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Ex-aluna do CAV dirige documentário sobre
depressão, que será apresentado hoje na Capital


Miriam Gimenes

18/04/2017 | 07:00


Os dados são preocupantes: segundo o último levantamento feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado em fevereiro, a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Só no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema, um total de 11,5 milhões de brasileiros – maior índice da América Latina. E foi por ter entrado nessa estatística, há três anos, que a ex-aluna do CAV (Centro de Audiovisual de São Bernardo) Mariana França resolveu fazer o documentário Clausura, que será exibido hoje, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, pelo programa Janela Aberta. Ela divide a direção com Gildo Antônio.

A ideia surgiu quando a diretora – que também é atriz – encontrava-se em plena crise depressiva entre 2014 e 2015, mas a produção só aconteceu em 2016, quando seu quadro clínico foi estabilizado. A provocação inicial era saber se artistas conseguiam produzir quando estavam doentes também – foram entrevistados Ivam Cabral (ator e fundador da Cia. Os Satyros), Marcia Abos (jornalista e bailarina) e Tina Gomes (fotógrafa). A direção queria mostrar que as pessoas mais criativas e sensíveis também são vítimas dessa doença. “Há artistas que produzem (com depressão) e outros não, mas percebemos que nós artistas temos um ‘privilégio’ de poder expor nossos sentimentos dentro de nosso ofício. Nem todo profissional pode fazer isso”, analisa.

Ela lembra que na época da produção, no ano passado, teve de abrir certas feridas para entender o que passou nos seus piores momentos. “Poder conversar com outros artistas me fez perceber que não estava sozinha e as coisas que sentia como profissional e ser humano muitos sofrem, além de achar as respostas para tal dor é questão de tempo. Sempre há caminhos para a dor, mas há os caminhos para a cura, por meio da arte ou da própria introspecção.”

Ainda assim, Mariana tem de lidar todos os dias com a doença. “Ainda tenho depressão. É algo que a gente não se cura por completo, sempre temos algumas baixas, infelizmente.” O nome, acrescenta, foi escolhido porque uma vez com depressão, a pessoa se sente fechada, enclausurada dentro de sua própria mente. “Há também a questão de estar ‘dentro do armário’, pois mesmo com tanta informação muitas pessoas temem dizer que sofrem da doença por medo do preconceito.”

CAV
Além de trabalhar sobre um problema pessoal, o documentário também é um manifesto, já que foi produzido durante as aulas que teve no CAV. O Centro quase teve as atividades encerradas porque estava sendo gerenciado pela Telem S.A., empresa que havia ganho a concessão do Complexo Vera Cruz por 30 anos.

Depois de atrasos salariais dos professores, que até chegaram a entrar greve, o processo seletivo deste ano foi cancelado e, a concessão, rescindida. Mariana é uma das integrantes do movimento Força, Cav!. “Sou ex-aluna e mesmo com esse mar de incertezas que assola a escola, temos algumas boas notícias para mostrar a resistência e a potência dos trabalhos do CAV”, comemora. As aulas, segundo o prefeito prometeu, devem ser retomadas no começo do próximo mês.

> Clausura – Documentário. Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1.000. Hoje, às 19h. Duração: 30 minutos. Gratuito.



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Prisioneiros de si

Ex-aluna do CAV dirige documentário sobre
depressão, que será apresentado hoje na Capital

Miriam Gimenes

18/04/2017 | 07:00


Os dados são preocupantes: segundo o último levantamento feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado em fevereiro, a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Só no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema, um total de 11,5 milhões de brasileiros – maior índice da América Latina. E foi por ter entrado nessa estatística, há três anos, que a ex-aluna do CAV (Centro de Audiovisual de São Bernardo) Mariana França resolveu fazer o documentário Clausura, que será exibido hoje, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, pelo programa Janela Aberta. Ela divide a direção com Gildo Antônio.

A ideia surgiu quando a diretora – que também é atriz – encontrava-se em plena crise depressiva entre 2014 e 2015, mas a produção só aconteceu em 2016, quando seu quadro clínico foi estabilizado. A provocação inicial era saber se artistas conseguiam produzir quando estavam doentes também – foram entrevistados Ivam Cabral (ator e fundador da Cia. Os Satyros), Marcia Abos (jornalista e bailarina) e Tina Gomes (fotógrafa). A direção queria mostrar que as pessoas mais criativas e sensíveis também são vítimas dessa doença. “Há artistas que produzem (com depressão) e outros não, mas percebemos que nós artistas temos um ‘privilégio’ de poder expor nossos sentimentos dentro de nosso ofício. Nem todo profissional pode fazer isso”, analisa.

Ela lembra que na época da produção, no ano passado, teve de abrir certas feridas para entender o que passou nos seus piores momentos. “Poder conversar com outros artistas me fez perceber que não estava sozinha e as coisas que sentia como profissional e ser humano muitos sofrem, além de achar as respostas para tal dor é questão de tempo. Sempre há caminhos para a dor, mas há os caminhos para a cura, por meio da arte ou da própria introspecção.”

Ainda assim, Mariana tem de lidar todos os dias com a doença. “Ainda tenho depressão. É algo que a gente não se cura por completo, sempre temos algumas baixas, infelizmente.” O nome, acrescenta, foi escolhido porque uma vez com depressão, a pessoa se sente fechada, enclausurada dentro de sua própria mente. “Há também a questão de estar ‘dentro do armário’, pois mesmo com tanta informação muitas pessoas temem dizer que sofrem da doença por medo do preconceito.”

CAV
Além de trabalhar sobre um problema pessoal, o documentário também é um manifesto, já que foi produzido durante as aulas que teve no CAV. O Centro quase teve as atividades encerradas porque estava sendo gerenciado pela Telem S.A., empresa que havia ganho a concessão do Complexo Vera Cruz por 30 anos.

Depois de atrasos salariais dos professores, que até chegaram a entrar greve, o processo seletivo deste ano foi cancelado e, a concessão, rescindida. Mariana é uma das integrantes do movimento Força, Cav!. “Sou ex-aluna e mesmo com esse mar de incertezas que assola a escola, temos algumas boas notícias para mostrar a resistência e a potência dos trabalhos do CAV”, comemora. As aulas, segundo o prefeito prometeu, devem ser retomadas no começo do próximo mês.

> Clausura – Documentário. Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1.000. Hoje, às 19h. Duração: 30 minutos. Gratuito.

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