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S.Bernardo cobrará indenização de vizinha


Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

11/04/2011 | 07:00


A Prefeitura de São Bernardo vai pedir indenização da adminitração de Santo André caso a Estrada do Montanhão seja fechada. O problema gira em torno do bairro Baraldi, que pode ficar isolado com a interdição da vicinal. Conforme o secretário municipal de Gestão Ambiental, Gilberto Marson, a abertura de outro acesso para o bairro causaria impacto ambiental quatro vezes mais negativos que a permanência da estrada.

Vale lembrar que a Estrada do Montanhão pertence ao Parque do Pedroso, em Santo André. Ação judicial pelo fechamento corre desde a década de 1990. No ano passado, a Justiça concedeu prazo para que São Bernardo ache uma solução para o Baraldi. O período se encerra em julho.

Marson explicou que vai tentar persuadir a promotoria a manter a estrada. Para isso, a Pasta vai oferecer curso de agente socioambiental para as cerca de 200 famílias do Baraldi. "Assim os moradores terão embasamento para ajudar na preservação do Parque do Pedroso", explicou o secretário.

A Estrada do Pedroso é o caminho mais rápido do Baraldi para o Jardim Silvina. O trajeto, aberto em mata virgem há 50 anos aproximadamente, virou local de descarte de carros roubados e corpos de vítimas de assassinatos. "Além disso, a movimentação pela estrada prejudica muito o Parque do Pedroso, que é uma área de conservação ambiental", disse o promotor de Meio Ambiente de Santo André, José Luiz Saikali, autor da ação.

Na semana passada, a Policia Militar foi acionada para averiguar o corpo de um homem morto a tiros. De acordo com a polícia, a vítima (a primeira do ano a aparecer na estrada, levou quatro tiros).

Ao longo dos anos, a ocupação e uso do trajeto foram se intensificando. Inclusive, hoje uma linha de ônibus municipal (26-Centro/Baraldi) depende da estrada. Cerca de 350 pessoas são transportadas por essa linha diariamente, segundo a Prefeitura de São Bernardo. "Vamos tentar manter a estrada aberta, pois é o único acesso para o Jardim Silvina, onde existem escolas e postos de saúde", explicou Marson.

Vans e micro-ônibus escolares também utilizam a vicinal. Até mesmo caminhões de coleta de lixo foram flagrados pelo Diário trafegando sobre a via.

Pelo tom de ambos os lados, promotoria e Prefeitura devem brigar muito até julho. Enquanto isso, a população do Baraldi aguarda ansiosa alguma definição.

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, foi enfático sobre a interdição da antiga via. "Se Santo André quiser, a nossa Prefeitura assume a manutenção da estrada. O que não pode acontecer é prejudicar os moradores", ressaltou.

 

LINHA 26

De carro, é possível chegar em menos de 30 minutos na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Silvina, próximo à Avenida José Fornari.

O trajeto demora um pouco mais de ônibus, mas é a única opção para quem mora no bairro Baraldi. "Ônibus aqui passa a cada 40 minutos. Quem não tem carro, tem de esperar mais ainda em tempo de chuva", contou Luiz Pedro de Lima, 43 anos. Há 25 ele vive no Baraldi. "Quase todos os anos essa conversa sobre fechar a estrada aparece e a gente fica com medo. Não podemos ficar isolados aqui, a situação já é complicada para nós", reclamou o morador, que toma conta de um pequeno bar nas margens da estrada.

 

Acessos à estrada foram fechados em 2005

 

O acesso à Estrada do Montanhão por São Bernardo começa pela favela que se apropriou do nome da vicinal. Sem chuvas, a antiga estrada permite o tráfego fácil de veículos de passeio e caminhões pesados. Nesse trajeto, após a margem esquerda da pista se esconde um vale, devastado há vários anos.

O campo está praticamente aberto e a vegetação se esforça para esconder os acessos não oficiais à vicinal. São trechos de estradas, com postes de fiação elétrica e restos de cascalho que delineiam os traçados. Conforme o secretário de Gestão Ambiental, Gilberto Marson, os acessos clandestinos foram fechados em 2005. "A ação judicial fala sobre esses acessos. Queremos que a promotoria reveja o processo, pois essas estradas já foram fechadas", afirmou.

A Estrada do Montanhão serviu de acesso para caminhões e maquinários que trabalhavam em antigas pedreiras e usinas de remoção de areia. Um lago que servia para essa finalidade e hoje está esquecido pelo tempo ainda corre água pelas trilhas do vale./CW

A estrada dá acesso a outro trecho de terra, a Estrada do Areião, que margeia um dos braços da Represa Billings. Ali, muitos pescadores amadores desfrutam da natureza munidos de vara e molinete. "Agora que vão fechar a estrada, vou ter de procurar outro lugar para pescar", contou o aposentado Geraldo Barbosa, 58 anos. "Acho que se vissem que a gente cuida desse local, desistiriam do fechamento", opinou./CW

Desde criança, Adriano Donizete de Oliveira, 23 anos, está acostumado a acompanhar os amigos em dias de pesca. "Não é a primeira vez que a gente ouve sobre fechar a estrada. É uma pena", reclamou.

 

Santuário torce por acordo com Semasa

 

O Santuário Nacional de Umbanda está incrustado em uma das curvas da Estrada do Montanhão. Os diretores do local acompanham de perto as discussões sobre a interdição da vicinal. A expectativa é que, caso a Justiça determine o fechamento imediato, um acordo com o Semasa (Saneamento Ambiental de Santo André) garanta o funcionamento do santuário.

Ronaldo Antonio Linares, o Pai Ronaldo, é o diretor responsável pelo parque. Ele explicou sobre a possibilidade, apresentada pela autarquia, de o sanutário assumir a manutenção de parte da estrada. "Se for fechada, podemos colocar uma guarita na ponta mais próxima a Santo André. O problema é que o acesso ao santuário vai ficar mas complicado", afirmou.

Umbandistas de todo País visitam o santuário todos os meses. O caminho mais fácil é pelo Jardim Silvina, em São Bernardo. "Com o fechamento da vicinal, as pessoas terão de dar uma volta de cinco quilômetros para chegar aqui", disse Linares.

O outro caminho para o santuário, conforme o diretor, é pela Estrada do Pedroso, em Santo André.

O santuário tem 42 anos e, antes, os 645 mil metros quadrados pertenciam a uma pedreira. Após o reflorestamento executado pela entidade umbandista, o local é alvo de adeptos da religião. "Há 40 anos, aqui não tinha quase nada de vegetação. Com muita luta, conseguimos arborizar todo o território com plantas nativas. Nossa conservação é maior que 90%", garantiu Linares.

O Semasa, por meio de nota, informou que as conversas sobre o futuro do santuário serão retomadas após a decisão final da Justiça sobre a Estrada do Pedroso.



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S.Bernardo cobrará indenização de vizinha

Renan Fonseca
Do Diário do Grande ABC

11/04/2011 | 07:00


A Prefeitura de São Bernardo vai pedir indenização da adminitração de Santo André caso a Estrada do Montanhão seja fechada. O problema gira em torno do bairro Baraldi, que pode ficar isolado com a interdição da vicinal. Conforme o secretário municipal de Gestão Ambiental, Gilberto Marson, a abertura de outro acesso para o bairro causaria impacto ambiental quatro vezes mais negativos que a permanência da estrada.

Vale lembrar que a Estrada do Montanhão pertence ao Parque do Pedroso, em Santo André. Ação judicial pelo fechamento corre desde a década de 1990. No ano passado, a Justiça concedeu prazo para que São Bernardo ache uma solução para o Baraldi. O período se encerra em julho.

Marson explicou que vai tentar persuadir a promotoria a manter a estrada. Para isso, a Pasta vai oferecer curso de agente socioambiental para as cerca de 200 famílias do Baraldi. "Assim os moradores terão embasamento para ajudar na preservação do Parque do Pedroso", explicou o secretário.

A Estrada do Pedroso é o caminho mais rápido do Baraldi para o Jardim Silvina. O trajeto, aberto em mata virgem há 50 anos aproximadamente, virou local de descarte de carros roubados e corpos de vítimas de assassinatos. "Além disso, a movimentação pela estrada prejudica muito o Parque do Pedroso, que é uma área de conservação ambiental", disse o promotor de Meio Ambiente de Santo André, José Luiz Saikali, autor da ação.

Na semana passada, a Policia Militar foi acionada para averiguar o corpo de um homem morto a tiros. De acordo com a polícia, a vítima (a primeira do ano a aparecer na estrada, levou quatro tiros).

Ao longo dos anos, a ocupação e uso do trajeto foram se intensificando. Inclusive, hoje uma linha de ônibus municipal (26-Centro/Baraldi) depende da estrada. Cerca de 350 pessoas são transportadas por essa linha diariamente, segundo a Prefeitura de São Bernardo. "Vamos tentar manter a estrada aberta, pois é o único acesso para o Jardim Silvina, onde existem escolas e postos de saúde", explicou Marson.

Vans e micro-ônibus escolares também utilizam a vicinal. Até mesmo caminhões de coleta de lixo foram flagrados pelo Diário trafegando sobre a via.

Pelo tom de ambos os lados, promotoria e Prefeitura devem brigar muito até julho. Enquanto isso, a população do Baraldi aguarda ansiosa alguma definição.

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, foi enfático sobre a interdição da antiga via. "Se Santo André quiser, a nossa Prefeitura assume a manutenção da estrada. O que não pode acontecer é prejudicar os moradores", ressaltou.

 

LINHA 26

De carro, é possível chegar em menos de 30 minutos na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Silvina, próximo à Avenida José Fornari.

O trajeto demora um pouco mais de ônibus, mas é a única opção para quem mora no bairro Baraldi. "Ônibus aqui passa a cada 40 minutos. Quem não tem carro, tem de esperar mais ainda em tempo de chuva", contou Luiz Pedro de Lima, 43 anos. Há 25 ele vive no Baraldi. "Quase todos os anos essa conversa sobre fechar a estrada aparece e a gente fica com medo. Não podemos ficar isolados aqui, a situação já é complicada para nós", reclamou o morador, que toma conta de um pequeno bar nas margens da estrada.

 

Acessos à estrada foram fechados em 2005

 

O acesso à Estrada do Montanhão por São Bernardo começa pela favela que se apropriou do nome da vicinal. Sem chuvas, a antiga estrada permite o tráfego fácil de veículos de passeio e caminhões pesados. Nesse trajeto, após a margem esquerda da pista se esconde um vale, devastado há vários anos.

O campo está praticamente aberto e a vegetação se esforça para esconder os acessos não oficiais à vicinal. São trechos de estradas, com postes de fiação elétrica e restos de cascalho que delineiam os traçados. Conforme o secretário de Gestão Ambiental, Gilberto Marson, os acessos clandestinos foram fechados em 2005. "A ação judicial fala sobre esses acessos. Queremos que a promotoria reveja o processo, pois essas estradas já foram fechadas", afirmou.

A Estrada do Montanhão serviu de acesso para caminhões e maquinários que trabalhavam em antigas pedreiras e usinas de remoção de areia. Um lago que servia para essa finalidade e hoje está esquecido pelo tempo ainda corre água pelas trilhas do vale./CW

A estrada dá acesso a outro trecho de terra, a Estrada do Areião, que margeia um dos braços da Represa Billings. Ali, muitos pescadores amadores desfrutam da natureza munidos de vara e molinete. "Agora que vão fechar a estrada, vou ter de procurar outro lugar para pescar", contou o aposentado Geraldo Barbosa, 58 anos. "Acho que se vissem que a gente cuida desse local, desistiriam do fechamento", opinou./CW

Desde criança, Adriano Donizete de Oliveira, 23 anos, está acostumado a acompanhar os amigos em dias de pesca. "Não é a primeira vez que a gente ouve sobre fechar a estrada. É uma pena", reclamou.

 

Santuário torce por acordo com Semasa

 

O Santuário Nacional de Umbanda está incrustado em uma das curvas da Estrada do Montanhão. Os diretores do local acompanham de perto as discussões sobre a interdição da vicinal. A expectativa é que, caso a Justiça determine o fechamento imediato, um acordo com o Semasa (Saneamento Ambiental de Santo André) garanta o funcionamento do santuário.

Ronaldo Antonio Linares, o Pai Ronaldo, é o diretor responsável pelo parque. Ele explicou sobre a possibilidade, apresentada pela autarquia, de o sanutário assumir a manutenção de parte da estrada. "Se for fechada, podemos colocar uma guarita na ponta mais próxima a Santo André. O problema é que o acesso ao santuário vai ficar mas complicado", afirmou.

Umbandistas de todo País visitam o santuário todos os meses. O caminho mais fácil é pelo Jardim Silvina, em São Bernardo. "Com o fechamento da vicinal, as pessoas terão de dar uma volta de cinco quilômetros para chegar aqui", disse Linares.

O outro caminho para o santuário, conforme o diretor, é pela Estrada do Pedroso, em Santo André.

O santuário tem 42 anos e, antes, os 645 mil metros quadrados pertenciam a uma pedreira. Após o reflorestamento executado pela entidade umbandista, o local é alvo de adeptos da religião. "Há 40 anos, aqui não tinha quase nada de vegetação. Com muita luta, conseguimos arborizar todo o território com plantas nativas. Nossa conservação é maior que 90%", garantiu Linares.

O Semasa, por meio de nota, informou que as conversas sobre o futuro do santuário serão retomadas após a decisão final da Justiça sobre a Estrada do Pedroso.

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