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Autopeças deixam de gerar 50 mil vagas

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

23/08/2011 | 07:30


A indústria brasileira de autopeças tem pressa de que saia do papel o programa de regime automotivo especial, do governo federal, que vai exigir, para as montadoras terem o benefício de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, aumento de investimentos em inovação e elevação de nível de compras de peças nacionais. O presidente do Sindicato da Indústria Nacional de Componentes Automotores, Paulo Butori, afirmou ontem que a situação das pequenas empresas está se agravando e que, desde 2008, o setor já deixou de gerar 50 mil empregos por causa do crescimento da importação.

O dirigente prevê que em 15 dias a regulamentação do regime automotivo (que é parte do pacote de medidas chamado Brasil Maior) sairá, mas ele considera que seus efeitos não são imediatos, já que exige adaptação das montadoras. Ele acrescenta que, mantidas as condições atuais da economia, o cenário para 2012 é mais preocupante do que o de 2011, por causa do aumento da concorrência com os importados. Um dos temores é de que haja desemprego.

Neste ano, a atividade deve fechar o ano com saldo comercial (exportações menos importações) negativo em US$ 4,8 bilhões, contra os US$ 3,8 bilhões de 2010. Butori alerta que as empresas do ramo também sofrem com a pressão para que reduzam custos e com a tendência de as indústrias de veículos enxugarem a base de fornecedores.

O problema dos custos reflete o dólar desvalorizado frente ao real. "Há quatro anos éramos competitivos, mas com a desvalorização perdemos 40% de competitividade. Com volumes menores, o faturamento cai e perdemos mais 20% a 30%. Por isso, o produto mexicano é 60% mais barato", citou, durante evento da SAE Brasil Sociedade de Engenharia da Mobilidade, em São Paulo.

O diretor de compras da General Motors América do Sul, Orlando Cicerone, destaca que, para novos projetos, a tendência é de aumento do índice de peças importadas. No entanto, a companhia - assim como a Volkswagen - está acertando com fornecedores globais, que estão vindo para o Brasil. Um deles é a Magna, que montou fábrica de bancos automotivos em São Bernardo. Cicerone assinala que a falta de competitividade afeta sobretudo as pequenas indústrias, mas ele avalia que o pacote Brasil Maior pode ajudar a viabilizar a melhoria de processos dessas empresas.

ELEVAÇÃO - Um dos obstáculos para as pequenas investirem é a elevada carga tributária, que chega a 70% do faturamento, assinala Butori. Isso porque grande parte delas tem débitos tributários. "Estamos estudando com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) um fundo, em que as montadoras, o governo e grandes sistemistas poderiam ser garantidores das operações do banco", afirma.

 

Carros estrangeiros vão representar 28% do mercado em 2018

Estudo da consultoria Roland Berger aponta que, mantidas as condições atuais do mercado, os carros importados devem chegar, em sete anos, a 28% do total das vendas do setor automobilístico no País. De 800 mil unidades que devem ser vendidas neste ano, em 2018 deverá ser comercializado 1,8 milhão.

Com vantagens de custos mais competitivos, como reflexo do real valorizado, os veículos estrangeiros ganham espaço e ainda trazem modelos mais bem equipados a custo menor do que os básicos nacionais. Como exemplo: enquanto um carro 1.0 brasileiro custa R$ 26,4 mil, outro chinês 1.1 com ar-condicionado, vidros e trava elétrica, direção hidráulica, ABS, dois air bags, sensor de equipamentos, MP3 CD player e farol de neblina, sai por R$ 22,9 mil. Se o nacional tiver ar-condicionado, vidro e trava elétrica e MP3 CD player sai por R$ 32.840, ou seja, diferença de R$ 9.940.

A consultoria projeta ainda que, de 2002 a 2014, o número de modelos duplicará, aumentando o leque de opções aos consumidores, de 140 para 283. No entanto, para o diretor da Roland Berger, Stephan Keese, essa expansão não é suficiente para garantir a sustentabilidade da indústria nacional no longo prazo, por causa do excesso de capacidade, guerra de preços e encolhimento de margens.



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