Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 20 de Fevereiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Internacional

internacional@dgabc.com.br | 4435-8301

Xiitas ainda sofrem com o massacre ocorrido há 23 anos


Da AFP

26/12/2006 | 14:32


O massacre de camponeses xiitas em Dujail, pelo qual o presidente iraquiano Saddam Hussein foi condenado à morte aconteceu há 23 anos nessa localidade situada ao norte de Bagdá depois de um ataque contra o comboio em que estava o ex-ditador.

Depois do ataque, 143 camponeses foram assassinados como represália pelos serviços de segurança de Saddam Hussein. Várias propriedades foram destruídas, granjas e hortos saqueados e os sobreviventes condenados ao exílio durante quatro anos.

Ninguém nesta localidade, 60 km ao norte de Bagdá, sabe onde foram enterrados os corpos das vítimas, embora depois da queda do regime de Saddam Hussein em abril de 2003 dezenas de fossas comuns tenham sido descobertas.

Depois de 23 anos, os habitantes do povoado xiita não esqueceram o massacre.

"Era o sétimo dia do Ramadã (o mês de jejum muçulmano), 8 de julho de 1982. Sob um sol escaldante, Saddam Hussein viajava num enorme comboio de pelo menos 30 veículos", lembrou Abdel Hussein Al Dujaili, testemunha dos acontecimentos e diretor de uma associação de vítimas.

"Ele havia acabado de visitar uma mesquita e se dirigia para o centro do povoado quando alguns homens armados abriram fogo a partir de um imenso pomar à margem de uma estrada. Os guardas do comboio revidaram, atirando a esmo e matando dois meninos que estavam em casa. Depois fugiram", contou.

Saddam Hussein chegou à sede local do partido Baath e declarou: "Sabemos quem são os responsáveis pelo atentado e eles serão detidos".

De fato, as detenções e perseguições começaram no dia seguinte, com a chegada de unidades das forças especiais e da Guarda Republicana.

Durante vários meses, o terror tomou conta de Dujail. Mais de 600 pessoas, pertencentes a 80 famílias, foram detidas e levadas para a prisão da polícia secreta em Bagdá. E 143 nunca mais foram vistas.

O massacre e as perseguições em Dujail são o primeiro processo completado pelos juízes de instrução do Tribunal Especial Iraquiano (TEI), encarregado de julgar Saddam Hussein.

O porta-voz do tribunal, o juiz Raed Al Juhi, anunciou que outras doze acusações estão sendo instruídas contra o ex-presidente e assegurou que alguns processos podem ser encerrados em breve.

Saddam Hussein foi julgado por crimes contra a humanidade e de guerra, entre eles as operações contra os curdos em 1988, a repressão aos xiitas em 1991, a invasão do Kuwait um ano antes, o massacre em 1983 de membros da tribo dos Barzani, assim como o assassinato de chefes de partidos políticos e autoridades religiosas.  



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Xiitas ainda sofrem com o massacre ocorrido há 23 anos

Da AFP

26/12/2006 | 14:32


O massacre de camponeses xiitas em Dujail, pelo qual o presidente iraquiano Saddam Hussein foi condenado à morte aconteceu há 23 anos nessa localidade situada ao norte de Bagdá depois de um ataque contra o comboio em que estava o ex-ditador.

Depois do ataque, 143 camponeses foram assassinados como represália pelos serviços de segurança de Saddam Hussein. Várias propriedades foram destruídas, granjas e hortos saqueados e os sobreviventes condenados ao exílio durante quatro anos.

Ninguém nesta localidade, 60 km ao norte de Bagdá, sabe onde foram enterrados os corpos das vítimas, embora depois da queda do regime de Saddam Hussein em abril de 2003 dezenas de fossas comuns tenham sido descobertas.

Depois de 23 anos, os habitantes do povoado xiita não esqueceram o massacre.

"Era o sétimo dia do Ramadã (o mês de jejum muçulmano), 8 de julho de 1982. Sob um sol escaldante, Saddam Hussein viajava num enorme comboio de pelo menos 30 veículos", lembrou Abdel Hussein Al Dujaili, testemunha dos acontecimentos e diretor de uma associação de vítimas.

"Ele havia acabado de visitar uma mesquita e se dirigia para o centro do povoado quando alguns homens armados abriram fogo a partir de um imenso pomar à margem de uma estrada. Os guardas do comboio revidaram, atirando a esmo e matando dois meninos que estavam em casa. Depois fugiram", contou.

Saddam Hussein chegou à sede local do partido Baath e declarou: "Sabemos quem são os responsáveis pelo atentado e eles serão detidos".

De fato, as detenções e perseguições começaram no dia seguinte, com a chegada de unidades das forças especiais e da Guarda Republicana.

Durante vários meses, o terror tomou conta de Dujail. Mais de 600 pessoas, pertencentes a 80 famílias, foram detidas e levadas para a prisão da polícia secreta em Bagdá. E 143 nunca mais foram vistas.

O massacre e as perseguições em Dujail são o primeiro processo completado pelos juízes de instrução do Tribunal Especial Iraquiano (TEI), encarregado de julgar Saddam Hussein.

O porta-voz do tribunal, o juiz Raed Al Juhi, anunciou que outras doze acusações estão sendo instruídas contra o ex-presidente e assegurou que alguns processos podem ser encerrados em breve.

Saddam Hussein foi julgado por crimes contra a humanidade e de guerra, entre eles as operações contra os curdos em 1988, a repressão aos xiitas em 1991, a invasão do Kuwait um ano antes, o massacre em 1983 de membros da tribo dos Barzani, assim como o assassinato de chefes de partidos políticos e autoridades religiosas.  

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;