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White Stripes brilhante


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

02/08/2007 | 07:06


A habilidade para digerir referências forjadas por medalhões do rock e do blues, a partir de uma perspectiva inovadora, sempre distinguiu a dupla norte-americana The White Stripes. Mas, como fica atestado no sexto CD dos músicos, o recomendável Icky Thump (Warner, R$ 33 em média), essa tradução de sonoridades do passado para uma linguagem atual não é sinônimo de diluição.

O guitarrista e vocalista Jack White assina 12 das 13 músicas do álbum, aclamado por diversas publicações especializadas em música como um dos melhores lançamentos do ano.

Seria exagero dos críticos deslumbrados e dispostos a alçar artistas talentosos ao patamar de gênios? Deslumbramento ou não, o fato é que o disco exala inventividade e apresenta uma safra de composições realmente significativas.

Zeppellin - A vigorosa faixa-título abre o repertório com uma dinâmica típica do White Stripes: enquanto Meg White espanca sua bateria com uma marcação marcial, Jack dispara riffs de guitarra.

A canção Prickly Thorn, But Sweetly Worn homenageia a ascendência escocesa de Jack, e expõe sua faceta mais lírica e delicada. Pontuada por uma gaita de fole, a música remete imediatamente às melodias criadas pelo Led Zeppelin em sua fase mais acústica, na época do lançamento de seu terceiro álbum (Led Zeppelin III), em 1970. Outra harmonia notavelmente influenciada pela trupe do vocalista Robert Plant é I’m Slowly Turning Into You. Há também um cover de Conquest, escrita por Corky Robbins, que se equilibra entre o rock pesado e escalas flamencas.

Sotaque - Ciente de que o excesso de reverência é prejudicial à arte, o White Stripes sabe bem falar com sotaque próprio. Demonstrações disso podem ser conferidas na soturna Little Cream Soda e em You Don’t Know What Love Is (You Just Do as You’re Told). OUTROS LANÇAMENTOS

Paula Toller – Em seu segundo disco solo, Sónós (Warner, R$ 35 em média), a vocalista do Kid Abelha reuniu amigos e compositores de diferentes nacionalidades. No repertório, há composições dos norte-americanos Donavon Frankenreiter e Jesse Harris (que já produziu hits para Norah Jones). Apesar da produção esmerada de Paul Ralphes, o disco carece de ousadia e tempero criativo.

Os arranjos soam lineares, mornos, e pouco diferentes daqueles praticados por Paula em seu grupo de origem. A intérprete acerta quando se arrisca em faixas como Pane de Maravilha e a balada Rústica. Ambas têm melodias assinadas pelo ex-legionário Dado Villa-Lobos.

Beastie Boys – Reconhecidos por seus versos sagazes e sempre inspirados, os rappers Mike D, MCA e Adrock resolveram inovar em sua nova produção. Produziram o ótimo disco The Mix-Up (EMI, R$ 30 em média), composto inteiramente por temas instrumentais.

Desta vez, o trio empunhou guitarras, baixos e baterias para forjar músicas que transitam pelas searas do rock, reggae, funk e dub. O resultado disso é uma safra de composições altamente lisérgicas como Suco de Tangerina, B For My Name, Eletric Worm e Off The Grid.

Orishas – Nesses tempos em que sobram álbuns revisionistas, o ouvinte pode desconfiar de uma nova coletânea. Mas, em se tratando do grupo cubano Orishas, que reuniu no CD Antidiotico (Universal, R$ 23 em média) os sucessos de seus oito anos de carreira, não há contra-indicações. Além de estandartes da fusão entre hip hop e ritmos da ilha caribenha (como A Lo Cubano e Naci Orishas), há duas inéditas: Hay Un Son e Una Pagina Doblada. <SC900,72><SC900,72><SC900,72>

Mirábilis – No segundo trabalho de sua discografia, o CD Mil Palavras (Azul Music, R$ 22 em média), a banda Mirábilis investe em um formato pop rock, com sutis referências às linguagens do funk e do soul.

Apesar do trabalho dos guitarristas Hique d’Avila e Laurinho Linhares, que até criam riffs interessantes (caso de Inexplicável Motivo e a faixa-título), o repertório derrapa em clichês instrumentais e temáticos. As letras, em alguns momentos, soam fracas e previsíveis (como em Desencontro e Quase Nada).


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