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Bateria da Mangueira
acirra debates no Carnaval

Um ano depois da 'paradona' que assombrou a Sapucaí,
o presidente da escola arriscou ainda mais neste desfile



21/02/2012 | 04:45


Um ano depois da "paradona" que assombrou a Sapucaí com o silêncio prolongado da bateria, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, arriscou ainda mais no desfile do início da madrugada de terça-feira, em que homenageou o lendário bloco Cacique de Ramos. Numa Sapucaí ampliada com novas arquibancadas, a Verde e Rosa fez o que Meirelles chamou de "parada show", dividindo opiniões mais uma vez.

 

Pelo menos quatro vezes, na frente das cabines de jurados, a bateria parava e o som da passarela caía por quase dois minutos, deixando o samba sustentado nas vozes dos componentes e de um time de estrelas escalado para um pagode quase intimista sobre um pequeno carro. Numa referência ao reduto do pagode que se tornou o Cacique, nomes como Alcione, Sombrinha, Dudu Nobre, Noca da Portela e Xande do Revelação revezaram-se num show que animou quem estava próximo, principalmente na retomada da bateria.

 

O problema é que a arquibancada não acompanhou, talvez pelas fragilidades do samba deste ano, e quem estava diante de outros setores da escola não ouvia, nem entendia. A maioria suspeitava de uma falha do som da Sapucaí e tentava incentivar a escola com aplausos, mas a longa parada desanimava.

 

Integrante da comissão de frente, Beth Carvalho chegou a esboçar um semblante de preocupação, olhando para as caixas de som. No abre-alas, o destaque Serginho do Pandeiro chegou a se ajoelhar e tocar os ouvidos com as mãos, como se pedisse pelo canto do público.

 

De fato, a primeira parada cortou totalmente o som, com a desconexão de um cabo entre o carro de som dos pagodeiros e a bateria, admitiu Meirelles. Mas ele acredita que, embora arriscada, a inovação funcionou e não vai prejudicar a escola em quesitos como harmonia e evolução. "As baterias estão cada vez mais parecidas. A cada ano é preciso arriscar mais para se diferenciar. Eu sou um presidente que vim da bateria, sabia que era possível", afirmou. "No início o público achou que era pane de som. Depois o público entendeu e veio a catarse. Quando escutaram o samba, virou festa", afirmou. De qualquer forma, a bateria se mostrou afiada com seu característico surdo e o toque contínuo das caixas que dá à Mangueira um toque único.

 

De acordo com Ivo, inicialmente a parada-show só ocorreria no início do desfile. Foi no segundo recuo da bateria que ele decidiu continuar com o efeito. "A bateria da Mangueira está pronta para tudo", concordou Alcione. Dudu Nobre revelou que o grupo ensaiou durante as madrugadas para garantir o segredo.

 

Cacique e onça - O carro em que os artistas estavam surgia em meio aos integrantes da bateria, que abriam espaço também para o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Eles estavam caracterizados como um cacique e uma onça, alusão ao grande rival do Cacique, o Bafo da Onça, que também apareceu em fantasias e em um dos oito carros alegóricos, alguns bem mais modestos do que os das outras agremiações.

 

O carnavalesco Cid Carvalho não teve pudor em abrir mão do tradicional verde e rosa na maior parte do desfile para assumir o branco, vermelho e preto do Cacique. Ele aproveitou para retratar os antigos carnavais e lembrar outros blocos que marcaram o carnaval do Rio.

 

Orixás - A comissão de frente também ousou com um conjunto de bailarinos representando orixás sob uma árvore metalizada que lembrava a tamarineira do terreiro de candomblé onde começaram as rodas de samba do Cacique. O coreógrafo Jayme Aroxa contou que priorizou a dramaticidade dos integrantes simulando transes do que a dança no chão. Como divindades, eles só se apresentavam sobre o pequeno carro em que eram conduzidos, apenas o Exu dançava na pista. No tablado, que pareceu pequeno para a evolução, eles apresentavam a madrinha do Cacique, Beth Carvalho, e os sambistas revelados pelo bloco Jorge Aragão, Bira e Birani.

 

O desfile foi uma redenção para a mangueirense Beth Carvalho, que em 2007 foi impedida de desfilar no carro de baluartes da escola em meio a desavenças com a diretoria. Primeira a gravar composições de crias do Cacique como Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz, Beth foi apresentada como o elo comum entre o bloco e a Mangueira. "É uma emoção dupla porque esse desfile une as duas paixões da minha vida", disse a cantora, que chegou à concentração numa cadeira de rodas por causa da recuperação de lesões na coluna.



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