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Rodoanel leva pânico a moradores


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

28/10/2004 | 09:22


A falta de informações precisas sobre os i-móveis que deverão ser desapropriados para viabilizar a construção do trecho Sul do Rodoanel Mário Covas - que corta as cidades de Santo André, São Bernardo e Mauá - deixou em polvorosa os moradores do Grande ABC. "Coloquei todas as minhas economias nessa casa. Minha vida foi construída aqui e não sei nem mesmo se vou ter que me mudar para outro lugar", desabafou o pintor Pedro Cardoso Sobrinho, 50 anos, que mora com a mulher e os quatro filhos na favela do Pintassilgo, em Santo André.

E esse é apenas um dos locais que serão afetados pela construção do Rodoanel-Sul. No Grande ABC, também estão incluídos na lista Parque Miami, Jardim Riviera e Recreio da Borda do Campo, em Santo André; e as favelas do Areião e do Estudantes/Sabesp, em São Bernardo. Nesses locais, alguns moradores já colocaram o imóvel à venda.

O mesmo clima de intranqüilidade visto na favela do Pintassilgo, repete-se em todas essas áreas. "Já mudaram tantas vezes o traçado dessa rodovia que a gente não sabe mais por onde ela vai passar", afirmou a vice-presidente da Associação Amigos da Favela do Areião, Marineide Barbosa, 36 anos.

Somados, esses bairros têm 19 mil habitantes, espalhados em pouco mais de 5 mil moradias. A estimativa foi feita pelo governo do Estado e tem como base dados do censo produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2000. Também foram incluídos as dados fornecidos pelas prefeituras e informações coletadas de porta em porta nos bairros afetados. Durante todo dia desta quarta, uma pequena parcela dessa população protagonizou uma verdadeira corrida em busca de informações concretas sobre o trecho Sul do Rodoanel.

Pela primeira vez, foram registradas filas para a leitura do EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental) da obra nos dois únicos endereços em que o documento está disponibilizado na região - no Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e na Câmara. Até o fim da tarde desta quarta, cerca de 30 pessoas tiveram acesso ao estudo. "O problema é que as informações são técnicas, o que torna difícil qualquer interpretação", afirmou Neemias Bueno, 37 anos, um dos moradores do Recreio da Borda do Campo, que pode ter a casa desapropriada.

Sigilo - A estimativa do governo do Estado é de que, ao longo dos 61,4 Km de extensão do Rodoanel, 1,7 mil imóveis deverão ser desapropriados. No entanto, ainda é mantida em sigilo a informação sobre quantas residências deverão ser derrubadas em cada um dos bairros afetados. Essa definição, segundo a Secretaria de Estado dos Transportes, que coordena a construção da rodovia, será conhecida apenas após a conclusão da análise do EIA-Rima, que está a cargo o Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente).

O grupo tem até outubro de 2005 para ponderar sobre o estudo. O prazo, no entanto, pode ser antecipado para o início do primeiro semestre do próximo ano, quando o Estado espera dar início às obras. Por esse motivo, o governo considera que qualquer discussão sobre a retirada das famílias nesse momento do processo é "prematura e especulativa". Em nota oficial, o governo garante que todas as famílias retiradas serão indenizadas com dinheiro relativo ao valor do imóvel em que moram ou com a inclusão em programas habitacionais do Estado.



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