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Servidores de S.Bernardo
sinalizam estado de greve
Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC
07/07/2011 | 07:59
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Cerca de 400 servidores de São Bernardo compareceram ontem ao Paço Municipal para rejeitar em assembleia geral a proposta do Executivo com relação ao Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração. Debaixo de garoa intensa, o funcionalismo votou contra o projeto e, de quebra, sinalizou a partir de hoje estado de greve nos espaços públicos. Sem prejuízo à população, a intenção do encaminhamento é pressionar o governo a não enviar a matéria com a estrutura atual para a Câmara, sob risco de paralisação.

O descontentamento com a medida ficou evidente diante da mobilização dos mais diversos setores da administração. Hoje, a Prefeitura conta com aproximadamente 13,6 mil servidores entre ativos e inativos. Por outro lado, nos bastidores do ato, a eleição no fim deste ano para eleger o comando do Sindicato dos Servidores Públicos seria a razão para, segundo informações, endurecer as tratativas com a gestão Luiz Marinho (PT).

Entre as principais reclamações dos manifestantes está a retirada do item que estabelece a concessão da senioridade - também conhecida como biênio - somente aos funcionários bem avaliados. O benefício trata de reajuste salarial de 2% a cada dois anos para todos os servidores. "Não temos medo de avaliação do trabalho. O problema é que chefes comissionados levam em consideração aspectos pessoais e não profissionais", disse servidor da Educação, que não quis se identificar.

Para o presidente do Sindserv, Carlos Roberto da Silva, o Ketu, existem pouquíssimas melhorias no projeto. "O governo dá de um lado e tira de outro. As vantagens que constam no plano, são pequenas, e são extraídas em outro pontos." Segundo ele, a avaliação dos critérios não foi compreendida nem por técnicos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos.

"Como os servidores serão analisados de forma idônea, sendo que, por exemplo, funcionário fantasma assinava ponto, não comparecia ao local de trabalho e o prefeito reconheceu que o controle sobre a frequência é arcaico?", indagou, referindo-se a Josias João de Paz, contratado para a Secretaria de Esportes, só que atuava em diversas oportunidades em padaria, ao invés de cumprir expediente como gestor de centro esportivo.

Ketu justifica que a prova da injustiça referente à proposta é claramente vista pela falta de receio dos funcionários em dizer ‘não' ao PCCR. "Se não houver avanço, o que é lamentável de alguém que provém da classe trabalhadora, a negociação continuará no impasse. Do jeito que está a peça não interessa." O dirigente sindical alega que o prefeito está extraindo direito adquirido desde 1968 e privilegiando terceirizações.

Marinho havia estipulado enviar a matéria até dia 31 para apreciação do Legislativo, mas garante que, sem consenso, vai retirar o projeto, paralisando as discussões sobre plano de carreira o que, segundo ele, nunca foi oferecido aos servidores da cidade.

De acordo com pesquisa eletrônica do Sindserv - coleta de dados realizada do dia 15 ao dia 1º com 811 servidores -, 98,75% do funcionalismo não concorda com a proposta de PCCR. Na assembleia ficou definido na terça-feira ato do pastel, às 9h, em represália a declarações de Marinho, além de reunião geral dia 27, às 18h. Ambos no Paço. O Sindserv votou ainda envio de carta aberta à população para informar sobre o episódio.




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