como Cream Lemmon, que por sua vez originou a revista Candy Time, que deu início a série de publicações de hentais comerciais. No Brasil, o canal de TV exclusivo para animes eróticos é o Hentai, da Sky, em pay-per-view.

Hentai – A Sedução do Mangá dedica um capítulo aos mestres japoneses do estilo e outro aos desenhistas brasileiros que fazem arte erótica com traço influenciado pelos mangás, como Julio Shimamoto, Roberto Kussumoto, Claudio Seto, e aos que se destacaram em hentai, como Ciccioli, de carreira breve, e Tommy Tido, apelido em forma de trocadilho do atual mestre brasileiro.

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