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Aids cresce 289% em 10 anos

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Levantamento realizado pelo Diário aponta que
casos aumentaram entre jovens de 15 a 24 anos


Vanessa de Oliveira

12/03/2017 | 08:19


Com o fim do Carnaval, as campanhas de conscientização sobre uso de camisinha enfraquecem. E isso afeta, principalmente, o público jovem. Levantamento realizado pelo Diário em cinco das sete secretarias municipais da Saúde da região (exceto São Caetano e Rio Grande da Serra, que não retornaram), os casos de Aids entre jovens de 15 a 24 anos cresceram 289,18% na comparação de 2007 com 2016, passando de 37 registros para 144. A situação é maior do que o cenário no País. Segundo o Ministério da Saúde, os números nacionais no público nesta faixa etária cresceram 85% nos últimos 10 anos.

São Bernardo teve o maior aumento: de 14 ocorrências, em 2007, saltou para 45 em 2016. Santo André, de 10 jovens infectados, pulou para 43 no ano passado. Mauá, que tinha seis registros, viu o número subir para 35. Diadema passou de sete para oito, e Ribeirão Pires, que em 2007 não tinha contabilizado paciente dentro dessa faixa etária, diagnosticou 13 pessoas em 2016.

O professor responsável pela disciplina de Infectologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Hélio Vasconcellos Lopes lembra que com a evolução do tratamento – e a oferta dele gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde) –, acredita-se que as pessoas não morram mais vítimas da doença. “Caiu no gosto popular a ideia de que Aids hoje é tratável, controlável e se tornou doença crônica, que não chega a tornar o paciente inválido nem o leva a sofrer. Isso é ignorância”, lamenta.

O infectologista ressalta que, embora o tratamento possibilite que a pessoa leve uma vida normal, há diversos fatores graves a se considerar. “O problema não é somente para a própria pessoa, mas sim epidemiológico, com o risco de transmissão e a propagação da doença”, diz. “A segunda questão de gravidade são as pessoas de nível intelectual e aquisitivo baixos, que não têm noção do que está acontecendo e, quando vão procurar assistência, já estão no estágio praticamente terminal. E o terceiro ponto é quando a pessoa desenvolve resistência ao tratamento. Isso ocorre em casos sem adesão ao tratamento.”

Segundo o Ministério da Saúde, dentre todas as faixas etárias, a adesão ao tratamento no grupo de 15 a 24 anos é a mais baixa. Apenas 29,2% dos 44 mil jovens identificados no SUS com a doença estão em tratamento. Os dados mostram que a cobertura cresce na medida em que aumenta a idade das pessoas. Na faixa de 25 a 34 anos, esse percentual é de 77,5%, mantendo-se superior a 80% em todas as outras faixas etárias até chegar a 84,3% entre os indivíduos acima de 50 anos.

O Boletim Epidemiológico de HIV e Aids, divulgado no fim e 2016, informa que 827 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. O SUS oferece 22 medicamentos para os soropositivos. Desse total, 11 são produzidos no País. 

Cidades da região afirmam desenvolver ações aos jovens

As secretarias de Saúde do Grande ABC afirmam fazer trabalho especial de conscientização ao público jovem. Em Santo André, a Pasta declara que as ações são desenvolvidas por meio do projeto ‘Juntos na Prevenção’, no qual são pensadas estratégias específicas por regiões. “No momento estamos com três bairros mapeados para inserir o projeto, sendo que dois deles <CF51>(Clube de Campo e Jardim Carla) já estão em execução. O próximo será Utinga”, informou em nota.

Segundo a Secretaria, o projeto facilita o diálogo entre os equipamentos da Saúde e da Educação, fundamentais para o acesso a cuidados preventivos tanto de jovens como de adultos. “A prevenção não pode ser pensada apenas por ‘use camisinha’, mas por mudanças culturais de comportamento, que envolvam não apenas o jovem mas também as referências e modelos que os adultos oferecem a estes.”

Em Diadema, o CR (Centro de Referência) em DST/Aids e Hepatites Virais desenvolve projeto de formação de adolescentes multiplicadores em prevenção das doenças há mais de cinco anos em parceria com a ONG (Organização Não Governamental) Beija Flor, a qual realiza trabalho com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. 

Em Mauá são realizadas orientações sobre prevenção e uso de preservativo. “Também fazemos ações em colégios, faculdades, Caps (Centro de Atenção Psicossocial)</CF> Infantil, Fundação Casa, onde são promovidas palestras e testes rápidos para HIV e sífilis”, informa em nota.

Ribeirão Pires possui ações de prevenção realizadas continuamente no Centro de Testagem e Aconselhamento e em outros locais do município, além de manter o 0800-7731661 para dúvidas. As demais cidades não retornaram.



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