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Grande defensor dos mares


Fred Furtado
Ciência Hoje/RJ

30/08/2010 | 07:03


A partir de 2025 o Brasil passará a fazer parte do seleto grupo de países com submarinos de propulsão nuclear. O prazo foi apresentado em palestra ministrada pelo contra-almirante Adalberto Casaes Júnior, no Rio de Janeiro, em julho último. Segundo Casaes Júnior, o interesse do Brasil em um submarino nuclear se justifica por sua atual posição como parceiro comercial global.

"Cerca de 95% das importações e exportações do País, valor que equivale a US$ 350 bilhões, fluem pelo mar. Por isso, precisamos de meios para defender esses interesses", revelou o oficial.

Além disso, ele utiliza a Guerra das Malvinas como exemplo para lembrar que um único submarino britânico foi capaz de manter toda a Marinha argentina atracada. O contra-almirante conta que uma das grandes vantagens do submarino é sua capacidade de passar despercebido.

Nos modelos convencionais, essa característica é prejudicada pelo sistema de geração de energia, que usa motor a diesel. Para que funcione, é preciso oxigênio. Assim, quando é necessário recarregar as baterias, o submarino sobe até uma profundidade onde o snorkel (tubo por onde o ar entra) possa atingir a superfície.

"Isso diminui a capacidade de se esconder de navios inimigos", confirma Casaes Júnior, acrescentando que, além disso, a energia armazenada é limitada. "Se precisasse mover-se a toda velocidade, a carga só duraria meia hora."

Já em um submarino nuclear, a energia é gerada por um reator, que não necessita de ar. No caso do projeto brasileiro, ele seria um modelo de água pressurizada (PWR, na sigla em inglês), no qual a água sob pressão é aquecida pela fissão. O vapor produzido move duas turbinas, que geram eletricidade para o submarino como um todo e para o motor. Isso não apenas possibilita um funcionamento contínuo da embarcação, como também permite maior velocidade de deslocamento.

"Enquanto um submarino convencional leva uma semana do Rio de Janeiro até Salvador, a versão nuclear faz o percurso em um dia", exemplificou o oficial.

Ele ressalta, porém, que os convencionais ainda são relevantes, pois têm aplicações táticas distintas e complementam os nucleares.

ACORDO COM A FRANÇA - O projeto começou em 1979 e foi responsável por alavancar o conhecimento brasileiro do ciclo nuclear, que envolve a extração e o beneficiamento do urânio (yellow cake ou bolo amarelo), a conversão em gás hexafluoreto, o enriquecimento, a reconversão em sólido e a criação das pastilhas de combustível.

Já tendo dominado o ciclo do combustível e o processo de construção desse tipo de embarcação, faltava ao Brasil a tecnologia de projeto.

Em outras palavras, não se sabia como projetar um submarino nuclear. Isso foi solucionado por meio de um acordo com a França, assinado em 23 de outubro do ano passado.

As metas desse plano incluem a construção de quatro submarinos convencionais modelo Scorpène, incluindo transferência de tecnologia; um núcleo de 25 engenheiros brasileiros que serão treinados na França e acompanhados pelos franceses, tanto lá quanto ao longo do projeto no Brasil; auxílio na construção do submarino nuclear, bem como do estaleiro e base necessários para essa embarcação; e 30 torpedos modelo Black Shark que seriam o principal armamento.

Paralelamente, a Marinha continua a construção do Labgene em Aramar, Sorocaba (SP), e já escolheu o local do estaleiro: a Ilha da Madeira, próximo ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

De acordo com Casaes Júnior, houve muita crítica quanto ao acordo, em especial em relação ao submarino Scorpène, que estaria ultrapassado.

"É preciso perceber que muita da publicidade negativa foi instigada pelos alemães, que eram os principais concorrentes dos franceses. Além disso, fizemos contato com a Marinha chilena, que já usa esse modelo, e eles nos asseguraram de sua eficiência", declarou o contra-almirante.

Ele informou que o custo do acordo foi de 6,5 bilhões de euros (cerca de R$ 15 bilhões), sendo 2 bilhões de euros de responsabilidade do Tesouro Nacional e o resto coberto por uma linha de crédito.

"Esse valor equivale à metade do trem-bala que ligará o Rio a São Paulo, mas o ganho tecnológico é muito superior", afirmou, concluindo que o Labgene deve estar pronto em 2014 e o submarino, em 2023, embora apenas em 2025 todos os testes estarão completos.



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