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O risco da proibição
dos emagrecedores


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

27/06/2011 | 07:13


A polêmica está armada. De um lado, endocrinologistas que defendem a prescrição responsável da sibutramina, que controla a ansiedade e dá efeito de saciedade, e dos derivados de anfetamina, que inibem o apetite. De outro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que avalia os riscos como maiores em relação aos benefícios e sinaliza o veto às medicações.

No entanto, para o endocrinologista e presidente da Comissão de Comunicação Social da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Ricardo Meirelles, a possível restrição pode induzir o surgimento do comércio ilegal das medicações, oferecendo riscos ainda maiores à saúde não só dos obesos, como de toda a população. "Se proibir a prescrição oficialmente, certamente teremos a proliferação do mercado negro. Tudo o que é proibido vai cair na clandestinidade. Vão continuar usando, porém as consequências à saúde serão ainda piores."

Mazindol, dietilpropiona e femproporex compõem a família da substância química anfetamina. O consumo da droga, manipulada em laboratório, estimula o sistema nervoso, responsável pelo ajustamento do organismo ao ambiente.

Quando há uso abusivo, o aumento das atividades dos neurotransmissores se reflete em todo o corpo. Prescritos de forma irregular e sem acompanhamento médico, os derivados anfetamínicos podem causar alterações de humor, falta de ar, insônia, hipertensão, taquicardia, crises de pânico e o pior dos sintomas: a dependência. Depressão e irritabilidade são os principais sintomas ocasionados pela falta da droga. Com orientação, os fatores negativos podem ser evitados. "Vão criar outros meios para vender e os remédios serão receitados por pessoas que não cumprem o regulamento. Nós conhecemos nossos pacientes, temos critério e bom senso", comentou a endocrinologista da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Ângela Zacarelli.

Como consequência da restrição, que pode se concretizar após o parecer final da Anvisa, previsto para agosto, a indústria farmacêutica deve se aquecer em busca de novas drogas para serem despejadas no mercado. O problema é que, para compensar o custo elevado dos estudos para a criação dessas fórmulas, logo que chegar ao comércio os preços terão de ir às alturas.

"O valor vai cair apenas com a perda da patente, enquanto isso será algo elitizante. As pessoas mais pobres só terão acesso aos remédios depois de 10 ou 12 anos. Essa é a nossa certeza. Três anos atrás a sibutramina custava até R$ 300", ressalta Meirelles. Hoje, o preço da caixa do remédio com 60 comprimidos é de cerca de R$ 30.

 

Médicos contestam argumentação da Anvisa

Os endocrinologistas consideram a utilização dos remédios um aliado para o tratamento da obesidade, já que a maioria dos doentes não consegue mudar hábitos alimentares sem recorrer às medicações. Porém, a Anvisa baseia-se em estudos internacionais que indicam o aumento da pressão arterial pelo uso contínuo da sibutramina, que poderia desencadear quadro de hipertensão e doenças cardiovasculares. "Foram acompanhados 10 mil pacientes pelo mundo durante seis anos. O risco de acontecer infarte ou derrame aumentou em 16% nos obesos com histórico dessas doenças. Não existe nível de segurança para uso da sibutramina. Frente ao tipo de eficácia que o medicamento dá, que não se sustenta a longo prazo, não vale a pena o risco", explica a chefe do Núcleo de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária da Anvisa, Maria Eugênia Cury.

Diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Cláudia Cozer, é a favor da liberação das medicações e considera a medida da Anvisa extremista. A entidade participou do painel técnico realizado pela Anvisa no dia 14, em Brasília, para debater a questão. "É muito radical. Em um país de terceiro mundo, que tem índice elevado de obesidade, não teremos arma terapêutica, a não ser reeducação alimentar. Estamos abertos a ser fiscalizados se eles exigirem. O que não concordamos é que os remédios sejam banidos", afirma Cláudia.

EX-ADEPTA
Ela usou e abusou de remédios emagrecedores por quase 20 anos, passou por 20 médicos, teve depressão e desde 2009 deixou de recorrer às medicações. A maquiadora Juliana Prates, 35 anos, de São Bernardo, deixou de acreditar em fórmulas milagrosas e optou pela reeducação alimentar.

"Cheguei a emagrecer 12 quilos em um mês. Minha estrutura mudou e meu corpo pedia exercícios. Hoje aprendi a fazer dieta sem tomar remédio e me sinto bem mais saudável. É possível."



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O risco da proibição
dos emagrecedores

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

27/06/2011 | 07:13


A polêmica está armada. De um lado, endocrinologistas que defendem a prescrição responsável da sibutramina, que controla a ansiedade e dá efeito de saciedade, e dos derivados de anfetamina, que inibem o apetite. De outro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que avalia os riscos como maiores em relação aos benefícios e sinaliza o veto às medicações.

No entanto, para o endocrinologista e presidente da Comissão de Comunicação Social da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Ricardo Meirelles, a possível restrição pode induzir o surgimento do comércio ilegal das medicações, oferecendo riscos ainda maiores à saúde não só dos obesos, como de toda a população. "Se proibir a prescrição oficialmente, certamente teremos a proliferação do mercado negro. Tudo o que é proibido vai cair na clandestinidade. Vão continuar usando, porém as consequências à saúde serão ainda piores."

Mazindol, dietilpropiona e femproporex compõem a família da substância química anfetamina. O consumo da droga, manipulada em laboratório, estimula o sistema nervoso, responsável pelo ajustamento do organismo ao ambiente.

Quando há uso abusivo, o aumento das atividades dos neurotransmissores se reflete em todo o corpo. Prescritos de forma irregular e sem acompanhamento médico, os derivados anfetamínicos podem causar alterações de humor, falta de ar, insônia, hipertensão, taquicardia, crises de pânico e o pior dos sintomas: a dependência. Depressão e irritabilidade são os principais sintomas ocasionados pela falta da droga. Com orientação, os fatores negativos podem ser evitados. "Vão criar outros meios para vender e os remédios serão receitados por pessoas que não cumprem o regulamento. Nós conhecemos nossos pacientes, temos critério e bom senso", comentou a endocrinologista da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Ângela Zacarelli.

Como consequência da restrição, que pode se concretizar após o parecer final da Anvisa, previsto para agosto, a indústria farmacêutica deve se aquecer em busca de novas drogas para serem despejadas no mercado. O problema é que, para compensar o custo elevado dos estudos para a criação dessas fórmulas, logo que chegar ao comércio os preços terão de ir às alturas.

"O valor vai cair apenas com a perda da patente, enquanto isso será algo elitizante. As pessoas mais pobres só terão acesso aos remédios depois de 10 ou 12 anos. Essa é a nossa certeza. Três anos atrás a sibutramina custava até R$ 300", ressalta Meirelles. Hoje, o preço da caixa do remédio com 60 comprimidos é de cerca de R$ 30.

 

Médicos contestam argumentação da Anvisa

Os endocrinologistas consideram a utilização dos remédios um aliado para o tratamento da obesidade, já que a maioria dos doentes não consegue mudar hábitos alimentares sem recorrer às medicações. Porém, a Anvisa baseia-se em estudos internacionais que indicam o aumento da pressão arterial pelo uso contínuo da sibutramina, que poderia desencadear quadro de hipertensão e doenças cardiovasculares. "Foram acompanhados 10 mil pacientes pelo mundo durante seis anos. O risco de acontecer infarte ou derrame aumentou em 16% nos obesos com histórico dessas doenças. Não existe nível de segurança para uso da sibutramina. Frente ao tipo de eficácia que o medicamento dá, que não se sustenta a longo prazo, não vale a pena o risco", explica a chefe do Núcleo de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária da Anvisa, Maria Eugênia Cury.

Diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Cláudia Cozer, é a favor da liberação das medicações e considera a medida da Anvisa extremista. A entidade participou do painel técnico realizado pela Anvisa no dia 14, em Brasília, para debater a questão. "É muito radical. Em um país de terceiro mundo, que tem índice elevado de obesidade, não teremos arma terapêutica, a não ser reeducação alimentar. Estamos abertos a ser fiscalizados se eles exigirem. O que não concordamos é que os remédios sejam banidos", afirma Cláudia.

EX-ADEPTA
Ela usou e abusou de remédios emagrecedores por quase 20 anos, passou por 20 médicos, teve depressão e desde 2009 deixou de recorrer às medicações. A maquiadora Juliana Prates, 35 anos, de São Bernardo, deixou de acreditar em fórmulas milagrosas e optou pela reeducação alimentar.

"Cheguei a emagrecer 12 quilos em um mês. Minha estrutura mudou e meu corpo pedia exercícios. Hoje aprendi a fazer dieta sem tomar remédio e me sinto bem mais saudável. É possível."

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