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Economia dá sinais de recuperação pós-crise


Nelson Rocco
Do Diário do Grande ABC

13/09/2009 | 07:00


A economia brasileira aos poucos vai recuperando o fôlego. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou na sexta-feira que a soma das riquezas produzidas pelo País mensurada no PIB (Produto Interno Bruto) aumentou 1,9% no segundo trimestre quando comparada à dos três meses anteriores. O dado do instituto oficial confirma que o País saiu da recessão técnica, após amargar números negativos de 1% nos primeiros três meses deste ano e de 3,4% no fim de 2008.

O indicador, uma fotografia do que aconteceu no passado, reforça o que uma série de dados de produção, de emprego, vendas e inflação vem revelando ao longo deste ano. Após o mergulho nos últimos meses de 2008, o saldo de empregados com carteira assinada melhorou. Números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, dão conta que de julho de 2008 a julho passado, o total de empregados registrados cresceu em 325 mil pessoas.

No setor automotivo não é diferente. As vendas de veículos no mercado doméstico computam ganho de 2,7% de janeiro a agosto. É certo que a produção, no mesmo período, recuou 11,9%, mas forçada principalmente pela derrocada das exportações, de 44%.  Esse desempenho só foi possível com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e linhas de crédito específicas para a venda de carros providenciadas pelo governo.

Essa ajuda, inclusive, não foi só para montadoras. A construção civil e os bancos também receberam seu quinhão. O BC (Banco Central) abriu as torneiras de liquidez no fim do ano passado, assustado com a retração do crédito que tomou conta do mundo e do Brasil após a quebra do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro do ano passado, que espalhou recessão mundo afora. Só em compulsório que os bancos têm de recolher ao BC foram liberados R$ 100 bilhões, em dados até março. Para a compra de carteiras de crédito de bancos de pequeno porte, outros R$ 37 bilhões.

 


Crédito imobiliário foi estopim da crise

A área de financiamento imobiliário nos Estados Unidos e, em menor escala, na Europa, foi o estopim do que se convencionou como a ‘crise do subprime’, mais tarde rebatizada como crise financeira internacional. Carteiras de crédito para a compra de imóveis foram agrupadas e reempacotadas para servir como lastro de títulos vendidos para bancos de investimento. Após receber a chancela de uma boa nota conferida pelas agências de classificação de risco, esses papéis forraram as tesourarias desses bancos.

Esses financiamentos foram concedidos, em larga escala, para compradores com histórico duvidoso de risco, uma boa parte deles imigrantes ilegais. Com a dificuldade em quitar as parcelas dos gordos carnês, as companhias hipotecárias não tiveram dúvidas: ofereceram novo crédito para liquidar a dívida antiga, com mais algum para a compra de uma caminhonete e um trocado para ser enviado à família no país de origem do mutuário.

As prestações, no entanto, acabavam ficando maiors do que as antigas, já que os juros eram escorchantes. O resultado já estava cantado. O agravamento da inadimplência colocou um fim ao castelo de cartas, espalhando temor pelos mercados do mundo todo.

Em 15 de setembro do ano passado, o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers – em Wall-Street – não conseguiu cobrir um rombo de US$ 600 bilhões e ruiu, o que acabou se tornando um marco da crise. Dias depois, foi a vez da megasseguradora AIG quebrar, levando o governo dos Estados Unidos a encampá-la, numa operação de socorro de US$ 85 bilhões. Isso pouco mais de um mês de ter feito o mesmo com as duas gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, num resgate que consumiu US$ 200 bilhões.

Foram muitos pacotes desde então, mas os efeitos da crise ainda estão sendo contabilizados. No início deste mês, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou documento dizendo que os governo poderão ser obrigados a colocar mais dinheiro na economia de seus países, isso apesar de o FMI (Fundo Monetário Internacional) estimar que em um ano foram gastos US$ 10 trilhões em operações de resgate.



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Economia dá sinais de recuperação pós-crise

Nelson Rocco
Do Diário do Grande ABC

13/09/2009 | 07:00


A economia brasileira aos poucos vai recuperando o fôlego. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou na sexta-feira que a soma das riquezas produzidas pelo País mensurada no PIB (Produto Interno Bruto) aumentou 1,9% no segundo trimestre quando comparada à dos três meses anteriores. O dado do instituto oficial confirma que o País saiu da recessão técnica, após amargar números negativos de 1% nos primeiros três meses deste ano e de 3,4% no fim de 2008.

O indicador, uma fotografia do que aconteceu no passado, reforça o que uma série de dados de produção, de emprego, vendas e inflação vem revelando ao longo deste ano. Após o mergulho nos últimos meses de 2008, o saldo de empregados com carteira assinada melhorou. Números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, dão conta que de julho de 2008 a julho passado, o total de empregados registrados cresceu em 325 mil pessoas.

No setor automotivo não é diferente. As vendas de veículos no mercado doméstico computam ganho de 2,7% de janeiro a agosto. É certo que a produção, no mesmo período, recuou 11,9%, mas forçada principalmente pela derrocada das exportações, de 44%.  Esse desempenho só foi possível com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e linhas de crédito específicas para a venda de carros providenciadas pelo governo.

Essa ajuda, inclusive, não foi só para montadoras. A construção civil e os bancos também receberam seu quinhão. O BC (Banco Central) abriu as torneiras de liquidez no fim do ano passado, assustado com a retração do crédito que tomou conta do mundo e do Brasil após a quebra do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro do ano passado, que espalhou recessão mundo afora. Só em compulsório que os bancos têm de recolher ao BC foram liberados R$ 100 bilhões, em dados até março. Para a compra de carteiras de crédito de bancos de pequeno porte, outros R$ 37 bilhões.

 


Crédito imobiliário foi estopim da crise

A área de financiamento imobiliário nos Estados Unidos e, em menor escala, na Europa, foi o estopim do que se convencionou como a ‘crise do subprime’, mais tarde rebatizada como crise financeira internacional. Carteiras de crédito para a compra de imóveis foram agrupadas e reempacotadas para servir como lastro de títulos vendidos para bancos de investimento. Após receber a chancela de uma boa nota conferida pelas agências de classificação de risco, esses papéis forraram as tesourarias desses bancos.

Esses financiamentos foram concedidos, em larga escala, para compradores com histórico duvidoso de risco, uma boa parte deles imigrantes ilegais. Com a dificuldade em quitar as parcelas dos gordos carnês, as companhias hipotecárias não tiveram dúvidas: ofereceram novo crédito para liquidar a dívida antiga, com mais algum para a compra de uma caminhonete e um trocado para ser enviado à família no país de origem do mutuário.

As prestações, no entanto, acabavam ficando maiors do que as antigas, já que os juros eram escorchantes. O resultado já estava cantado. O agravamento da inadimplência colocou um fim ao castelo de cartas, espalhando temor pelos mercados do mundo todo.

Em 15 de setembro do ano passado, o banco de investimento norte-americano Lehman Brothers – em Wall-Street – não conseguiu cobrir um rombo de US$ 600 bilhões e ruiu, o que acabou se tornando um marco da crise. Dias depois, foi a vez da megasseguradora AIG quebrar, levando o governo dos Estados Unidos a encampá-la, numa operação de socorro de US$ 85 bilhões. Isso pouco mais de um mês de ter feito o mesmo com as duas gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, num resgate que consumiu US$ 200 bilhões.

Foram muitos pacotes desde então, mas os efeitos da crise ainda estão sendo contabilizados. No início deste mês, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou documento dizendo que os governo poderão ser obrigados a colocar mais dinheiro na economia de seus países, isso apesar de o FMI (Fundo Monetário Internacional) estimar que em um ano foram gastos US$ 10 trilhões em operações de resgate.

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