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Que fizeram de ti, cemitério-museu?


Ademir Medici

04/11/2016 | 07:00


 “Gostei do aposto que você deu ao Cemitério de Vila Euclides: cemitério-museu. Lá estão sepultadas figuras históricas, como Armando Mazzo. Não me lembro o motivo, mas você, eu, Philadelpho Braz, John French e, se não me engano, o prefeito Maurício Soares e Luiz Roberto Alves estivemos na sepultura do Armando Mazzo para homenageá-lo, o primeiro comunista eleito prefeito, mas não empossado.”

Professor Alexandre Takara.

 

Nota – Professor Takara, naquele dia realizou-se a solenidade de colocação de uma placa no túmulo de Armando Mazzo, falando da sua condição de prefeito eleito e não empossado. A placa permanece. O ato foi filmado pelo Colégio Singular, por sua iniciativa, um documento que precisaria ser recuperado e inserido nos órgãos que cuidam da preservação da memória.

 

 

Pois é. Triste a situação do cemitério-museu de Vila Euclides, em São Bernardo. A necrópole, que foi a menina dos olhos de vários prefeitos – Tereza Delta, Fornari, Lauro, Balottim, Pinotti, Hygino... –, agora sofre o descaso do simples não recolhimento do lixo, como denuncia o professor e pesquisador João Paulo de Oliveira, guardião informal, voluntário, repórter do cemitério. E como disse ontem, na Palavra do Leitor, o são-bernardense Clovis Pelosini.

Memória lembra Adir Monteiro, homem de confiança do prefeito Aldino Pinotti, seu chefe de gabinete. Ele dizia que nos momentos em que precisava de uma reflexão, seguia para o Cemitério de Vila Euclides. Percorria as alamedas sempre limpas. Pensava na vida. Retornava fortalecido.

Os antigos se orgulhavam deste cemitério-museu. Diziam: em outras cidades os cemitérios são esquecidos, em São Bernardo não. Vários desses cidadãos hoje repousam no Vila Euclides, o amargurado Vila Euclides.

Geralmente o administrador público – que hoje prefere ser chamado de gestor – pensa nas grandes obras, no momento da assinatura do contrato, nas fotos que o perpetuam. E esquecem o básico, como ocorre em tantos pontos do Grande ABC, e não apenas neste cemitério tão importante e tão menosprezado. Ah, como esses homens teriam a aprender com os antigos...

 

Menos coveiros, mais lixo

Texto: João Paulo de Oliveira

Estou exasperado, porque na tarde do dia em curso (1º de novembro, Dia de Todos os Santos), ao adentrar no Sepulcrário de Vila Euclides, para ver se os jazigos da minha família estavam nos ‘brinques’, como diriam meus amados ex-regidos, me deparei com uma situação inaceitável ao ver todos os cestos de lixo abarrotados e alguns transbordando, deixando seu entorno com lixo espalhado, além de o espaço destinado para acender velas não estar dando condições aos usuários de cumprir seus ritos religiosos devido à precariedade e à falta de manutenção do local.

Ao constatar estas condições insalubres fui à administração sepulcral e, ao reclamar, soube que a empresa terceirizada Vila Boa, responsável pelos sepultamentos, exumações e manutenção do bem patrimonial tombado, numa reunião da diretoria com os funcionários, ocorrida ontem (31 de outubro), determinou que a partir do dia 1º de novembro estaria realizando apenas o serviço de sepultamento e exumação, reduzindo – inclusive – o número de sepultadores e agentes ambiental de cinco para três funcionários.

Mediante o exposto, questiono a municipalidade são-bernardense: a partir desta data, quem fará a manutenção e limpeza deste patrimônio tombado? Por que esta medida foi tomada justamente num período em que o fluxo de visitantes decuplica?

 

 

 

 

Em 4 de novembro de...
1916 – João Francisco de Lima, 32 anos, residente em São Bernardo, é atropelado por um caminhão em São Paulo. O motorista fugiu. Também foi atropelado o carroceiro João Ammirabile.

A guerra. Do noticiário do Estadão: novo avanço dos italianos em direção de Trieste.

 

1966 – Prefeitura de Santo André abre concorrência pública para a realização das obras de acabamento do Paço Municipal. A escolha recai sobre a firma Ribeiro Franco – Engenharia e Construções, a mesma que ergueu o edifício. Finalizada a construção, Roberto Burle Marx fica responsável pelo projeto de paisagismo e cria a famosa tapeçaria instalada no nono andar. A tapeçaria, Aubusson, foi toda tecida em teares manuais.

 

Diário há 30 anos
Quinta-feira, 4 de novembro de 1986 – ano 29, edição 6281

Manchete – Ônibus da Capital e trens param hoje

Política – Sem título eleitoral regularizado, 70 mil pessoas podem ser impedidas de votar em 15 de novembro.

Diadema – Depois da municipalização, Prefeitura tentará acordo com empresários da Viação Diadema.

Acidente – Casas e lojas atingidas por explosão em bar da Rua Cristiano Angeli, no bairro Assunção, em São Bernardo.

 

Município Paulista
Hoje é o aniversário de São Carlos e São Sebastião da Grama.

São Carlos. Elevado à vila em 1865, quando se separa de Araraquara.

Nas últimas décadas do século 19 ocorreu o fenômeno social que mais influência deixou na região central do Estado de São Paulo: a imigração. São Carlos recebeu imigrantes alemães trazidos pelo Conde do Pinhal em 1876, e de 1880 a 1904, o município foi um dos principais pólos atrativos de imigrantes do Estado de São Paulo. A grande maioria deles era originária das regiões setentrionais da Itália. Os imigrantes vinham para trabalhar nas lavouras de café e, graças às suas habilidades, atuavam também na manufatura e no comércio.

Fonte: Prefeitura de São Carlos

 

São Sebastião da Grama. Elevado a município em 1925, quando se separa de São José do Rio Pardo.

 

Municípios Brasileiros
Celebram seus aniversários em 4 de novembro:

No Paraná, Campina da Lagoa e Ubiratã.

Em Roraima, Croebe e Iracema.

No Rio Grande do Norte, São José do Seridó.

Fonte: IBGE.

 

Hoje
Dia do Inventor

 

Santos do Dia
Carlos Borromeu (Arona, Lombardia, Itália 1538 – 1584). Era filho do conde Gilberto Borroneo e de Margherita de Medici, irmã do papa Pio IV (1559-1565), do qual era sobrinho. Foi arcebispo de Milão.

 

Claro

Vital



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Que fizeram de ti, cemitério-museu?

Ademir Medici

04/11/2016 | 07:00


 “Gostei do aposto que você deu ao Cemitério de Vila Euclides: cemitério-museu. Lá estão sepultadas figuras históricas, como Armando Mazzo. Não me lembro o motivo, mas você, eu, Philadelpho Braz, John French e, se não me engano, o prefeito Maurício Soares e Luiz Roberto Alves estivemos na sepultura do Armando Mazzo para homenageá-lo, o primeiro comunista eleito prefeito, mas não empossado.”

Professor Alexandre Takara.

 

Nota – Professor Takara, naquele dia realizou-se a solenidade de colocação de uma placa no túmulo de Armando Mazzo, falando da sua condição de prefeito eleito e não empossado. A placa permanece. O ato foi filmado pelo Colégio Singular, por sua iniciativa, um documento que precisaria ser recuperado e inserido nos órgãos que cuidam da preservação da memória.

 

 

Pois é. Triste a situação do cemitério-museu de Vila Euclides, em São Bernardo. A necrópole, que foi a menina dos olhos de vários prefeitos – Tereza Delta, Fornari, Lauro, Balottim, Pinotti, Hygino... –, agora sofre o descaso do simples não recolhimento do lixo, como denuncia o professor e pesquisador João Paulo de Oliveira, guardião informal, voluntário, repórter do cemitério. E como disse ontem, na Palavra do Leitor, o são-bernardense Clovis Pelosini.

Memória lembra Adir Monteiro, homem de confiança do prefeito Aldino Pinotti, seu chefe de gabinete. Ele dizia que nos momentos em que precisava de uma reflexão, seguia para o Cemitério de Vila Euclides. Percorria as alamedas sempre limpas. Pensava na vida. Retornava fortalecido.

Os antigos se orgulhavam deste cemitério-museu. Diziam: em outras cidades os cemitérios são esquecidos, em São Bernardo não. Vários desses cidadãos hoje repousam no Vila Euclides, o amargurado Vila Euclides.

Geralmente o administrador público – que hoje prefere ser chamado de gestor – pensa nas grandes obras, no momento da assinatura do contrato, nas fotos que o perpetuam. E esquecem o básico, como ocorre em tantos pontos do Grande ABC, e não apenas neste cemitério tão importante e tão menosprezado. Ah, como esses homens teriam a aprender com os antigos...

 

Menos coveiros, mais lixo

Texto: João Paulo de Oliveira

Estou exasperado, porque na tarde do dia em curso (1º de novembro, Dia de Todos os Santos), ao adentrar no Sepulcrário de Vila Euclides, para ver se os jazigos da minha família estavam nos ‘brinques’, como diriam meus amados ex-regidos, me deparei com uma situação inaceitável ao ver todos os cestos de lixo abarrotados e alguns transbordando, deixando seu entorno com lixo espalhado, além de o espaço destinado para acender velas não estar dando condições aos usuários de cumprir seus ritos religiosos devido à precariedade e à falta de manutenção do local.

Ao constatar estas condições insalubres fui à administração sepulcral e, ao reclamar, soube que a empresa terceirizada Vila Boa, responsável pelos sepultamentos, exumações e manutenção do bem patrimonial tombado, numa reunião da diretoria com os funcionários, ocorrida ontem (31 de outubro), determinou que a partir do dia 1º de novembro estaria realizando apenas o serviço de sepultamento e exumação, reduzindo – inclusive – o número de sepultadores e agentes ambiental de cinco para três funcionários.

Mediante o exposto, questiono a municipalidade são-bernardense: a partir desta data, quem fará a manutenção e limpeza deste patrimônio tombado? Por que esta medida foi tomada justamente num período em que o fluxo de visitantes decuplica?

 

 

 

 

Em 4 de novembro de...
1916 – João Francisco de Lima, 32 anos, residente em São Bernardo, é atropelado por um caminhão em São Paulo. O motorista fugiu. Também foi atropelado o carroceiro João Ammirabile.

A guerra. Do noticiário do Estadão: novo avanço dos italianos em direção de Trieste.

 

1966 – Prefeitura de Santo André abre concorrência pública para a realização das obras de acabamento do Paço Municipal. A escolha recai sobre a firma Ribeiro Franco – Engenharia e Construções, a mesma que ergueu o edifício. Finalizada a construção, Roberto Burle Marx fica responsável pelo projeto de paisagismo e cria a famosa tapeçaria instalada no nono andar. A tapeçaria, Aubusson, foi toda tecida em teares manuais.

 

Diário há 30 anos
Quinta-feira, 4 de novembro de 1986 – ano 29, edição 6281

Manchete – Ônibus da Capital e trens param hoje

Política – Sem título eleitoral regularizado, 70 mil pessoas podem ser impedidas de votar em 15 de novembro.

Diadema – Depois da municipalização, Prefeitura tentará acordo com empresários da Viação Diadema.

Acidente – Casas e lojas atingidas por explosão em bar da Rua Cristiano Angeli, no bairro Assunção, em São Bernardo.

 

Município Paulista
Hoje é o aniversário de São Carlos e São Sebastião da Grama.

São Carlos. Elevado à vila em 1865, quando se separa de Araraquara.

Nas últimas décadas do século 19 ocorreu o fenômeno social que mais influência deixou na região central do Estado de São Paulo: a imigração. São Carlos recebeu imigrantes alemães trazidos pelo Conde do Pinhal em 1876, e de 1880 a 1904, o município foi um dos principais pólos atrativos de imigrantes do Estado de São Paulo. A grande maioria deles era originária das regiões setentrionais da Itália. Os imigrantes vinham para trabalhar nas lavouras de café e, graças às suas habilidades, atuavam também na manufatura e no comércio.

Fonte: Prefeitura de São Carlos

 

São Sebastião da Grama. Elevado a município em 1925, quando se separa de São José do Rio Pardo.

 

Municípios Brasileiros
Celebram seus aniversários em 4 de novembro:

No Paraná, Campina da Lagoa e Ubiratã.

Em Roraima, Croebe e Iracema.

No Rio Grande do Norte, São José do Seridó.

Fonte: IBGE.

 

Hoje
Dia do Inventor

 

Santos do Dia
Carlos Borromeu (Arona, Lombardia, Itália 1538 – 1584). Era filho do conde Gilberto Borroneo e de Margherita de Medici, irmã do papa Pio IV (1559-1565), do qual era sobrinho. Foi arcebispo de Milão.

 

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