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Lilico deita e rola no divã


Nelson Cilo
Especial para o Diário do Grande ABC

21/07/2001 | 17:12


Sugerimos que os leitores também se aproximem do divã para ouvir as picantes confidências de Lilico. Ouçam os contundentes relatos do ex-astro da Seleção Brasileira de Vôlei. Tão contundentes, talvez, quanto os arremessos e as cortadas que o colocaram no seleto grupo das maiores feras da modalidade no país.

Depois de revelar segredos que até os deuses duvidariam, o atacante volta oficialmente neste domingo às quadras para defender o Palmeiras/Guarulhos nos Jogos Regionais. Aliás, é o primeiro desafio para quem se recuperou de uma séria contusão no tornozelo. Antes, a carreira estava ameaçada.

As dores já não mais o incomodam. Ótimo para os torcedores. Melhor para os fãs. Estes aprenderam a separar as duas faces de um personagem que precisou ignorar preconceitos para segurar a barra. Durante cinco anos, Lilico e Jorge – que ele pronuncia Diordji – viveram sob o mesmo teto. No mesmo espaço. Enquanto durou o relacionamento, ambos assumiram a cumplicidade do romance desfeito recentemente. “Agora, estou livre. Chega de neura e de tanta ciumeira na minha vida”, disse.

A traição da única mulher que entrou na vida de Luiz Cláudio Alves Silva, 25 anos, balançou a cabeça de um menino ainda inexperiente nos tempos em que atuava no Banespa. A entrevista exclusiva de Lilico redesenha antigas paisagens de uma história pessoal aqui revelada sem qualquer censura. Confiram.

DIÁRIO – Fale do início. Você enfrentou problemas ao assumir a opção homossexual?
LILICO – Não, de jeito nenhum. Eu quis falar. Ninguém me obrigou. Tomei a iniciativa.

DIÁRIO – Em que momento você resolveu abrir o jogo?
LILICO – Nunca omiti ou menti sobre essa história. Eu só não falava antes porque não me perguntavam. Desde 1995 todo mundo já sabia disso.

DIÁRIO – Não te pressionavam nem criticaram?
LILICO – Nunca tive problemas. Eu já sabia que ... Era tudo natural pra mim. Sem grilos.

DIÁRIO – Você já conseguiu namorar alguma garota?
LILICO – Namorei. Já namorei... Mas vou falar como aconteceu... Realmente, gostei de uma garota, a Débora. Eu jogava no vôlei do Banespa. Tinha apenas 17 anos de idade.

DIÁRIO – Transavam?
LILICO – Sim, rolava de tudo. Ficamos juntos dois anos. De repente, poderíamos ficar juntos até hoje. Mesmo assim, não digo que eu não seria mais gay. Bom, naquela época da Débora eu já sentia atração pelos homens. Era uma coisa resolvida em mim. Muita resolvida.

DIÁRIO – Você comenta abertamente o assunto...
LILICO – Sou uma pessoa direta e muito fiel. Tanto naquilo que eu falo quanto naquilo que eu faço. Mas, voltando à Débora, vim pra São Paulo e começamos a namorar. Só que ela me traiu. Aquilo me magoou.

DIÁRIO – Seria o motivo que o afastou das mulheres?
LILICO – Não, não foi. Porque é assim: terminamos não apenas pela traição. Era uma época em que eu entrava no mundo gay. Eu já achava homem bonito. Sentia afinidade, mas nunca tinha saído, entendeu?

DIÁRIO – Você falaria da primeira experiência...
LILICO – Foram pessoas assim... O primeiro nome dele era Carlos. Digo isso porque ninguém sabe quantos Carlos existem aqui em São Paulo. Foi uma coisa assim... Nos conhecemos pelo telefone. Saímos. E rolou... Mas percebi que ele não era uma pessoa pra gente manter um relacionamento. Não gosto dessa coisa de ficar, ficar, ficar...

DIÁRIO – E depois do Carlos?
LILICO – Bom, cheguei pra Débora e falei... Ó, é o seguinte: eu também gosto de homem. Como já houve esse lance da traição, eu disse a ela: vamos terminar. Acabamos numa boa.

DIÁRIO – Quem é quem na hora...
LILICO – Não tem essa. Vamos colocar bem claro mesmo... De um modo geral, as pessoas pensam que existem um ativo e um passivo num relacionamento assim. Rola de tudo... É assim...

DIÁRIO – Sem limites?
LILICO – Lá em casa, eu e o Jorge... Tipo assim: a gente brigava, sim. Igual a todo mundo. Mas nunca chegamos ao ponto de nos agredir. Não era na baixaria. Nada de palavrões.

DIÁRIO – Não era um relacionamento complicado?
LILICO – Não era. Mas é assim... Não a esse ponto de agredir, não sei mais o quê... Aliás, houve um técnico que acusou a gente de brigar... Ele disse a polícia fechou nosso apartamento. Era mentira. Ele mentiu...

DIÁRIO – Quem era o técnico?
LILICO – Ah, não vou contar. Não vou citar nomes. Não vale a pena... Não vou me desgastar.

DIÁRIO – Não é o Ricardo Navajas, que te orientava?
LILICO – Não era. O Ricardo é uma pessoa maravilhosa. Ele andava chateado comigo porque decidir largar do time (Suzano) no meio da temporada.

DIÁRIO – Você chegou a interromper a carreira para assumir uma opção de vida?
LILICO – Não, não. Parei porque, além da contusão, eu me sentia física e mentalmente desgastado.

DIÁRIO – Rola homossexualismo no vôlei? Alguém assume?
LILICO – Olha, eu tenho dois amigos que assumiram pra mim. Não revelam nada ao público.

DIÁRIO – Quem são eles?
LILICO – Não revelo nem o primeiro nome. Não cometeria tanta indiscrição. O problema é deles. Não posso me intrometer nisso.

DIÁRIO – É alguém que já atuou pela Seleção Brasileira?
LILICO – Não, isso aí não interessa. São dois superamigos. Um deles é mais novo do que eu. Outro é mais velho. Sei desses dois que vieram falar pra mim. Não vou identificá-los. Eu não faria isso.

DIÁRIO – Não sabe de mais ninguém ou guarda segredo?
LILICO – Alguns atletas já me procuraram pra pedir conselhos, sim. Aquela coisa de como assumir, de como não assumir... Houve uma época em que servi de conselheiro. Falei o que eu pensava. Se era bom, se era ruim... Eu sempre respondia que é uma decisão muito pessoal de cada um...

DIÁRIO – Você apontou somente o Carlos... Daria o primeiro nome de mais algum?
LILICO – Falaria de quem mais? Do meu professor de Educação Física, o Eduardo... Eu sentia atração por ele. Mas quantos Eduardos existem no mundo?

DIÁRIO – Você pretende lançar um livro autobiográfico. Poderia antecipar trechos?
LILICO – O livro vai começar muito pesado. Mas se eu contar agora perde a graça. Vai rolar desde preconceito até o abuso sexual que sofri...

DIÁRIO – Vai abordar outros assuntos polêmicos?
LILICO – Vai ter a parte da mensagem para o pessoal da minha idade que pretende se assumir. Que tem problema em casa. A questão do livro não é falar assim: ah, eu me assumi... Eu me dei bem... E ganhei dinheiro... E fui famoso... E chutei tudo... E houve abuso sexual... E houve preconceito... A intenção não é essa. É outra...

DIÁRIO – Quando ocorreu o abuso? Você falaria disso?
LILICO – Eu era criança. Aconteceu entre amigos de minha família. Vou dar o nome no livro.

DIÁRIO – Uma confidência que você pretende relatar no livro...
LILICO – Meu amor platônico. Quero mostrar toda uma seqüência do que ocorre no cotidiano de um jovem. Eu tenho 25 anos. Aos 17, eu começava a subir e passei a freqüentar o mundo gay. Namorinho aqui, namorinho ali... Tipo assim: longe da família. É um livro pra esclarecer aos jovens.

DIÁRIO – O abuso partiu um técnico, de um colega...
LILICO – Não. Não época eu nem pensava em vôlei. Eu era bem novo. Eram pessoas que freqüentavam meu ciclo familiar...

DIÁRIO – Quando rolou a primeira experiência?
LILICO – Eu tinha uns 13 anos. O cara era funcionário da empresa do meu pai. Tomei a iniciativa. Me ofereci a ele. Aconteceu normalmente.

DIÁRIO – No início, como é que a sua família reagiu?
LILICO – Da maneira mais natural possível. Minha mãe (dona Maria) me deu a maior força. É a minha confidente. É uma pessoa muito legal, que não interfere. Só me ajuda.

DIÁRIO – Dona Maria nunca te aconselhou...
LILICO – É assim... É uma coisa que... Antes de voltar ao Rio de Janeiro, era morava conosco. Se eu e o Diordji fizéssemos barulho no quarto, ela acordava e batia na porta... Toc, toc, toc... Pedia pra gente silenciar. A gente se calava...

DIÁRIO – Como é que você iniciou a carreira de modelo?
LILICO – Eu caminhava no Ibirapuera. Um cara da Angel Models veio falar comigo para pedir meus dados pessoais. Pensei: pô, me parece estranho, mas fui conferir. Deu certo. Apresentei meu material e participei das sessões de fotos.



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