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MPF requer documentos na Alemanha de crime na Volks

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

24/06/2016 | 07:48


O MPF (Ministério Público Federal) pediu documentos à matriz da Volkswagen, na Alemanha, para integrar inquérito civil sobre possíveis crimes praticados na empresa automotiva, com filial em São Bernardo, durante a ditadura militar (1964-1985). O procurador Pedro Antônio Machado, que está à frente do caso, relatou ter solicitado materiais em relação ao período depois de dados encaminhados pela companhia no Brasil basicamente repetirem informações já constantes na representação. O pedido era de elementos relacionados ao departamento de segurança industrial e suas relações com as forças militares e policiais nos tempos do regime.

Grupo formado a partir da encerrada Comissão Nacional da Verdade provocou a ação em andamento hoje na Promotoria. Fórum criado por centrais sindicais aponta cumplicidade da empresa alemã com o governo em práticas de violação de direitos humanos na ditadura. Documentos mostram fornecimento de dados pessoais de trabalhadores. No relatório aparece lista negra entregue ao Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) com nomes de funcionários ligados ao Grande ABC. Os registros mostram seções de atuação, endereços de residências e funções. Tratam-se de trabalhadores considerados subversivos por conta, principalmente, de suas posições políticas.

O órgão tenta recuperar dados sobre o apoio internacional ao golpe militar no País e de informações confidenciais enviadas aos agentes responsáveis pela repressão. Documentos indicam, por exemplo, a cooperação da montadora com o Dops. Dentre eles, destaca-se um resumo da atuação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema elaborado pela segurança da Volks. O coronel Adhemar Rudge dirigia o serviço de segurança da multinacional de 1969 até 1991. Foi ouvido ontem, na sede do MPF, na Capital, para prestar esclarecimentos sobre o período. Em depoimento, Rudge negou colaboração e disse que ele era mais um entre vários militares da reserva que atuaram na segurança de grandes empresas, como a Ford e Mercedes.

Questionado sobre a perseguição a sindicalistas e trabalhadores da Volks, Rudge rechaçou a existência de revista nos empregados e descartou qualquer medida de repressão aos funcionários. “Eu não tinha relações com os sindicatos. O pessoal que era do sindicato, empregado da fábrica, eles tinham livre acesso, tinham liberdade de andar lá dentro”, disse, alegando desconhecer comunicações trocadas entre a multinacional e as forças militares e policiais no monitoramento cotidiano dos colaboradores. “Não recebi e nem fazia comunicação ao Dops. O nosso setor não era político, era só para tomar conta do patrimônio.”

João Batista da Rocha Lemos também participou de oitiva no MPF. Ele trabalhou na Volks desde 1977 e foi demitido nas mobilizações de greve de 1980 na região. Em sua fala, o ex-funcionário, que teve sua casa invadida pela polícia enquanto trabalhava na empresa, no contexto da greve de 1979, mencionou perseguição da chefia da multinacional contra trabalhadores “suspeitos”. “A gente sentia que estava sendo seguido, observado, pela segurança do setor.”  



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MPF requer documentos na Alemanha de crime na Volks

Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

24/06/2016 | 07:48


O MPF (Ministério Público Federal) pediu documentos à matriz da Volkswagen, na Alemanha, para integrar inquérito civil sobre possíveis crimes praticados na empresa automotiva, com filial em São Bernardo, durante a ditadura militar (1964-1985). O procurador Pedro Antônio Machado, que está à frente do caso, relatou ter solicitado materiais em relação ao período depois de dados encaminhados pela companhia no Brasil basicamente repetirem informações já constantes na representação. O pedido era de elementos relacionados ao departamento de segurança industrial e suas relações com as forças militares e policiais nos tempos do regime.

Grupo formado a partir da encerrada Comissão Nacional da Verdade provocou a ação em andamento hoje na Promotoria. Fórum criado por centrais sindicais aponta cumplicidade da empresa alemã com o governo em práticas de violação de direitos humanos na ditadura. Documentos mostram fornecimento de dados pessoais de trabalhadores. No relatório aparece lista negra entregue ao Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) com nomes de funcionários ligados ao Grande ABC. Os registros mostram seções de atuação, endereços de residências e funções. Tratam-se de trabalhadores considerados subversivos por conta, principalmente, de suas posições políticas.

O órgão tenta recuperar dados sobre o apoio internacional ao golpe militar no País e de informações confidenciais enviadas aos agentes responsáveis pela repressão. Documentos indicam, por exemplo, a cooperação da montadora com o Dops. Dentre eles, destaca-se um resumo da atuação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema elaborado pela segurança da Volks. O coronel Adhemar Rudge dirigia o serviço de segurança da multinacional de 1969 até 1991. Foi ouvido ontem, na sede do MPF, na Capital, para prestar esclarecimentos sobre o período. Em depoimento, Rudge negou colaboração e disse que ele era mais um entre vários militares da reserva que atuaram na segurança de grandes empresas, como a Ford e Mercedes.

Questionado sobre a perseguição a sindicalistas e trabalhadores da Volks, Rudge rechaçou a existência de revista nos empregados e descartou qualquer medida de repressão aos funcionários. “Eu não tinha relações com os sindicatos. O pessoal que era do sindicato, empregado da fábrica, eles tinham livre acesso, tinham liberdade de andar lá dentro”, disse, alegando desconhecer comunicações trocadas entre a multinacional e as forças militares e policiais no monitoramento cotidiano dos colaboradores. “Não recebi e nem fazia comunicação ao Dops. O nosso setor não era político, era só para tomar conta do patrimônio.”

João Batista da Rocha Lemos também participou de oitiva no MPF. Ele trabalhou na Volks desde 1977 e foi demitido nas mobilizações de greve de 1980 na região. Em sua fala, o ex-funcionário, que teve sua casa invadida pela polícia enquanto trabalhava na empresa, no contexto da greve de 1979, mencionou perseguição da chefia da multinacional contra trabalhadores “suspeitos”. “A gente sentia que estava sendo seguido, observado, pela segurança do setor.”  

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