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Santo André: Luiz Sacilotto continua sem título


Ricardo Ditchun
Da Redaçao

09/05/1999 | 16:33


Em 1º de abril do ano passado um grupo de admiradores da obra e da personalidade do artista plástico andreense Luiz Sacilotto, 75 anos, reuniu-se em Santo André para deflagrar uma campanha em sua homenagem. O ponto de partida foi a idealizaçao de uma tela, iniciativa do também andreense e pintor Edson Lourenço, capaz de abrigar as assinaturas das pessoas interessadas em ver a idéia se transformar em fato. A obra serviria para sensibilizar os vereadores para o Projeto de Decreto Legislativo protocolado 27 dias depois pela vereadora Heleni de Paiva (PT). De lá para cá, após sucessivos pedidos de adiamentos, a própria Heleni, em 25 de março deste ano, retirou o projeto da pauta. Lourenço, obviamente, está frustrado.

O quadro - 1 m x 1 m - inclui, no alto e centralizado, em preto-e-branco, uma imagem do rosto de Sacilotto com um fragmento de uma de suas composiçoes concretistas ao fundo. O resto do espaço, em branco, foi reservado para abrigar as assinaturas - sao cerca de 200, incluindo a de Celso Daniel, prefeito de Santo André, o primeiro a assinar. Há um ano, portanto, Lourenço preserva o quadro em seu ateliê enquanto aguarda que Sacilotto seja contemplado com o título e, ocorrendo isso, chegue o momento de entregar a peça para o Museu de Santo André: "No mês passado, quando soube que o projeto já nao existia mais, fiquei decepcionado. Sacilotto tem sido a pessoa que mais divulga o nome de Santo André, ainda que isso aconteça de forma indireta. Aqui, infelizmente, nao se tem essa dimensao".

Heleni justifica sua atitude: "O título em questao é a maior honraria concedida a um morador da cidade. Retirei o projeto para conhecer melhor a opiniao da sociedade e, também, dos demais vereadores em relaçao a Sacilotto. Quero me certificar da existência de um consenso em torno do assunto". Heleni também afirmou, na quinta-feira da semana passada, que poderia voltar a se manifestar a respeito do futuro do projeto amanha, em entrevista ao Diário ou por meio de um comunicado de sua assessoria. "Só nao quero que esse processo caminhe de forma pouco planejada, pois ele envolve a história de vida de um artista por quem alimento uma profunda admiraçao. Minha preocupaçao, agora, é a seguinte: o que a cidade tem a falar sobre esse grande mestre?", questiona.

Antes das declaraçoes de Heleni, o Diário também consultou outros vereadores. Joaquim dos Santos (PTB), por exemplo, disse que nao vê motivos para votar contra a homenagem a Sacilotto: "Conheço seu trabalho, mas nao profundamente. Nao soube do motivo que fez a vereadora Heleni retirar seu projeto. Meu voto seria favorável". Carlos Augusto, colega de Heleni na bancada petista, afirmou: "Votaria a favor, claro. Nao entendo o porquê da retirada do projeto". Carlos Augusto e Joaquim dos Santos, aliás, formaram, também com Heleni, a Comissao de Justiça que, em 25 de junho de 1998, considerou o projeto da homenagem a Sacilotto apto a ser votado pela Câmara. O parecer da Comissao foi o seguinte: "O projeto nao apresenta restriçoes de ordem legal ou constitucional para sua apreciaçao. (...) Opinamos pela aprovaçao".

Antonio Leite (PT) declarou que seu voto também seria favorável, ressaltando que sempre houve consenso, pelo menos que ele saiba em relaçao à bancada de seu partido, em torno desse projeto. O presidente da Câmara de Santo André, Israel Santana (PFL), além de dizer que ele mesmo teria "o prazer de reapresentar o projeto", arriscou um prognóstico para a votaçao: "Seria aprovado por unanimidade, da mesma forma como ocorreu com o Ferreirinha (Antonio Ferreira dos Santos, ex-vereador andreense homenageado com o título no mês passado)".

Na prática, mesmo que o projeto volte a ser reapresentado imediatamente, e aprovado, Sacilotto nao receberia a homenagem este ano, pois a agenda do cerimonial para as sessoes solenes - sempre às quartas-feiras - já esta preenchida até dezembro. Lourenço, enquanto espera, planeja lacrar o quadro com acrílico e pendurá-lo em algum espaço público da cidade, possivelmente na área externa do Museu de Santo André. Ao lado dele, o artista pretende instalar uma placa relatando a história do processo e os nomes dos 21 vereadores que representam a populaçao andreense: "Mas, se nada der certo, talvez eu corte cada uma das assinaturas e as envie para seus proprietários".

Sacilotto, enquanto isso, está na Europa, cumprindo um roteiro que ele costuma agendar anualmente. "Para visitar museus, igrejas, olhar o piso das praças, comer boa comida e beber bons vinhos tintos", declarou ao Diário antes de viajar.



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