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Da terra à mesa, preço do alface aumenta cinco vezes


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

07/09/2008 | 07:01


Comprar um pé de alface na feira, na quitanda ou no supermercado é, à primeira vista, barato. O preço pago pelo consumidor, no entanto, chega a ser até cinco vezes maior do que o custo para se produzir uma unidade da hortaliça. Enquanto o custo do plantio de um pé de alface fica em torno de R$ 0,25, o produto chega às mãos do consumidor por R$ 1,50.

O preço final sofre influência desde o plantio. Custos com a semente, fertilizante (conhecido como adubo), defensivos agrícolas (produtos utilizados para controlar pragas), frete, embalagens e mão-de-obra compõem a cesta de custos dos agricultores que fazem parte do cinturão verde de São Paulo .

O produtor de hortaliças Salvador de Oliveira, de 62 anos, da região de Piedade, vê como principal vilão a alta nos preços do adubo - o saco de 50 quilos chega a custar R$ 80. "Para manter minha plantação, utilizo duas toneladas de fertilizantes cada vez que adubo a terra", conta.

Pior: diante do excesso de produção de verduras nesse período do ano, Oliveira só consegue vender 40% do que produz. "Isso contribui para a queda dos preços para venda. É a lei da oferta e da procura", completa.

Para não ter mais prejuízos, o produtor optou por não repassar sua mercadoria para atravessadores (pessoas que compram a mercadoria e levam até as centrais de abastecimento, a fim de revender para varejistas). Agora, ele mesmo leva sua mercadoria até a Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) - central que abastece quase que todo o Grande ABC. Dessa forma, consegue elevar seu ganho.

Instalado em Mogi das Cruzes, o agricultor Antônio Dias, 46 anos, precisa pagar o aluguel da terra que não é sua (o chamado arrendatário), além dos custos de produção. "Como mantenho quatro funcionários, muitas vezes não tenho capital de giro ou lucro. Também não tenho caminhão, então não posso vender direto nas centrais de abastecimento. Acabo vendendo aqui, por menos."

Foi para fugir desses gastos que, há seis anos, a família Zyahana e Goya apenas revende tomates. "Não temos as perdas que os produtores têm com as mudanças climáticas (em torno de 20%), por exemplo, ou todos os outros gastos com a terra. Uma caixa com 25 quilos de tomates pode ser comprada por R$ 12 e revendida por R$ 18", conta Fábio Zyahana, que possue ponto-de-venda na Craisa. O lucro de R$ 6 ainda é dividido com despesas como pedágio, diesel e perda de produto.

Para se ter uma idéia, o custo de um pé de tomate é de R$ 1. Para produzir 70 mil pés (volume ideal para comercializar o produto), é preciso um investimento de R$ 70 mil.
O comerciante Júlio Gomes, 32 anos, de Mauá, vai até a Craisa quase todos os dias para comprar mercadoria.

O dono de uma grande quitanda em Santo André, que preferiu não se identificar, opta por repor mercadorias todos os dias na Craisa, comprando em pequenas quantidades, para evitar desperdícios. "Minhas verduras, legumes e frutas têm um acréscimo de 20% no preço para os consumidores. Consigo revender com essa margem pequena porque quase não tenho perdas."



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