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Roberto Tibiriçá é o primeiro no revezamento da Filarmônica de SBC


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

06/02/2006 | 08:18


Em vez de um titular, quatro convidados. Por ora, é assim que a Secretaria de Cultura de São Bernardo resolve o impasse acarretado pela saída, na primeira quinzena de janeiro, de João Maurício Galindo do posto de titular da Orquestra Filarmônica da cidade. Até maio, portanto, quatro maestros se revezarão na batuta: Roberto Tibiriçá, que se apresenta no próximo fim de semana; Paulo Nogueira, em março; Daniel Havens, em abril; e Wagner Polistchuk, em maio. Depois desses concertos, será escolhido o novo titular, que pode ou não ser um dos quatro participantes desse ciclo.

No próximo fim de semana, a Orquestra fará concertos com forte apelo popular. É um programa em homenagem aos 250 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart, que inclui as famosas abertura da ópera A Flauta Mágica e Sinfonia nº 40. Outro hit popular de orquestra é a Sinfonia nº 5, de Ludwig van Beethoven. "É um programa estritamente clássico e com obras bem conhecidas. Até quem nunca foi a um concerto se sentirá em casa, porque de alguma forma já deve ter escutado essas músicas", afirma Tibiriçá.

O maestro classifica Mozart como "um gênio". "Imagine que, aos 6 anos, ele já havia composto sinfonias e concertos. Mas morreu precocemente, aos 35. Se tivesse vivido mais 30 anos, sabe-se lá onde poderia chegar", afirma. "Ele revolucionou a escrita musical". Beethoven, na sua opinião, é outro "gênio", só que das sinfonias. "Suas nove sinfonias são para nós, maestros, uma Bíblia, um livro de cabeceira", diz.

Tibiriçá se disse surpreso com a possibilidade do novo titular vir a ser escolhido entre os quatro convidados. "Não sabia disso, mas não me incomoda o fato de ser colocado à prova. Vou reger normalmente e, se gostarem do meu trabalho, estou aberto a negociações. Estou solteiro de orquestra! (risos)".

Atualmente, ele é diretor artístico do Instituto Bacarelli, uma organização paulistana sem fins lucrativos que promove desenvolvimento pessoal e social de crianças e adolescentes de baixa renda, por meio de manifestações artísticas. A entidade conta com a Sinfônica Heliópolis (orquestra-escola), a Orquestra do Amanhã (com aprendizes nos instrumentos), o Coral da Gente (com cinco grupos diferentes) e o Encantar na Escola (atividades de coral em escolas públicas), além do núcleo de balé, que será comandado pela bailarina Ana Botafogo. "O Instituto é minha menina-dos-olhos", diz.

Pianista nascido em São Paulo, iniciou seus estudos de regência com o maestro Eleazar de Carvalho e venceu por duas vezes o concurso para jovens regentes da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), tornando-se o principal regente convidado ao trabalhar com Carvalho por 18 anos. Foi diretor-adjunto e, posteriormente, diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio. Entre 1984 e 1985, foi regente assistente da Orquestra de São Carlos, em Lisboa, Portugal. Foi diretor das gravadoras RGE/Fermata e Copacabana.

Em 1995, foi eleito músico do ano pela crítica especializada do Rio. De 2000 a 2003, foi diretor artístico da Orquestra Sinfônica Petrobrás Pró Música e tem, em seu currículo, trabalhos tanto na música popular (com Wagner Tiso, Rita Lee, Gilberto Gil, Sivuca, Francis Hime e outros) como na erudita (Nelson Freire, Arnaldo Cohen, Boris Belken, Jean-Louis Steuerman e outros). Tem grande contribuição na divulgação da música sinfônica brasileira, atividade que reforçou a escolha de seu nome para ocupar a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música, em 2003.

Adjunto – Outra novidade na Filarmônica de São Bernardo é a escolha do maestro Paulo de Tarso como regente adjunto desta corporação e titular da Orquestra Jovem de São Bernardo. "Por enquanto, ele acumula as duas funções. Se por acaso optarmos por colocar um assistente na Filarmônica, ainda assim ele estará à frente da Jovem", diz o diretor de cultura de São Bernardo, Gonçalo Pavanello.

Ele explica que o nome do novo titular só será definido a partir de maio, pois é nesse mês que a Sociedade Amigos das Artes de São Bernardo – formalmente a mantenedora da orquestra – renova seu convênio com o poder público municipal.

Os concertos da Orquestra Filarmônica com Roberto Tibiriçá serão realizados no próximo sábado (dia 11), às 20h, no Teatro Lauro Gomes (r. Helena Jacquey, 171. Tel.: 4368-3483) e no domingo (12), às 19h30, no Teatro Elis Regina (av. João Firmino, 900. Tel.: 4351-3479). Ambos têm entrada franca.

Próximos regentes:

Março

Paulo Nogueira
Próximo maestro a assumir a batuta diante da Orquestra Filarmônica de São Bernardo, Paulo Nogueira, 33 anos, é o mais jovem entre os convidados. Atual gerente artístico e regente assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, ele foi, de 2000 a 2004, assistente da Orquestra Experimental de Repertório. Bacharel em Direito e Música, iniciou carreira como pianista. Teve orientação dos maestros Erik Westberg (Suécia), Dante Anzolini (Argentina), Johannes Schlaefli (Suíça) e Kirk Trevor (Estados Unidos), além dos brasileiros Aylton Escobar, Roberto Tibiriçá, Naomi Munakata, Abel Rocha e Jamil Maluf. Foi também regente de coral e recebeu vários prêmios.

Com a orquestra de São Bernardo, pretende executar a abertura da ópera Príncipe Igor, de Borodin; árias das óperas Turandot, Gianni Schicchi e La Bohème, de Puccini; prelúdio do primeiro ato da ópera La Traviata, de Verdi; ária da ópera Don Pasquale, de Donizetti; Suíte Masquerade, de Khachaturian; trecho da opereta A Viúva Alegre, de Lehàr; e abertura da ópera Candide, de Bernstein. Seus concertos estão agendados para os dias 11 de março, às 20h, no Teatro Cacilda Becker, e 12, às 19h, no Lauro Gomes.

Abril
Daniel Havens

Norte-americano radicado no Brasil, Daniel Havens veio ao país após receber do maestro John Neschling, que conhecera na Áustria, o convite para se tornar o primeiro trompa da Orquestra Filarmônica de São Paulo. Também foi primeiro trompa da Orquestra Municipal de São Paulo e, a convite do maestro Eleazar de Carvalho, ocupou a mesma posição na Osesp. Foi professor da USP (Universidade de São Paulo) e, em 1977, ganhou o prêmio APCA de melhor solista instrumental.

Sua atividade como maestro foi desenvolvida paralelamente à de trompista. Mas Havens começou a estudar piano aos 5 anos e, aos 12, escolheu a trompa. Aos 15 começou a escrever arranjos para banda sinfônica e para as mais variadas formações camerísticas. Abandonou a carreira de trompista em 1987. A partir de 1992, fez diversos arranjos, transcrições e composições para a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, onde chegou a ser regente titular e diretor artístico. Como convidado, regeu importantes orquestras brasileiras e seu currículo já soma mais de três mil apresentações. Em São Bernardo, pretende reger a abertura Festival Acadêmico, de Johannes Brahms; Os Comediantes, de Dmitri Borisovich Kabalevsky, e suíte de Pulcinella, de Stravinski.

Maio
Wagner Polistchuk

Atual primeiro trombone da Osesp, Wagner Polistchuk iniciou trajetória de regente há dez anos. Iniciou seu aprendizado sob o comando de Eleazar de Carvalho e, depois da morte deste, deu seqüência aos estudos sob orientação de Roberto Tibiriçá. Formado em trombone pela Faculdade Mozarteum de São Paulo, especializou-se na Alemanha com o professor Branimir Slokar.

Em dezembro de 1998, conquistou o segundo lugar no V Concurso Latino-Americano de Regência Orquestral, promovido pela Sinfônica da USP. Desde então, tem assumido a batuta à frente de orquestras como a Osesp, as Sinfônicas de Ribeirão Preto, de Santo André e da USP, além da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Em julho de 2002, foi terceiro colocado no Concurso Internacional de Regência Prix Credit Suisse, na Suíça, além de vencedor do Concurso para Jovens Regentes Eleazar de Carvalho, promovido pela Orquestra Petrobrás Pró-Música.

Atualmente, Polistchuk é diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. Não foi divulgado o programa que o maestro executará nos concertos com a Filarmônica de São Bernardo.



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