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Fernanda Torres volta ao palco


Mauro Fernando
Do Diário do Grande ABC

19/11/2003 | 17:58


“Achei o livro importante do ponto de vista filosófico. Radical e audacioso, fala de sexo de um modo que nunca tinha visto antes, nem em (Marquês de) Sade nem em (Henry) Miller. Ao mesmo que é escandaloso, é bem-humorado.” Assim o diretor Domingos de Oliveira se refere a A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro. A adaptação teatral que Oliveira fez do livro estréia nesta quinta no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Fernanda Torres está no palco.

Numa espécie de prefácio do livro, Ribeiro afirma que não o escreveu, mas recebeu um pacote de laudas datilografadas que continham o depoimento de uma mulher de 68 anos. Ela, que se identificou com as iniciais CBL, teria dado ao escritor a permissão de assinar o livro. A mulher narra diversas aventuras sexuais, derrubando tabus como um trator a um arbusto – virgindade, sexo anal, sadismo, incesto e bissexualismo, por exemplo. E religiosidade.

“Essa mulher é uma deusa, uma pessoa que talvez não exista. Trata o sexo com liberdade e sem culpa, tem a coragem de cumprir uma vocação libertina. A peça obriga o espectador a se perguntar qual o limite de sua liberdade. A nossa sociedade é muito moralista”, diz Domingos. “Essa mulher é bonitona, gostosa e devassa”, afirma Fernanda. De acordo com o diretor, a montagem não choca porque “humaniza a personagem”.

Para a atriz, a proposta que Domingos lhe fez, aceita em 24 horas, após a leitura do livro, “foi irresistível”: “O texto é vertiginoso e oportuno, e tenho interesse nessa aproximação entre literatura e teatro”. “A peça pergunta se você está feliz no ponto até onde a libido o levou, além de mostrar uma bandeja de opções. A personagem usa a vida dela para provocar em quem assiste a liberação da libido. Ou não. Ela também tem lá os seus limites”, afirma.

O tom do espetáculo é o de depoimento. As luzes na platéia ficam acesas na maior parte do tempo – apagam-se apenas nos momentos de maior introspecção, como quando a personagem fala da relação afetuosa com seu irmão. No cenário: uma mesa onde estão duas pequenas imagens – os budas – e o gravador que acolhe o depoimento, além de uma mesa lateral onde fica o litro de uísque. Daniela Thomas assina a direção de arte.

Há pontos de identificação entre a atriz e a personagem? “Sim, como entre o público também”, diz Fernanda, que acentua no trabalho de interpretação o bom-humor presente no texto. A atriz colocou na personagem um sotaque nordestino, já que a mulher é uma baiana que vive no Rio.

A Casa dos Budas Ditosos pertence à coleção Plenos Pecados da Editora Objetiva – é o volume dedicado à luxúria. Quando começa a narrar suas memórias, a mulher já está no fim da vida. Domingos optou por uma atriz “na faixa dos 30 a 40 anos, inteligente e com equilíbrio interno suficiente”. Embora no original a mulher já esteja próxima dos 70 anos, na peça ela está no auge da forma. “Fernanda herdou o talento da mãe (Fernanda Montenegro)”, diz.

A Casa dos Budas Ditosos – Monólogo. De João Ubaldo Ribeiro. Adaptação e direção de Domingos de Oliveira. Com Fernanda Torres. Sextas, às 20h, sábados, às 18h e às 20h, e domingos, às 19h. No Centro Cultural Banco do Brasil – r. Álvares Penteado, 112, São Paulo. Tel.: 3113-3651. Ingr.: R$ 15. Até 14 de dezembro, e de 16 de janeiro a 1º de fevereiro.



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