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Moinho São Jorge vai importar dos EUA

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

10/05/2008 | 07:31


Em função das dificuldades para trazer trigo da Argentina, o Moinho São Jorge, de Santo André, vai iniciar compras desse item dos Estados Unidos.

A empresa espera, com isso, se beneficiar da medida anunciada na última quinta-feira pela Camex (Câmara de Comércio Exterior). O órgão do governo federal autorizou a importação de mais 1 milhão de toneladas desse país e do Canadá, para garantir o abastecimento e evitar novos aumentos de preços de derivados, como pão, bolacha e macarrão.

Pelas regras do Mercosul, sobre as compras de trigo de outros países fora do bloco incide tarifa externa comum de 10%, e a cota estabelecida pela Camex entrará isenta dessa tarifa.

Tradicional na região, a empresa, assim como outras do setor, sofre com os obstáculos impostos pelos agricultores do país vizinho - que impõe um locaute, ou seja, uma greve de produtores - num embate com o governo da presidente Cristina Kirchner, que fixou imposto de exportação para esse setor.

As dificuldades se devem ao fato de o Brasil depender do trigo importado da Argentina, que há vários anos abastece o mercado nacional. "Atualmente, o País produz apenas 25% do nosso consumo (dos moinhos). Em 1985, a produção brasileira representava 85%, ou seja, houve uma inversão total graças aos privilégios colocados pelo Tratado do Mercosul", afirmou o diretor Nilo Sirio, da empresa de Santo André.

O cereal, que custava para a companhia R$ 650 a tonelada no início do ano, já chega hoje em dia por R$ 1.000, ou seja, uma valorização de 54%.

"Como não podemos repassar integralmente esse aumento de custos, temos de absorver parte disso e reduzir nossa margem de lucro", afirmou.

O executivo garante que ainda é possível uma pequena lucratividade, já que a fábrica é bastante automatizada - o que garante maior produtividade.

Sirio acrescenta ainda que a companhia vinha negociando com produtores do Paraguai e adquirindo trigo argentino que já estava internado no Brasil antes das restrições.

No entanto, o Moinho São Jorge reduziu o volume de produção este ano na comparação com o ano passado. Fabrica atualmente cerca de 16 mil toneladas ao mês, 40% menos do que em 2007. "Já chegamos a produzir 30 mil toneladas. O mercado está disputado e há uma invasão da farinha de trigo argentina", disse Sirio.

Farinha - O setor de moinhos reivindica do governo federal uma sobretaxação sobre a farinha de trigo argentina e também uma fiscalização mais rígida sobre esses produtos.

Com restrições impostas pela presidente Cristina Kirchner para a exportação do cereal, o país vizinho passou a ampliar as vendas de farinha ao Exterior, que recebem subsídio desse governo.

"É uma prática desleal e geradora de dumping (oferta de preços abaixo do custo para quebrar a concorrência)", avalia Sirio.

De 600 mil toneladas anuais de farinha trazidas da Argentina em 2007, neste ano a previsão é que se chegue a 1 milhão de toneladas.



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