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‘Presidenciável do PSDB não se resume a S.Paulo’

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

22/01/2017 | 07:03


 Aliado do senador Aécio Neves e do chanceler José Serra, o senador José Aníbal (todos do PSDB) contemporizou a disputa interna na legenda pela candidatura à Presidência da República em 2018. Em entrevista exclusiva ao Diário, o tucano minimizou o discurso dos correligionários de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é preferido para ser presidenciável da sigla.

“O PSDB ganhou a eleição no Brasil, não só em São Paulo. O partido não se resume ao diretório paulista, embora seja a principal seção da sigla, é natural. Agora, a eleição (presidencial) é nacional e o Brasil é cheio de diversidades. O governador Geraldo Alckmin tem todas as condições de ser nosso candidato, ele já foi em 2006, pode ser novamente. Mas temos outras lideranças no partido e isso é bom”, avaliou o tucano, que conversou com a equipe do Diário no gabinete do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB). Na ocasião, o parlamentar sondou os prefeitos tucanos pró-Alckmin (Paulo Serra, de Santo André e José Auricchio Júnior, de São Caetano) sobre suas posições em relação à corrida presidencial do ano que vem.
Substituto de Serra no Senado – que assumiu o Ministério das Relações Exteriores –, Aníbal defendeu ferrenhamente o governo do presidente Michel Temer (PMDB), cujas medidas o tucano classificou como “avanço extraordinário”.

Para Aníbal, o apoio incondicional dos tucanos a Temer deve seguir “até o País sair da crise e voltar a crescer. “O PSDB não é um partido oportunista, que vai apoiar agora para desapoiar depois”.
Sobre a Operação Lava Jato e os desdobramentos que já derrubaram três ministros de Temer, Aníbal defende que o “governo merece a confiança dos brasileiros”. “Olha a circunstância onde esse governo surgiu, o Brasil devastado, destruído, crises econômica, política e moral”.

Como governista, como o sr. avalia o governo Temer?
Estou confiante de que nós estamos enfrentando e vamos vencer esta crise. O Brasil estava paralisado. Mais dois meses de governo Dilma (Rousseff, que sofreu impeachment) o Brasil quebrava. E nesses sete meses de governo Temer, o avanço foi extraordinário. O (consultor de empresas) Stephen Kanitzs (brasileiro formado na Universidade de Havard), listou algumas decisões do governo Temer e disse: ‘O que que o Brasil reclama?’. Aprovamos a (PEC, Proposta de Emenda à Constituição) da DRU (Desvinculação das Receitas da União, Estados e Municípios), que é uma coisa fundamental, aprovamos a mudança no pré-sal... A Petrobras já não é obrigada a entrar com 30%, entraram bilhões de dólares (privados). O resultado está aí, a estatal está se recompondo.

Mas houve algumas dificuldades para aprovação da PEC do Teto...
Votamos a PEC do Teto, com dificuldades, mas fundamental. Nunca ninguém conseguiu votar uma PEC, que é uma medida extrema para a gravidade da crise que vivemos, que vai ser seguida pela votação da reforma da Previdência.

O sr. acredita que a reforma da Previdência passará?
Quem não fez esse dever de casa, a Grécia e Portugal por exemplo, tiveram que fazer cortes. É preciso fazer a reforma para dar sustentabilidade à Presidência. Vamos ter que acabar com todos os sistemas especiais de aposentadoria, o Estado não aguenta isso.

A população tem muitas dúvidas e há muitas especulações sobre as mudanças na aposentadoria. Falta comunicação eficiente por parte do governo?
Essa é uma matéria que sempre é difícil de comunicar. Até porque tem os do contra, os profetas do apocalipse, que sempre dizem: ‘Ah, isso é para prejudicar’. Você imagina se o presidente e o Congresso vão tomar iniciativas para prejudicar os trabalhadores e os aposentados. Agora, tem que mudar. Tem muita coisa que não cabe mais.

O sr. é favorável à idade mínima de aposentadoria?
Claro, sou totalmente favorável. Não tem outro jeito, senão não sustenta o sistema (previdenciário). Ele quebra. O sistema de aposentadoria do regime geral da Previdência Social, que é o INSS, tem um deficit que equivale a mais de 1% do PIB (Produto Interno Bruto), chegando entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões. Mas não é aí que está o maior problema. O fator principal é melhorar a gestão da Previdência e ampliar a idade mínima para as pessoas se aposentarem. Isso derruba gradativamente esse deficit. Agora, as aposentadorias especiais, que possuem muito menos beneficiários, são aquelas que ganham salários integrais equivalentes às remunerações da ativa sem ter contribuído para isso. Isso é dinheiro do Tesouro, que não aguenta bancar. Quebra.

Acha que o governo Temer consegue levar essa proposta à diante?
Claro que vai conseguir, é imperativo. Ou faz ou o País desanda.

Mesmo com instabilidade política? E se Operação Lava Jato voltar a atingir o Planalto?
A instabilidade política não nos impediu de ter uma ampla maioria constitucional na Câmara e no Senado. A Lava Jato é uma operação que está em curso e quanto mais essa operação avançar e convergir em resultados, melhor.

E se as investigações afetarem mais o primeiro escalão? Três ministros já caíram...
Não há nada. Eu vejo muitas pessoas dizerem, inclusive jornalistas: ‘Olha, esse é governo que mais demitiu ministros em curto espaço de tempo’. Olha a circunstância em que esse governo surgiu. O Brasil devastado, destruído, com crises econômica, política e moral. Eu sei que é difícil, mas o governo merece a confiança dos brasileiros. O presidente Temer está totalmente focado em colocar o Brasil nos trilhos. Eu tenho dito, inclusive ao próprio presidente, que ele é um presidente conciliador, que ouve, que conversa e dialoga, mas que tem posição. Com relação às dívidas dos Estados, ele vetou o que foi votado na Câmara. Não tinha recurso do Tesouro para bancar aquilo.

O governo Temer sobrevive até 2018?
Eu não tenho a menor dúvida disso. Pela sensatez de todos os brasileiros, pela percepção de que o Brasil estava devastado. Você não resolve uma situação dessa do dia para a noite.

Até quando vai a aliança PSDB e PMDB?
O PSDB tem uma posição firme, de sustentação, apoio ao governo, participação, até quando for necessário para o Brasil sair da crise e voltar a crescer.

Mas as eleições presidenciais estão se aproximando e o partido tem a ambição de voltar ao poder. E se não houver essa recuperação até lá?
A recuperação vai acontecer. O PSDB não é um partido oportunista, que vai apoiar agora para desapoiar depois. Somos um partido que está apoiando, colaborando e participando do governo e se empenhando no parlamento e fora dele para que o governo consiga realizar o propósito de tirar o País da crise. Não vamos jogar uma cama de gato, em que se o governo andar bem a gente fica, se não, a gente pula fora. Nós temos dialogado permanentemente, sugerindo, propondo e sustentando. Essa é uma questão que está muito bem definida no partido.

É possível pensar no PSDB ir para as eleições de 2018 como governista?
Especular como vai ser 2018 é difícil. Hoje o Brasil ainda está saindo da UTI, mas ainda precisa de alguns aparelhos para respirar bem. Logo, logo, no primeiro semestre deste ano, já vamos ter uma situação muito mais estimulante para recuperação do emprego e investimento. A percepção de risco já caiu fortemente lá fora. O governo está comprometido em acertar as contas, reduzir juros, criar emprego.

O sr. é favorável à permanência do senador Aécio Neves na presidência nacional do partido?
Eu fui favorável à prorrogação dos mandatos. O (ministro José) Serra, o Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente) e eu insistimos com muita clareza que temos que eleger as mesas da Câmara e do Senado, em seguida, aprumar bem a iniciativa parlamentar para votar as reformas, como a da Previdência e algumas mudanças na lei trabalhista, que não precisa de reforma. Na questão tributária temos que avançar alguma coisa também. No meio disso vamos fazer disputa pela direção do partido? Vamos perder energia com isso? Vamos eventualmente nos confrontar? Claro que não. O candidato do PSDB à Presidência será um candidato nacional do PSDB. É condição para ganhar eleição. Será candidato de todo o partido. E a apuração desse candidato vai acontecer naturalmente ao longo deste ano, no ano que vem. Se forem necessárias prévias, vamos fazer. Eu acho que tem de fazer primárias. As prévias são limitadas aos filiados. Faz a primária e todos os simpatizantes votam, como foi feito na França.
Mas a manutenção de Aécio no comando do partido entra em conflito com a intenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ser candidato à Presidência. E o que se comenta no PSDB paulista é que o histórico eleitoral dele, somado à vitória de João Doria (PSDB) à prefeitura da Capital no ano passado, já o credencia à candidatura.
O PSDB ganhou a eleição no Brasil, não só em São Paulo. O partido não se resume ao diretório paulista, embora seja a principal seção da sigla, é natural. Agora, a eleição (presidencial) é nacional e o Brasil é cheio de diversidades. O governador Geraldo Alckmin tem todas as condições de ser nosso candidato, ele já foi em 2006, pode ser novamente. Mas temos outras lideranças no partido e isso é bom
Mas os defensores da candidatura do governador entendem que esse é o momento de Alckmin e que Aécio está desgastado tanto por conta da eleição de 2014 quanto pela própria crise política. Quem sofreu o desgaste após as eleições de 2014 foi a presidente eleita (Dilma) num pleito que foi um estelionato, não o Aécio. Ele continua sendo uma liderança política nacional. Claro, todo político hoje no Brasil sofre desgaste, é inevitável diante da dimensão da crise. Mas o Aécio mostrou ser um político agregador, ser uma liderança de expressão nacional efetiva e quase ganha a eleição. Eu não imagino adeptos desse ou daquele (candidato interno) denegrindo o outro. Não é por aí que vai crescer. Pelo menos é aos olhos dos eleitores, da sociedade. A sociedade vai formar um juízo sobre o candidato, não agora, lá na frente, de acordo com os predicados, a história de vida. Os desafios que ele enfrentou e venceu.

O que o sr. achou da vitória de Doria?
Eu achei muito bom, estou vendo que ele está muito ativo, como tem que ser o prefeito de São Paulo. Porque o PT, quando percebeu a iminência de derrota, paralisou a gestão. Isso observei em várias cidades, como em Santo André e aqui em São Bernardo também. O que a gente está encontrando é um esforço enorme para reorganizar as contas. É uma coisa devastadora. O PT é uma decepção profunda. Não à toa que perdeu e diminuiu tanto nessas eleições.

Mas o ex-presidente Lula não é um adversário difícil?
Não. O Lula está todo chumbado. Ele é muito fanfarrão. Não é mais aquele adversário. Não vou dizer que ele é página virada porque quem está na política sempre vai e vem, aumenta e diminui, e até renasce às vezes. Mas o Lula eu acho que não. Ele está integralmente associado a esse desastre do PT. Ele aparece forte nas pesquisas porque tem um recall enorme ainda. Há insatisfações na sociedade, que muitas vezes são atribuídas ao atual governo. Tenho insistido que temos que mostrar a devastação que essa gente deixou no País e o desastre que nos entregaram. Esse Lula fez uma mensagem de fim de ano típica do fanfarrão. Ele falava: ‘Chega de corte, vamos voltar a crescer, vamos investir’. É um irresponsável, é isso que ele é. Ele só tem responsabilidade com ele próprio. A única coisa que ele preserva é sua ambição de poder, seu desejo de governar.



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‘Presidenciável do PSDB não se resume a S.Paulo’

Junior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

22/01/2017 | 07:03


 Aliado do senador Aécio Neves e do chanceler José Serra, o senador José Aníbal (todos do PSDB) contemporizou a disputa interna na legenda pela candidatura à Presidência da República em 2018. Em entrevista exclusiva ao Diário, o tucano minimizou o discurso dos correligionários de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é preferido para ser presidenciável da sigla.

“O PSDB ganhou a eleição no Brasil, não só em São Paulo. O partido não se resume ao diretório paulista, embora seja a principal seção da sigla, é natural. Agora, a eleição (presidencial) é nacional e o Brasil é cheio de diversidades. O governador Geraldo Alckmin tem todas as condições de ser nosso candidato, ele já foi em 2006, pode ser novamente. Mas temos outras lideranças no partido e isso é bom”, avaliou o tucano, que conversou com a equipe do Diário no gabinete do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB). Na ocasião, o parlamentar sondou os prefeitos tucanos pró-Alckmin (Paulo Serra, de Santo André e José Auricchio Júnior, de São Caetano) sobre suas posições em relação à corrida presidencial do ano que vem.
Substituto de Serra no Senado – que assumiu o Ministério das Relações Exteriores –, Aníbal defendeu ferrenhamente o governo do presidente Michel Temer (PMDB), cujas medidas o tucano classificou como “avanço extraordinário”.

Para Aníbal, o apoio incondicional dos tucanos a Temer deve seguir “até o País sair da crise e voltar a crescer. “O PSDB não é um partido oportunista, que vai apoiar agora para desapoiar depois”.
Sobre a Operação Lava Jato e os desdobramentos que já derrubaram três ministros de Temer, Aníbal defende que o “governo merece a confiança dos brasileiros”. “Olha a circunstância onde esse governo surgiu, o Brasil devastado, destruído, crises econômica, política e moral”.

Como governista, como o sr. avalia o governo Temer?
Estou confiante de que nós estamos enfrentando e vamos vencer esta crise. O Brasil estava paralisado. Mais dois meses de governo Dilma (Rousseff, que sofreu impeachment) o Brasil quebrava. E nesses sete meses de governo Temer, o avanço foi extraordinário. O (consultor de empresas) Stephen Kanitzs (brasileiro formado na Universidade de Havard), listou algumas decisões do governo Temer e disse: ‘O que que o Brasil reclama?’. Aprovamos a (PEC, Proposta de Emenda à Constituição) da DRU (Desvinculação das Receitas da União, Estados e Municípios), que é uma coisa fundamental, aprovamos a mudança no pré-sal... A Petrobras já não é obrigada a entrar com 30%, entraram bilhões de dólares (privados). O resultado está aí, a estatal está se recompondo.

Mas houve algumas dificuldades para aprovação da PEC do Teto...
Votamos a PEC do Teto, com dificuldades, mas fundamental. Nunca ninguém conseguiu votar uma PEC, que é uma medida extrema para a gravidade da crise que vivemos, que vai ser seguida pela votação da reforma da Previdência.

O sr. acredita que a reforma da Previdência passará?
Quem não fez esse dever de casa, a Grécia e Portugal por exemplo, tiveram que fazer cortes. É preciso fazer a reforma para dar sustentabilidade à Presidência. Vamos ter que acabar com todos os sistemas especiais de aposentadoria, o Estado não aguenta isso.

A população tem muitas dúvidas e há muitas especulações sobre as mudanças na aposentadoria. Falta comunicação eficiente por parte do governo?
Essa é uma matéria que sempre é difícil de comunicar. Até porque tem os do contra, os profetas do apocalipse, que sempre dizem: ‘Ah, isso é para prejudicar’. Você imagina se o presidente e o Congresso vão tomar iniciativas para prejudicar os trabalhadores e os aposentados. Agora, tem que mudar. Tem muita coisa que não cabe mais.

O sr. é favorável à idade mínima de aposentadoria?
Claro, sou totalmente favorável. Não tem outro jeito, senão não sustenta o sistema (previdenciário). Ele quebra. O sistema de aposentadoria do regime geral da Previdência Social, que é o INSS, tem um deficit que equivale a mais de 1% do PIB (Produto Interno Bruto), chegando entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões. Mas não é aí que está o maior problema. O fator principal é melhorar a gestão da Previdência e ampliar a idade mínima para as pessoas se aposentarem. Isso derruba gradativamente esse deficit. Agora, as aposentadorias especiais, que possuem muito menos beneficiários, são aquelas que ganham salários integrais equivalentes às remunerações da ativa sem ter contribuído para isso. Isso é dinheiro do Tesouro, que não aguenta bancar. Quebra.

Acha que o governo Temer consegue levar essa proposta à diante?
Claro que vai conseguir, é imperativo. Ou faz ou o País desanda.

Mesmo com instabilidade política? E se Operação Lava Jato voltar a atingir o Planalto?
A instabilidade política não nos impediu de ter uma ampla maioria constitucional na Câmara e no Senado. A Lava Jato é uma operação que está em curso e quanto mais essa operação avançar e convergir em resultados, melhor.

E se as investigações afetarem mais o primeiro escalão? Três ministros já caíram...
Não há nada. Eu vejo muitas pessoas dizerem, inclusive jornalistas: ‘Olha, esse é governo que mais demitiu ministros em curto espaço de tempo’. Olha a circunstância em que esse governo surgiu. O Brasil devastado, destruído, com crises econômica, política e moral. Eu sei que é difícil, mas o governo merece a confiança dos brasileiros. O presidente Temer está totalmente focado em colocar o Brasil nos trilhos. Eu tenho dito, inclusive ao próprio presidente, que ele é um presidente conciliador, que ouve, que conversa e dialoga, mas que tem posição. Com relação às dívidas dos Estados, ele vetou o que foi votado na Câmara. Não tinha recurso do Tesouro para bancar aquilo.

O governo Temer sobrevive até 2018?
Eu não tenho a menor dúvida disso. Pela sensatez de todos os brasileiros, pela percepção de que o Brasil estava devastado. Você não resolve uma situação dessa do dia para a noite.

Até quando vai a aliança PSDB e PMDB?
O PSDB tem uma posição firme, de sustentação, apoio ao governo, participação, até quando for necessário para o Brasil sair da crise e voltar a crescer.

Mas as eleições presidenciais estão se aproximando e o partido tem a ambição de voltar ao poder. E se não houver essa recuperação até lá?
A recuperação vai acontecer. O PSDB não é um partido oportunista, que vai apoiar agora para desapoiar depois. Somos um partido que está apoiando, colaborando e participando do governo e se empenhando no parlamento e fora dele para que o governo consiga realizar o propósito de tirar o País da crise. Não vamos jogar uma cama de gato, em que se o governo andar bem a gente fica, se não, a gente pula fora. Nós temos dialogado permanentemente, sugerindo, propondo e sustentando. Essa é uma questão que está muito bem definida no partido.

É possível pensar no PSDB ir para as eleições de 2018 como governista?
Especular como vai ser 2018 é difícil. Hoje o Brasil ainda está saindo da UTI, mas ainda precisa de alguns aparelhos para respirar bem. Logo, logo, no primeiro semestre deste ano, já vamos ter uma situação muito mais estimulante para recuperação do emprego e investimento. A percepção de risco já caiu fortemente lá fora. O governo está comprometido em acertar as contas, reduzir juros, criar emprego.

O sr. é favorável à permanência do senador Aécio Neves na presidência nacional do partido?
Eu fui favorável à prorrogação dos mandatos. O (ministro José) Serra, o Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente) e eu insistimos com muita clareza que temos que eleger as mesas da Câmara e do Senado, em seguida, aprumar bem a iniciativa parlamentar para votar as reformas, como a da Previdência e algumas mudanças na lei trabalhista, que não precisa de reforma. Na questão tributária temos que avançar alguma coisa também. No meio disso vamos fazer disputa pela direção do partido? Vamos perder energia com isso? Vamos eventualmente nos confrontar? Claro que não. O candidato do PSDB à Presidência será um candidato nacional do PSDB. É condição para ganhar eleição. Será candidato de todo o partido. E a apuração desse candidato vai acontecer naturalmente ao longo deste ano, no ano que vem. Se forem necessárias prévias, vamos fazer. Eu acho que tem de fazer primárias. As prévias são limitadas aos filiados. Faz a primária e todos os simpatizantes votam, como foi feito na França.
Mas a manutenção de Aécio no comando do partido entra em conflito com a intenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ser candidato à Presidência. E o que se comenta no PSDB paulista é que o histórico eleitoral dele, somado à vitória de João Doria (PSDB) à prefeitura da Capital no ano passado, já o credencia à candidatura.
O PSDB ganhou a eleição no Brasil, não só em São Paulo. O partido não se resume ao diretório paulista, embora seja a principal seção da sigla, é natural. Agora, a eleição (presidencial) é nacional e o Brasil é cheio de diversidades. O governador Geraldo Alckmin tem todas as condições de ser nosso candidato, ele já foi em 2006, pode ser novamente. Mas temos outras lideranças no partido e isso é bom
Mas os defensores da candidatura do governador entendem que esse é o momento de Alckmin e que Aécio está desgastado tanto por conta da eleição de 2014 quanto pela própria crise política. Quem sofreu o desgaste após as eleições de 2014 foi a presidente eleita (Dilma) num pleito que foi um estelionato, não o Aécio. Ele continua sendo uma liderança política nacional. Claro, todo político hoje no Brasil sofre desgaste, é inevitável diante da dimensão da crise. Mas o Aécio mostrou ser um político agregador, ser uma liderança de expressão nacional efetiva e quase ganha a eleição. Eu não imagino adeptos desse ou daquele (candidato interno) denegrindo o outro. Não é por aí que vai crescer. Pelo menos é aos olhos dos eleitores, da sociedade. A sociedade vai formar um juízo sobre o candidato, não agora, lá na frente, de acordo com os predicados, a história de vida. Os desafios que ele enfrentou e venceu.

O que o sr. achou da vitória de Doria?
Eu achei muito bom, estou vendo que ele está muito ativo, como tem que ser o prefeito de São Paulo. Porque o PT, quando percebeu a iminência de derrota, paralisou a gestão. Isso observei em várias cidades, como em Santo André e aqui em São Bernardo também. O que a gente está encontrando é um esforço enorme para reorganizar as contas. É uma coisa devastadora. O PT é uma decepção profunda. Não à toa que perdeu e diminuiu tanto nessas eleições.

Mas o ex-presidente Lula não é um adversário difícil?
Não. O Lula está todo chumbado. Ele é muito fanfarrão. Não é mais aquele adversário. Não vou dizer que ele é página virada porque quem está na política sempre vai e vem, aumenta e diminui, e até renasce às vezes. Mas o Lula eu acho que não. Ele está integralmente associado a esse desastre do PT. Ele aparece forte nas pesquisas porque tem um recall enorme ainda. Há insatisfações na sociedade, que muitas vezes são atribuídas ao atual governo. Tenho insistido que temos que mostrar a devastação que essa gente deixou no País e o desastre que nos entregaram. Esse Lula fez uma mensagem de fim de ano típica do fanfarrão. Ele falava: ‘Chega de corte, vamos voltar a crescer, vamos investir’. É um irresponsável, é isso que ele é. Ele só tem responsabilidade com ele próprio. A única coisa que ele preserva é sua ambição de poder, seu desejo de governar.

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