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Tentativa de fuga em hora de visita


Luciano Cavenagui
Do Diário do Grande ABC

26/09/2005 | 08:11


Presos do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Mauá, localizado no bairro Sertãozinho, realizaram neste domingo uma tentativa de fuga frustrada por agentes penitenciários. Seis detentos armados tentaram escapar durante o horário de visitas. Alguns deles chegaram a subir no muro, mas houve troca de tiros com os agentes. A única pessoa ferida não tinha nada a ver com a história: uma dona-de-casa, vizinha do CDP, levou um tiro na perna enquanto fechava o portão de casa.

A tentativa de fuga ocorreu às 15h, perto do horário de encerramento das visitas, às 16h. Havia 250 pessoas visitando o local. No momento do tiroteio, houve pânico entre os visitantes. Muitas mulheres desmaiaram.

O CDP de Mauá é vertical e possui três andares, onde abriga os presos. Os seis detentos que tentaram escapar conseguiram chegar no térreo, onde não existem presos, em um espaço destinado apenas para a entrega de mercadorias e alimentos.

Uma grade que separa o térreo do primeiro andar foi serrada. Com os detentos, os agentes penitenciários encontraram uma tereza (corda feita com lençóis). Armados, os presos saíram correndo da área térrea em direção ao muro. Alguns deles chegaram a subir, mas foram contidos por disparos de agentes que estavam numa guarita. Houve troca de tiros. A intenção dos fugitivos era escapar com um carro que entregava as refeições.

"Quando minha mãe ouviu o primeiro disparo, ficou muito assustada e disse que não era para ninguém sair de casa. Quando foi fechar o portão do quintal, acabou levando um tiro na perna. Ficamos apavoradas", disse a estudante Natália dos Santos Silva, 17 anos, filha da dona-de-casa Vera Lúcia dos Santos, 45.

Um vizinho levou a dona-de-casa até o Pronto-Socorro da Santa Casa, onde ela permanecia internada neste domingo à noite, sem risco de morte. A bala que a atingiu provavelmente veio de uma arma de um agente penintenciário, com base na posição da guarita e da residência da vítima.

"Estava conversando com o meu filho dentro da cela quando ouvi a saraivada de tiros. Fiquei tremendo de medo. Não parava de chorar. Cheguei até a desmaiar. Muitas crianças ficaram apavoradas. Nunca passei por uma situação dessas", afirmou a dona-de-casa Geusa Maria, 56 anos.

Policiais militares de todo Grande ABC foram acionados para ir ao CDP. Agentes revistaram todos os visitantes antes de eles saírem. A Tropa de Choque deve realizar nesta segunda-feira revista geral no CDP em busca de armas e outros objetos irregulares.

Esse foi o quarto incidente envolvendo presos no centro de detenção da cidade, inaugurado há quase um ano, em 28 de setembro. Apesar de jovem, já está superlotado. Com capacidade para 576 presos, abrigava neste domingo mais de mil homens, e até hoje não possui habite-se da Prefeitura.

Ninguém da direção do CDP quis dar entrevistas para a reportagem. A assessoria de imprensa do órgão não trabalha nos finais de semana.



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