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Cena do rock


Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

12/03/2011 | 07:10


"Não sou de jogar pedras no que existe por aí, nas rádios, e tenta se afirmar como novo rock. Só acho que a molecada dos porões e das garagens é bem mais sincera e tem muito mais a dizer", argumenta o agitador cultural Nenê Altro, um dos responsáveis pelo festival "Sai da Garagem e Vem Já pro Palco!", que terá sua primeira edição hoje, a partir do meio-dia, em São Caetano.

O evento visa dar voz ao novo rock produzido no Grande ABC, cuja força sempre esteve no rock alternativo e no punk rock. "Dentro dessas correntes, existem ramificações como pós-punk, hardcore, hardcore melódico e ska-core", enumera o agitador cultural.

Bastou perceber a quantidade de bandas locais com potencial e, principalmente, força de vontade de batalhar por espaço, para Altro contatar o Estação Jovem, que ofereceu suporte. "O Grande ABC tem toda aquela atmosfera de 'movimento' enquanto expressão jovem. É imprescindível não deixar que isso se perca".

É fato. Falta espaço para as novas bandas independentes. "Se por um lado, temos um mainstream vazio e massificante (muitas pessoas invadiram a cena independente, achando que seria trampolim para o sucesso), por outro, temos uma cena independente elitizada, na qual só as mesmas bandas se apresentam".

Segundo Nenê Altro, este cenário significa 'suicídio' para qualquer proposta (contra) cultural. Na contramão, o festival "Sai da Garagem e Vem Já pro Palco!" tem espaço garantido para bandas jovens que visam se expressar e se divertir, no estilo faça você mesmo (toda relação pode ser conferida no quadro ao lado). "Isso é mostrar que ainda existem pessoas interessadas em manter a essência viva e não apenas tentar aparecer para um produtor ou uma gravadora qualquer", compara.

NOVATOS
Exemplo disso é o grupo de São Bernardo, Color for Shane, criado em 2007, que faz som alternativo sem frescuras, conforme denominam. "As melodias são uma grande bagunça que de algum modo dá certo. Quanto às letras, passamos nossas mensagens de forma descontraída, com o intuito de fazer pensar", explica o baterista Juan Carlos.

Eles tocam mesmo para se divertir, sair de casa em um domingo à tarde. Se gostarem, ótimo. "Para uma banda ser legal, ela tem de se manter fora da moda, encontrar a sua própria forma de fazer música. Portanto, não procuramos seguir tendências, mas tocar o que gostamos", aponta o vocalista e guitarrista Rafael Xabu.

Influenciado por nomes como Sex Pistols, o trio - completo com o baixista Rodrigo - reserva repertório autoral para o festival. "Tambem faremos um cover porque nos sentimos bem tocando", adianta Xabu.

ANOS DE ESTRADA
Bandas novatas vão interagir com grupos que já somam anos de estrada. É o caso de Deserdados, que possui integrantes de Santo André e São Bernardo, voltado ao punk rock, tendo passagens pelo ska e pelo hardcore.

Com 16 anos ininterruptos de estrada, a banda "expressa em grande parte das letras o sentimento de revolta com a situação da cidade, do País, do mundo", explica o baterista, conhecido como Favela.

O músico afirma sempre tratar cada apresentação como se fosse a última, com o intuito de passar para o público toda a energia do grupo . "Como estamos gravando o terceiro disco, especificamente neste show tocaremos algumas das músicas dele e, obviamente, alguns de nossos clássicos."

Conforme lembra Favela, a região é berço do punk desde os anos 1980. "Muitas músicos bons nasceram no Grande ABC. Na própria história do punk é registrada a rivalidade que existia entre São Paulo e Grande ABC. Hoje, felizmente, o pessoal é muito unido".

O Deserdados também não se importa com as tendências. "Há uma linha de raciocínio e um ideal que acreditamos. Existem bandas que mudam frequentemente para agradar um público-alvo, uma gravadora. Não abrimos mão das suas raízes", argumenta.

Por serem independentes, enfrentam alguns problemas: "A banda arca com todos os custos de transporte, ensaios, gravações, alimentação. Por isso, toda ajuda de custo é sempre bem-vinda", afirma.

OPORTUNIDADE
O festival, cuja primeira edição encerra no dia 19, deve ter sequência. "Bandas novas devem levar as demo tapes e os releases diretamente à secretaria do Estação Jovem para começarem a se apresentar a partir de maio", convida Altro.

Para ele, o espaço do Estação Jovem é incrível. "As pessoas deveriam aproveitar mais tanto ele como diversos outros do Grande ABC. Tudo depende agora do interesse das bandas e dos artistas", garante.

Sai da Garagem e Vem Já pro Palco! - Festival de rock. No Estação Jovem - Rua Serafim Constantino, São Caetano. Tel.: 4226-5518. Hoje (Lipstick - Santo André, Cabaret Metro - São Bernardo, Depois do Fim - São Bernardo, Color For Shane - São Bernardo, Krias de Kafka - Santo André e Shileper High - São Bernardo) e dia 19 (Nitrominds - Santo André, DZK - Santo André, Deserdados - São Bernardo, 88 Não! - Mauá, NoKaos - São Caetano e Overshad - Santo André), a partir das 12h. Entrada franca (é sugerida a doação de um livro).



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