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Imagem de Jesus Cristo gera polêmica em Mauá


Renan Cacioli
Do Diário do Grande ABC

12/04/2006 | 07:57


A máxima de que ‘política e religião não se discute‘ foi derrubada duplamente pelos vereadores da Câmara de Mauá. Além dos tradicionais embates partidários, a polêmica na sessão de terça-feira originou-se da capa da Agenda Cultural da cidade deste mês. O panfleto traz a reprodução de um desenho estilizado de Jesus Cristo vestido de terno e gravata, com as roupas abertas e os pêlos pubianos à mostra. A obra, do artista Antonio Valentim Lino, retratada na capa da publicação está exposta no Teatro Municipal junto a outras instalações e colagens com conotação religiosa.

Entre comentários de cunho pessoal e um pouco de cena política da oposição contra a situação, os parlamentares não esconderam suas preferências religiosas no calor do debate que tomou boa parte da sessão. “Algumas pessoas tentam explicar que se trata de uma obra de arte. O poder público não pode denegrir a imagem de ninguém. Hoje a Igreja sente-se mal com essa figura de Cristo em nossa Agenda Cultural”, disse o presidente da Casa, Diniz Lopes (PL).

“Todos ficamos envergonhados, mesmo dizendo-se que é uma imagem cultural. Mas é muito agressiva”, afirmou Alberto Betão (PSB). Entre os vereadores evangélicos, o desenho provocou as críticas mais incisivas. “Houve um desrespeito por parte de quem elaborou (a capa da Agenda)”, disse Ozelito Benedito (PSB). Mesmo Pastor Altino (PL), da bancada de sustentação ao prefeito Leonel Damo (PV), ignorou o lado político para protestar. “A pessoa que fez isso, foi por ignorância. Cabe a nós orar por ela. Ficamos estarrecidos”, afirmou o pastor, que em raras oportunidades utiliza o microfone no Legislativo.

Apartidário – Essa, aliás, foi uma das únicas discussões realizadas na Câmara neste ano onde a ideologia política de cada parlamentar tornou-se secundária perante o tema discutido. “Também não fiquei feliz na hora em que vi o panfleto. Em nome do governo, podemos pedir desculpas pelo fato, mas sem fazer críticas ao artista”, destacou o líder do governo na Câmara, Carlos Polisel (PSDB). Ele não deixou, porém, de defender o prefeito: “Não podemos fazer do Leonel Damo cúmplice desse panfleto”.

Dois vereadores, em particular, utilizaram a tribuna para defender o artista Antonio Valentim Lino. Para Manoel Lopes (PFL), “isso nada mais é do que um papel com a fotografia de um artista plástico que tenta traduzir o que o povo não consegue entender”. Menos filosófico, Paulo Eugênio (PT) avaliou que a Câmara tinha coisas mais importantes a tratar. “É um trabalho de um artista renomado, professor, formado na PUC do Rio, e acho que não cabe a nós julgá-lo.”


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